terça-feira, 30 de julho de 2013

ESTE AMOR ...É DOR!



É dor, é mágoa

É amor ferido, condenado

Sentido, sofrido e magoado

A dor que sinto no peito é maior que eu inteira

É querer dar-te tudo e dessa entrega

Receber pouco ou nada

Colher o vazio, ficar dolente, impotente

É sofrer nesse amor por ele existir e ser, mas não ter

Padecer no sentir e querer esquecer, esquecer tudo

esse pouco, o vazio, a nudez e o frio que nos abraça

É estar ali, aqui, amando-te sempre

É sentir um pedaço de nós morrer no abraço que damos,

Que se arranca de nós com ternura

Mas nos fere, nos corta aos pedaços por dentro

No peito, na alma

Nos embarga a voz, nos leva, me conduz
 às lágrimas

É não ser, não possuir, não existir

É ser sempre amante, mas não como antes,

Dar-se por inteiro e não colher nada

É sofrer calada, ferida,

e ficar com o beijo ulcerado

é gritar por dentro cada instante o lamento

é largar um grito alucinante que nos corta a alma

e ficar em silêncio



A vida, arrancando de nós um pedaço

o pedaço, que nos fazia sorrir, soltar gargalhadas ,

sentir juntos o amor dos nossos corpos estremecidos,

na troca do amor que nos dávamos,

fugiu, evaporou-se de ti e de mim. Sumiu para sempre!

Sorte malvada!

Deixou o rasto, a poeira, o cheiro desgraçado

E não deixou mais nada essa depravada

Nos meus olhos,

ficaram as lágrimas da lembrança

do que foi esse amor que abraçados nos dávamos

e hoje nos dá pouco ou nada,

que te dói e a mim me dói e destrói.

Quanta dor e pranto.

Quanto sofrimento!



domingo, 28 de julho de 2013

Uma dor que não passa


Uma dor que não passa

Tenho cansaço

Ardem-me os olhos como se fossem fogo,

saíssem por eles labaredas de mágoa e dor

que me queimam a face.

Doem-me as pernas e os braços e as entranhas desfazem-se.

No coração sinto um vazio frio

Um gelo que o arrefece, trespassa e não passa

Pelo silêncio que sinto de ti, sofro calada

Nada me contas, me dizes 


e assim vou-me destruindo aos poucos

Tudo isto junto, me entristece e mata.

Que tenho eu?

Que sinto?

Porque vivo neste embaraço?

Nesta agonia que me penetra toda

Me inunda, toma conta de mim, 


me avassala e domina inteira,

estrangula a alma até ao último gemido de dor,

que eu não entendo e sem forças deixo que me atormente?

Algo me entristece, me transforma, 


me tira a cor 

e a pouca graça que me invadia antes.

E eu sabendo porquê, 


calo tudo, engulo e sofro.

Tu sabes que isso acontece, mas de que me vale?


Queria ver-te bem

Sentir-te tranquila e serena

Mas de ti pouco ou nada sei.
 

Nada me contas. 

Nada me dizes, confessas ou desabafas.

Sou eu que o adivinho e sofro contigo.

Não te entendo!

Não percebo porque engoles tudo e não me abraças!

Se agora, se neste momento,

desde ontem e antes de ontem,

se isso que penso, acontece mesmo contigo,

contigo morro nessa agonia que atravessas,

cansadas, ambas, da alma e do corpo.

És a minha vida!

Se não vives inteira e feliz,

morro de tudo o que sentes 


Pois de ti, sem que me contes, sei  o que sonhas e pensas.

Serás sempre  a minha menina.





terça-feira, 23 de julho de 2013

“ Como estás”



“ Como estás”

É sempre o mesmo
Bato ao portão sempre fechado
Ouço passos
E num arrastar lento
Olhos prostrados no chão
Aproximas-te 
e mecanicamente
Abres aquele portão maldito
Mal falas
Só te ouço dizer entre dentes
“Com estás”
E deixando-me passar em frente
Arrastas os pés pesadamente
nesses chinelos malditos 
que ecoam atrás de mim
soando-me tudo isso a um castigo que não mereço

Porque fazes isso?
Porque não me falas?
Não me olhas?
Não me tocas?

Nem sabes quanto o lamento…
Mais tarde liga-te alguém
é ela a tua menina de oiro
e para ela abres o rosto
levanta-lo todo
falas alto
de tom risonho
nada sombrio
com ar de quem está feliz e contente

E eu ouço
ouço tudo
e medito
Afinal porque me queres a mim
tanto mal assim?
Porque me rejeitas?
Porque me odeias?
se não te pedi para me fazeres
no ato em que me fizeste.

