segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ABRAÇAS-ME.....


Abraças-me

Abraças-me agora, diferente de antes
e nesse abraço eu sinto o calor desse amasso tão desejado
sinto o enlaço do quanto ainda me queres bem
sinto o calor do teu corpo quente colado ao meu
o afago que me queres dar com os braços que me apertam  
me aperreiam, me tiram o ar, me falam do amor que hoje me tens
que eu gosto de sentir, 
porque são meus e me fazem sentir tua mulher
Como o tempo apagou e levou para longe 
o que foram os nossos sonhos
Como o tempo gastou na sua memória
o quanto passei ao desejar-te sempre chegado a mim
assim como o fazes hoje
Mas tu pensando que o tempo durava demais
ias dizendo sempre que o tempo
havia de nos dar tempo de fazermos tudo depois
Como te quero hoje, ainda que velha e moída,
mais ainda que ontem te quis
que sempre te quis, porque te conheço bem,
és o meu homem, o meu suporte, o meu amante,
a força que em mim sempre desejei e quis
talvez de outra forma, de outro jeito de querer
com outro toque, com mais abraços, mais beijos
todos os que não me destes antes
mas eu sonho que vivem em mim
como tu viverás sempre colado em mim
como uma fonte inesgotável de prazer e luz


Inês MAOMÉ

domingo, 25 de agosto de 2013

QUANDO EU MORRER…


QUANDO EU MORRER…

Quando eu morrer
e os meus olhos se cerrarem de vez
não quero que seja domingo, nem sábado, nem sexta-feira
quero morrer num dia comum,
sem ser feriado nem dia de festa.
Não quero que toquem os sinos,
mas que passarinhos apareçam e chilreiem
e cantem devagarinho como os escuto agora
como o fazem todas as  Primavera
quando enfeitam o beiral da minha janela
não, que eu o mereça, mas porque gostaria que assim fosse

Para mim não quero o badalar triste e constante,
dos sinos da torre da igreja
que me torturam sempre,
me avisam de fins  que não quero saber
que me fazem sofrer e eu não gosto 
que sei me vão ferir mesmo depois de partir
não quero que se fale que morri: por compaixão ou pena
por misericórdia ou contemplação
quero que se calem as bocas, se faça silêncio, isso apenas
Não quero flores vistosas, malmequeres somente
não quero gritos difundidos, 
nem lágrimas de ninguém, nem ais desmesurados
sim, para quê chorar se só parti para uma outra viagem?

Quando eu morrer, levarei comigo penas e dores,
eu sei,
mas são minhas e comigo nesse dia partirão
pois não as deixarei a ninguém
Sei que partirei com a mágoa de pouco ou nada ter feito
de ter amado mal, não ter dado o que podia,
de não ter partilhado de mim tudo o que devia por direito
de ter recebido em troca a insatisfação do incompleto
Quando eu morrer, quero dormir finalmente
não ter mais sonhos nem pesadelos
não quero sofrer pelo mundo,
nem por vocês que por aí andam
que eu amo tanto, mas não sei porquê,
nunca entenderam como eu sempre lhes quis e quero tanto

Quando eu morrer,
não quero que toquem por mim os sinos da igreja
quero silêncio e paz, malmequeres à minha volta
e a calma da bonança nos corações  dos que ficam.
No vosso coração quedarei para sempre, eu sei!
Essa semente, a da paz, coloquei-a eu em vós
e em vós habitará para sempre.

Inês Maomé




sábado, 24 de agosto de 2013

UM PRÉMIO, UM FAVOR, UM AGRADECIMENTO!!


Hoje não vos dou poesia, 
é um favor que vos peço, 
votem na minha foto, por favor,
e eu ficar-vos-ei eternamente grata

Amigo/Amiga

Temos uma foto - eu e o Tó ( meu marido) - a concurso num site internacional de fotografias, tendo já passado numa pré-selecção, o que já é muito bom.

Agora está a concurso, com votação por internautas e todos estamos a valer-nos de amigos, como é o teu/seu caso, em relação a nós.

E queremos ganhar!

... apesar de grandes fotografias lá presentes, de grandes fotografos internacionais, a nossa foi tirada nas férias do ano passado, com o meu telemóvel . . .

