domingo, 11 de agosto de 2013

A MINHA MENINA!


A minha menina

Sei bem porque se agita no meu peito o coração
Queria esconde-lo de mim 
e até do mundo,
mas não posso. 
É mais forte que eu a vontade de o fazer e conseguir
E deixo que o meu rosto mostre as marcas 
os meus olhos triste e magoados chorem 
Eles contam a minha vida,
O que foi a tua, a mossa história
o que vivemos  e sentimos juntas 
Ver-te só, dói-me até à alma
Para quê esconder de mim que já esqueci
se vivo ainda tudo o que se passou como se fosse ontem?
O vestido branco, o véu e a mantilha.
O anel fino no teu dedo sobre o vestido que te vesti
A organza enrolada nas escadas 
com ramos semeados de margaridas 
e na tua mão o ramo delicado e puro como nubca nenhum outro vi
As tulipas nas jarras, a família a chegar
Os sorrisos, os abraços
E tu, linda como nunca, a descer as escadas
Não será fácil apagar da minha mente cada instante
Vivi-os tão profundamente
que restaram em mim marcados
como se um cinzel mos tivesse esculpido na carne e no espírito
para a vida e para além da morte
Cada passo dado, 
cada sensação vivida
o ramo, o bolo, a dança, os amigos,
a cara “dele” de mau grado
e eu a acreditar que era mesmo assim,
pressentindo que no futuro 
tudo teria que ser diferente "daquilo"

Quero tanto que sejas feliz, minha princesa!
“A minha menina”, 
“a minha luz e rainha”,
como disse naquele dia que vieste ao mundo
e te colocaram no meu peito
quando te olhei com doçura a primeira vez
e te chamei logo de Maria!
Que saudades desse tempo
em que te protegia nos meu braços
das tormentas deste mundo,
te abraçava e beijava quanto queria….

INÊS MAOMÉ

2 comentários:

Manuela Beatriz Miranda disse...

São 23h37m e chorei. Chorei ao ler este poema "A minha menina", talvez porque eu tenha a facilidade de me tornar uma personagem omnisciente e consiga ir ao sítio onde tudo se passa e invisível deambular por entre as pessoas e captar o que estão sentindo. Aquele cheiro, o cheiro do ramo da pureza e da inocência, esse fica para sempre, nunca nos liberta, e eu também não quero que ele me deixe, pois é um cheiro que gosto. O resto, os rostos, os pressentimentos, esses não quero tê-los, nem lembrá-los, quero definitivamente matá-los. Só assim podemos começar todos os dias, um novo dia, e a felicidade está sempre bem perto de nós. Muito obrigada.

INÊS MAOMÉ-Rosa maria coelho disse...

Obrigada querida amiga, minha amiga para a vida inteira e para sempre, pelo conselho que aceito, mas não sei se conseguirei cumprir. Escrevi com o coração, num grito de dor, e nem revi...nem vou rever...Aqui, não me importa a poesia, mas o sentimento que vivo ainda e sinto dentro de mim. Foi tudo muito denso e intenso, vejo e sinto ainda muito bem tudo à minha volta... é como se tudo tivesse sido ontem. Um sonho desfeito...e as flores vejo-as a cada instante, como a ela vestida de branco segurando nas suas delicadas mãos o ramo mais lindo que algum dia foi feito...Há-de passar, tem de passar e a passar a uma visão doce como se tivesse sido um filme...