 INÊS MAOMÉ



domingo, 21 de julho de 2013

A DANÇA...


A DANÇA...

Como uma pluma leve, suave,
de perfume inebriante
uma pomba branca pura,
esvoaçante 
uma brisa suave que nos refresca a alma, nos dá alento
nos faz apaixonar, continuar sempre e ir avante,
ama-se, entrega-se o corpo e a alma e a mente fica desconcertante
As voltas não custam nada,
O menear do corpo é o delírio máximo, 
um prazer constante
E mesmo que tudo doa, faça sangue, 
martirize a alma e o corpo amantes,
mesmo que corte na carne com golpes que ninguém vê, 
mas se sentem,
a gente avança, sente a dança,
até ao corte mais fundo e desgastante e feliz, sorri sempre
Quem ama a dança consente isso e o resto de tudo que ela traz consigo
e sofre, num prazer desconfortante, mas delirante, eterno e doce
a magia daquele sonho
A musica envolve o corpo, a mente sente a dor, o queixume,
numa alucinação escaldante
pois tudo é possível, tudo aquilo é nosso, 
é o corpo que nos pertence…

Depois a realidade avança sobre nós e fala-nos de uma verdade diferente.
Nem todos somos iguais, 
nem todos somos jovens, perfeitos
Nem todos podemos viver nesse sentimento, nesse furor de dançar até ao limite

Não podes mais, não é teu esse direito…
Nada disso é teu ou te pertence - ( é o grito que ouço aos ouvidos constantemente)
Não tens parceiro, não tens força, nem genica, nem meneio…
Não tens, nem sabes nada.
Erras, tropeças em cada cais onde te encostas.
Olha-te ao espelho, mira-te bem. Já te viste? 
E as tuas pernas, e o corpo flácido?
Vê como o tempo passou, deixando em ti as marcas do que não viveste, e então?
Pára! Já não é hora de viveres mais esses instantes.
Estás gasta…arrastas-te e não deves roubar aos outros o que não te pertence.

E eu, encolho-me desgostosa e triste e perco todo o encanto
Fico sem brilho, entrego-me ao que é o meu presente.
Sou mãe de todos vós, não sou mais uma criança
Pesam-me as pernas… e na DANÇA, o par que desejava não existe
Ninguém me quer, não são meus os que existem, não me pertencem
Que terrível loucura a minha, que pesadelo ingrato,
querer teimosamente ter o que não é minha pertença.
São jovens, lindos, libertos, todos, cada um certo com o seu par…
E quando me surge um…eu, parva e meio louca, não aproveito…
"Nunca desistas de um sonho. Basta seguir os sinais."
Mas estou prestes a desistir… é demais…
O encanto da dança fascina-me, deslumbra-me, 
aumenta o brilho do meu olhar
mas faz-me doer, mais na alma que no corpo, 
saber que não lhe pertenço,
que essa malvada que me domina, me foge cada vez mais…
Morro de mágoa, de pena…no deslumbramento de ver e não poder
…quanta dor na perda deste amor!
Inês Maomé

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A hora do AMOR !



Era a esta hora, 
ou outra, tanto fazia
Sentia, 
como sinto ainda agora de lembrança,
sobre mim o teu corpo inteiro e cheiro másculo,
que me inebriava, 
e enamorada, mais que amante, eu gostava
Uma mistura sedutora do teu hálito, com o cigarro da véspera e
a colónia do banho da manhã, que me apaixonava,
uma mescla que me seduzia e drogava  os sentidos, quanto encanto…  

Éramos assim…
Sentia de ti o respirar ardente de quem ama e deseja
e a qualquer hora se entrega à sua amada amante
e por amor se despe até à alma de uma forma desconcertante
O desejo num expirar profundo feito arfar, 
sedento de receber e dar,
num mexer e remexer constante sobre toda eu, seguro em mim, 
num entusiasmo, um fascínio permanente e constante
e eu amante,  sedenta, queria mais, sempre mais,
pois o muito que me davas era pouco, sempre pouco.. 
e eu queria do tudo, tanto

E o ondular dos nossos corpos não cessava nunca
numa busca inquieta do infinito prazer de algo que não chegava
Um tocar aqui e ali, um suborno, uma tentação estonteante,
uma pluma leve que roçava a pele, que parecia não tocar
mas nos queimava e impregnava a alma, o coração,  
molhava os lençóis de seda, o colchão, o próprio chão...

