terça-feira, 30 de abril de 2013

Antes TUDO era Diferente




Sempre a mesma cor, o mesmo tom, o som magoado da tua voz
a ecoar nos meus ouvidos escondidos da vida
Esse teu sofrer, mata-me aos poucos, 
magoa-me e fico neste impasse,
neste sufoco dolente e louco, 
sem um ai nem um lamento.
E faço de conta que suporto. 
Tudo mentira, pois não domino, fico perdida
Tudo ouço. E tudo sinto. 
E tudo sei ser verdade. Mas nada posso.

Não poder dizer-te o que sinto, 
nada ter para te consolar e dar alento
porque te sei ferido, 
tal como um a ave a quem arrancaram um asa
que  quer voar ainda, e muito, até ao infinito,
mas não consegue assim destruída  e ferida,  ´
é como te vejo
e isso dó-me, destrói-me 
e por dentro sinto-me acabar aos poucos
Queria ver-te como antigamente. 
Sentir-te com força e coragem, mas isso não acontece. 
Preciso tanto de ti. Estou fraca e só e tão carente.

Olha para mim, só um pouco, e vê bem como me sinto,
como estou só, vazia, sem nada por fora, vazia por dentro,
não vês, não reparas em mim'
Estou nua de ti, dos teus abraços, 
dos carinhos quentes, 
de palavras cálidas e sentidas,
que poderiam, quem sabe, 
dar-me tudo o que me falta agora e para sempre.
É tanto o que preciso.

Mas tu não podes, não tens mais para me dar.
Não te apetece, não faz sentido.
Estás, como eu, ou mais ainda, pobre e perdido,
suspenso nesta vida, à deriva, num mar incógnito,
sem teres porto onde atracar, 
sem conheceres um abrigo,
arrastando-me  irremediavelmente contigo.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quero-te tudo !


Quero-te tudo, desde sempre! És a minha luz, a minha manhã de Sol.

Vejo-te encostado a mim e sinto-te todo meu, feliz e completo. 

A tua pele quente é toda minha.

Divina, a tua pele suave, pele pura a tua. 

Adivinho-a a roçar a minha, e gosto

É sublime o meu fascínio! 

Desejo-te todo, dou-me a ti, numa entrega que não sonhas

E tu desgastas-me, sacias-me e eu gozo contigo,

 nesse doce prazer sem o saberes

Os teus lábios, sonho-os húmidos colados aos meus, 

lânguidos e mais que amantes

sinto-os, matando a sede que existe nos meus, 

como a água viva que nasce nos montes e beijo-os.



Quero-te, desejo-te intensamente desde o eterno, antes do Universo

Ainda não te sabia, já te adivinhava na cor, no jeito e no cheiro

Queria-te, anseio-te, mas tu não sabes, 

não sonhas este meu amor intenso.

Este querer absurdo é louco, 

estonteante é mais lindo que nenhum outro, e é meu

Por mais que o negue e rejeite, 

estás e ficarás comigo e em mim eternamente

Tu existes em mim, és parte de mim, fazes-me sorrir, ser feliz, 

sentir prazer e ser uma mulher diferente…



E eu em ti, inteira, como se fosse uma coisa única, 

sumptuosa e só tua, sinto-me tua amante!

O teu corpo colado ao meu, a tua pele na minha, 

o teu rosto a roçar o meu, num tremer de paixão alucinante

faz-me sentir um prazer celeste e excelso que nunca senti antes. 

Como sou feliz porque te quero, meu feitiço!



Queria que as tuas mãos macias e esguias 

penetrassem o meu corpo cada dia

Lhe tocassem com amor e de mansinho me levassem a voar até ao céu,

E, nesse voo celeste e meu, 

eu transformasse o sol em lua e as nuvens em oceano azul celeste e puro

Queria o prazer supremo de me possuíres, 

ser o teu ar, o resto da tua vida

Num só, juntos, com o teu querer intenso igual ao meu, 

posso perder tudo, qual vagabundo, tanto me dá

Há muito que te adivinho em mim suspenso, 

preso por um fio fino, nu e transparente

Tu, que adivinhei cedo seres o meu sustento, és a minha vida! 

