sexta-feira, 31 de agosto de 2012

De mãos dadas...


Juntos percorremos mais um ano lado a lado,
gozando dias de lazer, de férias, de descanso,
com tempo para tudo, para nós, para o silêncio, 
para pensarmos sossegados,
falarmos do passado e do presente.

Gozamos o prazer de olhar o mar 
e nele mergulhar  a qualquer hora,
dormir tranquilos na praia
numa sombra rebuscada,  
fugindo do sol intenso e escaldante. 
E no final do dia já cansados,
gozámos do prazer das caminhadas de mãos dadas,
que fazíamos com ternura,
como sinal de força, amor e valentia.
Um tempo que queríamos só para nós, 
para em silêncio ou conversando,
nos dizermos coisas banais,
que nos faziam sorrir, 
só por serem isso,
vulgares e comuns, 
mas diferentes das conversas habituais.

Relembrámos tempos idos, 
de um passado longínquo que adoraremos para sempre.
O que vivemos juntos, 
com os nosso filhos hoje adultos,
que tudo pensado e dito agora, 
parece ter sido um sonho lindo e inventado,
uma verdade nunca vista nem sentida, 
mas que realmente existiu e é a relíquia  desse  passado distante,
que é nosso, e só a nós pertence 
e está guardado nas nossas almas para sempre.

Para o ano se voltarmos, 
decerto teremos as mesmas conversas, 
falaremos das mesmas recordações, as que guardaremos sempre na memória.
Daremos mergulhos idênticos, 
e o sol escaldante 
aquecerá de novo a nossa pele.
Quem sabe teremos um pouco mais vontade de sorrir, 
que esta forma de estar e de sentir
foi a única que este ano, eu e tu, tenho a certeza, 
esteve dentro de nós bastante ausente.

Mas sei que voltaremos sempre, 
e mesmo que em silêncio, 
caminharemos como agora unidos de mãos dadas, 
recordando de novo esse passado 
que foi lindo e só a nós pertence.


Fotos do Google

AMOR ardente, esquecido...



Não sei se na vida amei e fui ou não amada, por completo,
porque não o soube fazer,
não me fiz entender,

e por isso não sei se mereci ou não ser amada como sonhei, 
mas quando morrer quero que todos saibam que mesmo assim AMEI!!!!

Queria receber muito, receber tudo,
mas tanto, que não imagino o quanto,
porque quando se ama dá-se tudo e o que se recebe não se deve pedir, 
só aceitar de volta o que nos dão, pois o amor não tem medida de troca …

Queria sentir se possível as tuas mãos passarem no meu corpo como se fossem seda 
e sentir frio e ter desejo de fugir, 
mas ficar ali parada à espera que as tuas mãos e o teu corpo, 
serenassem o meu corpo frio, ardente de desejo,
e permanecessem nele e nele ficassem e o despertassem …tanto que nem sei.

Queria sentir ainda o que aos poucos me fugiu, e já não tenho mais comigo!
Esse amor escaldante de quando se é jovem,
esse fogo ardente que nunca segurei comigo,
que me fugia sempre, mal me tocavas ao de leve,
que nunca me visitou deveras, nunca foi meu amigo,
amor físico mal comportado, mal tratado, impróprio, mal feito,
que hoje não sei por onde anda, onde se esconde.

Amor que nunca vivi como queria,
mas que continua a povoar os meus sonhos de quando em vez.

Porque mesmo assim lhe sinto a falta,
porque sei que existe, e se é possível existir, e é,
para mim foi-se de vez, partiu, 
escondeu-se nalgum sitio bem longínquo,
algures onde nunca mais conseguirei vislumbrar-lhe a cor, o jeito, a graça…




Preciso gritar para o mundo esta carência, esta falta, este sufoco,
esta ausência de te não ter tido inteiro como sonhei,
e tu ali sempre tão perto,
que só muito tarde me dei conta que os sonhos nos traem,
nos enganam, nos levam à pobreza física, à desgraça,
nos fazem morrer devagar, 
tão devagar que não se sente, mas nos mata,
e tenho que o dizer senão morro depressa,
e não quero morrer sem deixar isto tudo por dizer!

Senão, quando morrer não morro inteira!

NÃO, mas se na vida não amei por completo,
porque não o soube fazer,
não me fiz entender,
ou não mereci ser amada desse jeito,
quando morrer quero que todos saibam que mesmo assim amei e fui amada.

Sim AMEI!!!! 
Ainda que de uma forma diferente,

MAIS DURA E CRUEL mas MUITO mais intensa.

Fotos do Google

Como gostei dele


Vi-o e era ele, todo preto.
Olhei-o de soslaio
e reconheci-o logo.
Sei que também me olhou
e num instante
senti o seu olhar triste, frio e muito distante.
Apesar de não falar, sentir ou ver,
sei que me olhou, me viu e gostou de me ver ali.
Mas ficou inerte, parado e firme como antes.

Não disse nada, só me olhou e ficou quieto.
Eu fugi dele,
do meu refugio de anos,
a minha segunda casa,
onde sozinha chorei lágrimas incontidas,
segredei as minhas mágoas,
as mais pesadas e sofridas.

Agora já não é meu,
tem outro dono, é de outra gente.
E como eu tenho saudades dele,
do seu conforto eterno,
do seu aconchego,
da paciência com que me escutava,
me levava para todo o lado em segurança.

Mas como raio se pode gostar assim
de algo que não sente,
não tem alma, não é gente,
não é animal nem planta
é simplesmente uma coisa, um objecto inerte?

Mas na verdade eu gostei e ainda gosto dele.

