quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O amor, resgate de uma vida


Um dia todos partimos, eu seu
mas fica mais um dia,
fica mais um dia homem,
hoje é ainda muito cedo ainda 

e depois de morto ficar mais frio ainda.

Algum tempo mais por aqui,
ia fazer-te bem
Pensa, pensa mais,
por favor, não te vás assim,
nem de qualquer outra forma  não te vás
sem pensar, sem o desejar,
pois lá nada é como tu imaginas.

Tu sabes que a vida é linda

(que disparate, pareço doida, não se pede a alguém que se quer matar
 para não o fazer,  "por favor")

Afinal todos partimos um dia, ninguém cá fica…dizia eu com esperança

é que numa hora destas tudo se diz,
argumenta-se com psicologia,
exige-se, implora-se,
dá-se-lhe murros de vida,
grita-se e até de joelhos se implora
mas não se desiste
de resto, não sei mais o que se faz,
mas tenta-se tudo, até o impossível
e se for preciso
mete-se-lhe à força na cabeça que se ele morrer,
morremos também

Melhor ainda,
dizemos-lhe que existem coisas que nunca mais verá,
que todos viemos ao mundo e andamos nele à deriva,
e também sofremos,


que ele não está só, nunca estará.


Calma homem não se vá,
olhe que a vida vale a pena
fazemos coisas boas 

e outras menos boas,
por vezes passamos fome, bebemos água impura
podemos beber cerveja,

anis,
líquidos diferentes, 
mesmo os mais finos 
e até o mais divino, 
o vinho,
e comemos de tudo, 

mas comemos, 
nem que seja a sopa que o estado dá
amamos e padecemos,
mas  mesmo sofrendo de amor ou seja do que for,
vivemos,
e mesmo que em segredo, o amor vivido, o ausente e o sofrido,
ajuda a espalhar amor pelo mundo, 

enche-nos de paz,
e isso é bom, verás

Engrandece-o e fortifica-o,
e se te vais, 

ele nunca mais te verá 
não será o mesmo.

Com certeza que morrer não será melhor que amar, 

sorrir e gargalhar...
mas é nisto que temos, que tens que pensar.

É certo que depois de morto acaba tudo,
o que é mau desaparece,
mas e o resto, o que é bom?
O ovo estrelado, a batata frita, 

o pastel de nata, a sardinha assada no Verão?
E o abraço, os amigos, os amores e o desejo contido,
e o outro,
o sexo desejado, o beijo dado e recebido puro ou louco, 




mas sempre doce?

A vida é difícil e dura, 

todos sabemos
mas tão curta, 

para quê encurtá-la
e ainda por cima com uma corda ao pescoço?
Anda tira isso...

( não sei se lhe disse isto ainda  a tempo...)
mas fui falando sempre


As raízes que deixas na terra precisam de rega
são jovens, 

não têm ainda estacas firmes
sem pais entortam,

penso até,
que murcharão depressa,
que por a mãe  ter partido à força, 

por vontade do destino,
não podem ainda, nem nunca, ficar à deriva,

Pensa nisto homem.
Por favor( lá estou eu outra vez) não esqueças as tuas raízes puras
são tuas e aguardam-te todos os dias.

E as dividas que te importam?
Deixe-as ter vida, também as tenho e olho-as todos os dias,
e sabes que mais, elas sobrevivem.
Um dia vão-se finar. Eu acredito, acredita comigo que as tuas,
e as tuas dores e penas, também hão-de amainar.

Contra a fome o estado diz que ajuda, é o que dizem,
mas os teus vizinhos são grandes amigos

Vá pensa, vê se sabes pensar e não faças isso
Se desistires dessa loucura eu ensino-te a amar, 

amo-te e ajudo-te a viver.
Olha, que eu grito aflita e aparece aqui meio mundo.
Se morres assim, 

não levas padre e onde “ela” está, 
ficará triste e  magoada
Deus que existe, não vai gostar e a falecida roga-te uma praga

E o homem de cara já roxa, ouvia, ouvia e não se decidia,
nada me respondia, só ouvia, 

e já nem sei se isso acontecia
estava roxo e hirto, era só isso que eu via.

De repente, de olhar enevoado implorou ajuda
lembrou-se dos filhos,
o melhor de tudo que tinha feito no mundo,
lembrou os seus rostos,
viu-os sozinhos depois dele partir
e  com mais fome que sempre, viu-os a chorar  por ele que não era nada
mas que afinal tinha alguém que o amava.

Mas com tudo isto, não sei se era tarde.

Será que o homem caído no chão, estrebuchando,
cuspindo sangue se salvaria?

Até ali, fiz o que pude, implorei, roguei a todos os Santos,
disse-lhe o que sabia, tudo o que me lembrei na altura, …
mas o homem estava hirto, mudo, parecia findo

O mundo está difícil, 

mas pelos filhos que ainda não sabem andar pela vida,
tudo se faz, tudo nos e lhe era devido

E o homem mexeu-se e rebolou,
cuspiu, e agachado não conseguia respirar, 

mas finalmente respirou
parece que ganhou forças arranjou forças ergueu-se
e estonteado, cambaleando, tonto, 

sabendo-se  arrependido
pediu clemencia a Deus e de repente andou direito, parecia outro
que pelos filhos tudo se faz

E o homem roxo,
meio moribundo, ressuscitou,
eu vi que ressuscitou.

Decerto foi o amor que o salvou




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