Se tu soubesses, quem sabe me matarias o desejo,

a ânsia de te ter no mínimo um instante! 

Brilhante solitário, amor louco e promiscuo, minha paixão mais intensa!

Todo meu, sei que não te tenho, nem terei, não te mereço. 

Quero-te tudo e tanto e eternamente de um haver louco!

Inês Maomé


Fico triste, cada dia...uma criança!




Não sei porque hei de ficar triste, 



por ser assim como sou, acabrunhada e tão incompleta

se porventura essa terá sida a minha sina ao nascer, 

o estado que me esperava sem o querer

Pelo tempo ter passado por mim e ser cansada,

e por descuido, não o ter visto passar tão de repente.

Gostava tanto que tudo tivesse passado mais lento




Queria ainda poder sentir que desde sempre, 

eram quentes os teus abraços e os teus beijos macios e doces 

eram só o que me bastava e mais nada que isso, para ser inteira

queria que só eles me bastassem, 

me enchessem e inundasse de prazer e de um bem estar completo.

Mas quis sempre mais, muito mais que isso

Tanto, que nunca sonharás o quanto me faltaste e não me deste

Coisas que sonhei e na verdade só tive em pensamento.

Pesam-me as pernas, os ouvidos estão surdos

e a boca cansada de dizer o mesmo, está cada vez mais muda

dizendo quando fala, apenas e só disparates, lamurias e queixumes.



Não sei como cheguei aqui, se ainda há pouco era uma criança

Agora olho para eles. Estão grandes, adultos, maiores que eu

e sinto que apesar de meus, é tudo mentira. 

nada daquilo aconteceu tão de repente. 

Foi como uma ventania que passou, 

um mar morto que me arrasou dando-me alguma vida,

mas não toda a que eu queria, que preciso ainda e não peço

Foi tudo um sonho apressado que voou depressa

Afinal nunca vivi, nunca brinquei, nunca fui criança, nem adolescente

Existe em mim um vazio que nunca foi preenchido por nada

Parece que tudo me falta, que nunca tive nada além do que não queria ter





Tanto que podia ter sido meu, tanto que desejei ter 

e não tive, mas sem saber porquê não procurei

Tanto que me podias ter dado, mas nunca deste 

talvez porque não querias, não gostavas,

e eu contentei-me com o que recebia 

e fiz os meus desejos mais intensos, parecerem absurdos, 

mudos e insensatos. 

Que crueldade a minha, a nossa 

Vivendo dentro de mim como verdades, 

o que eram os sonhos que imaginei, que eram mentiras, e vivo hoje ainda

sobrevivi à dor de não os ter, 

e guardei-os dentro de mim como pecados ocultos e devassos

E assim vivi, fazendo dos meus sonhos as mentiras, 

negações  que queria fossem as minhas verdades

Na vida que levei, vivi, e ainda me resta pela frente,

agora com dores, carente em toda eu,

estou certa que não terei nunca mais o que sonhei, 

sou pouca gente, pouco valho

Nem sei como cresceram os filhos que tive,

porque me deixei ficar presa nos meus sonhos

Sou hoje ainda uma criança apagada, triste e insatisfeita 

sem os meus brinquedos predilectos


Inês MAOMÉ




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sábado, 27 de abril de 2013

Gosto de ti, mas tu não sabes ...


Gosto de ti, mas tu nem sonhas

Sabes-me mais velha, curta de palavras sábias

e ficas-te por aí. Quase me detestas. Eu sei!

Falas-me com frases curtas, secas, sabedoras,

que tu não sabes, mas que por serem tão cruas e nuas,

muitas vezes me magoam e ferem,

fazendo-me pensar e desistir de ti e tudo,

do mundo, do pouco que aprendi, do nada que sou junto de ti



Mas que te importa isto se não me és nada, nem me conheces

e só me falas pois é tua obrigação. 


Foi o contrato que fizemos, lembras-te?

