terça-feira, 16 de abril de 2013

EU e TU




Que saudade do teu balanço
Da tua cabeça no meu regaço
Do teu corpo colado ao meu
Do teu beijo profuso e denso
Do lençol enrugado e quente
Dos nossos abraços estreitados
Doces no amor, quentes no ardor
Do dar, do receber, do entregar e ser

Que saudades de te ter
De ser tua toda nua
De seres meu preso na lua
De sermos juntos cansados no amor
Que saudades desse amor que ainda é nosso
Mas hoje é mudo, cansado e surdo
Que adormeceu, pelo tempo, de contente

INÊS MAOMÉ

segunda-feira, 15 de abril de 2013

EU....AQUI....


Estou aqui,
podia estar noutro qualquer lugar,
mas  é aqui  que quero agora estar,
só e a pensar
Finalmente um dia só para pensar 
sem me importar se estou a fazer bem ou a fazer mal
por estar aqui e não noutro lugar
por estar a pensar no que não devo 
pois nem sei bem em que pensar 
recolhida neste canto onde sinto algum bem estar,
onde posso pensar baixinho,
onde ninguém interfere com o que sinto
me proíbe de sonhar, 
me recrimina, me aponta o dedo
um lugar onde olho no vazio e sou capaz de parar,
parar, sentir os olhos chorar
e mesmo assim meditar como sei,
e sem me dar conta de repente nada fazer além de respirar

Tudo e tanto me preocupa,
Tanto e tudo me entristece
A vida foi curta, fugiu-me depressa
E agora que olho para trás reconheço que podia ter sido diferente
Talvez melhor, quem sabe pior,
mas vivida de outro modo,
mais calma, mais consentida,
mais amada e  presente
Mais viva, mais sentida e gozada, 
mais aproveitada mas sempre, sempre muito mais vivida
que raio de vida tive, porque me acobardei de gritar,
porque tive medo de ser gente como todos  


Os medos, angústias parvas e loucas
invadiram-me continuamente
bloquearam em mim todas as entradas
roubaram-me a tranquilidade
o sono, as tardes calmas, os passeios com luz
o brilho que precisava sentir e ter nos meus olhos
para mesmo nos piores instantes ter força
reagir sem medo, 
caminhar em frente
pensar que era feliz e sorrir e até cantar
Mas eu escondi-me,
fugi de tudo, do mundo, de muita coisa, de muita gente.

Hoje estou aqui, estou só 
Com medo do que me aguarda
Algo que vejo além e muito perto me espreita
E eu não entendo porquê, mas pressinto me vai fazer mais mal que bem


Morei sempre com ela,
A portas meias com a solidão
O vazio, o nada ser, nada saber
O espanto de ver e ouvir o que muitos sabem, percebem e entendem
Coisas, que eu nunca soube e não vou perceber jamais,
 nem quero saber,
 pois para mim não são fundamentais para ser feliz
Só queria o que sei ser impossível
Porque o tempo me voou
Saltou das minhas mãos
E agora não posso, não mando em mais nada
e que pena, 
como lamento não ter sabido de tudo isto atempadamente.


Estou aqui e é aqui que vou ficar
Mais um pedaço de tempo
Até me esquecer de tudo o que me machuca
Me dói hoje mais que ontem
Até me voltar a lembrar
que é sempre tempo de dormir e acordar
e quem sabe, 
mesmo que seja tarde
aprender e recomeçar

INÊS MAOMÉ

Fotos do Google

AQUELE JOVEM ...



Tão jovem, pressinto e sei que não me é nada,
mas enlevo-me nele  e sinto-o coisa minha
um amigo, nascido de repente e em mim ficou

Em cada palavra que me diz não sei se ria se chore, 
mas sinto-a nova e gosto de gostar dela
Admira –me, lisonjeia-me e eu feita gata felina
deixo-me enfeitiçar nesses devaneios que não mereço,
não me pertencem, não a mim, que já sou velha,
mal sabida do tempo, mas passada e moída  por ele.   

E as graças e palavras doces que ele me diz,
eu abraço e gosto
e cada pensamento  que sinto, não devendo ser meu,
penetra-me e devassa-me  inteira e eu, tola, deixo.