É que essa coisa devia pertencer-me para sempre,
permanecer comigo como um amigo,
porque encerra  um pouco a minha história,
o meu sentir, o cheiro que liberto e mais gosto.

A gente por vezes ama coisas que não deve,
não têm alma, indevidamente,
mas que por uma  qualquer razão um dia
nos fizeram bem,
nos fizeram felizes
nos fizeram sentir mais vivos e mais gente.

Fotos do Google

Os nossos Beijos...hoje são eternos.


Hoje damos beijos calmos
entre abraços nunca amargos mas contidos.
Beijos doces, preciosos,
que são únicos por serem nossos,
que resistem e sobrevivem puros
ao passar da intranquilidade dos tempos,
permanecendo eternos
acima de todas as nuvens cinzentas,
densas, escuras,
negras, pesadas e por isso indesejadas,
mas que são parte da nossa vida,
e povoam hoje as nossas mentes.


Beijos ligeiros, singelos, lindos
que sinto 
serão para sempre eternos.
Que dados assim como o fazemos
têm o sabor de um amor seguro, ainda com esperança de um futuro,
a imensa ternura dos sessenta,
da fruta mais sumarenta e doce,
por isso mais rica e deliciosa 
apenas por ser madura.

Com menos ardor, menos paixão,
bem sei, mas isso que nos importa
se o que conta,
é darmos ainda beijos que sentimos nossos,
queridos e desejados,
ricos de meiguice,
eu a ti e tu a mim, eternamente,
para toda a vida,
uma vida longa, eterna e doce,
que temos ainda com certeza à nossa frente.


Fotos do Google

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os nossos beijos


Já não sinto nos meus lábios
o toque macio e doce dos teus lábios cor de ameixa 
o seu roçar quente, suave e delicioso 
como pétalas de rosa macias 
tal como fazias antigamente.

Beijavas-me e num só beijo
com os teus lábios sedutores e ardentes 
colados nos meus
contavas-me os teus sonhos e desejos,
amavas-me e segredavas-me sem palavras os teus sonhos,
e levavas-me docemente até aos céus.

Fazias de mim um anjo amado e sedento
e tu por momentos 
transformavas-te nas suas asas brancas, 
mais brancas e bonitas que nenhumas outras,
majestosas, deslumbrantes,
que me seguravam no teu e nosso firmamento mil coisas,
o céu onde eu permaneceria contigo se possível para sempre,
e onde por instantes, 
me sentia a tua rainha.

Agora os nossos beijos são mais calmos e tranquilos
pois com o tempo perderam o brilho das estrelas.
São mais ligeiros, mas nunca amargos
porque nos amamos ainda  
e seremos sempre eternos companheiros a amigos das estrelas.
São beijos meigos ainda possessivos,
que resistiram ao passar das nuvens densas
com que a vida dia a dia nos presenteia
constantemente. Mas tu sabes que sobreviveram

Beijos doces, amorosos 
vamos dá-los todos os dias mutuamente 
cada dia diferentes, 
beijos mágicos, sentidos, com sabedoria, 
talvez com menos ardor menos paixão,
mas beijos que marcarão e acompanharão a nossa vida para sempre.
Os beijos de amor que damos hoje 
são lindos e eternos como ontem
porque são nossos.
Os nossos beijos de amor serão sempre puros 
e terão sempre vida.





Fotos do Google

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Este lugar...também é vosso


Voltar de novo a este espaço
onde no Verão eles brincavam
saltitando de alegria com outros meninos, 
mergulhando como gente grande 
felizes e contentes 
como se a piscina  fosse algo majestoso
um brinquedo único, misterioso,
gigante, imprescindível e maravilhoso.

Que fascínio, que encanto, que ternura
vê-los assim satisfeitos 
num corre corre seguro
sempre alegres e contentes.
Mas o tempo passou,
tudo mudou e hoje não são eles
mas outros os meninos
que brincam e mergulham na piscina
que também foi deles antigamente.

- Olha mãe, vê este salto!
- Cuidado - gritava eu preocupada.
E ele saltava e ela também e eu sei que naquela altura
a piscina era o encanto das minhas crianças.

Como ontem, hoje outras crianças 
brincam como vocês o faziam antigamente.
Outras mães, outras avós zelam por elas
e ao longe eu olho com espanto o frenesim,
e invejo e admiro atenta todo o movimento.

O tempo passou,
mas de repente parece-me que voou
ou então que parou
não entendo como,
mas sinto que estamos ali juntos novamente,
eu, vocês, a piscina, os saltos e a brincadeira.

- Olha mãe, olha este salto, melhor ainda que o outro!
E eu fecho os olhos, ouço-o,
respondo-lhe,
digo-lhe que sim.
E vejo-o a atirar-se,
vejo-o ali,
e a ela também a vejo, sorrindo feliz.

Vejo-os como se estivessem comigo
neste espaço lindo que foi  nosso,
tão intimo, tão familiar, amigo e prazenteiro,
neste espaço que existe ainda
mas que como nós também mudou.

Fotos do Google

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Terra, corpo e mente tudo igual...tudo diferente


Tenho os pés as pernas, 
o corpo inteiro
cheios de areia
grudada em mim, 
áspera e tão grossa 
que me corta a pele
me seca a carne, 
me chega à alma, 
que não consigo pensar
e manter-me de pé,
inteira. 