Situação estranha esta, mas verdadeira.

Mas descansa, tudo isto está quase a acabar

e depois, vais esquecer-me facilmente

Afinal fui só mais um elemento a quem falaste

através de palavras que escreveste



Olho o teu retrato, fixo-me nele eternamente


Gosto do que vejo, mas tanto. 

Hoje como ontem e para sempre, 


sei-o já de cor há muito tempo,

e não me sairá mais da cabeça. 


A tua imagem essa é minha, e essa não me podes tirar

A ti, que nunca vi perto de mim, de quem não conheço o toque,

nem o som, ou o cheiro, que acho fundamentais,

sei que ficarás comigo, como a foto que guardei na minha mente,

eternamente fechado em mim.

Belo, tal príncipe que um dia, em menina, idealizei

És um homem belo, e se fores doce e apaixonado

Perfeito no amor que dás, calmo e paciente,

terno, como imagino sejas para aquela que escolheste,

divino no beijar, no dar, entregar e receber amor

então sim, não estou enganada,

és a imagem do meu príncipe encantado



Que bom seria ver-te no mínimo uma vez,

ouvir a tua voz, sentir o teu olhar em mim,

tal qual um homem olha uma mulher,

esquecendo as palavras curtas, demasiado sabidas,

que obrigatoriamente me diriges

por que prometeste que o farias todas as semanas.



Gosto do teu cabelo revolto, do teu rosto,

das tuas mãos que falam sem parar,

Gosto de ti inteiro, mas não devo. 


Sei que não posso.

E fico assim encostada a mais um sonho impossível e desfeito.



Inês Maomé



Fotos do Google

sexta-feira, 26 de abril de 2013

AMO-TE TUDO


Amo-te tudo, desde sempre! 

És a minha luz, a minha manhã de Sol.

Vejo-te encostado a mim e sinto-te todo meu, feliz e completo.
A tua pele quente é toda minha.

Divina a tua pele suave, pele pura a tua. 
Adivinho-a a roçar a minha, e gosto

És sublime, meu amor! 
Desejo-te todo, dou-me a ti, numa entrega que não sonhas

E tu desgastas-me, sacias-me e eu gozo contigo 
desse doce prazer, sem o saberes

Os teus lábios, sonho-os húmidos, 
colados aos meus, lânguidos e mais que amantes

Sinto-os, matando a sede que existe nos meus, 



como a água viva que nasce nos montes e beijo-os.


Amo-te, desejo-te intensamente desde o eterno, antes do Universo

Ainda não te sabia, já te adivinhava na cor, no jeito e no cheiro

Queria-te, quero-te, mas tu não sabes, 
não sonhas este meu amor intenso.

Este querer absurdo é louco, estonteante, 
mas é mais lindo que nenhum outro, e é meu

Por mais que o negue e rejeite, estás e ficarás comigo para sempre

Todo tu existes em mim, fazes-me sorrir, ser feliz, 
sentir prazer e ser uma mulher diferente…


E eu em ti, inteira, como se fosse uma coisa única, 
sumptuosa e só tua, sinto-me tua amante!

O teu corpo colado ao meu, a tua pele na minha, 


o teu rosto a roçar o meu num tremer de paixão alucinante

Faz-me sentir um prazer celeste e excelso que nunca senti antes. 
Como sou feliz porque te amo! Amo-te tanto!

Queria que as tuas mãos macias e esguias 
penetrassem o meu corpo cada dia

Lhe tocassem com amor e de mansinho me levassem a voar até ao céu,

E, nesse voo, transformar o sol em lua 
e as nuvens em oceano azul celeste e puro

Queria o prazer supremo de me possuíres, 
ser o teu ar, o resto da tua vida

Num só, juntos, com o teu amor intenso igual ao meu, 
posso perder tudo, qual vagabundo, pouco me dá

Há muito que te adivinho em mim suspenso,



 preso por um fio fino, nu, transparente,

Tu, que adivinhei cedo seres o meu sustento, és a minha vida! 
Se tu soubesses, quem sabe me matarias o desejo! 