Um ato de sedução de quem quer mais do que se pode ser e ter,
o conseguir sentir sempre um pouco mais adiante,
o gemer, o gritar de uma paixão louca cintilante,
o pedir mais, o dar e receber só mais um escasso afago
o ter sempre mais para entregar
até chegar a hora do clímax em que os nossos corpos cansados, descarnados, suados,
já deram tudo e chegando ao céu, 
aterravam cansados e finalmente se entregavam 
num abraço terno e eterno,
que podia ser o último…mas que importava isso naquele instante…

Só com esse sentir amante, 
essa dádiva feita de uma troca de tudo, a vida faz sentido.

Amar é isso, é dar e receber tudo,
numa totalidade infinita, na dor, na agonia, na ânsia e no prazer..

Senão, não é amor.

Inês Maomé



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nunca!


Nunca

Mar sem peixes a nadar, sem ondular a bater nas rochas,

sem se espraiar no areal, nunca

Montanhas, terras e vales, nus,

sem verde e água nos rios sem correr a dar vida ao mundo, nunca

Cidades, aldeias e vilas,

pátrias vazias, sem gente viva, a trabalhar, namorar, passear, nunca

Crianças sós, com fome, sem pais, sem família, sem rumo,

perdidas no mundo, nunca

Amor fingido, sem abraço e amasso, sem dar e receber no mesmo compasso, nunca

Mãos sozinhas, sombrias e tristes, nuas, vazias e sem enlaço, nunca

O sabor perdido do primeiro tudo

(beijo, abraço, enleio e partilha de corpos amantes), nunca

Bocas sem beijo, dado, roubado, cobiçado, lânguido e desejado, nunca

Corpos separados, sem amor,

sem o suor do cansaço do sexo amado, dado e recebido, nunca

Olhares vazios, perdidos,

sem anseios de ter, dar, roubar, possuir e oferecer, nunca

Nascentes nos montes, nos vales e colinas, sem água pura e flores a nascer, nunca

Céu sem sol, sem luar, sem estrelas na noite a brilhar,

mundo sem vida a crescer, nunca

Rosas sem aroma, bocas amantes sem paixão, sem delírio no beijar, nunca

Palavras sem som, prosa sem tom, poesia sem amor, nem cor, nem dor, nunca

S. João sem bailarico, sem manjerico, raparigas sem namorico, nunca

Casar para acasalar, parir um filho ao acaso,

só porque é hábito e chique, nunca

Mais guerras de Hiroxima, Hitler(es),muros da Berlim,

Cancro e Sida que destrói e mata, nunca



O meu jardim sem flores, a minha boca calada e seca,

a minha alma sem sonhos, nunca

A minhas páginas brancas, e eu olhá-las vazias e para sempre nuas e ocas, nunca

O meu corpo no outono da vida sem estremecer ao olhar o teu, nunca

O teu corpo forte, que o tempo como o meu envelhece,

sem aceitar o fôlego que parte, nunca


Que o passar do tempo não seja um ponto final,

a ponte que já não se atravessa, nunca

Que eu esteja sempre aqui ou ali,

mas não só e sem ti, nunca

Que os nossos beijos não deixem de ser abraços e as mãos cansadas enlaces, nunca

Que eu e tu não deixemos de ser gente que pensa,


se ama e unidos, sentirá eternamente, nunca.

Inês Maomé


quarta-feira, 17 de julho de 2013

POESIA AMIGA



Poesia amiga

Poesia amiga, 
em ti o meu corpo e a minha alma existem puros, 
são mais que vida,
tomam forma de sentimentos exóticos, 
profundos e excelsos

Fazes soltar-se de mim as amarras da minha alma azeda e triste e, 
em ti, o meu mundo cresce e aparece
Contigo, sublime mulher, 
aquele que escreve o que sente, 
sonha deslizando por nuvens sobrenaturais 
Consagrando a ti a vida, 
entregam-te tudo o que são, o que somos, 
e tu fazes-nos sentir inteiros e amantes
Poesia contigo tudo se ata, 
num nó eterno, 
numa devoção plena divina e completa

És a minha maior ferida, 
uma dor não consentida, 
lágrimas na despedida
És suor e mágoa, e dor, mas és riso e amor, 
afeição num ato pleno de libertação. 
Contigo eu liberto-me!

