terça-feira, 23 de julho de 2013

“ Como estás”



“ Como estás”

É sempre o mesmo
Bato ao portão sempre fechado
Ouço passos
E num arrastar lento
Olhos prostrados no chão
Aproximas-te 
e mecanicamente
Abres aquele portão maldito
Mal falas
Só te ouço dizer entre dentes
“Com estás”
E deixando-me passar em frente
Arrastas os pés pesadamente
nesses chinelos malditos 
que ecoam atrás de mim
soando-me tudo isso a um castigo que não mereço

Porque fazes isso?
Porque não me falas?
Não me olhas?
Não me tocas?

Nem sabes quanto o lamento…
Mais tarde liga-te alguém
é ela a tua menina de oiro
e para ela abres o rosto
levanta-lo todo
falas alto
de tom risonho
nada sombrio
com ar de quem está feliz e contente

E eu ouço
ouço tudo
e medito
Afinal porque me queres a mim
tanto mal assim?
Porque me rejeitas?
Porque me odeias?
se não te pedi para me fazeres
no ato em que me fizeste.

 INÊS MAOMÉ



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