quarta-feira, 20 de novembro de 2013

SEM TI...


 
 
Sem  ti


Noites sem ti são um pesadelo

Os sonhos densos habitam-me

Atormentam-me… não os entendo

O frio da casa vazia gela-me os ossos

A cama fica nua,

Parece outra, maior,

gelada pela tua ausência, amua de tristeza

e nunca aquece

Eu encolhida, estremeço toda

e num lamento

permito esse existir que não pode ser de outro jeito

quanto tormento neste existir de fim de vida

Fazes-me falta, tu que és o meu tudo

sinto-o mais cada dia que passa

O teu corpo aquece-me

e o teu abraço forte e doce conforta-me e eu gosto

A tua voz habita-me, enche-me de tudo

e esta casa vazia

nua despida, sem ti parece morta

Anda amor volta depressa

Vem falar-me docemente aos ouvidos.

 

Inês Maomé

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O NOSSO ABRAÇO



O NOSSO ABRAÇO

Mil pessoas,
três mil, mais ainda
E ele, distinto, diferente,
o homem do sobretudo azul.

Alto, esbelto, inteligente e atento
Apareceu num repente

e os seus olhos riram nos meus
E os meus, sorridentes,

olharam os dele com espanto

Olharam-no delirante
E estimaram aquele instante

Momento único, excelso
O “Até já”: estava ali.


E com os olhos azuis-claros
com que vê todos os dias o mar

o céu azul e o luar
da sua janela branca rasgada  

do estar calmo ou revolto do mar
batendo contra a areia, chegando até ao horizonte,

o homem do sobretudo azul
que olha o mundo inteiro, da sua janela branca

olhou-me, abraçou-me forte,

e eu, a ele, dei-lhe o abraço mais profundo que tinha.
Olhei-o, mirei-o todo,

mais de mil vezes o fiz, com agrado
Fixei nos meus, o azul dos seus olhos belos

Olhos azuis da cor do céu

que retive há muito comigo
Que vi bem, um dia, junto à sua janela branca

Mais branca, que todas as rosas brancas do meu jardim
De onde ele olha diariamente o céu e o mar

e me fala em palavras escritas, do seu olhar.


Ai, se eu fosse um rubi
Um diamante, uma esmeralda perfeita

Um brilhante, uma joia para estar exposta
Ele olhar-me-ia cada hora

Como olha o horizonte


Ai, se eu fosse uma flor rara
Essências puras, as suas prediletas,

uma peça rara vinda das Arábias

Uma pintura de rosas de carmim
Cheirosas e perfumadas

Escolhidas a propósito
para junto dele serem e  estarem 

Juntos, naquela janela branca
De onde ele vê o céu e o mar

E me imagina a mim

Tudo seria diferente

Meu Divino Deus
Quantas coisas lhe diria eu

Mais de mil outras, me diria ele a mim
Só de me olhar como uma peça rara

Ou uma simples rosa de jardim



Mas foi bom, lindo, estar ali
Bom demais o abraço, o carinho

O perfume que de todos senti
que ainda sinto hoje

e espero se eternize em mim

Assim, num até breve, no até já
Como um olhar que se perde

No oceano que ele vê

Da sua janela branca
E depois me conta a mim….


Inês Maomé

18/11/2013

POR ONDE ANDAS ?


Por onde andas?

Por onde andas,
onde estás que não te vejo nem pressinto?
Porque me tens suspensa?
Preciso de ti,
do teu abraço forte,
da tua companhia em mim,
mesmo que estejas parado, sentado  e em silêncio
És-me tudo, o todo que me completa
O teu respirar é o meu alimento
A tua presença, o elixir que me deixa contente
Um beijo teu,
mesmo que seja leve e de fugida,
a força que preciso para gostar desta vida
Sabes, ontem senti mais a tua falta
E mais que nunca soube
que tu és,  tu e só tu,
quem preciso comigo, para viver os dias que me restam
Fiquei triste
Irremediavelmente angustiada e descontente
Sinto cada dia mais a tua falta,
já to disse
O teu cheiro alimenta o meu sossego
A tua ausência é mais que um tormento
Por onde andas?
Que fazes por esses caminhos eternos que percorres
deixando-me a mim entristecida ,
 pesarosa e magoada com os espíritos que me invadem?

