domingo, 10 de março de 2013

Não posso dizer-te ADEUS



Como posso dizer-te adeus eternamente
Se vives em mim e em ti, 
se comigo me completas e em ti te faço um ser inteiro,
Se o meu sentir e o teu querer é o mesmo e nosso
Se o que sinto por ti e tu por mim, 
não é amor, pois isso é pouco
É carne rasgada, 
dor com amor sofrido e doce, 
é um prazer estonteado e louco
É sermos dois num só, 
é sentir-me respirar pela tua boca e tu pela minha
É viveres, caminhares, existirmos eu no teu e tu no meu ser, 
mas sempre num mesmo corpo

Como posso dizer-te adeus, 
se ao ires eu vou contigo, 
se fores ficas comigo para sempre?

Há muito, 
desde antes de nascer o “amor”, 
que eu e tu já éramos  um só e juntos
A mesma pele, 
o coração coeso a bater sempre e só  um mesmo compasso
E a carne o nosso sangue e as veias, 
aquilo de que somos feitos, 
era único
Na dor e no prazer cedo percebemos em nós algo singular, 
cândido e belo
No sorrir e no chorar, 
na alegria e na desgraça, 
no dar e receber
fomos um do outro no mesmo corpo amante, 
mal amado eu sei, mas isso que  importa,
somos uma só matéria, 
um ser perpétuo, inequívoco, 
ligado para todo o sempre

Viver e caminhar juntos, 
foi o nosso lema eterno, 
algo que nos pertence, só nosso.

Eu sou o teu mar, 
tu és o rio que me inundaste, em mim entraste e  ficaste para sempre
Tu és a fonte viva, 
eu sou a água pura que dela jorra: ontem, hoje e eternamente
Eu sou a areia, 
tu o oceano que em mim se espraia  e eu consinto sempre violento ou calmo
Tu és o céu e 
eu sou as estrelas, eu sou o Sol tu és a Lua,
 tu és o trovão eu sou o raio
Eu sou a tinta tu o pincel,  pela mão do pintor existimos e juntos 
damos vida e cor à tela
Tu és o dia eu sou a noite, 
tu és a noite e eu o dia e assim será indefinidamente

Não posso dizer adeus às estrelas 
que mesmo sem brilho existem senhoras do firmamento

Vais partir amor, 
mas não vais só e nem eu assim fico: tu e eu sabemos isso.

Unidos na vida, 
aqui ou noutro espaço, 
juntos seremos um só, 
mesmo para além da morte.

INÊS MAOMÉ


Fotos do Google

sábado, 9 de março de 2013

PERDER o nosso AMOR :(




Vi-a naquele dia, 
olhei-a no rosto e notei-a outra
O preto forrava-a inteira por fora e por dentro
A face macilento, enrugada e triste 
contava tudo
dizia-me sem palavras do seu presente
O futuro lindo que tivera acabara para sempre
O preto e os olhos baços, descaídos e aguados
diziam as saudades que sentia de não o ter mais consigo, 
naquele instante e eternamente


Parecia outra, 
mais velha, mais magra, 
em tudo diferente
Até por dentro era outra, 
sem forças nem alento
Toda negra e não só na roupa, 
toda mais preta que qualquer preto que é preto 
Não só na cor, mas na dor no sentir e dizer

Por ter perdido o seu bem-querer
do muito choro e lamento
secaram-se-lhe as lágrimas, 
o corpo engelhou
quebrou-se pela dor, 
enegreceu na alma, na carne 
morreu alquebrada para o prazer do mundo
do tudo, do pouco, do muito 
e como uma flor murchou



Refazer a vida sem ele 
não lhe passa pela cabeça 
é impossível. Um desejo nunca almejado 
Sem ele, aquele que era o seu vínculo maior
que a unia e prendia ao mundo: 
a vida não presta, ela não a quer
e agora vegeta, deambula, perpétua na dor

Nunca mais será a mesma. Ela sabe.
Será sempre tudo negro e mais que isso: 
triste e enevoado 
pelas lembranças que reteve em si 
dos dias sucessivos que o viu sofrer, 
do dia em que sabe que partiria, 
porque lho disse e ela ouviu,
Ficam-lhe para sempre na memória 
as palavras angustiadas e aflitas que disse:
" É AGORA"...e passado algum tempo, partiu  

Ela ficou, mas para ela 
nunca nada mais será a mesma coisa.