Para isso precisamos que votes na nossa foto...

Como fazer?

Copiar este link para a linha de pesquisa de internet (explorer ou chrome ou outro browser):

http://www.picglazephotoprize.com/buscar/Rosa%20Maria%20Pereira%20Coelho

(basta copiar para lá e dar "enter")

Vai para o site das fotos a concurso, mesmo junto à nossa. Dps basta andar um pouco mais para baixo no "ver mais foto" (apenas 1 vez) e aparece a nossa foto, com o titulo "O Amor nos Sessenta".
Clicar no icon, que diz VOTAR;

Salta para um ecran em que pede o seu/teu endereço de mail, que deve lá ser posto;
Receberá no mail uma notificação de validação do voto.
Seguir a instrução de validação.
Está pronto!

Se tiveres mais do que um endereço de mail, poderás votar quantas vezes, quantos emails tiveres...

Obrigado, em meu nome e do meu marido

Abraço

Rosa Maria e António Coelho
Picglaze
www.picglazephotoprize.com
Si te ha gustado esta fotografia vota por ella. La imagen más votada recibirá el Premio del Público. Podrás votar tantas imágenes como quieras, pero recuerda, solo un voto por fotografia. Tras realizar tu voto recibirás un correo electrónico de confirmación.
Picglaze
www.picglazephotoprize.com
Si te ha gustado esta fotografia vota por ella. La imagen más votada recibirá el Premio del Público. Podrás votar tantas imágenes como quieras, pero recuerda, solo un voto por fotografia. Tras realizar tu voto recibirás un correo electrónico de confirmación.

Parto saudosa, tu sabes...


Parto com dor,
 como se me levassem à força, 
mar alto, 
amarrada numa barcaça
Mas preciso ir, 
preciso obedecer à chefia.
Coisa horrível, tenebrosa e sombria, 
a certeza de partir e ter que te deixar minha princesinha
Frágil e receosa, 
levo comigo por ordem do divino,
a confiança que me deste, 
que aprendi a ter contigo
desde que te criei em menina quando segurava, 
na minha, a tua mão pequenina
Foi contigo que aprendi a ser forte, 
uma mãe mais corajosa e diferente
Parto saudosa, tu sabes, mas por ti, sem medo,
enfrento ousada o desafio
- “Um ano passa depressa”
Foi o que me disseste meigamente ao ouvido,
no abraço que trocámos e continha toda a ternura do mundo
Mas o temporal é grande, 
o mundo está transtornado
A barcaça é frágil, 
grandes vendavais se avizinham
E sem bússola posso bem perder-me no caminho
O que for será! 
Aprendi contigo a atravessar o escuro, 
o incerto, 
a não recuar ou ter medo
Fica bem meu anjo, 
vida minha, minha filha querida
Sei que vais ficar segura, 
és forte e valente, mais que eu em tudo
E como te assenta bem essa bravura, 
essa nobreza de espírito,
esse querer andar para a frente, 
planear e conseguir conquistar o mundo
O raio de luz que nos une 
não se há de apagar e vai brilhar mais e unir-nos cada segundo
Preciso voltar ao teu aconchego, 
ao doce abraço que me dás sempre
Não sei bem porque parto, 
não queria, 
mas obedeço, porque preciso
Carrego-te na alma, 
presa em mim 
como o fulgor de luz que me iluminará e dirá o caminho
Sei que ficas bem amor meu,
minha filha linda, 
minha maior amiga
Levo-te  presa em mim meu raio de luz, 
meu porto seguro, 
onde penso voltar um dia

Inês MAOMÉ


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

És o meu sonho a minha fascinação!


Sedução ou PAIXÃO

Para que haviam de servir os meus olhos

para quê, se tu não existisses?

Sem pudor de nos conhecermos, sem medo de nos descobrirmos
Eu a ti e tu a mim, como se nunca nos tivéssemos visto,

vamos fazer do prazer e da sedução

um caminho para aprender o amor,
para crescermos nele e sermos gente,
amantes loucos diferentes.