Nada do que me diz pode ser para mim, não o granjeio
meus são só os medos e anseios de uma mãe,
as dores e as mágoas de amores bem ou mal vividos, 
mas passados.
Horas de solidão, momentos de tortura
Libertinagem em mim inexistente, que pena e que loucura

Ensejos que não gozei mas sinto a falta 
porque me teriam feito outra gente
Outra mulher, uma mulher diferente, solta e sem temor
E eu devendo-o não admitir, 
acho-lhe uma certa fineza e aceito-o.
Um encanto enorme, no tamanho de cada graça, de cada louvor

No riso que tomo para mim de graça,
na forma de  me sentir melhor, mais gentil e esbelta
de aliviar a pena do tempo que voou sem eu dar conta

Que pena que o primeiro beijo, 
o primeiro abraço só se dê e sinta uma vez,
aquela vez que nos cega inteiros,
e por tamanha  juventude e graça
pensamos que o final da reta  é longa e demora tudo
e depois corre veloz e passa depressa…

INÊS MAOMÉ



Fotos do Google

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sonhos...não , não , não acredito ! !


A ti, que conheço bem, 
me maltratas, 
me fazes passar mil tormentas, 
que me ultrajaste e mentiste mais de mil vezes

A ti, sonho, nada dedico. 
Contigo não estou com meias medidas, 
a ti nada ofereço, ilusão maldita.

Empurras-me cada dia até ao fundo dos oceanos profundos ou, 
vendo-me tremer de medo e frio, 
fazes-me levitar no universo e deixas-me aí perplexa, 
angustiada e aflita, não como se eu fosse uma estrela, 
mas dolosa mentes-me e abandonas-me como algo ignóbil 
e estranho que me assusta e não admito.

Fazes-me girar ansiosa, 
perdida no escuro, 
num fundo negro que ignoro,
sem conhecer nada nem ninguém, e não te importas. 
Ris de mim, de escárnio porque és hipócrita, porque és ruim.

A ti, sonho, em que não acredito, nada dedico, já disse!

Não o mereces, não de mim, 
tu que nunca me apareceste às cores, risonho,
transformando as minhas noites na força que preciso 
para continuar nesta luta, 
fazendo-me acreditar, mesmo que, por um segundo, 
ao abrir a minha janela, o sol, um dia, brilhará e sorrirá para mim.

Tu, muito mais que eu e como muitos que andam por aí, 
mereces ficar escondido, bem fundo numa gaveta.
Sonhos quem os não tem? 
Os amantes enganados, os bancários, 
os políticos corruptos, 
as crianças, o meu gato enrolado no meu regaço. 
E eu também, mas sempre ruins, 
por isso vos renego e abomino malditos. 
Cada um fica com os que tem, 
mas eu quero esquecer os meus, 
senão sinto que cada dia morro um pouco.

Sonhos, o engano dos mortais. 
Sonhos, irrealidades virtuais. 
Sonhos, nuvens de algodão, que não o são. 
Sonhos: afinal o que são?
Sonhos, o êxtase dos noivos, dos que vão ser pais, 
dos que beijam a primeira vez 
e pela primeira vez se esfregam 
e se entregam na troca dos seus corpos imortais, 
amando-se ou desejando-se como animais.

Que se forniquem os sonhos, 
que vão todos para o inferno, 
que os leve um raio para onde calhar.
Eu não os quero. Ouviram? 
Eu nada dedico ao sonho que a mim nunca teve nada para dar!
Puta que pariu os sonhos. 
Todos eles: mentirosos, traiçoeiros, enganadores, 
mesmo os que parecem fofos, cor-de-rosa, 
que brilham como estrelas e nos parecem conduzir ao céu.

Acredito e dedico um louvor aos “sonhos” que comia, 
em miúda, 
com café, sentada ao lume com a minha avó.
Desses sim, e dela, 
ficou-me o cheiro, 
o gosto e uma saudade eterna e infinita.   

Inês Maomé



Não sei quem sou :(



Sou filha das trevas, do mar mais revolto,
sou despida de tudo, não sou nada nem gente
Se tu, pai, que não conheço, não me sabes, não sinto, mas és, 
se tu não me tivesses feito:
de um sexo parvo e louco, 
de um sentir prazer cego na tua carne e apenas isso

E tu, mãe, não me tivesses parido eu não escolheria a vida, 
não, sem vos ter sempre comigo
Não existiria, não era eu nem gente,
 não seria ninguém, mas isso pouco ou nada me importaria

Teria uma existência nula,
seria poeira, lixo, células mortas, uma utopia, só isso
Tudo preferível à minha essência miserável e crua, 
algo que vive em mim e adivinho sempre triste

Não era infausta, não via a mágoa, 
e sem sentidos: não provaria a dor na desgraça e na angústia

Que me importa saber se há lágrimas de alegria, 
se há gente que ri, que se diz bem e sabe tudo
Se choro e sou triste em ser, 
se as lágrimas me vestem de luto, 
sinto tortura e a dor se faz só minha   
Se me causam ânsia e temor, me caem do rosto e por ti vão até ao chão, sujando-me de pesar e pena