Poesia tu és um ato de socorro, 
és os meus ais mais profundos, 
os meus sorrisos encobertos
Um espelho aberto que, de mim, tudo reflete
Ai de mim, se não te sinto: 
sem ti não vejo, não escrevo, não me esvazio e morro

Tu deixas o meu eu: ser, existir, amar, ter um ofício divino
Deixas-me dar e receber de mãos abertas
Tu és uma flor, o mar que me inunda, afunda, 
a fonte que me sacia inteira,
e ao rico, ao pobre, ao inocente, ao ladrão, para todos és profeta, 
dás de graça: guarida, pão e erudição

És o tudo ou o nada ter. 
És uma paixão incandescente, um vício sem ter cor
Um amor com dor intensa, um lamento, uma aurora completa
És o meu eu, o meu complemento. 
Contigo sou diferente, vivo mais, desminto-me, dispo-me de tudo 

Poesia: em mim tu falas, claramente, sem ambiguidades
Dizes-me ao ouvido o que enche o meu coração, o meu corpo, a minha alma: tu nunca te calas.
És sedutora, firme, constante, és atraente e viciante. 
És o meu cativeiro sedutor e amante

Poesia, tu és o meu sopro de tudo, 
o mapa que me guia pelos guetos, ruas e vielas do universo imenso

És a alma do Homem e do mundo, 
és a energia vítrea que renasce, pura e virgem, em cada mente

Em mim, és vida completa, 
és tudo, és mais que isso

E eu amo-te perdidamente.   

INÊS MAOMÉ


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Éramos dois jovens lindos

Éramos dois jovens lindos
ou seriam os meus olhos a ver-nos?
Lembras-te como sorriamos?
Beijavas-me longamente
e eu afogava-me em ti e nos teus beijos.
Apertavas-me contra o peito
e os nossos corpos colados,
contidos pelo desejo
ficavam inertes,
calados e mudos
que o resto tão desejado, tão apetecido,
era contido, por nos ser proibido…
Outros tempos, outros desatinos...

Ficávamos naquele enlace contido e doce
querido, amante, e mais que estáticos
os nosso corpos quentes falavam-nos mil segredos
diziam-nos do nosso amor único sentido
muito querido,
que nos tínhamos e era todo nosso.

Hoje passaram os anos,
e a pele do nosso corpo enrugada
fala-nos do passado
mas o coração ainda amante
perdura pela força do nosso abraço quente
sempre amoroso e terno
menos apaixonado, mais carinhoso
mais firme e doce
e olhando os filhos que nos demos e ao mundo
sabemos que o meu amor,
e o teu igual ao meu,
vai perdurar para além de tudo
e apesar da vida nos ter oferecido rasteiras
não nos ter sido sempre prazenteira
colados no mesmo abraço
na espera do amor completo
nós estamos ainda,
esperamos atentos
a realização do que nos era antes negado
proibido por inteiro
bebendo do nosso amor o possível
o amor que será eterno

sempre nosso
só meu e teu
que o amanhã agora é hoje.

Inês Maomé

AMEI-TE SEMPRE






AMEI-TE sempre,
e decidi há muito que serás sempre o meu amor primeiro
O único e verdadeiro
Vou amar-te como sinto e sei,
De alma partida, corpo cansado
Coração inebriado de dor dos desejos não alcançado
Das ânsias desesperadas, não usufruídas,
mas vou-te amar

Que me importam hoje os anos…
Mesmo que um dia partas
quem sabe para outro planeta,
para alguma casa a que chamam “lar”
algum paraíso que te espere a ti,
não te esqueças amor,
nesse momento pega na minha mão
quero voar contigo para esse horizonte
gostaria que soubesses que quero partir contigo
que é contido: aqui, lá, seja onde for, que quero estar


Eles hão de deixar-me entrar
Saberão do meu do nosso amor,
que és o meu tudo, a minha vida,
que sempre foste a minha força, o meu pilar

Um dia chamei-te herói, o meu guerreiro
quando tinha medo, de tudo até mesmo do luar?
…lembras-te?
Contavas-me histórias, falavas-me ao ouvido
e com ternura e calma…afagavas-me o cabelo,
fazias-me sonhar e adormecer


O meu amor por ti,
cresceu mim como as papoilas no campo
Livre, puro colorido e real.