Na cabeça confusa
montes de terra grossa,
autênticos pedregulhos
negros, pesados e duros 
imagens distantes,
cenas vividas atrás,
acontecimentos passados,
dispersos,
que deviam estar esquecidos
bem sei, mas não estão.
Inundam-me também cenas presentes,
perturbações recentes
penosas, recorrentes,
que pesam sobre os meus ombros,
me corroem por dentro
e querem enterrar-me viva,
sufocar-me de dor 
de aflição, não resisto
e sofrida, dorida
só consigo gritar: NÃO!

Sei que sou parva,
incompetente
agora descrente de tudo,
acredito possível essa invasão
e consinto-a lentamente,
cada dia mais um pouco.
E a areia e a terra,
o peso do mundo inteiro
invadem-me num todo
e o meu corpo lascivo permite-o
porque estou farta,
não tenho forças,
estou cansada 
e não tenho soluções
para nada do que sinto.

Que situação incrível!
Não sei mais o que sou,
e nem sequer porque existo.

Já não sinto amores
como antigamente,
nem paixões ardentes me avassalam.
O meu corpo já não vibra de emoções,
e de mim, 
desapareceram as marés 
dos sonhos que outrora me embalavam,
me faziam ruborescer,
povoavam a minha mente,
me faziam sorrir de amor,
sonhar e pensar que a felicidade existe,
fazendo de mim outro ser,
uma mulher diferente.

Que faço eu agora, escrevo?
mas o quê?
se não sei escrever nada
nem sequer sei o que sinto?

Porque não paro?
se dito ao papel, palavras soltas
simples, banais, 
largadas ao vento, 
sem nexo, sem sentido,
palavras loucas 
que a mim nada dizem
nem me aliviam o peso que sinto.

Então porque as escrevo,
sim?
porque as escrevo afinal, ´
se não as entendo também?

E num grito aflito, paro,
solto a caneta, e grito de novo: NÃO!

A terra  não me vai engolir que eu não deixo.


Fotos do Google

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em busca do amor


O amor
levantei-me cedo para o procurar
andei, andei muito,
cansei-me de caminhar
busquei por todo o lado
mas não o encontrei e chorei
chorei perdida e desencantada.

Abraçou-me de repente uma aragem
fresca e doce
que me segredou em sussurro
que o amor que eu buscava
me fugira, partira havia tempo
e resoluto jurara que para mim não voltava.

- Mas como posso eu viver sem amor
sem amar e ser amada?
Assim vou morrer mais cedo, de tédio de dor,
e pior ainda, vou morrer só e desesperada.

- Deixou-te algo mais nobre,
mais belo e mais profundo,
mais forte mais resoluto,
 a amizade mais pura por tudo e todos
o poder olhar as coisas,
o mundo inteiro,
abrir-lhe os braços,
dar e receber,
aceitar e partilhar
e acolher todas as coisas
no teu regaço.
Sorrir e não dizer mais nada.

Isto é outra forma de amor
mais calmo e terno, mais doce e prazenteiro
um amor que não se perde,
não se busca, que vive com a gente
que se impregna na nossa pele
fazendo parte de nós completamente,
de mim e de ti que amaste tudo e todos
mas de forma indevida.

Aceitei que o amor partira,
que o amor possessivo que sentia antes
por tudo e todos,
me abandonara de vez.
E embrulhei-me nessa aragem
meiga e fria,
sentia-a minha
e renasci outra vez.

Senti que no local do amor
ficara  um rebento
um desejo enorme e celestial
de crescer mais ainda,
ganhar sabedoria
de viver e transmitir a amizade intensa,
a companhia sempre presente,
de aprender a ser feliz
de me fazer de novo gente.


Fotos do Google

Outros mares ...outras terras


Tanto mar,
o mesmo de ontem e de sempre
tanto ir e voltar no seu enrolar constante
tanto areal que não consigo deixar de olhar
onde o mar infatigável se atira e depois amansa
tanta gente que num compasso permanente
gira que gira, salta ou corre,
passeia descomprometida
gente que como ele parece que não se cansa,
gente que ri, que conversa,
gente que parece diferente de mim
que se contam mil coisas
e sorriem...


E eu olhando este mar imenso,
que me atormenta e perturba
no seu labutar contínuo
que ninguém manda ou conduz,
só lamento não poder voar até atingir o céu
e de um passo chegar ao outro lado,
longínquo, mas sei fascinante e belo,
onde este mar acaba
e começa de novo a terra
uma terra calorosa e quente
de coqueiros e palmeiras
onde o Sol brilha mais alto e se deita atrás da Serra


Fotos do Google

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Saudades do mar, da areia ...do antigamente....


Tanto mar
tanto ir, tanto voltar,
tanta luta deste mar imenso, 
tanto batalhar intenso 
e a areia dourada na praia 
recebe-o sempre serena,
deixando que ele incansável
lhe bata,
lhe bata constantemente
sem nunca gemer um"ai"
sem proferir um lamento.
E num ir e vir permanente
ouvindo dele grunhidos,
sussruros, 
ralhos que parecem loucos,
ela deixa-o sempre bater-lhe, 
bater...
bater-lhe eternamente.

Passa gente,
num compasso apressado ou lento,
mas passa constantemente
olhando ora um lado ora outro, 
quase sempre 
desatentas a outras gentes
e ao mar que as cobiça 
e a todas convida  a entrar
porque as deseja abraçar 
sempre, sempre 
gratuitamente.

Passa gente que vai e volta
que conversa sobre a vida, 
sobre o tempo,
gente descontraída
que não se cansa
gente que conversa e ri, 
que falam de mil coisas diferentes.
Decerto gente feliz.