A ânsia de te ter no mínimo um instante! 
Brilhante solitário, amor louco e promiscuo, 
meu desejo mais intenso!

INÊS MAOMÉ

Fotos do Google

terça-feira, 23 de abril de 2013

TUDO QUERO TUDO



Tudo, quero tudo
Mas parada,
silenciosa e atenta
olhando a rua vejo pela janela dos teus olhos
O que não atento nos meus
Vejo luz, força e esperança,
A força de um herói que sempre recomeça
Vejo paz, amor e vejo a lua
e sinto um mar de sossego
onde queria nadar
e quem sabe me perder
mergulhar e  me afundar  para sempre
Parada comtemplando o brilho do teu olhar
Vejo o sol nascer
e mais tarde sempre atento
o entardecer no horizonte
Vejo a vida a passar, mas vejo-a viva
robusta, possante como outrora
Nesse olhar que tu tens
e a mim me fugiu há muito
vejo tudo,
mesmo o que não me deste
por pouco amor, sem saber
por loucura ou esquecimento


Fotos do Google

MISSÃO IMPOSSÍVEL:)


Missão impossível!
Escrever um texto, alegre, que faça sorrir. 
Mas sorrir ou rir? É que ambas as coisas não são a mesma coisa, ou serão? Penso que a diferença está no som e no modo facial. 

Escrever algo que seja alegre, agradável à leitura, que disponha bem, simpático e bem-disposto, tanto para mim que vou escrever como para quem for ler o texto.

Não sei se os textos para serem alegres e risonhos se enfeitam com flores e sol, se com chuva e neve branca, se se inventam abraços amores gratos sempre com beijos e enleios, se crianças cheirosas nos braços. 

Mas tenho que escrever algo que ao ser lido respire som de riso, alegria aos montes, seja engraçado e faça sorrir alguém por uma vez. Que desgraça a minha! Penso que não sou capaz.

Fartei-me de pensar toda a semana. Matutei em tudo, até no mais improvável, e juro que não encontrei graça em nada. Achei que nunca o conseguiria, nem que me pagassem por cima. Tentei, escrevi vários textos, mas foram todos parar ao lixo. Eram tristes e enfadonhos.


O último contava a história da Clara e do Ricardo, amigos desde meninos que, tendo crescido juntos, se gostavam muito. Porém um dia, por conta da crise, um deles foi com os pais para França. Veio a tristeza da despedida, a espera do verão para se tornarem a ver. O regresso dele no verão à terra, era sempre algo fantástico e, um ano, como o tempo voou, a Clara era já uma bela rapariga e o Ricardo um homem feito. 
Quando se viram nesse ano, ambos pensavam na mesma coisa. Queriam mais, muito mais que os beijos e abraços que se davam sempre, e os seus olhares gulosos diziam-lhes isso e tudo o resto que não falavam, …ah, mas rasguei-a, não gostei, repentinamente não previ um final sorridente para esta história. Nela alguém, com certeza, iria sofrer. 
Ela, desatenta pela paixão, ficaria grávida. O pai, mesmo que ambos os desejassem, nunca a deixaria partir com ele. E os estudos, e o curso? Ricardo já tinha uma namorada em França…Só embrulhadas, desgraças, a vida…E de novo desisti.

Então pensei nos vizinhos, nos amigos, nos solteiros e casados, pois talvez me inspirassem. 
Nos noivos que nunca casam. 
Naqueles que não sendo nada um ao outro, vão namoriscando e fazem tudo e muito mais que alguns solteiros unidos de facto e até que muitos casados, coitados. 
Pensei numa história de amantes, ou num casamento feliz coisa invulgar e pouco usual hoje em dia, mas desisti. 
Nada disto me faria sorrir a mim que sou carente, como poderia fazer sorrir outras gentes? Coisas vulgares e sem graça. 
Desisti novamente. Que estopada tamanha. Bolas, estava a ficar cansada.