Respiro-te e sinto na minha carne velha e enrugada
o encosto doce e macio da tua
e tal como se fosse ontem,
excitas-me de uma forma doce e sempre desigual
Recordo o amargo de tudo que vivemos juntos,
mas gosto.
Foi, o que vivemos, a nossa vida diferente.
Quando os meus lábios mirrados beijam os teus
sei que te matam mil desejos, e a sede de outros ensejes
Sei que me roubaste amor, não me deste por inteiro
mas fiz-me cega, e muda,
não escutei o que podia ter abalado o nosso amor, fiquei aqui
e contigo permaneço intacta
Cresci e do que me negaste, já não lembro nada,
Sinto os teus abraços mais fortes,
sei que me dão amor sempre a dobrar.

Os nossos filhos,
a certeza de que nos demos e ao mundo
O que tínhamos melhor para nos dar, são o nosso mundo.
A certeza que a nossa vida,
o meu amor por ti e o teu por mim existe é um ser inabalável
que ficará para contar a historia que vivemos: a nossa!
Amo o teu respirar,
o calor calmo do teu corpo que me aquece e anima
E o encanto de te ter comigo é tão imenso,
que esqueci as noites mal dormidas
o amor mal feito, desajeitado, porque sei agora,
que me amavas, me querias como hoje,
só que como eu, tu não sabias fazer, ser,
sentir-te em mim diferente
e eu não sou dizer-te , como hoje:
“Amo-te assim, como és, inteiro “

INÊS MAOMÉ



sábado, 13 de julho de 2013

Procuro-te e tu a mim...




Procuro-te e tu a mim

Procuro-te e tu mim, 

hoje e sempre, como antes

Por entre os arvoredos densos da vida

E não te avisto

Doem-me os olhos de os afirmar no vazio que nos rodeia

num mundo que pressinto ainda vivo, inteiro

onde te queria ter, possuir, sentir só meu

Um mundo que nem sei se algum dia me viu,

Se passou por mim e segurei como coisa certa

que decerto nunca existiu no meu pobre eu

mas que desejei sempre

que sonhei demais e sempre para ambos

Dias loucos, amantes, unidos pelo nosso corpo,

na pela da alma,

em todos esses dias nos sentirmos

nos consumirmos, sermos um só

num ato de amor puro e cristalino, único

só nosso, do principio até ao fim

eu com o meu corpo trémulo de desejo preso ao teu,

tu entroncado em mim, de pernas tensas,

corpo másculo e ardente

a devorares-me estonteante de prazer

eu a deixar, a querer tudo, e como louca pedir mais e mais…

Sonhos, quimeras, fantasias delirantes

Esse mundo que teimo e parece que sinto à minha frente

Que está vazio e oco, não existe, nunca existiu senão na minha mente

Um mundo só nosso,

onde continuamos unidos por uma força que desconheço

Sonhando com delírio, como se fossemos crianças,

Sonhos que nos incendeiam como labaredas mansas

que nos queimam o corpo, a alma,

a imaginar que o impossível acontece.

INÈS MAOMÉ



domingo, 7 de julho de 2013

O sol beija-me ...só isso!





Acordei com o sol a bater-me no rosto,
A beijar-me intensamente.
Pensei até, que acordara diferente.

Queria tanto ser outra mulher, 
ter outro sentir, pedi-lho tanto
Queria rir de felicidade, mesmo que só de vez em quando
Mas sinto que o sol que me beija e aquece, 
só se espraiava em mim de prazer e mais nada

E penso, penso tanto, que me canso
Eu não mudo, 
não consigo deixar de ser quem sou
Pensar e agir de forma diferente
Ter outros quereres, 
ir à rua liberta
Sorrir às pessoas 
sem sentir no peito um aperto que me dói e desespera tanto
Sem entender porquê, 
sem saber a razão de tal tormento, quedo-me em silêncio.

Porque não leva o sol consigo,
absorvendo de mim com seus raios brilhantes e quentes,
esta coisa que me invade, 
me perturba e deixa tensa

Mas não, ele beija-me, beija-me 
mas não leva de mim  nada.
O sol beija-me, abraça-me toda, reconforta-me,
mas parte deixando em mim o aperto que sinto em mim eterno
Cedo sinto que sou igual,  a mesma de sempre

Serei, não sei porque razão, 
eternamente um ser incompleto.
Pois se nem o sol que me beija tanto,
nada faz por mim senão dar-me esse enleio?

Inês Maomé


sábado, 6 de julho de 2013

OU TUDO OU NADA !



Ou tudo ou nada
Se não pudermos ter tudo, vale mais ter o nada.
Eu prefiro o nada, 
se não for meu o direito ter tudo como desejava!