Gente despida, quase nua
de carnes expostas ao sol
magras escanzeladas, 
gordas, altas, baixas
muito ou pouco torneadas,
bonitas ou feias
isso que importa,
mas passam e falam muito
e parecem ser felizes 
que eu como o mar bem as olho
e não ouvindo o que dizem
vejo que sorriem
e dão gargalhadas.

Mas eu aqui parada
só quero olhar o mar
e se pudesse
queria falar-lhe, 
conversar com ele,
confessar-lhe como agora ao contrário dele
sempre no seu constante labutar,
que não o cansa, não o muda,
não o faz padecer nada,
estou diferente no sentir, no querer e até no amar.

Mas muito descontente,
por esta gente que não para de passar,
não consigo dizer-lhe nada,
contar-lhe o que tenho feito,
como tenho vivido, 
sentido a vida,
falar-lhe do que hoje me rodeia,
não consigo dizer-lhe do meu pesar,
desde que eles deixaram de vir vê-lo,
que deixaram de pisar comigo este areal infindo.

Admiro este mar profundo,
bendito e fresco no olhar,
no seu trabalhar ruidoso, incessante e belo,
sinto na pele o sol intenso e quente
que espelha na areia raios de luz brilhante,
oiço o convite que juntos
me fazem constantemente,
a pisar o areal ardente
e depois mergulhar no mar, sem medos,
como fazia com eles antigamente.

Mas eu estou diferente,
e não quero.
Ao contrário do mar que  não envelhece,
extenso azul e verde até ao horizonte,
eu sou como a areia que fica
que muda e desanda continuamente,
mas sempre lhe abre os braços ternos e o amansa,
e o deixa depois partir docemente,
como se fosse gente,
tal como eu fiz 
e faço agora com eles
que partiram para o mundo
e voltam soltos e livres para mim
como se fossem mar e eu um areal imenso
para os receber cada instante.


Fotos dos Google

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Um flor...ai se eu fosse uma flor!


Queria ser uma flor


Queria ser uma flor,
não de nome,
mas uma flor verdadeira.

...uma flor qualquer.
Vulgar,
sem cor definida,
fresca e singela,
Mas uma flor com cheiro.

...uma flor do monte
ou do campo ou de um qualquer paradeiro
mas bela ao olhar.

Uma flor a sério,
com caule e folhas
e pétalas coloridas,
com pólen amarelo e com cheiro,
uma flor bela, sim, 
mas sem espinhos.

Uma flor singela,
tão simples que ao passar
todos reparassem nela.

Forte e altiva,
isso sim,
que ao ser cortada, pisada
ou rejeitada,
permanecesse sempre inteira...


Foto do Google

sábado, 18 de agosto de 2012

Vem AMOR!



Vem amor 

Vem ter comigo 

deixa-me abraçar-te de mansinho, 

abraça-me tu também com mil carinhos, 

deixa que me abrigue no teu regaço meigo e doce, 

sem que o notem 

sequer os passarinhos. 


Vem buscar-me de madrugada, 

ao deitar, 

ao acordar, tanto me importa. 

Mas vem, 

vem ter comigo de repente. 

Vem, 

não tenhas medo de me levar como pretendo, 

que prometo percorrer contigo 

os que são teus 

e serão também os meus caminhos. 



Preciso partir contigo, 

conquistar novos mundos e horizontes, 

conhecer outros prazeres, 

todos aqueles que nunca me mostraste 

e desconheço. 

Preciso fugir deste meu canto 

onde me canso, 

me arrasto, rastejo de dor, 

onde tenho fome de amor 

onde morro todos os dias mais um pouco. 



Irei contigo para onde me levares 

a qualquer hora, 

tu sabes que a teu lado estarei firme, 

segura e forte 

que a teu lado não terei mais medo. 

Abraça-me amor, 

abraça-me devagarinho 

vem, 

não tenhas medo, 

cobre-me de beijos lânguidos e sentidos, 

e leva-me a viajar pelo mundo fora sem destino. 

Abraça-me no teu abraço quente de doçura 

que o tempo não vai deixar perdurar para toda a vida. 



Ouviste? 

Vem buscar-me já, 

que depois pode ser tarde, 

vem buscar-me, 

não demores e leva-me contigo, 

que só de pensar que o farás em breve 

eu acalmo, 




adormeço e me deleito em ti tranquila, 

sentindo nos meus olhos o sorriso 

que desejei sentir um dia, 

quando ainda me desconhecias 

e eu era ainda uma criança pequenina. 


Anda, 

vem buscar-me 

e dá-me esse carinho lindo que tens contigo, 

que eu não tenho 

nunca tive, 

mas que procuro em ti perdidamente! 



Fotos do Google

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Casou por amor!



  Casou por amor um dia,
   com quem quis e o pai deixou.
Mas amou,
dizem que amou
que eu não sei, 
mas sinto que durante algum tempo sorriu
 foi feliz, foi mulher completa e mãe.
 Teve uma filha. 
Mas pouco depois morreu-lhe o seu amor, 
o seu amparo.
O homem com quem casou e tanto amou
partiu, deixou-a na solidão. 

Sofreu, chorou perdeu todas as vontades
passou a viver cada dia sempre triste e amargurada. 
Mas a vida é matreira
sacana, malvada demais
e  com a alma rasgada de pena e dor
disse adeus de vez à mãe,
e mais tarde incrédula    
  enterrou o pai  também.

Ficou-lhe a filha, o seu tesouro, a sua maior riqueza,
a sombra do seu passado,
a visão de um futuro ansioso, indesejado,
incerto, nunca esperado,
 mas o único possível,
  repleto de angústia e de saudade. 