Imaginei escrever sobre um poeta famoso, inventado por mim, um aventureiro célebre, um guerreiro…mas não foi fácil. Escrevi, mas deitei fora. Nada nele me fez sorrir. Todos os poetas são tristes e marcadamente com traumas e vícios e este não fugia à regra. Morrera cedo, marcado pela desgraça dos amores não correspondidos e da cachaça.

Pensei na vida do campo, nas cidades, nos bonecos animados, nas pessoas que passam muitas vezes por mim, quase sempre sérias e apressadas, e não lhes encontrei qualquer fonte de inspiração.

Imaginei-me numa ida ao ginásio, em que me desaparecesse tudo, e nua depois do banho, sem ter nada para vestir, tivesse que arranjar forma de não sair desnudada para a rua. Iria presa com certeza e isso, a mim, não me faria sorrir.

Pensei em filmes cómicos, nos filmes de amor, aqueles em que tudo são flores, depois passam a obscuros, mas terminam sempre bem. Naqueles em que todos se amam muito e no fim tudo acaba em beijos e abraços e o público satisfeito vem para a rua com lágrimas nos olhos: isto só para me inspirar, mas francamente não deu. Desisti antes de começar, e os dias a passar, e eu sem imaginação.


Pensei em histórias infantis, em criar bonecos com vida que transmitissem algo positivo ao mundo, que deixassem uma mensagem interessante na minha história, que me fizessem sonhar e quem sabe sorrir. Mas não consegui inventar nada que pudesse fazer alguém rir. Neste capítulo sou péssima e penso que tudo já foi inventado e dito, o resto é palha em que as crianças acreditam, porque são puras e crédulas. 
Mas, com isto tudo, eu continuava aflita sem texto escrito.

Imaginei misturar algumas histórias infantis, e construir uma história singular. Casar a Branca de Neve com o Pinóquio, a Alice do espelho mágico com o Príncipe de orelhas de burro, deixar as irmãs da Cinderela a trabalharem para ela, que feliz casaria com o Príncipe, futuro rei, do seu país. A avó do Capuchinho Vermelho viajaria até à América, num barco a vapor, e encontrava por lá um seu irmão que para lá viajara há muito tempo. Que bom matar saudades e assim por lá ficou. 
Em seguida veio-me à cabeça o lobo mau e aí pensei no Sócrates, no Passos Coelho e numa data de corruptos, embusteiros e trapalhões, nos seus comportamentos e desisti.
Escrever esta história, eu que me vejo quase na falência por conta desses e doutros iguais a eles, nunca! E não o fiz. 
Que podia fazer com estes? Decerto teriam que nos comer, a mim, a nós, mais do que nos têm papado já, pois a avozinha partira havia tempo para a América e por lá ficara com o irmão. 
Chatice e assim desisti mais uma vez.

E continuei a pensar, pois tinha que escrever um texto e num repente encontrei-me a cogitar nas coisas que mais gosto e me fazem feliz. 
Assim, quem sabe escreveria algo que fosse alegre e fizesse sorrir. Eu gosto do amor que sinto em cada coisa que faço e adoro dançar. 

Dançar salsa e kizomba e semba, e tango, e dança do ventre…e só de pensar na dança o meu coração pulou e, atento, bateu mais depressa um pouco. Encontrei, era tarde…mas continuei.



Que bom dançar, rodopiar pelo salão, soltar o corpo e esquecer o resto do mundo, o bem e o mal, prender-se ao comando do par e girar, deixar-se simplesmente conduzir e circular sempre sem parar, fazendo com o nosso par piruetas fascinantes. 
Deixar o corpo liberto, sem saber para onde vai, mas ir com ele num rodopio constante, elegante, sedutor, quente e charmoso. Um sentir que, me alimenta a alma, me aquece o corpo e transforma inteira noutra pessoa. 
Dançar até que o coração me pule do peito e o suor me molhe a alma, o rosto e o corpo por completo, me console sempre em cada volta e reviravolta fazendo-me sorrir sempre.
Na verdade quando danço, mesmo cansada, rio, sorrio sempre.