Perder um filho, perder um amigo, o nosso amante, 
o ente mais querido, o nosso porto mais firme
Perder um braço, nele mil abraços e tudo do tudo, 
perder a mente: o pensamento que nos faz gente
Isso fere na alma, mata por dentro o nosso ser, 
tira-nos o ar, 
faz-nos morrer de pena lentamente
Perder o pai que existe vivo, que é, 
mas nunca foi nosso: para mim é tortura, é gritar e secar da alma 

Vegeta-se descalço, nus no coração, 
sem abraços de sangue, o dar de mãos e morre-se aos poucos:  
sem memórias dos  afagos, sorrisos e abraços nunca dados, 
o vazio de nada ter dele além do nada

Esvai-se em nós a esperança de o termos ainda. 
Vive-se e constrói-se um mundo frio e diferente
E como o sangue jorra de uma ferida, 
solta-se de nós, de um golpe só, 
um “AI” maior e sem raízes   

Vem o gelo, a noite escura, 
a cor negra do vazio e sozinhos presos a nada, 
flutua-se no cheiro a bafio

Pai, tu que és e vives, a quem eu não pedi para ser gente, 
porque me fizeste nascer e estar aqui?
Tenho medo pai, ouve pai, estou sozinha, 
está escuro e eu tenho receio de tudo, tenho medo da vida
Preciso há tanto do teu apoio e regaço, 
das tuas mãos a afagarem-me o rosto, a cabeça e os cabelos

Preciso que me faças esquecer que o vermelho não é só sangue e dor, guerra e sofrimento:
que és tu pai, e uma papoila, 
uma rosa florida e uns lábios ternos (os teus),
a dar-me beijos doces 

Inês Maomé


Fotos do Google 

Por onde anda a LIBERDADE??


Sei que existiu um dia! 

Mas hoje desprezo essa libertina ingrata.

O cravo vermelho murchou e, há anos hirto, 
perdeu a cor do sangue e secou.

Gritei por ela e não me quis. 
Acreditem comigo que ela morreu, findou!

Será que tu que, para subsistires, vendes o teu corpo por leca e meia, 
ou tu, poeta, que fazes das palavras espadas e gritas o desagrado,
será que a viram por aí? 
Eu não a vi!

E tu de bolsos recheados, carteira cheia e coração receoso, conhece-la, viste-a passar por ti? 
Sim, deves ter visto, mas, como eu, vives ansioso, como o sapateiro, com medo que te saqueiem.

Queria nadar de novo no azul dos teus olhos, 
afundar no teu o meu corpo faminto. 
Mas não posso. 
Até essa vontade, só minha e nossa, ela nos roubou.

Colher de ti as carícias que mereço era o meu deleite, 
o maior luxo, mas essa tirana iníqua, 
que devia ser nossa aliada, 
levou-nos até a vontade calma de amar 
e de eu estar em ti e tu em mim, inteiros.

Espetou-me no peito bem cravado 
e fundo um espinho que rodopia em mim,
me faz sangrar de dor e mágoa, 
por ver sumir de nós o que nos pertence 
e alguém se acha no direito de nos levar, 
porque ela, essa tal “liberdade” que é deles, quer e deixa. 
Maldita sorte a minha, a nossa.

Foi-se a mesa farta, o trabalho certo. 
As tuas mãos vazias, magoadas, 
não têm mais vontade de me tocar, 
de me saciar a sede e a fome que sinto. 
A nossa luta agora é outra.

Dizem que existe, que anda por aí, 
mas hoje, mais que nunca, não conheço essa “alforria”.

Foi por conta dela que tudo me usurparam. 
O amor, a paz, o trabalho, a segurança e até a ira de não a ter.

Ela é forte e pode tudo o que quer e lhe apetece.



Já não rio nem sinto. 
Cada dia me furtam mais um pouco e eu, louca, deixo.

Contra os que fruem dessa gaja, dessa liberdade apregoada, nada posso.

Gota a gota tudo o que juntei na vida, 
com suor e luta, 
esvaiu-se dos meus dedos como gotas de água doce e pura, com dor e amargura.

O amor intenso que nós tínhamos desbotou, 
foi-se-lhe a cor e o brilho. 
Estamos esvaziados e sós.

Sopraram-me ao ouvido,
quiçá essa louca, 
que não desanime que tudo se arranja. 
Mas é tarde.

O tempo escurece. 
Não creio no sopro. 
Estou velha, sem tempo de a ter de volta.