Palavras verdadeiras,
o desejo no olhar,
sentimentos infinitos
a prolongar o nosso ser e intenso amar

Eu só te quero amar, deixa-me tentar
Tenta comigo.
Anda, deixa-te vir e vem navegar em mim
e comigo sê o homem que desejo cada instante

Se soubesses como te desejo exaltar,

deixavas acontecer essa delicia de eu te ter e tu em mim seres feliz e completo

Digo-te que valerá a pena cada momento que te dedico,

o meu corpo junto ao teu, 
um só amar, 
tu e eu unidos para sempre...

Num só corpo e num só querer…

Mesmo que quisesse, não saberia dizer-te
como ou quando me aconteceu tudo isto.
Olhei-te, amei-te desde aquele puro instante
Louco desatino o meu, mas fui em frente
e só sei que te quero mais que a tudo,
com toda a loucura infernal do paraíso,
o sibilar suave de uma aurora imaginária
o pós luar,
o pós pôr do sol,
pós forma de amar,
antes e depois de ser e existir

Infiltram-se em nós, como o agora,
um constante entremear de intensos sentimentos,
de desejos e pensamentos densos e infindos e eu gosto de ti mais ainda.
Se fosse possível
Eu seria tua inteira e tu meu naquele instante e para sempre,
vida minha, a tua vida inteira toda minha,
e eu completa toda tua eternamente!

Inês Maomé


SEDUÇÃO!



Sedução, ingênua e pura aliciação
Transmitida num olhar
Esperta e resistente num piscar de olhos atento
Nem sempre intencional
A respiração leve, muito leve ou arquejante
Um soabrir de lábios, um mordiscar dos mesmos
o sorver mil beijos dados ardentes e salivantes
Um abrir os poros de todo o corpo
Num desprender de perfume transpirando desejo
Secreto desejo tão atingido
no corar do rosto, no corpo que aquece e não mente
Na crispação dos músculos
no mexer dos ombros , das pernas que arquejam
No afagar dos cabelos
No mordiscar na pele escaldante
No chupar dos dedos e cruzar de pernas
No seu descruzar constante
No enlace dos braços tensos de desejo
Nas razões mais cálidas
Secretos pensamentos
Tão compreendidos e tão amados...

Tu és assim, 
meu amante secreto
Minha paixão ardente
Que vives em mim, 
só como um raio distante
Sobrevoando o meu imaginário 


INÊS MAOMÉ










quinta-feira, 15 de agosto de 2013

VERÃO...POEMA VIVO!


Verão, poema vivo,
sonho perfeito
E eu uma borboleta azul,
bordada por ti, 
na pala do teu boné a servir de enfeite
Verão, uma ave rara, 
o teu gato e eu,
deitados juntos no teu regaço.
Verão… 
e depois amar-te e ser amada e gritá-lo ao mundo inteiro
desde o sol nascer até se pôr no oriente
Contar-te em segredo da noite que vai cair,
e como sereno e feliz te irás afundar em mim 
e eu em ti ser uma torrente  
e no teu olhar doce restar 
e nele permanecer para sempre
Verão 
é ser horizonte em fogo 
é dizer-te: eu sou o teu céu, tu o meu mar   
É contar-te que é tempo de ir para casa,
sonhar juntos, 
unirmo-nos e juntos  sermos um eternamente
Verão,
é nascer cada manhã para viver tudo como se fosse a primeira vez

No Verão os dias são únicos
Acorda tudo de novo. 
É sempre tempo.
Sonha-se cada passo.
Tudo parece fácil. 
Tudo renasce
Encontrar-te, ser feliz e colada a ti existir,
ser “aquela” mulher, seria o tema.
O meu e o teu corpo saciariam o desejo contido de tanto tempo
o arfar suspenso no teu peito encostado ao meu,
seria o nosso alento e lema do nosso poema
o pisar na areia quente, de mãos unidas, 
seriam a nossa força  
Tudo no mundo havia de contar mais de nós. 
Mas o Verão é um virar de folhas
É um poema-sonho, mente em tudo e sempre, mal avista ao longe Setembro.

INÊS MAOMÉ

Ser mãe...ao partir!



