quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

UM OBRIGADA!



Um lugar quente, odoroso,
diferente de todos, mas preciso e urgente.
Com um cheiro a tudo do tanto que encerra,
que não gosto
que detesto e mal suporto
repleto de gente,
que tal como eu quando ali vai é  diferente.
Há quem se agite constantemente
andam, falam, conversam, trabalham
circulam de um lado para o outro
num girar sequente,
parece-me a mim sempre distantes dali
mas atentos e calmos.
Outros, a maior parte,
os que permanecem parados: sentados ou deitados
esses estão e são diferentes

qualquer que seja o sexo idade ou etnia.
Esperam, desesperam, são doentes.

Nota-se bem no rosto que apresentam
naquele espaço amplo, abafado,
de cheiro estranho
que não gosto,
que são gente que padece.
Os seus rostos  são diferentes
vistos daquele angulo de onde as vi,
deitadas a dormir
 num estado indiferente e amorfo
vendo-se que tudo consentem, 

com opção urgente, 

com necessidade de apoio e total ajuda.
Nem sei que me fazem lembrar.

mas como as vejo, sempre gente em mau estado,
enferma, mal, desesperada pela dor
e alguns deles,
com pior rosto que já em moribundos.
Chegam sofridos, doridos,
impacientados pelas dores, fenómenos imprevistos.
Muitos, inconscientes naquele momento e para sempre
Outros despertos, mas sofridos,
 todos desejando sair dali depressa,
sãos e salvos,
retornar à casa, à sua terra,
à vida que tinham antes, que é a sua
que só por ali entrar lhes dão valor autêntico.
Ali tudo toma uma dimensão diferente,
ainda que fora dali
se tenha uma vida mesquinha, a mais reles de todas,
quer se se seja pobre ou rico.

Ali, todos, mas todos por inteiro,
são pedintes de vida,
de força e alento.
Ficam lá dentro,
naquele que é dos locais que menos gosto
outros que giram num rodopio constante
que nunca param, que tudo suportam:
- o abafado, o odor a tudo,
- os corpos sofridos deitados pesados
- os ais, os gemidos dos mais ou menos maltratados
Quer seja dia ou noite,


Chova, faça frio ou esteja sol,
ali estão de plantão,
sempre atentos e alerta.
Para eles a minha vénia,
o meu louvor,
um obrigado imenso do tamanho do mundo,
da cor da vida e da salvação.


Fotos do Google

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sonhos que não entendo!


Não sei como entender
a força dos sonhos que me invadem
que penetram o meu corpo
fazendo-me sentir e  pensar 
que tudo que neles vivo é realidade.

Acordo estonteada,
quantas vezes apavorada,
tremendo suada
desses sonos profundos 
em que os sonhos me parecem
 enterrar em algum país distante tão fundo e tão profundo
que custo a acordar, a erguer-me deles 
para voltar de novo à vida,
à minha realidade.


Presa na alma por um fio de nada a eles,
tenho medo 
que tudo possa ser verdade
porque nesses sonhos tudo me parece ser autêntico.
Neles leio os meus desejos mais secretos,
sinto em mim tudo como um todo inteiro e real
verdades que não sei porque me infestam
mas que sinto serem concretas e exactas,
que falam comigo
me contam e fazem sentir  
coisas infindas
me fazem experimentar o que preciso,
 Pensar nos meus sonhos,
em cada um deles,
é imaginar que aquele é um outro mundo onde vivo
onde tudo me parece real,
um mundo negro e impossível,
escuro e mesquinho que me atormenta,
mas onde sinto prazeres que gosto
 e dores que não mereço.


Por isso quando acordo, estremeço inteira
arrepio-me toda
e tento esquecer, mesmo sem entender
porque sonho assim,
porque existe em mim aquele mundo irreal
que me atormenta
que faz  o meu coração bater tão apressado
e assusta o meu corpo inteiro
que parece não ser meu.

Sim,
na verdade entendo,
mas prefiro esquecer.


Fotos do Google

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sabes....?


Sabes?
Não, decerto não sabes
e eu também não.
Nenhum de nós  sabe
ou entende
o que se passa no meu coração.
Estou amorfa, insegura,
intranquila, mas continuo em frente 
numa condição imprópria, 
pouco digna de mim,
mas viva.

Quero ver-me sempre aqui, escondida,
Recolhida bem no fundo do meu eu,
fechada, encoberta de tudo,
num lugar escuro
onde não me chegue a dor e o medo não me atormente
onde o sol me visite e se puder ficar comigo,
que fique,
mas só ele, ninguém mais.
Para ficarmos juntos, em paz e silêncio absoluto,
como se eu vivesse no mar longínquo,
colada ao horizonte 
e ele me visitasse sempre ao entardecer do dia.