Mas escrever um texto sobre dança? Já era tarde para tanto. 
Por acaso o meu professor de dança, quase há seis anos, chama-se Pedro, é o Pedro Pinto, bailarino, e eu gosto dele como se fosse meu filho. Tem uma escola de dança e dança como se fosse uma pena. 
Leve e solto mexe o corpo com a ligeireza com que o pintor pincela a tela dando-lhe forma, luz e cor. Conduz com muita elegância e destreza e com ele eu dançaria todos os dias indo até ao fim do mundo, se as minhas pernas, danadas de pesadas, mo permitissem. Ufffa …tristeza!

Por acaso o Pedro dança? Sim o Pedro Chagas? 
A vida não são só palavras, e os textos podem escrever-se sem elas. Então, vamos a uma salsa? Vá, venha, ou não lhe convém o par? Sabe, eu danço bem, sim, sei que o faço melhor que escrever textos alegres, com os blocos todos corretos. 
Desculpe-me, por favor, o atrevimento e a minha sintaxe incorreta.

Já sei, não gosta de dançar! Mas eu gosto e vou continuar até poder girar, mesmo que as pernas me doam, porque a dançar sorrio sempre.

Inês Maomé





terça-feira, 16 de abril de 2013

EU e TU




Que saudade do teu balanço
Da tua cabeça no meu regaço
Do teu corpo colado ao meu
Do teu beijo profuso e denso
Do lençol enrugado e quente
Dos nossos abraços estreitados
Doces no amor, quentes no ardor
Do dar, do receber, do entregar e ser

Que saudades de te ter
De ser tua toda nua
De seres meu preso na lua
De sermos juntos cansados no amor
Que saudades desse amor que ainda é nosso
Mas hoje é mudo, cansado e surdo
Que adormeceu, pelo tempo, de contente

INÊS MAOMÉ

segunda-feira, 15 de abril de 2013

EU....AQUI....


Estou aqui,
podia estar noutro qualquer lugar,
mas  é aqui  que quero agora estar,
só e a pensar
Finalmente um dia só para pensar 
sem me importar se estou a fazer bem ou a fazer mal
por estar aqui e não noutro lugar
por estar a pensar no que não devo 
pois nem sei bem em que pensar 
recolhida neste canto onde sinto algum bem estar,
onde posso pensar baixinho,
onde ninguém interfere com o que sinto
me proíbe de sonhar, 
me recrimina, me aponta o dedo
um lugar onde olho no vazio e sou capaz de parar,
parar, sentir os olhos chorar
e mesmo assim meditar como sei,
e sem me dar conta de repente nada fazer além de respirar

Tudo e tanto me preocupa,
Tanto e tudo me entristece
A vida foi curta, fugiu-me depressa
E agora que olho para trás reconheço que podia ter sido diferente
Talvez melhor, quem sabe pior,
mas vivida de outro modo,
mais calma, mais consentida,
mais amada e  presente
Mais viva, mais sentida e gozada, 
mais aproveitada mas sempre, sempre muito mais vivida
que raio de vida tive, porque me acobardei de gritar,
porque tive medo de ser gente como todos  


Os medos, angústias parvas e loucas
invadiram-me continuamente
bloquearam em mim todas as entradas
roubaram-me a tranquilidade
o sono, as tardes calmas, os passeios com luz
o brilho que precisava sentir e ter nos meus olhos
para mesmo nos piores instantes ter força
reagir sem medo, 
caminhar em frente
pensar que era feliz e sorrir e até cantar
Mas eu escondi-me,
fugi de tudo, do mundo, de muita coisa, de muita gente.

Hoje estou aqui, estou só 
Com medo do que me aguarda
Algo que vejo além e muito perto me espreita
E eu não entendo porquê, mas pressinto me vai fazer mais mal que bem


Morei sempre com ela,
A portas meias com a solidão
O vazio, o nada ser, nada saber
O espanto de ver e ouvir o que muitos sabem, percebem e entendem
Coisas, que eu nunca soube e não vou perceber jamais,
 nem quero saber,
 pois para mim não são fundamentais para ser feliz
Só queria o que sei ser impossível
Porque o tempo me voou
Saltou das minhas mãos
E agora não posso, não mando em mais nada
e que pena, 
como lamento não ter sabido de tudo isto atempadamente.