Ficar com as mãos e o peito meio vazio meio cheio, 
é sofrer e viver desconsolado.
É ser-se insípido, 
viver-se estático, 
é não ter norte nem sul,
sentido nem direcção, 
é ser-se um desterrado.

É estar bloqueado, 
imaginar-se num sonho bom,
e num repente, parado a meio,  
acordar e ver-se paralisado,
tolhido, com dor, meio de amor, sem pontes…

É no meio de um ato de amor, 
o mais sublime de sempre, 
o mais puro e inteiro,
parar e morrer a meio do desejo mais ardente 
de uma eternidade inteira.

Ou tudo ou nada!

Meios termos, não os quero, não me fazem bem
Nem a mim, nem a ninguém.

Eu não quero pontes.
Porque: ou se é ou não se é, 
e eu quero ser inteira, plena e completa
Ser gente que ama tudo,
deseja e abraça a dor e o amor, 
a alegria e o resto  
que perfaz o mundo sempre, por completo.

Se não tenho tudo, prefiro morrer pelo nada.

Meios-termos: não!
Prefiro existir e morrer nua, vazia e só,
e não passar os dias a fazer de conta que tenho o que nunca tive 
e jamais vou ter na vida, 
na minha vida repleta de pouco, 
vazio, solidão e amor incompletos 
Vida imperfeita, porca de vida que não gosto,
mas suporto, 
que faço sempre de conta ter vivido da melhor forma....

Mentira!
Porque para mim: ou tudo ou nada.

Fiquei-me sempre pelo meio...sou inacabada... 

INÊS MAOMÉ






quarta-feira, 3 de julho de 2013

... tenho vontade de chorar

Estou prostrada, tenho vontade de chorar
Mas não posso, não devo, não consigo
Chorar não me leva a nada,
só me cansa,
desespera e desencanta mais e tudo ainda

Gritar, gritar a dor que tenho no peito, 
que me aperta e amolece, resultaria
Mas os meus gritos são loucos, são mudos,
são um pranto sem som, que me corrói inteira, me deixam perdida
Seria um delírio, um defeito feito malefício, que não me aliviaria
Sei disso.
Ficaria igual, ou pior ainda, com o mesmo peso que sinto ou mais ainda.

Algo em mim me derruba, me aperta, consome
Me empurra, empurra, e eu deixo
E permito que essa coisa estranha que me inunda, me anule
E eu sinto, fingindo que não, uma dor, um cansaço, 
que me dói tudo e me paralisa inteira
Finjo que não, mas pressinto essa dor feita mágoa e pena que me avassala e deixo-a morar comigo
Destrói-me, cansa-me e aniquila-me, não sei de onde vem, 
ou sei e finjo que não.

Quanta perdição, quanto encanto e magia perdidos em vão.
Dor sem fim, esta que me afunda, me pesa e destrói
Que me diz, ao ouvido, que cada dia será pior ainda

Queria chorar, mas não choro. 
Noutros dias distantes já chorei tudo
Hoje não tenho lágrimas, estou seca de todas as vontades

Dizem que chorar alivia, mas se eu chorasse ficaria pior ainda
Mais pesada, dorida, muito mais sofrida
Encosto-me num canto e sossego tamanho desencanto
Prefiro calar, escrever o que sinto e espalhar as palavras pelo mundo.

INÊS MAOMÉ~








Sem vontade de nada


Sem vontade de nada

Hoje, estou igual a ontem,
ao que tenho sido cada dia ultimamente.
Amorfa, quase inerte e sem vontade de nada
De manhã, já quase noite em mim,
 levantei-me e com um banho de água profundo,
tentei arrancar de mim a nostalgia que me persegue,
 me inunda e suja toda,
não me deixa viver as horas
que o relógio vai marcando num compasso sempre certo e atento.

Tentei raspar de mim tudo o que me dói e eu nem sei onde.
Esfreguei-me até ao infinito.
E agora que me limpei, vesti-me de verde, cor da esperança, 
a cor dos jardins que sonho algures e onde imagino seria livre e mais feliz,
Mas no final sinto-me igual, a mesma.
Amorfa, quase inerte e sem vontade de nada.
Para onde foi a força que tinha antes?
Por onde anda a minha vontade de viver?
Queria saltar deste meu canto e ir lá fora, ao mundo, gritar que existo,
que sou gente, que ainda estou em tempo de sorrir,
fazer coisas novas, bonitas, diferentes, sem dar um lamento.
Mas continuo aqui parada,
sem vontade de mim,
sem vontade de nada.

INÊS MAOMÉ