Fotos do Google

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não me conhecem!




Eles não me conhecem
É o que sinto e me parece
Estranham-me
Diminuem-me no que sou e causo

Que meretriz de vida a minha
que nada faço de mal, é o que penso
e nada mereço, mais do que tenho

Qual carinho ou atenção
de quem mais amo e respeito
que de facto não colho, não entendo porquê
mas não me dão nem emprestam
Penso que devia ter mais
Preciso mais, mas será que valho


Fico calada e em silêncio e aceito o tudo
que para mim é um resto
E uma mágoa percorre o meu corpo e a mente
Fico magoada e sinto que choro por dentro

Sim, 
por dentro, invade-me uma tristeza funesta
Uma amargura que me condena inteira
e eu que penso que não mereço
fico em silencio e aceito
E contínuo a amá-los hoje, ainda mais que ontem


Fotos do Google

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tudo MUDA com o TEMPO.


Tudo muda quando os sonhos se destroem pela ventania do tempo
O ar que respiramos deixa de ser nosso
é mais denso e impuro
engole-se e exala-se a custo enquanto é tempo

No nosso coração fica a dor do que não foi feito
e ficará para sempre incompleto

Põe-se em causa a vida,
a existência nula, 
fútil e vã que temos hoje 
do que era nosso 
e se foi por entre os dedos sem o vermos

Os sentidos 
que não sentem mais tudo o que cobiçámos sempre
perdem-se, 
deixam de ter cor ritmo e alegria

Pensamos na morte como coisa certa,
Já não deve tardar muito,
mas isso que importa 
se tudo parece estar já pronto


Tudo muda e o mais associado à nossa penúria de ser gente
é não conseguirmos amar e sentir o amor 
como o fazíamos antigamente
é não poder andar, dançar, correr, 
amar rebocando-se no chão, na lama, na cama
como o fizemos ou sonhámos fazer antes, 
sempre e cada vez com mais alento
porque ainda era tempo 
e havia a força 
e o resto do tudo que era nosso

Tudo muda com o tempo e a vontade deixa de ser,
anula-se e morre à nascença 
e o coração magoado, 
ferido de morte,
ausenta-se e sente o tempo que passa 
mas fica quieto, estático, imparcial
e de tanto sentir dor, 
aquieta-se,  chora e rebenta finalmente 

E num desassossego tremendo  
a mente tudo pede,
menos sentir que já não é nada ,
não é gente como foi antigamente, 
como sonhou ser sempre


Tudo muda com o tempo,
o tempo que voa e nos leva e rouba tudo
 e só nos acrescenta 
aquilo que quando partirmos de vez 
voará alto
 para algures além do espaço 
e não será mais nosso 
só do infinito  

Inês Maomé

Fotos do Google

sábado, 2 de março de 2013

O TANGO...uma paixão!


 O tango
    

     A cena era escura
        a vida exaltada pela música 
estava ali, inteira e magnética, 
estilizada, mas autentica
         A nostalgia do espaço, o eco da música, 
os corpos deambulando
         arrastaram a minha mente para tempos remotos
         quando um dia me supus assim,
         talvez num sonho de verão distante,
         mas só isso, 
eu não seria capaz de tanto
de um todo tão desejado,
 impossível para mim que sou carente

         

        O grupo de baile era distinto, primoroso,
        e eu deslumbrada e serena, 
olhava-os enlevada
        Bem arranjados, 
perfeitos
       todos pareciam e eram diferentes de mim
         Os fatos dos homens vincados,
         marcados no corpo onde era preciso,
         os chapéus, os sapatos variados,
          os coletes numa conjugação única com o restante
Tornavam-nos charmosos, 
delirantes de belos no prazer de sedução constante
         Os rostos seus marotos, desafiantes, provocadores

         davam-lhe  a forma, o toque final,
 falavam de vida,
        de amor, de dor e tentação
     
     
         A musica nostálgica e bela,
         o gemer das concertinas, o chorar dos violinos,
         falava aos ouvidos dos atentos, 
dos  mais amantes,
         que o que se passava ali: era tudo,
         era a vida vivida, 
sentida e dançada no escuro da noite,
         nos bares das cidades,
          lugares ditosos,
         onde os corpos 
colados numa entrega frenética igual e estonteante
se arrastam na dança
         e ao som da música choram,
         reclamam, padecem e se seduzem mutuamente
       colados, cingidos num só,
sem pudores
          Dançando falam do amor, da paixão,  
        contam-se segredos, 
zangam-se e arrastam-se por tanto se querer
          