Como sinto orgulho de ti, 
na mulher perfeita em que te transformaste!
Não tenho palavras para te dizer todo o amor que te tenho.
Mesmo quando tomei contigo atitudes repressivas, 
também foi por amor que o fiz.
Que mãe seria eu se omitisse essas atitudes que decerto não gostaste
quando usei, ao educar-te, 
mesmo fazendo com que chorasses e eu chorasse contigo?
Na educação dos filhos não há uma cartilha a seguir
Existe amar, amar tudo e mais ainda, 
dar e ensinar o melhor caminho. 
Ser mãe, não é apenas dor no “parir”!
É dedicar-se, é compreender, 
é dar liberdade com limitações,
É aceitar opiniões, 
é compartilhar os momentos bons e difíceis da vida, 
é acolher.
É fazer sentir a existência de um lar, 
não apenas uma casa.
É nunca desistir! 
É privação! Sim, privação!
Mas uma privação ciente, solidária, 
um crescimento constante, um tirocínio de vida.
Caso reiniciasse tudo de novo, 
faria tudo igual, ainda com mais amor e prazer. 
Filha minha, não imaginas como gostaria de ser para ti a melhor mãe, 
a mais certa.
Mas na escola da vida não existe uma cartilha a seguir.
Por isso, peço-te perdão pelos meus erros 
e agradeço a Deus pelos meus acertos.
Ninguém consegue dar o que não tem e agora que parto, 
sinto já o vazio da distância
Um vazio que ficará preenchido 
pelo amor que aprendemos a dar-nos mutuamente
Afasto-me de ti pela primeira vez e sabendo que te dei tudo,
tudo o que tinha e o que não tinha, mesmo assim parto descontente,
queria ficar contigo
Mas porque me dei inteira a ti 
ao partir levo-te comigo, prenda minha.
Peço a Deus que me deixe voltar, 
que o tempo voe, que passe depressa.
Tenho ainda muito para te dizer, para partilhar e dar, 
muito que aprender contigo
 Ser “mãe” é a minha mais nobre tarefa, 
e não vou nunca desistir de ti, 
nem dela,
Ouve: apesar do que me obriga a partir, 
ser mãe é a principal missão da minha vida!

Inês Maomé






Na hora que parto!


Na hora que parto, 
olho-te e num ápice, ávida de ti, 
vejo-te menina
E cada visão destas é uma pérola 
que me há de ajudar a passar o tempo
E sobreviver doze meses de lonjura sem te ter por perto 
e só em pensamento
Vejo-te bebé, 
deitada no meu regaço a mamar no meu peito
depressa adormeces saciada e mais que perfeita               
depois menina de trancinhas e meinhas brancas
vestidos com laços, 
chapéu de palha fina, 
brincas às bonecas,
depois de sacola vais para a escola, 
fazes os deveres,
choras pelo gato que te fugiu do regaço.                       
Brincas no escorrega, 
jogas à macaca
Fazes de senhora de sapatos altos
Aprendes música, 
tocas a viola depois o piano
Entras para a tuna, vestes traje preto,
És uma estudante aplicda a sério, 
e assim rápido acabas o curso de bengala e cartola
Começas no trabalho, 
a ter férias tuas só em tempo exato
Cresces, 
fazes-te mulher, 
dás-me mil conselhos,
és mais que minha filha, 
és uma amiga, a melhor que tenho.

És a minha ventura e reparo agora: já não és menina
-“Um ano passa-se depressa”
Foi o que me segredaste dando-me alento no abraço, 
apertado e doce, antes da partida
Um tormento meu ter que partir para longe. 
Coisas do Alberto
vai doer-me menos levar-te na lembrança como te vi sempre:
a minha menina, a minha princesa, a minha rainha.
No coração levo o orgulho de ao olhar para ti e ver-te diferente: 
a minha rainha
e não mais a menina, 
mas a mulher linda em que te transformaste.

Inês Maomé


domingo, 11 de agosto de 2013

Gosto daquela mulher! GOSTO!