Quero-te vivo em mim, entendes?
Sei que voltarás sempre
Mas por tão pouco tempo
Que por ser tão curto esse tempo
não dará para matar a sede que tenho da ti em mim
onde é cada vez maior a necessidade de te ter presente
Senão como hei de viver respirar o ar que me dá vida?
Quem alimentará o meu sossego que sem ti desaparece?
Quem matará a sede que tenho no meu corpo?
Que por não te ter comigo,
Me mata e faz mirrar de ânsia
Me desespera de fome e frio
Me mata e seca o corpo e alma, inteiros
Por onde andas?

Inês Maomé

Foto de autor

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um MUNDO NOVO!



Um mundo novo

Salvar das trevas o que está danado, no brejo, confuso e imundo 

quilhado por todos os que o habitam é urgente!

Será que vamos a tempo?

Pobres, os inconscientes que nele moram não sabendo o que fazem,

o que querem…,

perdidos na escuridão, afundando-se com ele nas trevas…

“ Pai perdoa-lhes que não sabem o que fazem…”

Jesus, Homem diferente, desigual e único, gritou ao Pai num ultimo suspiro

o eco que se ouviu no Universo…

e niguém ouviu…

e TU , ATEU , ouviste, cala-te és como eu!

E tudo continua como antes, perdido,

 pior que sempre…numa luta que não pára.

Quanto “AI” aflito, quanto lamento…

Mundo, povos, gentes , olhem para o lugar é nosso…

Vamos reargue-lo juntos?

Morrer, derramar sangue maldito, nadar e nele chafurdar, NÃO!

Sangue desgraçado, que não é de ratos, nem burros, leões ou mosquitos…

é de HOMENS como nós….

 É de gente que grita, que tem fome de algo a que tem direito.

Quem o sabe? Eles?….

Não o sei, e vocês saberão!

VAMOS À LUTA DA RECONSTRUÇÃO?

Gente que mata faminta sem chegar a saber que nasceu

e podia ter ser rica de tudo ou nada,

mas ser gente limpa….

Rica de amor, de PAZ, de abraços, de actos amantes e delirantes

Sentir que fazer um filho é bom, dá prazer, é dar continuidade à VIDA…

Mas não têm tempo, não sabem, são, estão todos loucos…

Sim, para quê um filho, se depois lho matam,

colocam no regaço  forrado do sangue imundo que indica o final de tudo?

Eu não quero isso. TU queres?

Não creio no mundo onde habito…

Será que o poema o credita?

Poetas escrevam, gritem o poema que pode salvar o mundo que é nosso,

onde todos estamos e está a morrer aos poucos.

Eu não…Eu não sei. Eu não posso….

Eu vivo mas, com isto, morro depressa!

 

INÊS Maomé

18/09/2013

 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

SEM TI


 

SEM TI

Noites sem ti são um pesadelo
Sonhos densos habitam-me 
E dominam-me por completo
Atormentam-me… não os entendo
O frio da casa vazia 
gela-me os ossos
A cama, sem ti nua 
Parece outra, maior e distante de tudo, 
gelada pela tua ausência, amua de tristeza
nunca aquece
Eu encolhida, estremeço toda 
e num lamento
permito esse existir que não pode ser de outro jeito
Quanto tormento neste existir de fim de vida
Fazes-me falta, preciso-te comigo
És o meu tudo 
Sinto-o mais, cada dia que passa
O teu corpo aquece-me
Só ele e o teu abraço forte e doce
Me animam e confortam e eu melosa, gosto
A tua voz habita-me, enche-me de luz 
e esta casa, a nossa casa vazia
tal como eu 
nua e despida de sons e movimento, 
sem ti parece morta

Anda amor, volta depressa
Vem falar-me docemente aos ouvidos
vem encher-me e à nossa casa,
de amor e muitos mimos.

Inês Maomé