         O vermelho, o preto, o amarelo e roxo
         dos vestidos colados aos corpos delas 
eram demais expressivos
       Rasgados, mostrando as coxas torneadas,
 bem feitas, ditosas e mais que perfeitas
apaixonaram-me, deram-me inveja
         
       As rosas vermelhas, cor do sangue e do amor
           os lenços brancos de puros, que as mãos deles
         faziam roçar pelos corpos e rostos delas
        eram um gesto de puro encantamento e sedução
       

         Tudo isto me atraiu, deslumbrou, me fascinou inteira
         O arrasto dos corpos pela cena,
         as pernas cruzadas de almas traçadas,
        o êxtase que vi nos  rostos colados,
        nos olhares trocados
         nas bocas  tocadas que diziam: quero-te, amo-te
         
Que sedução, que encanto e adoração
         e tudo aquilo:  a cor dos vestidos pretos, amarelos, roxos, ou vermelhos
todos numa perfeita sintonia num encanto de fascinação,
        as rosas oferecidas, as bocas roçadas
         os sorrisos matreiros 
os olhares sacanas trocados
         os corpos cingidos, esfregados,
         sofridos no arrasto da dança pela vida
fizeram-me sonhar, querer estar ali


          
         Tudo isto eu amei, eu senti e desejei
        eu quis viver ali, eu invejei
         pela cor, pelo fascino
       no arrasto da dor, na agilidade de cada movimento
na expressão dos sentidos,
         tudo aquilo foi dança,
         foi tango,
         foi vida pela vida,
         foi contar com o corpo,
        deambulando com a musica em pura magia,
         como se ama e fascina
         e encanta um homem e uma mulher
         quando se dança com amor,
          quando a vida é uma dança
         vivendo a vida num tango
         e o tango pela vida 




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sexta-feira, 1 de março de 2013

A minha POESIA de" AMOR"



Olho-me inteira e não acredito, 
não valho nada, 
não faço nada
isto eu sei.
Depois junto palavras que escritas dizem o que me vai cá dentro
só isso, 
e isto é pouco é nada, eu sei
e lamento.
Falo do tempo, falo do amor, 
digo e repito para mim  e para toda a gente,
 que sou carente,
que tenho fome de tudo 
e de amor
e de amigos 
e de gente 
de toda a gente que seja boa, em meu redor
digo que não tenho força 
nem calor,  nem alento
nem coragem 
para andar para a frente



Miro pela janela o verde do meu jardim 
o Sol que brilha lá fora e o aquece a ele 
muito mais do que a mim
e olhando de novo para por mim adentro 
deprecio-me, 
envergonho-me
Devo estar louca, afinal quem sou eu
uma mulher miserável, que pensa na morte,
que não faz nada
que escreve mal e pouco, 
só isso e isto é nada e não existe.
Não sou poetisa, 
não escritora,
sou só e apenas uma reles escrevente



Então como foi tal coisa acontecer?
Nunca pensei que as minhas palavras pudessem ter algum valor
palavras velhas, repetidas
 gastas e vazias, 
ocas de tanto as usar escrevendo o mesmo 
reclamando sempre o que não tenho 
o tudo que queria ter,
me fugiu sem eu dar conta 

Nem sei como dizer,
como acreditar no que sinto.
Será que devo acreditar, agradecer? 
Será que do meio de tanta gente 
que escreve bem melhor que eu
tenho a certeza, 
me coube a honra daquele lugar, 
daquela nota, 
porque escrevi alguma coisa?
Que responsabilidade a minha, 
ou não?



Afinal só tenho que continuar a escrever com as palavras que sei 
o que a minha alma me dita 
a dizer ao papel o que o meu coração sente,
e fazê-lo sempre
tal como lá fora o SOL sempre que nasce
continua a aquecer a relva, 
que a geada quando vem, 
a queima 
que a chuva em demasia, 
a alaga e estraga, 
mas que por obra do destino 
e  engenho humano sempre acaba por voltar 
a renascer, a crescer,
a ser verde e fresca para eu ver
porque o Sol nunca se vai, 
só se esconde de cansado,
mas volta sempre a aquecê-la todos os anos.

Assim farei, continuarei a escrever, 
a aquecer a minha alma
o meu querer!



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