O TEMPO PASSA

Esvai-se por entre os dedos 
o tempo para todos
e o sol escaldante como o de hoje, 
não nos larga,
queima a terra, 
a pele e a mente
e a ela queimou-a inteira,
porque andou debaixo dele o tempo inteiro
Foi como a chuva no Inverno
que quando começa não para de cair nunca
como se o céu estivesse roto,
precisasse esvaziar-se de mil tormentas
molhando-nos completamente 
chorando sobre nós todos 
os seus prantos e lamentos
atravessando-nos  a pele até chegar aos ossos
impregnando-nos de algo deixando-nos marcas
para não a esquecermos nunca,
nem ao vento,
nem ao frio intenso,
nem ao gélido ar 
que nos corta a pele e nos fere constantemente
a ela também nunca nada alguma vez a fez parar
nem o sol quente, nem a chuva intensa, 
nem um aluvião ou qualquer torrente

Agora o Sol abrasa e ela cansada
cada dia mais que antes,
hoje ainda mais que ontem,
respira mal,
e ofegante cansa-se por tudo e pouco,
mas não sabe o que se passa
Esqueceu tudo de graça,
mesmo o que mais gostava
o que a fazia calcorrear a estrada molhada
ou o alcatrão escaldante
em busca do que desejava
e encontrava sempre como gostava

Hoje está diferente, 
é outra mulher, quase uma criança
O sol quente quase a derreteu
a chuva tornou-a doce e já nem lhe liga importância
Está mais velha, desgastada,
abatida, esquecida de tudo e todos
o coração bate descompassado no seu peito
e ela só sabe que o respirar lhe custa e  dói
Os anos passaram e foram tantos os feitos
tantas as coisas que fez,
que hoje recordar tudo isso é impossível
desgastante, 
tal como o respirar arfante que sai do seu peito

Não se descreve a vida inteira de alguém 
numa só folha de papel branco!

 Inês  Maomé



A MINHA MENINA!


A minha menina

Sei bem porque se agita no meu peito o coração
Queria esconde-lo de mim 
e até do mundo,
mas não posso. 
É mais forte que eu a vontade de o fazer e conseguir
E deixo que o meu rosto mostre as marcas 
os meus olhos triste e magoados chorem 
Eles contam a minha vida,
O que foi a tua, a mossa história
o que vivemos  e sentimos juntas 
Ver-te só, dói-me até à alma
Para quê esconder de mim que já esqueci
se vivo ainda tudo o que se passou como se fosse ontem?
O vestido branco, o véu e a mantilha.
O anel fino no teu dedo sobre o vestido que te vesti
A organza enrolada nas escadas 
com ramos semeados de margaridas 
e na tua mão o ramo delicado e puro como nubca nenhum outro vi
As tulipas nas jarras, a família a chegar
Os sorrisos, os abraços
E tu, linda como nunca, a descer as escadas
Não será fácil apagar da minha mente cada instante
Vivi-os tão profundamente
que restaram em mim marcados
como se um cinzel mos tivesse esculpido na carne e no espírito
para a vida e para além da morte
Cada passo dado, 
cada sensação vivida
o ramo, o bolo, a dança, os amigos,
a cara “dele” de mau grado
e eu a acreditar que era mesmo assim,
pressentindo que no futuro 
tudo teria que ser diferente "daquilo"

Quero tanto que sejas feliz, minha princesa!
“A minha menina”, 
“a minha luz e rainha”,
como disse naquele dia que vieste ao mundo
e te colocaram no meu peito
quando te olhei com doçura a primeira vez
e te chamei logo de Maria!
Que saudades desse tempo
em que te protegia nos meu braços
das tormentas deste mundo,
te abraçava e beijava quanto queria….

INÊS MAOMÉ

LÁGRIMAS!


SÃO LÁGRIMAS

São lágrimas secas, 
moídas, sentidas e impacientes,
que me batem à porta dos olhos constantemente
que eu forço e empurro para dentro 
e não deixo que saiam de mim
para apanhar vento,
nem ver o sol que me escurece o dia
que me dão dor, 

mil tormentos e mais agonia
São lágrimas densas
que me torturam interiormente
que eu engulo

e num repente me sufocam,
me atrofiam, 

me gelam inteira
me transformam num cata-vento
Mas eu insisto, 

não desisto e engulo-as todas
faço tudo para as destruir,
para se ensoparem nas minhas entranhas
mesmo que por dentro me afoguem
me tirem as forças, 

o animo
mas faço tudo para as destruir 

fazer sumir, 
fazer voar e sumir de vez
São lágrimas secas que doem
me destroem 

e não me deixam ser feliz.

INÊS MAOMÉ