sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sonhos...não , não , não acredito ! !


A ti, que conheço bem, 
me maltratas, 
me fazes passar mil tormentas, 
que me ultrajaste e mentiste mais de mil vezes

A ti, sonho, nada dedico. 
Contigo não estou com meias medidas, 
a ti nada ofereço, ilusão maldita.

Empurras-me cada dia até ao fundo dos oceanos profundos ou, 
vendo-me tremer de medo e frio, 
fazes-me levitar no universo e deixas-me aí perplexa, 
angustiada e aflita, não como se eu fosse uma estrela, 
mas dolosa mentes-me e abandonas-me como algo ignóbil 
e estranho que me assusta e não admito.

Fazes-me girar ansiosa, 
perdida no escuro, 
num fundo negro que ignoro,
sem conhecer nada nem ninguém, e não te importas. 
Ris de mim, de escárnio porque és hipócrita, porque és ruim.

A ti, sonho, em que não acredito, nada dedico, já disse!

Não o mereces, não de mim, 
tu que nunca me apareceste às cores, risonho,
transformando as minhas noites na força que preciso 
para continuar nesta luta, 
fazendo-me acreditar, mesmo que, por um segundo, 
ao abrir a minha janela, o sol, um dia, brilhará e sorrirá para mim.

Tu, muito mais que eu e como muitos que andam por aí, 
mereces ficar escondido, bem fundo numa gaveta.
Sonhos quem os não tem? 
Os amantes enganados, os bancários, 
os políticos corruptos, 
as crianças, o meu gato enrolado no meu regaço. 
E eu também, mas sempre ruins, 
por isso vos renego e abomino malditos. 
Cada um fica com os que tem, 
mas eu quero esquecer os meus, 
senão sinto que cada dia morro um pouco.

Sonhos, o engano dos mortais. 
Sonhos, irrealidades virtuais. 
Sonhos, nuvens de algodão, que não o são. 
Sonhos: afinal o que são?
Sonhos, o êxtase dos noivos, dos que vão ser pais, 
dos que beijam a primeira vez 
e pela primeira vez se esfregam 
e se entregam na troca dos seus corpos imortais, 
amando-se ou desejando-se como animais.

Que se forniquem os sonhos, 
que vão todos para o inferno, 
que os leve um raio para onde calhar.
Eu não os quero. Ouviram? 
Eu nada dedico ao sonho que a mim nunca teve nada para dar!
Puta que pariu os sonhos. 
Todos eles: mentirosos, traiçoeiros, enganadores, 
mesmo os que parecem fofos, cor-de-rosa, 
que brilham como estrelas e nos parecem conduzir ao céu.

Acredito e dedico um louvor aos “sonhos” que comia, 
em miúda, 
com café, sentada ao lume com a minha avó.
Desses sim, e dela, 
ficou-me o cheiro, 
o gosto e uma saudade eterna e infinita.   

Inês Maomé



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