Sabes?
Agora, já não sou eu
Calou-se em mim a voz e as vontades
Sumiram-se as palavras com que podia gritar,
dizer de mim o que mais me atormentava.
Roubaram-me a razão do meu maior querer
Estou vazia de tudo, mais oca. 
Sabes, agora não posso mais sentir-me 
no meu mundo imaginário
e o meu corpo duro, seco e velho,
o que buscava antes de tudo ser assim, 
já não encontra, não existe mais.


Sabes?
Eu não sei, 
mas se sabes, diz-me porquê?
Uma palavra tua
Uma de cada vez, 
um som da tua boca 
que me faça entender a causa,
quem sabe eu entenda o porquê desta mudança,
do que sinto hoje,
do que irei sentir sempre .
Uma palavra tua,
um só gesto teu, meigo e doce
e quem saiba,
eu entenda e aceite
o que me perturba hoje mais que ontem
e para sempre.
Sabes?


Fotos do Google

Não sei...eu sei...


Sabes?
Estarei para sempre presa
à miúda carente que fui antes,
assustada por tudo e nada
violentada pela força do que vi e vivi,   
do que era a vida em meu redor.

Serei eternamente essa criança, 
eu sei,
 triste com cheiro a abandonada,
mal amada e mal estimada,
sôfrega de colo e caricias,
sempre infeliz e amedrontada,
mas porque penso e sinto isto tanto assim de mim, 
não sei.
Sabes?


Pobre de mim 
que penso assim e não devia,
 sei bem que não devia.
Deixei passar o tempo
deixei que todos, sem excepção, 
rissem de mim,
fizessem de mim a simplista desatinada,
a faladora que não sou,
pois se o fosse, pouco me importaria,
mas não sou.


Nem tu sabes.
É tudo uma capa,
pura fachada.

Lamento-me e não devia,
mas faço-o,
pois sei que passou para mim o tempo 
de ser aquilo 
que sei eu gostaria
ter sido, 
mas não fui e não serei.
Lamento-me, 
porque existo assim com esta dor, 
neste tormento.
Lamento-me, 
porque nem sei o que queria ser,
 se não fosse isto que fui antes e sou hoje em dia.

O que queria sentir e ter comigo, 
agora e sempre, 
o que desejei ser,
 já nem recordo realmente.

Se eu pudesse um dia rir abertamente,
arrancar do meu peito este peso frio e negro 
que me corrói por dentro,
esta dor que me gela 
e faz tremer de dor e aflição,
seria livre, 
sei que o seria,
mas não consigo.

Este frenesim que vive em mim e eu consinto
é mais que eu,
sabes, é outro alguém em mim,
é o meu corpo e alma unidos num só, 
mas baralhados de tão entrelaçados num nó
confundidos num outro alguém 
que não distingo
que vive em mim
e eu consinto.

Sabes
Ninguém é dono do tempo.
Ninguém é dono de si,
da sua carne, 
do seu pensar e querer.
Eu não sou dona de coisa alguma,
nem da minha sombra,
a que me persegue desde sempre,
que também temo,
e não me largará nunca
 tal como a miúda que eu fui
e em mim perdura e durará 
eternamente.  


Fotos do Google


Presa em mim....



Estou rodeada de mil baraços
cordas que me prendem,
forças ocultas que me puxam e comandam,
me fazem faltar o ar, a força, a genica e o alento.
Tudo, o que desesperada busquei em mim 
e não recordo ter tido
com a abundância de o recordar agora, que ainda vivo
eu recorda e lamento não ter tido.
O cansaço desgasta-me devagar,
mas eu deixo.
Perdi a vontade de lutar,
de caminhar em frente olhando para longe,
perdi a vontade de quase tudo e quase nada me assiste,
mas eu deixo
Comigo hoje, parece que nada tenho, nada é, nada mais existe.


Porque estou assim?
Porque sou assim hoje ainda mais que ontem?
Porque não me liberto e grito e fujo?
Porque não me deixo voar mais longe,
mesmo que seja só em sonhos
fazendo de conta que me liberto de tudo,
até dos pensamento vis,
os mais mesquinhos que me torturam,
fazendo de conta que tudo valeu e vale a pena?

Porque, 
mais que correr, 
não voo como o vento
e não derrubo com os meus gritos e ais profundos
o que me impede de ser a mulher que queria ser cada momento?

Porque não corto as amarras que me prendem aqui?

Sei há muito, 
que não me deixam viver como gostaria.
Não me deixam caminhar livre.
E tal como ontem, 
sei que nunca  o farei,
mas pelo menos hoje 
eu queria isso.

Sabes porquê?
Eu não sei,
mas como sempre, eu deixo que tudo,
seja o que for, tome conta de mim,
me sufoque e me domine.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Escondida ...mas livre, como tu


Ficaria aqui contigo todo o dia
e também eternamente,
tu enroscado em mim
e eu preguiçosa e indolente
indiferente ao mundo lá fora
a deixar-me permanecer
ouvindo o teu ronronar, 
sentindo-te espreguiçar sobre mim
e fazer como tu,
não me importar com nada, 
com ninguém,
esquecendo-me de tudo e todos,
certa que nada mais existe além disto,
deste aconchego quente, 
terno, meigo 
doce e indiferente
e sonhar.

