quinta-feira, 20 de março de 2014

Mudei....Sou COMO UM RIO ....


POMBA BRANCA


Fugiu-me o amor das mãos

Porque lhe deu descanso

Como se fosse um pomba

Branca, pura, esvoaçante e bela

E olhei-a no ar

Vi-a voar

E livre,

Voei com ela no seu esvoaçar

Sorri a essa liberdade

Amor que ficas e te vais

Pomba branca, que de mim se soltou,

Mas volta sempre a poisar no meu regaço

Amor delicado,

Que vive feliz no meu beiral

 

Voa pomba branca, voa

Não te canses de voar

Quero que não me esqueças

Que esqueças em mim

O teu poisar

 

Vem ao meu colo

Ao meu abraço

Amor que tanto quero,

Livre como nunca

Vem, toma carinhos, quero-te amar

Mil beijos eu te dou, sempre te darei  

Pomba branca, amor dos meus encantos

Voa agora

E vem à noite no meu colo descansar

 

Inês Maomé

20/03/2014


 


 

O FADO


O fado de cada um,

Se é mesmo o fado que nos guia

Nasce com cada qual à nascença

E tal promessa, fica-se nele pendurado

Pode ser ouro, pode ser prata,

Quem sabe cartão ou lata

Mas é nosso haver, preciosa herança

Mesmo que não se cumpra,

Mesmo que um vento forte algures o arraste

Lhe mude o rumo,

Na verdade,

Nalgum tempo, nunca certo

Um dia sem se anunciar, ele sempre volta

 

Mesmo que “fado” não seja nem destino

É uma estrada

Um caminho a percorrer

Dores e martírios

Amores incompletos

Sorrisos e alegrias, vida que é a nossa

“Fado” existe, é história de portugueses

 

E assim, bate-nos à porta

Faz-se anunciar ou não, no peito que quem o sente

Como sendo água corrente

Que não pára e corre, corre sempre

O “fado” é o marco na vida de toda a gente

 

Pinta sem tela, sem pincel,

Sem tinta, sem nada saber

Tudo sabendo mais que toda a gente

O “fado” existe em nós

É nosso desígnio, nosso propósito, vontade ou mentira

Força que temos  à nossa frente para andar e vencer.


Inês Maomé

20/03/2014

 



 

MUDEI…


De tão longe vim

Perdida andava,

Julgando-me perto de ti

Vagueava sem morada

Mas encontrei-me, sim

Ali, parei minha caminhada incerta

Não sei por onde andei, nem o que vi

Mas parei e finalmente contigo permaneci

 

Hoje tenho outro estar

Outro ser e um sentir diferente do de antes

Sou a mesma mulher

Mas a calma que respiro é infinita

Quietude bendita

Que quero prender em mim por tempo indefinido

Santificado seja o Divino Deus

Que tudo me deu e dá

Nas horas mais aflitas e nas outras

Que nem sei se mereço,

Mas exalto e aceito, tal mendigo

 

Quero prender-me no tempo que hoje vivo

Assim, contigo junto a mim

Viver este respirar,

Este ser e estar de calmaria e brandura

E assim quero tardar infinitamente

Sim, quero ser a pomba branca que me sobrevoa

Livre e solta, branca e pura

Asas alvas de energia,

Livre voando sempre,

Em meus pensamentos de candura

Penugem macia de veludo

Bela, singela e pura

Sempre contigo hoje, agora, como nunca estive.

 

Inês Maomé

20/03/2014

 

SOU COMO UM RIO

Sou como um rio
Que desce para a foz
Claro de águas límpidas...
Puras e cristalinas
Sou como um rio que flui
De águas vivas
Sem desvios
Nem desatinos na sua correnteza
E deslizando ligeira para a foz
Lentamente caminho
E a foz suave e terna
Acolhe-me
Abraça-me feita regaço
Num colo onde sereno
E sossego
Avivo o olhar
Me deleito na vida,
E olhando o horizonte que avisto
Acalmo o corpo
Respiro da alma
Sou amada e amo
Sou mulher inteira
Sorrio pelo conforto
Da profunda Paz que me invade.

INÊS MAOMÉ
20/03/2014
 


 

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