Vestiu-se preto carregado, 
o mais preto que encontrou  
que lhe carregou de luto o rosto o corpo e a alma,
fechou as portas,
trancou as janelas 
fechou-se ao mundo,
e assim ficou.

À filha deu o alento de continuar a viver,
sair daquele refugio negro,
do seu canto de tristeza,
do canto onde chora todos os dias, e muitas vezes 
um arrepio constante, 
um medo assustador,
uma dor profunda de perda
não a abandona nunca,
vivendo com ela todos os dias.
Não quer, não pode, não deve, 
não vai 
vê-la partir antes dela,
que  essa dor tão imensa e cruel
ela crê
que não existe, 
e a ela, Deus sabe que não resistiria.

Não, não pode nem vai perder a sua filha, isso não! 
E reza todos os dias,
reza muito,
muitas Avé-Marias,
 implorando em segredo a Deus;
"a minha menina não, Senhor a minha menina não "

À São, que NA VIDA perdeu quase tudo 

Palavras


Palavras simples, 
palavras que dizem pouco,
 palavras ocas e curtas
que aos outros não dizem nada, 
singelas demais, 
eu sei,
mas que traduzem o que sinto,
o que penso, 
o que choro e lamento.

Ditadas p`lo meu coração,
são fortes e têm força
e se não as deitar fora,
dentro de mim 
fechadas,
mudas, caladas
acabam por me deixar louca.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Não sei se amou ..se foi amada!


Está muito mais gorda que quando a conheci.
Casou, foi mãe e nos anos decorridos 
aprendeu decerto alguma coisa
pois da vida pouco ou nada sabia.
Guardava os animais no monte,
via-os nascer, crescer e à noite ao regressar a casa 
comia a sopa grossa que a mãe fazia 
mas que nunca lhe ensinou a fazer como devia.

"Não sei fazer isso, nem isto", 
disse-me um dia.
E ela não sabia fazer a cama, 
deitar sobre ela os lençóis brancos 
que nos afagam a pele no final de um dia de cansaço, 
e além disso, não sabia varrer, cozinhar, 
passar a ferro, limpar,
não sabia mais que pastorear o rebanho,
cavar a terra e semear.

Não sei se aprendeu mais do que aquilo que lhe ensinei, 
mas um dia casou,
foi mãe e o filho que pariu
cresceu,
tal como as cabritas que via nascer
cresciam sempre a seu lado.

Um dia mostrou-me a casa, a sua casa, 
e a cama bem feita como eu lhe ensinara.
Nos móveis além do essencial que não usava
pouco havia ou nada,  
mas nas gavetas guardava jornais,
muitos jornais como coisa rara,
para embrulhar a marmita,
quem sabe para ler um dia,
ou como simplesmente me disse
"para embrulhar alguma coisa que seja preciso, quem sabe"  

Morreu ontem, o marido.
Ficou doente, tinha um ferida e não sabia
e como a ferida era grave, 
cresceu, alastrou e morreu depressa.

Agora ela está viúva, 
mas não sei se esteve casada, 
como não sei,
se usou os jornais ou as coisas essenciais
que guardava nos móveis novos,
se amou e foi amada,
se algum dia desejou e se sentiu desejava.

Está triste e chorosa a coitada, 
aquele era o seu companheiro 
que sempre fez o que quis, 
se deitou na sua cama 
mesmo de lençóis mal esticados,
nem sempre brancos, lavados,
mas lhe deu o filho amado 
que agora será só dela.



Mas lembro-me muito bem 
que chorou e se lastimou muito mais 
no dia
em que lhe Deus lhe levou o pai, 
lho roubou da vida dela...
"foi ela que mo disse um dia...
e eu acreditei e acredito, 

como sei que vai ficar mais só, 
e vai limpar as gavetas...
dos jornais amontoadas,
que as notícias já são velhas...

...há tanto tempo que ela não vê parir um cabrito...
nem voltará a ver acontecer tal acto.

  


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

34 ANOS e o nosso AMOR



Vestida de branco ia a noiva,
nas mãos, botões de rosa bem apertados
compunham o ramo.
À entrada da igreja esperava o noivo,
elegante,
vestido a preceito
no seu fato preto de calças listadas.
No bolso do peito um botão de rosa,
uma rosa tirada do boquet apertado
que ele por ser noivo teve direito.

Era tanta gente,
amigos talvez,
mas na memória dela só ficou o instante
de dizer o sim, desfilar pela rua,
e sorrir,
comer muito pouco,
sentir mais calor,
dar meia volta, sair dali e partir
para bem longe (o possível).

Queria estar só,
partir para outro lado,
o local já destinado, mas para a época afastado
onde junta com ele descobrisse o mundo,
a verdade,
o segredo escondido no desejo contido,
de se unirem os dois finalmente,
de gozarem o prazer
de um amor mal cuidado,
demasiado guardado,
protegido,
muito desprevenido
e demais desatento
ainda puro e desconhecido.
Mas o amor não se guarda, nem se esconde, não se manda esperar,
partilha-se, dá-se, vive-se, sente-se e pronto....

Ao amor, nada se lhe pode pedir,
só temos que o receber, sentir e dar como troca amor igual. 
Mas não o devemos soltar, não demais,
porque o podemos perder.
Deve-se viver cada dia na medida certa,
mas gozar o prazer de o ter porque é nosso e não pode morrer.
Porque se cansa, desalenta,
se esgota, cansa e perde o encanto,
o fascínio da aurora,
e quando se mostra, não conta histórias loucas
nem nos fala com emoção ao coração.

E ela começou a aprender a amar,
devagar, lentamente
numa busca constante,
que dura, que durará sempre,
de que  não desistirá nunca,
porque ainda não o encontrou a seu gosto,
porque lhe desconhece o segredo
a forma de o alcançar em pleno.

