domingo, 23 de dezembro de 2012

Vi-a ...era quase Natal



Vi-a,
olhei para ela e soube o que se passava
O seu rosto, 

de pele muito branca e fina
parecia veludo e brilhava
Os olhos com fulgor de vida
tinham a esperança e a força de quem renasce
E estampado no sorriso meio triste
a vontade firme de viver melhor,
muito melhor e mais, cada dia que passava

Pareceu-me doente, 
e verifiquei que estava
Mas diferente, de outros como ela que conheço
Diferente de mim que sou gente,

mas tudo temo 
tudo me assusta,
me faz gritar por dentro,
me sufoca e mata
Vi-a com força, capaz de enfrentar tudo
De vencer a luta que tinha pela frente 

e isso tranquilizou-me um pouco,
mas só isso, um pouco apenas


Disse-me que não era a primeira vez
Que já tinha tido “aquilo”

primeiro  num peito
e agora no pulmão
Mas estava a lutar,
custava, 

era duro
mas ia conseguir seguir em frente
Um dia de cada vez
Mas tinha que sarar, era urgente
Porque queria, e tinha que vencer
Tinha que ser ela a premiada, 
e não o bicho danado que a queria consumir,
senão partia e isso ela não queria
não,

isso ela não ia consentir



“Vou vencer”,  foi o que me disse devagar
e depois mais convicta, disse-me que queria ficar e isso ia, tinha que acontecer
Tinha por aqui ainda muito que fazer, 
coisas por concretizar
Sonhos, abraços , beijos, 

muito amor para dar e receber
conversas que não tivera, pensamentos que queria expor
muita coisa por criar que ainda a esperava
O jardim da sua vida inteira para cuidar
E o seu cão, 
sim, o seu cão ainda pequenino
não teria com quem ficar 

Ele confiava nela, eram amigos, 
ela tinha que ficar 

E presa por um fio tão fino, 
ela sustentava a esperança de sobreviver, 
de vencer e ganhar a guerra onde aparecera sem contar
Queria existir muito mais tempo na vida que lhe pertencia
Fugir do mal que lhe vi estampado no rosto
na sua tez macia, branca e acetinada
No seu sorriso brando,
 terno e doce 
cheio de esperança, 
que queria vida, muito mais vida pela frente
E tudo isto eu vi, ouvi, me foi dito, 
e eu  senti na véspera de Natal

Meu Deus, será que existes?
E há tantos que sofrem assim e lutam...onde estás?
Por detrás da lua?
Não acredito !



sábado, 22 de dezembro de 2012

Não sou nada



Não sou nada, 
nem ninguém
Sou poeira, 
sou um reles e nojento trapo 
sou lixo que cheira mal, 
daquele da pior espécie, 
impróprio para tudo e nada
sou filha de ninguém
Não sei de onde vim, 
nem para onde vou,
De mim pouco sei ou nada
há muito que ando quebrada
partida , 
rasgada em mil pedaços
mas hoje sei o que quero 
hoje, como ontem preciso e quero mais do teu abraço
e do teu, e do teu, e mais do teu…
Sim,  do teu  que além  me foges e nunca me dizes nada

Para viver preciso do abraço de todos
mesmo dos que não me conhecem
não me querem
não  toleram o que faço, 
o que digo e  penso,
mesmo os que não sabem como sou
Eu que vegeto e não conheço  ninguém, 
confesso, 
preciso de todos
 todos os amo e beijo sempre que posso e  abraço 
e os que não conheço mas preciso que me  abracem.
Preciso desses carinhos, 
senão morro de frio e fome de amor
morro sem ter amado, 
sem ter sido amada neste mundo enorme 
que todos os dias me invade e come

Sou do tamanho de todo o mundo
Na imensidão do meu cansaço
no desgaste do que sinto e penso,
na ausência do que não tenho
de tudo o que me roubaram, 
 que arrancaram de mim sem eu ver, 
sem eu  querer
e abruptamente violada por esse acto
sem pena ou dó, 
fizeram de mim este trapo nojento que  sou
reles, sem graça,
inculto, impuro por incompetência, 
por medo do desamor
indigno de ser gente


Quereria ser passarinho
ser cuidada com carinho
e ao contrário de todo o mundo que vive 
e luta para ser livre e andar solto
eu queria estar presa, guardada numa gaiola, 
viver resguardada, ter o carinho de um dono
e mais nada, mais nada...

Sou do tamanho de todo o mundo
Maior que o horizonte, 
mais profunda e  penosa no pensar 
que todos os oceanos
Maior nas falhas, e na pobreza do ter, 
maior na falta de amor que todo o universo
Que não é nosso, 
mas de alguém que o fez e é omnipotente

É o que creio, o que acreditava ontem, 
pois hoje não creio mais nada.
Será que como eu , 
o mundo, 
o universo surgiram também do  nada?
E no dia que nasci, 
por ser feia e ruim, 
destemperados se viraram todos contra mim,
me diminuíram, 
assustaram, me fizeram temer tudo,
me proibiram de sentir o amor que eu sonhei, 
que escalda, 
que revolta as entranhas, nos esmaga de prazer  
e eu não sei porque raio de vida parva não tive
não tenho e não vivi ainda?