Essa maldita, que parecia bonita, 
nunca foi minha, 
e agora, que nos roubou tudo, 
quer enterrar-me viva. 


Inês Maomé


Fotos do Google

segunda-feira, 8 de abril de 2013

LIBERDADE...onde andas?????


Sei que existiu um dia!
Mas hoje desprezo essa libertina ingrata.
O cravo vermelho murchou, e, há anos hirto, 
perdeu a cor do sangue e secou.

Gritei por ela e não me quis. 
Acreditem comigo, que ela morreu, findou!
Será que tu que, para subsistires, vendes o teu corpo por leca e meia, 
ou tu, poeta que fazes das palavras espadas e gritas o desagrado, 
será que a viram por aí? 
Eu não a vi!

E tu de bolsos recheados, carteira cheia e coração receoso, conhece-la, viste-a passar por ti? 
Sim, deves ter visto, mas como eu, vives ansioso, 
como o sapateiro, com medo que te saqueiem.



Queria nadar de novo no azul dos teus olhos, afundar no teu o meu corpo faminto. 
Mas não posso. 
Até essa vontade, só minha e nossa, ela nos roubou.

Colher de ti as carícias que mereço era o meu deleite, 
o maior luxo, mas essa tirana iníqua, 
que devia ser nossa aliada, levou-nos até a vontade calma de amar e de eu estar em ti e tu em mim, inteiros.

Espetou-me no peito bem cravado e fundo um espinho, 
que rodopia em mim, me faz sangrar de dor e mágoa, 
por ver sumir de nós o que nos pertence e alguém se acha no direito de nos levar, porque ela, essa tal “liberdade” que é deles, quer e deixa. 


Maldita sorte a minha, a nossa.
Foi-se a mesa farta, o trabalho certo. 
As tuas mãos vazias, magoadas, não têm mais vontade de me tocar, de me saciar a sede e a fome que sinto. 
A nossa luta agora é outra.

Dizem que existe, que anda por aí, mas hoje, mais que nunca, 
não conheço essa “alforria”.
Foi por conta dela que tudo me usurparam. O amor, a paz, o trabalho, a segurança e até a ira de não a ter.
Ela é forte e pode tudo o que quer e lhe apetece.
Já não rio nem sinto. 
Cada dia me furtam mais um pouco, e eu, louca deixo.

Contra os que fruem dessa gaja, 
dessa liberdade apregoada, nada posso.

Gota a gota tudo o que juntei na vida, com suor e luta, esvaiu-se dos meus dedos como gotas de água doce e pura, com dor e amargura.

O amor intenso que nos tínhamos desbotou, foi-se-lhe a cor e o brilho. Estamos esvaziados e sós.
Sopraram-me ao ouvido, quiçá essa louca, 
que não desanime que tudo se arranja. 
Mas é tarde.
O tempo escurece. 
Não creio no sopro. 
Estou velha, sem tempo de a ter de volta.

Essa maldita, que parecia bonita, 
nunca foi minha, e agora que nos roubou tudo, quer enterrar-me viva.

INÊS MAOMÉ

Fotos do Google

domingo, 7 de abril de 2013

SEM LIBERDADE


Na leitura me encontro e me escondo, 
me deleito e amo escondida.
Na escrita me adivinho, 
sou nação, sou alma e condado. 
Nela me resguardo, mas nada valho
Sou fechada, anjo negro sem asas, sou triste e dolente, 
não sou ninguém: nem escritor, nem poeta, nem gente
E sempre se agonia em mim a inspiração 
Na valsa e na salsa me desgasto e canso
Rodopio, amo a música, 
alegro-me com o par que me estreita
Amo nele o abraço apertado e doce 
que me aconchega no seu peito mais perto
E giro e não sendo, mas querendo ser, 
uma musa dançante, eu rodopio no salão inteiro
Sonho que sou feliz e livre, 
uma estrela reluzente, pelo menos essa vez.
Mas se se abala de mim a força e a magia,
 eu grito e choro um pranto de mágoa e desencanto.

O rosto e o corpo marcados pelo tempo, 
perderam a cor e o brilho, 
o fascínio de outros tempos
A liberdade dos movimentos e o pensar, 
o ser senhora e dona das palavras que nunca possui
Mas mesmo assim, não desarmo 
e chorando a dor do desgaste e do não saber
Eu leio, escrevo e danço, e sinto que sou importante: um tubarão, uma borboleta, talvez


No amor eu sinto o desejo do enlace, 
sonho os beijos, os abraços sonhados e nunca vividos
Revivo livre cada suspiro gemido, contido, 
envolvido e sempre demais querido. 
Uma paixão que não foi.
Em tudo eu pressinto amor, cheiro a liberdade, 
mas também a dor e o desamor 
o encanto de existir
Do dançar e não ter com quem partilhar a dor, 
o cansaço, o ter e não ter o amor.