Não pensem os inteligentes que ele é fácil de alcançar...
e preservar igual e isento como se fosse sempre jovem e louco.  

Nessa busca constante
vivem ainda os dois,
juntos, mais unidos ainda,
em busca de um amor novo,
um amor maior e supremo,
o amor pela família, do encontro com a paz,
do conforto, da compreensão,
do amar mais com o coração,
que com o corpo ou a razão.

E assim para toda a vida ficarão,
juntos, presos aos seus,
como lhes disse o padre naquele dia:
"para o bem e para o mal, até que a morte os separe",
como se a vida fosse de verdade um conto de fadas...
momentos de luz que nos iluminam a alma e aquecem cada dia o coração...



...amores diferentes...


- Ao principio parece que foi difícil adaptar-se à tua ausência, parece que a casa e tudo o resto andava num baldio, mas depois tudo tomou um rumo. Também não posso estar a fazer perguntas à Joana constantemente pois podia desconfiar que sei onde estás e não é isso que queres pois não?

- Tens razão. Na altura expliquei aos meus filhos porque partia numa carta que deixei ao mais velho, dizendo-lhes que precisava encontrar-me, saber o que queria para o resto da minha vida, que precisava fazer algo diferente além de ser mãe deles e esposa do pai, ainda que fazer isso me deixasse muito feliz, mas que precisava saber se depois deles saírem de casa, conseguiria ficar só com o pai deles, da forma como vivia com ele até ali. Mas não sei se me entenderam, se me perdoaram.

- Os filhos percebem sempre os pais e acabam por lhes perdoar sempre alguma coisa que eles façam menos bem. Olha o que aconteceu comigo e com o meu pai, tanto tempo revoltado comigo e depois com a doença ficamos juntos e mais unidos que nunca.

- Sabes Marta queria contar-te uma coisa que não sei se tem perdão, pois afinal saí de casa mas não foi para trair o Jorge, só para lhe dar uma lição.

- E então?

- O dono da residencial que me alugou o quarto andou tanto de volta de mim, conversou tanto comigo falou-me tanto da sua vida, que um dia me convenceu que o que eu precisava e me faltava era saber o que era sentir prazer de verdade.

- Estou admirada contigo, tu foste nessas cantigas. Mas quem é esse homem?

- Primeiro só me cumprimentava. Depois passou a servir-me as refeições quando eu jantava lá e um dia, não vai lá muito tempo, dei comigo como se não fosse eu a contar-lhe a minha vida.

- Tu a contares a tua vida a um homem desconhecido, não acredito, mas que te deu?

- É viúvo e tem uma filha de treze anos, mais novo do que eu, sete anos, mas tão envolvente que me deixei ir, até que um dia lhe disse que gostava de fazer sexo com o meu marido, mas nunca sentia nada, e que não sabia como era pois nunca o tinha feito com mais ninguém, mas que da forma que o fazia não gostava de o fazer porque não sentia prazer algum, me torturava e deixava incompleta e triste.

- Nessa noite não consegui dormir pois a sua conversa deixou-me agitada, nervosa pois imagina que me disse que se eu estivesse disponível o fazia comigo, que me mostrava como se faz amor com uma mulher.

- Ele disse-te isso tudo e tu ouviste, e não reagiste?

- Então não reagi Marta. Sabes lá, fiquei toda a tremer, assustada, sem saber o que fazer, envergonhada, mas agora que aconteceu tinha que te contar, daí precisar tanto de te falar.

- Aconteceu, então tu e ele já estiveram juntos, assim unidos numa relação física verdadeira. Nem acredito.

- Acredita que é verdade. Um dia falámos tanto depois de jantar, chorei tanto com saudades dos meus filhos, por estar aqui escondida fugida talvez sem motivo, que ele também me contou de como perdeu a mulher três anos atrás e como tem sido difícil viver sem ela.

- E então, mulher fala tudo de uma vez, despacha-te, o que foi que aconteceu?

- Devemos os dois ter bebido um bocadinho de vinho além da conta, e eu que quase nunca bebo nada além de água, lembro-me que ele me pegou na mão para me levar até ao quarto pois já era tarde, me ajudou a deitar em cima da cama e recordo bem que fui eu que lhe agarrei pelo pescoço e o comecei a beijar sem parar.

- Tu fizeste isso, mas explica-te melhor e depois, depois?

- Depois, nunca mais paramos. A seguir aos beijos e abraços, sei que o meu corpo quase virgem foi todo descoberto e tocado por mãos de veludo, lambido, beijado e adorado como se eu fosse dele e ele meu para todo o sempre. Estávamos os dois saudosos, frágeis e eu muito carente. Nessa noite descobri o que é ser realmente amada daquele jeito que sempre imaginei, e lembrei-me da forma como por vezes me falavas da forma como viveste com o Luís.

- E agora. Ficaste resolvida a fazer o quê? Continuam a encontrar-se?

- Não! Primeiro ao acordar de manhã, nem queria acreditar no que me tinha sucedido. O meu corpo podia sentir, sentira aquela sensação enorme de prazer que naquele momento me pesava como se o mundo me tivesse caído em cima, mas sentira, e por isso pensei que foi bom ter-me acontecido aquilo mas jurei a mim mesma que nunca mais aconteceria.

- E não aconteceu, ou nem por isso?

- Mas achas que sou uma qualquer ou quê? Ainda tenho no Jorge o meu marido, um grande companheiro, e gostava de saber se com ele depois de ter sentido a minha falta caso ainda esteja livre, eu consigo sentir a mesma coisa ou parecido.