Tenho falhas, 
ausências, 
medos que me atropelam
carências de toda a espécie, 
que a todo o instante me acordam e matam
me esfaqueiam a alma,
me fazem desfalecer
Sou do tamanho de todo o  mundo 
e existo nele
mas dele não sou nem sei nada,
nem quero saber
se ele não sabe de mim
que me importa





Fotos do Google

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nasci de pernas para o ar



Nasci de pernas para o ar
Nessa manhã não havia anjos
As mulheres de branco, gritavam, giravam
e num coropio constante nunca paravam
E os anjos que eu sei são meigos e doces 
não berram nem correm aflitos
voam e têm asas macias e fofas 

E do buraco esquisito onde me encontrava
eu via-as a falar muito, meio desesperadas.
não não eram anjos mesmo que aflitos
Era o trabalho. Muito que fazer.
Muita gente a nascer.
E eu ali escondida, que culpa teria disso acontecer?

O céu não estava estrelado, era de manhã
E o Outono anunciava-se cinzento e mesclado.
Mais um a nascer, (era eu)
berravam, as que pareciam anjos fardados
A noite fora longa
O mundo crescera, já tinha mais gente
Seres que mamavam, dormiam ou choravam
no colo das mães, 
deviam ser mães as que os agarravam
ou que  em minúsculas camas dormiam  descansados



Vá, vamos lá, temos que o tirar!

Dizem que as estrelas só aparecem de noite
E de manhã se escondem com medo de ser pescadas
e eu sabia que isso era verdade  

Os homens e as mulheres acordados, bradavam  
e eu ainda escondida, ouvia-os assustada

As estrelas escondidas fugiram zangadas
Voltariam ou não à noite, quando aquele tumulto findasse

E as mulheres vestidas de branco, mas sem ser anjos,
estavam cansadas e barafustavam
para quê mais um?
Não sabia que eu era uma, 
bem feito, enganei-as, para nada mas enganei-as.

E quando nasci gritei assustada, de raiva e de medo
não queria nascer, estava tão guardada
mas elas com mãos certeiras, ferozes, zangadas
puxaram por mim, puxaram
rasgaram o ventre da minha mãe, as entranhas de onde saí

E naquele dia em que todo mundo parecia às avessas
sem estrelas, que estas fugiram  por ser de manhã,
sem sol, por estarmos no Outono
parei de gritei, apareci nua, fiquei muda, toda calada
e por isso levei, levei tantas  palmadas
até que de novo gritei, berrei muito e tudo
de raiva, de ódio, de medo, 
e também delas que me batiam sem eu ter feito nada
que não eram anjos,
apenas mulheres muito bem disfarçadas



Não tinham que me bater nem tinham que me berrar
Eu estava ali, mas não pedi a ninguém para nascer
Não tive colo, nem berço
sei lá agora se os tive, 
não me lembro de mais nada nem quero recordar

Só me vejo  mais tarde de carrapito apertado
No cimo da cabeça,
dos bibes com folhos e dos sapatos mal aparentados
Das proibições de não poder correr, saltar, andar de bicicleta
Não poder sair à rua, ir a festas, ao cinema, sair com amigas (os)
Não poder namorar, dar beijos a quem eu quisesse
recebê-los de graça, por amor, com sabor a morangos maduros
Por ambos nos gostarmos, nos queremos bem
Beijos e morangos e muita de outra fruta,
toda madura e uito gostosa
Até da mais comum, barata ou de graça, 
que nunca comi e só provei mais tarde, 
mas nesta altura, que pena que tive, com outro sabor

Não poder fazer nada, não conseguir viver como idealizara.



Sim, porque um dia aprendi a pensar
E desejei muito não ter nascido para não sofrer
não ser penalizada por ser mulher
Não estar presa, acorrentada, ser violentada pela vida
Dos direitos que me pertenciam e me foram roubados
Por ter nascido fêmea  e não homem, como era esperado.
raios partam os homens, raios parta eu e a vida que me fugiu depressa
não me deixou gozar, experimentar quase nada

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Amigas de verdade



Parece-me que foi ontem que andámos na escola
Tu sempre bonita, 


eu meio desgrenhada,
Tu sempre atenta, esperta
eu despercebida e meio acanhada
talvez pela diferença ficámos amigas
Gozavas comigo, do meu laçarote, 
dos meus bibes de folhos, 
dos meus sapatos grossos
Mas depois ensinavas-me as contas 
e inventavas histórias que nos faziam rir
que eu adorava ficar horas e horas a ouvir