Hoje como ontem 
não quero pensar,
que tu ouves,
eu sei que olhas, 
vês tudo o que te cerca,
mas não pensas, sei que não pensas
e como tu,
 hoje não quero pensar,
pois este ato fere-me por dentro e por fora
em todo o lado meu, 
que soa a gente.


Queria ficar aqui contigo continuamente
Não ter que me vestir, 
falar, fazer nada de nada 
obrigada como todos, 
a fazer tudo certo e correto

Sim, 
mas que me importam os outros,
o que dizem e fazem
o certo ou o errado
se tu não te importas e vives,
esticas as tuas fofas patas sobre o meu peito
e nesse instante és rei
e eu debaixo de ti sou o teu universo?


Queria ficar aqui contigo para sempre
E mesmo não sendo tua rainha
nem tu o meu universo, 
o mundo que busco,
queria sentir o teu ronronar atento e lento,
 meigo e doce
e como tu não me importar 
com o restante,
com o mundo que existe e não conheces
que também eu queria esquecer,
para me esticar contente  
e como tu nesse espreguiçar intenso
sorrir,
sentir-me livre,
não pensar em nada além de mim
ser, quem sabe, 
somente um gato como tu
e receber como tu,
 caricias fofas
e todas as atenções de alguém
como eu a ti te dou

domingo, 3 de fevereiro de 2013

EU!


EU!

Nascida a meados do século passado, 
tirou o curso de Ciências Farmacêuticas na Universidade, mas queria ser ginasta.
Com fama de extrovertida, 
o que é um disfarce, 
é profunda em tudo o que sente 
e rasa em tudo o que faz.
E não mente.
Acredita na força do amor e da amizade.
Sempre escreveu cartas de amor em folhas soltas, 
por gostar.
Hoje escreve sobre o que gosta, 
como gosta, 
para quem quiser gostar com ela 
(e dela).

TU




Dormir de um sono só
Calma e tranquila sonhar que sou contente
Nem sequer saber o que é um pesadelo
Dormir e sentir-te ao meu lado
sereno e quente
num respirar lento
que me sossega e acalma por inteiro
e eu deixo que me atravesse,
me trespasse o corpo e a alma
me deixe calma e lerda, 
como eu gosto.


Dormir e acordar sem medos,
sem que o coração aflito
me faça estremecer de angustia
Sentir-te sempre forte,
saber-te bem,
é hoje tudo o que quero
e sentir paz
uma serenidade que não conheço
mas sei que existe.

Quero isso hoje, 
amanhã
e para sempre



sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sonhos perdidos...


Tive sonhos que me voaram 
e nunca alcancei
Que me fugiram por entre os dedos das mãos,
como água fria e dura
Tão intensos,
tão desesperadamente desejados
que por não os ter alcançado e vivido,
hoje estou perdida e nua,
mais que nunca, 
confusa e desolada,
despida de mim,
do que podia ter dado e recebido
do que nunca dei, de tudo o que busquei
mas não procurei 
e sei não recebi.

Desejos que por não os ter sentido,
me fizeram morrer viva
ferida por dentro, cada dia mais um pouco
magoada e triste 
pela falta de coragem, 
da força que nunca tive


Desejei ser valente,
ser capaz de tudo, 
no mínimo de muito,
segurar nas mãos o impossível
não desiludir os que mais amo
não me perder pelos campos que viajei
pelos cantos que busquei, 
onde escondi os meus medos e  ânsias,
mas foi tudo em vão.

Fiquei assim, como sou hoje
Uma mulher comum, 
mais aflita que nenhuma
sentindo comigo constantemente uma inquietude
que  me pertence como se fosse uma segunda pele
um mal danado e ruim
algo nefasto que se apoderou de mim
me dominou por completo  
me desgastou sempre e aos poucos
Uma coisa muito minha, 
eterna em mim,
enquanto eu respirar e for gente nesta Terra.

Ambicionei fazer coisas diferentes,
muitas ou poucas coisas,
mas coisas distintas
Construir na minha mão fechada e pequena,
um mundo enorme e diverso,
desigual e mais humano
Sentido, 
mais seguro, 
firme e transparente
E não consegui.
Eu fugi
e com isso,
fugiu-me tudo.

Fugi sempre em vão,
de algo que me seguia, 
me persegue ainda e desconheço,
algo que eu temia e ainda temo.
Fugi, como fujo ainda.


Queria chorar por isso, mas não consigo
e simplesmente, fico em silêncio.

Restam-me as tuas mãos macias
que ao tocarem as minhas hoje, 
como ontem e amanhã
tenho a certeza me darão paz,
a paz que busco agora
E força,
a força suficiente para seguir e não desistir nunca.