- E o homem da residencial? Continuam a ver-se?

- Na verdade falámos tanto, eu e ele, sabemos tanto da vida um do outro, que contínuo naquela residencial mas pedi-lhe para nunca mais me levar ao quarto, nunca mais se sentar à minha mesa, nunca mais nada...E penso que ele me entendeu, porque respeita o que lhe pedi e trata-me como se nada tivesse acontecido entre nós. Sabes aquela casa já é um bocadinho a minha casa, mas agora no final do contrato no lar onde trabalho não sei se o renove por mais tempo ou se me vá embora daqui ter com a minha família.

- Minha querida amiga, essa terá que ser uma decisão tua. Se estás aqui e tens o teu coração lá, vai e vê como te recebem, se Jorge te aceita e entende agora de outra forma. Mas eu no teu lugar iria sempre pois gostaria de rever os meus filhos, depois após a recepção logo veria. Verás que Jorge te vai entender de outra forma.

- Nem sei se ele tem outra, não sei de nada.

- Mas não tens de que te queixar pois foi isso que procuraste. Olha aquilo que te aconteceu um dia se ficares com Jorge conta-lhe ou não. Não sei que te dizer, afinal não o premeditaste, só aconteceu, apesar de teres gostado.

- Nunca fui amada daquele jeito. Na cama o Jorge nunca tocou o meu corpo daquela maneira e isso não me sai da cabeça, não o esqueço, mas era ele que eu gostava que me amasse e tocasse assim, entendes?

- Porque julgas que não consigo tirar o Luís da minha cabeça? Fui sempre tão feliz com ele, tão feliz, que nunca me passou pela cabeça substitui-lo.

- Ma nunca tiveste ninguém que te falasse ao coração que te levasse pelo menos tentar de novo?

- Não ainda não, e digo ainda porque não sei o que está para vir. Mas por falar no que está para vir queria dizer-te que a minha filha vai casar a meados de Outubro e penso ir um pouco antes até à Madeira, primeiro porque já lá vai o tempo que eu devia ter aparecido por lá para visitar a minha mãe e a minha filha e não o fiz, e depois porque agora tem que ser mesmo, que trabalho não é tudo. Nada é mais importante que o casamento da minha filha. Irei um mês antes, a meados de Setembro, e se até lá pensares ir diz-me que te dou boleia de carro até Lisboa.







sexta-feira, 10 de agosto de 2012

NÃO sou filha de gente....

                         Sou filha de ninguém

Sou filha do vento,
de tempestades ocultas
do mar revolto,
de noites frias e escuras,
do fundo das trevas,
do desamor constante,
da dor,
do desprezo,
do amor cansado,
do desespero profundo.

Sou filha do nada
sou filha de tempo incerto,
de uma mãe inglória,
de um pai que desconheço.

Sou filha enjeitada
sou filha do nada,
do vazio,
das trevas profundas,
sou filha de ninguém.

Sou filha deste e daquele
mas que me importa
de quem sou filha afinal?
Sou filha do mundo,
da terra,
das pedras
do bem ou do mal.
Sim, e que me importa
não ter pai, não ter mãe
saber se sou ou não filha de alguém,
se nem  mesmo sei se sou gente?

Gente que chora,
que sofre, que vive, que grita,
que caminha na vida
sofrida, descalça,
mal ou bem amada,
mas gente que ama,
 que sorri,
é feliz e alegre
ou talvez odeie e é desprezada,~
que grita, que chora
que sente o bem e o mal,
mas não desiste,
e é gente que existe.

Porque sente e sabe ser gente,
que sabe ser filha de alguém,
que sabe que é amada,
e vive
ontem, hoje, amanhã
e por toda a vida.

Sou filha de ninguém
sou filha do vento....,
do frio do amor,
da dor e do desalento.
´
Não,
sei que não sou filha de gente,
sou filha do acaso....
 do tempo que passa, que passa...





NÃO sou filha de gente....


Sou filha de ninguém
sou filha do vento,
de tempestades ocultas
do mar revolto,
de noites frias e escuras,
do fundo das trevas,
do desamor constante,
da dor, do desprezo,
do amor cansado,
do desespero profundo.

Sou filha do nada
sou filha de tempo incerto,
de uma mãe inglória,
de um pai que desconheço.

Sou filha enjeitada
sou filha do nada, do vazio,
das trevas profundas,
sou filha de ninguém.

Sou filha deste e daquele
mas que me importa
de quem sou filha afinal?
Sou filha do mundo, da terra,
das pedras do bem ou do mal.
Sim, e que me importa
não ter pai, não ter mãe
saber se sou filha de alguém,
se nem  mesmo sei se sou gente de jeito?


Gente que chora,
que sofre, que vive, que grita,
que caminha na vida
sofrida, descalça,
mal ou bem amada, 
gente que ama, que sorri, 
é feliz e alegre
ou talvez não 
e odeia e é desprezada,
que sente o bem e o mal, 
mas não desiste, 
e existe
porque sente e sabe ser gente,
que sabe ser filha de alguém,
que sabe que é amada, 
e vive
ontem, hoje, amanhã
e por toda a vida também.


Sou filha de ninguém
sou filha do vento....,
do frio do amor,
do desalento.
´
Não,
sei que não sou filha de gente....
SOU FILHA DO TEMPO, que passa...

Fotos do Google

Sílvia ...foge por amor!


E Jorge aqui já chorava, fazendo chorar comovidos pela forma como se expressava e falava de Sílvia, os filhos, que mais do que o pai podia imaginar sentiam a falta da mãe.