Ficámos amigas, das de verdade,
Por vezes às avessas, outras nem tanto
Amigas do peito, a quem se diz tudo, 

mesmo que doa, mesmo que  mate
amigas sinceras, 
sempre unidas e honestas
Mesmo que tenha sido contigo 
que ficou o homem que eu queria e com quem tu casaste

que  me importa isso agora, 
se chorei tudo na altura que mo contaste

e já esqueci tudo
se foi depois comigo, 

chorando de loucura e raiva
que te confessaste traída, 
trocada
posta de lado



Gostavas dele, eu também,
prendeste-o porque o afagaste como a mim, 
com histórias  doces que inventaste
És meiga e doce, bonita 

e na verdade tu sabes,
eu sou feia, 


e foi só por isso que tu mo ganhaste
mas perdeste-o depressa
trocou-te por outra, alguém diferente,
de sapatos mais altos, influente,
que escreve e lê bem, que sabe inglês,
que é mestre no beijo e na cama, bem melhor do que tu
e perdoa que to diga, foi o que me contaste


deixa-o lá, não foi meu, não tinha que ser teu...
 
Pois se ainda te lembras, 
quando ele voou foi para mim que correste 

babada e ranhosa,
desfeita em lamentos,
tu que sabes tudo, que falas fluente até o alemão,
foi junto de mim que apareceste chorosa, 

despenteada, quase feia
e eu como sempre, animei-te
servi-te de mãe, acalmei-te
fiz-te lembrar que és única
minha amiga do peito, de mim e de toda a gente
mais de mim, que te ouço desde sempre mil histórias
que rio contigo às gargalhadas

e se choras 

choro contigo e  seco-te o rosto
e faço-te  ver quem não te merece


Agora vais partir? 
que saudades vou ter, 
que falta sentirei do teu calor amigo no seio do meu regaço 
de te dar abraços, quentes,  
fraternos
de te pentear e acalmar com os dedos, 
de te dizer sem medo e tu a mim 
o que nos fazia rir

Toma amiga, leva contigo este laço
Lembras-te? 

É a fita do meu cabelo, a que te fazia rir
a mim, a menina de ontem
hoje a mulher amiga em que me transformaste

que aceitou de ti  tudo como um elogio,
Toma, 
guarda-o bem amiga

e leva com ele o nosso último abraço
Eu fico 
com todas as histórias que sempre me contaste

sábado, 15 de dezembro de 2012

Amizade



Desde que me lembro
 que o teu sorriso me alegra e tira o medo
Fazíamos correrias, saltávamos à corda
 e tu trepavas às árvores com a ligeireza com que rias
de joelhos esfolados, sem dar um “ai”
juntavas-te a mim fazendo de marido,
eu que no chão
brincava às bonecas,  fazia de mãe atenta  
te cuidava os “aches” das quedas
e tu rias, rias,
pois sabias que era tudo mentira.


Namorámos 
e uma à outra
contámos do nosso primeiro beijo,
do sabor, do tempo e do resto.
do primeiro encosto, do rubor no rosto,
do gosto na língua,
do sabor do aperto do nosso corpo no corpo do outro 
Do doce na pele ao tocar, 
no sentir apalpar,
Do permitir e gostar no nosso corpo o sentir roçar
na alma a volúpia de ser amada e desejada
sem medo 
ou escondida e em segredo
E tu dizias sempre que tudo era bom
e eu abanava a cabeça, 
dizia que sim
e atenta calava, consentia e sorria, 
sorria feliz para mim


Casámos ambas
 e acreditámos ir ser felizes com os nossos amados
Com eles sonhámos futuros só nossos,
partilhámos desejos ardentes,
decepções impensadas, 
ultrapassadas
trocámos segredos do tudo e do nada
do meu desejo de ser logo mãe
e do teu de trepar, 
de fugir daqui, de voar,
viajar para longe,  mesmo que fosse só,
sem marido, sem filhos.
Pensavas deixá-lo só, certa que ele te esperaria.
Eu temia por ti e chamava-te louca
mas tu não desistias desse pensamento
e um dia lá foste
voaste em busca de outros sonhos

Sempre fomos diferentes,
unidas, amigas, 
mais que  irmãs nascidas da mesma barriga
mas sair daqui, e só, sem eles? 
Eu nunca sairia.
Os meus e os teus filhos cresceram
São livres,
 inteligentes
e o teu sonho continua a ser o mesmo, voar e voltar
Mas o meu, 
ficar, ficar sempre com eles.


Dizes-me que te vais agora e não vais voltar?
Como sabes, 
para mim foi sempre tarde
mas tu que não tens idade e és teimosa 
finalmente vais de vez sem medo de os perder.
Vai, vai e sê feliz, 
vê se consegues ser feliz, sem os ter junto de ti.
Eu não seria
 e morreria todos os dias mais um pouco.
Mas tu és outra, 
és forte e nunca desistes.