Estou aqui e é aqui que vou ficar
Mais um pedaço de tempo
Até me esquecer de tudo o que me machuca
Me dói hoje mais que ontem
Até me voltar a lembrar
que é sempre tempo de dormir e acordar
e quem sabe, 
mesmo que seja tarde
aprender e recomeçar

INÊS MAOMÉ

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AQUELE JOVEM ...



Tão jovem, pressinto e sei que não me é nada,
mas enlevo-me nele  e sinto-o coisa minha
um amigo, nascido de repente e em mim ficou

Em cada palavra que me diz não sei se ria se chore, 
mas sinto-a nova e gosto de gostar dela
Admira –me, lisonjeia-me e eu feita gata felina
deixo-me enfeitiçar nesses devaneios que não mereço,
não me pertencem, não a mim, que já sou velha,
mal sabida do tempo, mas passada e moída  por ele.   

E as graças e palavras doces que ele me diz,
eu abraço e gosto
e cada pensamento  que sinto, não devendo ser meu,
penetra-me e devassa-me  inteira e eu, tola, deixo.

Nada do que me diz pode ser para mim, não o granjeio
meus são só os medos e anseios de uma mãe,
as dores e as mágoas de amores bem ou mal vividos, 
mas passados.
Horas de solidão, momentos de tortura
Libertinagem em mim inexistente, que pena e que loucura

Ensejos que não gozei mas sinto a falta 
porque me teriam feito outra gente
Outra mulher, uma mulher diferente, solta e sem temor
E eu devendo-o não admitir, 
acho-lhe uma certa fineza e aceito-o.
Um encanto enorme, no tamanho de cada graça, de cada louvor

No riso que tomo para mim de graça,
na forma de  me sentir melhor, mais gentil e esbelta
de aliviar a pena do tempo que voou sem eu dar conta

Que pena que o primeiro beijo, 
o primeiro abraço só se dê e sinta uma vez,
aquela vez que nos cega inteiros,
e por tamanha  juventude e graça
pensamos que o final da reta  é longa e demora tudo
e depois corre veloz e passa depressa…

INÊS MAOMÉ



Fotos do Google

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sonhos...não , não , não acredito ! !


A ti, que conheço bem, 
me maltratas, 
me fazes passar mil tormentas, 
que me ultrajaste e mentiste mais de mil vezes

A ti, sonho, nada dedico. 
Contigo não estou com meias medidas, 
a ti nada ofereço, ilusão maldita.

Empurras-me cada dia até ao fundo dos oceanos profundos ou, 
vendo-me tremer de medo e frio, 
fazes-me levitar no universo e deixas-me aí perplexa, 
angustiada e aflita, não como se eu fosse uma estrela, 
mas dolosa mentes-me e abandonas-me como algo ignóbil 
e estranho que me assusta e não admito.

Fazes-me girar ansiosa, 
perdida no escuro, 
num fundo negro que ignoro,
sem conhecer nada nem ninguém, e não te importas. 
Ris de mim, de escárnio porque és hipócrita, porque és ruim.

A ti, sonho, em que não acredito, nada dedico, já disse!

Não o mereces, não de mim, 
tu que nunca me apareceste às cores, risonho,
transformando as minhas noites na força que preciso 
para continuar nesta luta, 
fazendo-me acreditar, mesmo que, por um segundo, 
ao abrir a minha janela, o sol, um dia, brilhará e sorrirá para mim.

Tu, muito mais que eu e como muitos que andam por aí, 
mereces ficar escondido, bem fundo numa gaveta.
Sonhos quem os não tem? 
Os amantes enganados, os bancários, 
os políticos corruptos, 
as crianças, o meu gato enrolado no meu regaço. 
E eu também, mas sempre ruins, 
por isso vos renego e abomino malditos. 
Cada um fica com os que tem, 
mas eu quero esquecer os meus, 
senão sinto que cada dia morro um pouco.