Jorge além de aprender a fazer as compras semanais para a dispensa e ir ao talho e ao peixe, teve que aprender a acompanhar mais os filhos, a cuidar e dar atenção à mãe, ver se arrumavam diariamente bem os quartos, se andavam aprumados e limpos se estudavam e tinham bons resultados na escola, saber se estavam bem de saúde, felizes, tinha que conversar com eles, fazer-lhes companhia, apoiá-los e quando se tratava do arrumo da casa passou a fazer disso uma festa.
Juntavam-se todos e dividiam tarefas.

Jorge com o tempo, aprendeu a dar muito valor ao trabalho de Sílvia e reconheceu que para ela fazer aquele trabalho anos seguidos fora de facto cansativo por ser também monótono, sobretudo porque um dia ela sonhara ser enfermeira.

Afinal sempre podiam ter dividido tarefas e teria sido tudo mais fácil.

E depois muito para si, sabia que apesar de a amar, de ela ter sido sempre para ele a única mulher que teve e desejou, nunca a amou como ela merecia e precisava ser amada.

Ele era muito egoísta, e sempre que faziam amor ele não se preocupava muito se ela queria isso ou não e até se esquecia que a devia afagar, estreitá-la com doçura nos braços, chamar-lhe sua, envolve-la com carinho e contar-lhe segredos ao ouvido, dizer-lhe com as mãos segredos inimagináveis por todo o corpo que a deliciariam pressentir.

Ele sabia que procedia mal, que a amava mal, que não lhe dava o que lhe era merecido, que nunca esperava por ela, nunca ou quase nunca a conseguia satisfazer, mas pouco preocupado, pensava sempre que valia mais um satisfeito, ele, que nenhum dos dois, e continuava assim porque a via aceitar resignada a sua forma de ser.

Se até os amigos diziam que eles eram um exemplo de casal a seguir que havia ele de fazer?

Agora é que não sabia que lhes responder quando o olhavam sem questionar, mas sabia que se interrogavam pela ausência de Sílvia em casa.

A ilha era pequena e depressa todos os amigos e conhecidos souberam da sua saída de casa e mais depressa ainda a criticaram e comentaram sem saber razões, apontando a piores, incluindo também a ele que viam não reagir nem fazer nada para a encontrar.

Houve até quem referisse que devia ter partido nalgum paquete com um homem rico, pois que mais podia levar uma mãe a abandonar o seu lar senão a força de muito dinheiro. 

Antes nunca se ouvira dizer que o casal se desse mal, só podia ter sido o dinheiro que a fizera partir.

Mas um dia as pessoas cansaram-se de falar de Sílvia e calaram-se com esse assunto.

Jorge, os filhos e a mãe encontraram forma de caminhar enfrente e até pareciam todos mais unidos.

Cartas de Sílvia nunca as receberam, nem Jorge nem os filhos, e só Deus sabe o quanto isso custava a Sílvia, mas Joana que nunca deixou de os visitar em casa, foi-lhes sempre dizendo que com toda a certeza a mãe deles estava bem, pois as notícias más correm depressa e depois eles estavam como ela que também tinha a mãe longe.


Um dia elas voltariam cada uma de seu lado, mas voltariam prontas para os abraçar. 

Só o filho mais novo de Sílvia não entendia nem aceitava que a mãe tivesse partido, mas calava essa tristeza que lhe moía a alma.


Fotos do Google








quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O nosso amor!

   

Olhei agora o teu retrato
eras tu, eu sei, conheço-te bem, 
estás a meu lado!
Meu Deus como te amei então,
e como te quero  hoje 
e mesmo agora tanto bem.

Éramos jovens lindos,
formosos, cheios de vida e vigor,
mas a vida sorrateira passou 
e levou-nos essa cor,
deixando um rasto suave de brilho 
de luz e de eternidade
que há-de ficar no retrato,
que irá contar e falar 
da  história da nossa vida,
da existência do nosso encontro
da verdade do nosso amor!

Ao meu Tonito, meu homem, meu amigo,  meu tudo!

Foto do Google

Não me apetece...


Hoje sei que não me apetece nada,
mas pensando bem nem sei o que é apetecer,
e o que me importa ou a alguém o que eu possa ou não querer,
se o que me apetece eu não posso ter.
Por isso hoje como ontem e amanhã,
para mim não existe nada que me apeteça ter.

Não tenho fome nem frio,
estou sozinha mas hoje não tenho medo,
agora não me dói nada,
não tenho prazer nem desprazer,
não quero rir,
nem vou chorar de raiva ou de tristeza,
de amor ou desamor.
Sim, afinal porque hei-de pensar em sofrer?

Hoje não quero sentir coisa alguma,
não quero nada
nem  sede de água,
nem descanso, nem cansaço,
nem o teu colo,
nem sequer o teu abraço.

Hoje não vejo nada nem ninguém,
mas pensando bem
tenho saudades do mundo,
de todos que giram lá fora
se agitam, respiram, sofrem, amam, choram e gritam,
e vivem 
e são gente viva,
que aqui onde estou
parece que morro escondida.


Hoje não quero saber aprender a viver
mas amanhã talvez

e depois quem sabe outra vez.

Preciso crescer de novo e correr
e vir encontrar-me comigo depressa,
que o tempo passa a cada momento
e eu preciso viver mais um pouco,
aprender a envelhecer,
a não ter medo de perder tudo
e serenamente
preciso aprender a morrer...

Hoje não me apetece aprender,
mas amanhã ou depois, terá que me apetecer...

Fotos do Google