Por isso rio, por isso choro, por isso vivo, 
sonhando que mesmo presa e triste, sou franca
De uma liberdade que não tenho, nunca tive, 
nem de longe lhe senti o cheiro ou a cor
Quanta pena! 
Quanto desamor! 
Que frete, que puta de vida a minha
Maldita sejas tu que te foste 
e nunca me bateste à porta.

Porque me fugiste e foges ainda, 
como parva e louca, 
tu que a mim nunca me deixaste alforria?
Tu que devias ser minha vizinha e amiga, 
de mim que te chamei, 
te dei tudo o que tinha, para onde foste?
Fugiste de mim, levaste-me tudo, 
mas a mim, 
à minha carne viva, 
não levas que eu não deixo!

INÊS MAOMÉ


  

sexta-feira, 5 de abril de 2013

AMEI-TE ANTES DE TE SABER:)



Amei-te antes de te saber. 

Sonhei-te um dia de Junho quente e num ato de amor puro foste gerada e eu, ditosa, senti-te aconchegares-te no meu ventre. 

Instante lascivo, eterno e doce, o que senti na força do abraço terno, amante e mágico, do teu pai.

O prazer que me invadiu fez-me estremecer inteira: soube que um milagre proviera: “ tu” estavas em mim, ínfima célula, grande ventura a minha, a nossa. 

Falei ao meu coração esse segredo e ele sorriu: astuto já sabia.

Amei-te datando ansiosa cada dia. 

Embalava-te em sonhos e aconchegava-te levitando nos meus braços.

Ter-te no meu regaço era tudo e agora que te tenho e vejo, omiti a dor de te parir, não quero mais nada: sou MÃE inteira e sou ditosa.



Luz dos meus olhos, minha força e alento, pedaço de mim, flor encantada e eterna do meu jardim secreto. 

Como podes tão pequenina dar-me tanto.
- És linda minha filha, menina de sua mãe: “Sim, coloquem-na aqui sobre o meu peito, quero sentir-lhe o cheiro que lhe sei há muito, mas quero senti-lo agora mais que perfeito, mais inebriante e intenso.” 

Como és perfeita minha bonina!

Que me importa agora lá fora o mundo, se o tempo é nosso?

Contigo no meu peito, choro sentindo o teu cheiro a pétalas de rosa, a flores de jasmim e rosmaninho. 

Estou no paraíso. Enlevo-me feliz.
Sou a mãe mais venturosa, seduzida e inteira. 
Uma mulher de verdade, a mãe que desejei ser. 
Obrigada filha, vida minha, a vida inteira.

Não quero que toquem trombetas, se grite pelas cidades que nasceu uma princesa. 
Não, não quero isso, nem noticias nos jornais.
Isso é pouco, é nada. 

Para ti filha, quero tudo, e tudo é dar-te ao Mundo e saber da sorte de sentires a felicidade.
Quero que no Céu te iluminem e guiem as Estrelas, que o 

Sol te siga sempre os passos, a Lua clareie as tuas noites, que não pressintas gritos nem ais, não te sigam serpes, nunca as vejas, não te inundam rios sem ter nascente, não te envolvam silvas e má gente.


Que não sintas gritos nem ais, que não os digas: tu, feita do amor mais puro e belo, não quero sequer que os pressintas.

Sei que não és minha, que serás do mundo, mas enquanto tiver vida e para além de ser, vou proteger-te tal leoa audaz abriga a sua cria, vou olhar-te sempre, serei um anjo oculto, a tua guia, o teu auxílio permanente.

Sentes esta mão quente e macia que te afaga: é o teu pai, parte de ti, que te adora e deseja desde que com amor profundo foste concebida e depois te falava e acariciava no meu ventre.
E eu sei, tu lhe sorrias sempre.

Juntos unidos na sorte, na dor e na amargura, que a vida não é só venturas, hás de fazer-te uma mulher forte e corajosa, uma guerreira.

E um dia, queira Deus, serei eu a ver-te aqui deitada, nesta mesma fortuna e mistura de dor e amor, a dar continuidade à vida.

Olha o pai, está feliz e radiante. 
Ama-te tudo e tanto quanto eu e, como eu, irá zelar por ti eternamente.

“VÊ amor: a nossa menina sorriu para ti!”.


Fotos do Google