Sonhos, o engano dos mortais. 
Sonhos, irrealidades virtuais. 
Sonhos, nuvens de algodão, que não o são. 
Sonhos: afinal o que são?
Sonhos, o êxtase dos noivos, dos que vão ser pais, 
dos que beijam a primeira vez 
e pela primeira vez se esfregam 
e se entregam na troca dos seus corpos imortais, 
amando-se ou desejando-se como animais.

Que se forniquem os sonhos, 
que vão todos para o inferno, 
que os leve um raio para onde calhar.
Eu não os quero. Ouviram? 
Eu nada dedico ao sonho que a mim nunca teve nada para dar!
Puta que pariu os sonhos. 
Todos eles: mentirosos, traiçoeiros, enganadores, 
mesmo os que parecem fofos, cor-de-rosa, 
que brilham como estrelas e nos parecem conduzir ao céu.

Acredito e dedico um louvor aos “sonhos” que comia, 
em miúda, 
com café, sentada ao lume com a minha avó.
Desses sim, e dela, 
ficou-me o cheiro, 
o gosto e uma saudade eterna e infinita.   

Inês Maomé



Não sei quem sou :(



Sou filha das trevas, do mar mais revolto,
sou despida de tudo, não sou nada nem gente
Se tu, pai, que não conheço, não me sabes, não sinto, mas és, 
se tu não me tivesses feito:
de um sexo parvo e louco, 
de um sentir prazer cego na tua carne e apenas isso

E tu, mãe, não me tivesses parido eu não escolheria a vida, 
não, sem vos ter sempre comigo
Não existiria, não era eu nem gente,
 não seria ninguém, mas isso pouco ou nada me importaria

Teria uma existência nula,
seria poeira, lixo, células mortas, uma utopia, só isso
Tudo preferível à minha essência miserável e crua, 
algo que vive em mim e adivinho sempre triste

Não era infausta, não via a mágoa, 
e sem sentidos: não provaria a dor na desgraça e na angústia

Que me importa saber se há lágrimas de alegria, 
se há gente que ri, que se diz bem e sabe tudo
Se choro e sou triste em ser, 
se as lágrimas me vestem de luto, 
sinto tortura e a dor se faz só minha   
Se me causam ânsia e temor, me caem do rosto e por ti vão até ao chão, sujando-me de pesar e pena

Perder um filho, perder um amigo, o nosso amante, 
o ente mais querido, o nosso porto mais firme
Perder um braço, nele mil abraços e tudo do tudo, 
perder a mente: o pensamento que nos faz gente
Isso fere na alma, mata por dentro o nosso ser, 
tira-nos o ar, 
faz-nos morrer de pena lentamente
Perder o pai que existe vivo, que é, 
mas nunca foi nosso: para mim é tortura, é gritar e secar da alma 

Vegeta-se descalço, nus no coração, 
sem abraços de sangue, o dar de mãos e morre-se aos poucos:  
sem memórias dos  afagos, sorrisos e abraços nunca dados, 
o vazio de nada ter dele além do nada

Esvai-se em nós a esperança de o termos ainda. 
Vive-se e constrói-se um mundo frio e diferente
E como o sangue jorra de uma ferida, 
solta-se de nós, de um golpe só, 
um “AI” maior e sem raízes   

Vem o gelo, a noite escura, 
a cor negra do vazio e sozinhos presos a nada, 
flutua-se no cheiro a bafio

Pai, tu que és e vives, a quem eu não pedi para ser gente, 
porque me fizeste nascer e estar aqui?
Tenho medo pai, ouve pai, estou sozinha, 
está escuro e eu tenho receio de tudo, tenho medo da vida
Preciso há tanto do teu apoio e regaço, 
das tuas mãos a afagarem-me o rosto, a cabeça e os cabelos

Preciso que me faças esquecer que o vermelho não é só sangue e dor, guerra e sofrimento:
que és tu pai, e uma papoila, 
uma rosa florida e uns lábios ternos (os teus),
a dar-me beijos doces 

Inês Maomé


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