Não esqueças o nosso abraço,
Os segredos partilhados,
o carinho que nos demos
a nossa longa, 
eterna e imortal amizade
Sei que se não sou mais mulher, 
mais nada tudo do que tu
foi porque de menina te tive e terei para sempre
como a minha segunda pele, 
minha amiga do peito, que lamento não te voltar a ver.
Vai,
 mas vê se um dia voltas a tempo.

Fico com o eco do teu sorriso
para sempre comigo, 
com o cheiro do teu doce e profundo abraço
a amizade que não morrerá nunca 
dentro do meu peito.


Fotos do Google

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sangue...

Se tu pai não me tivesses feito
E tu mãe, não me tivesses parido
Agora não estava a sofrer,
Não sabia nada da vida
Não existia,
mas não me importava com isso

Teria uma existência nula
seria poeira, lixo, 
uma célula morta
mas não sofria, não via a dor, não a sentia

Que me importava saber se há lágrimas de alegria
se as que vejo cair dos olhos 
acarretam tortura e dor como as minhas
Para que quero saber se há sangue
que jorra das feridas e da alma de gentes
doentes, das guerras, de inocentes,
seres de toda a espécie, carentes de afecto e de amor, 
se em  que em todos o sangue é vermelho e dor, 
e eu não gosto de o ver
de lhe sentir o cheiro,
e sei que  salta a doer dos corpos que sofrem
muitos, quase todos sem culpa,
mas que sem querer 
lhe sentem o sabor na boca e na alma
e ainda guardam nos bolsos os restos,
vestígios para alguma força 
que lhes há-de servir de alento 
a outros pesares outras mágoas maiores  
a outras perdas diferentes, 
como não sei, mas que as há
eu sei que as há sempre


Perder um filho, perder um amante,
Ou um amigo, o mais querido de sempre,
Perder um vizinho, o mais próximo
perder um braço, um abraço terno, aquele de sempre
perder a mente, 
ficar no mundo a vegetar ao acaso

Morrer aos poucos, descalço, nu
sem lembranças, oco de pensamento
que se esvai da cabeça
como o sangue vermelho  se esvai de dentro da gente 
sem nunca pedir licença,
muito de dentro, mas também de fora 

E eu tenho medo, sinto-me aflita
estou com frio, fraca, sozinha, 
agarrada a algo que é vazio e cheira a bafio
E só vejo sangue, a tortura, a guerra, e mais sofrimento
a maledicências de todos até do parentesco


Tudo sempre tão cheio de mágoa, tão triste
Tão vil e cruel para merecer qualquer nascimento

Porque me fizeste, tu que és meu pai
E tu mãe, porque me pariste?
Se me tivesses falado eu teria dito: 
"não, não quero a vida"

Tenho medo mãe, 
estou sozinha, está escuro
E eu tenho medo da vida, ouviste  mãe, tenho medo
Preciso tanto do teu colo mãe
e das tuas mãos a afagarem-me o rosto e a cabeça
a fazerem-me esquecer
que o vermelho não é só sangue e dor
mas também pode ser uma flor 
uma rosa, uma  papoila.
uma flor silvestre qualquer apanhada no monte


Fotos do Google

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

AMAR é mais que tudo


Fechei-me em ti 
arqueei o meu corpo 
e sentei-me deitada no teu colo, 
no calor da nossa cama.
Estavas quente, sereno, 
e assim adormeceste.


Mal te ouvia o ressonar como me habituaste
Sentia o calor do teu colo amigo
aconchegante, quente e macio, 
mas essa tua calma nada usual 
despertou-me toda
e na noite escura
com o meu corpo colado ao teu 
nesse encosto nosso, afectuoso e terno
como dizes muitas vezes
"encostados como cavala em sal"
pensei que algures, muito longe 
estava frio, muito frio, 
mas não mais que aquele que sentia no meu peito apertado
e tremi, tremi de medo, 
de mais medo ainda
receando a falta desse encosto quente e amigo
e assustei o sono que parecia e de repente ficou ausente


Pensei em tudo, mas tudo o que pensei foi pouco
Que a vida que vivemos , tudo o que passámos 
é demais para se sentir numa só noite
num querer adormecer à força 
num desejar mais que sempre que tudo é mentira
que tudo o que pode ser verdade não existe
E com tudo isto na cabeça
com o calor que me davas 
e a tu mão quente poisada na minha coxa 
adormeci, 
e tudo desapareceu de repente.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tudo é nada






Tudo, 

ter tudo é bom

É o que dizem

Mas ter tudo, ser tudo, é pura mentira 

Que tudo não existe 

é a trampa onde me deito e reviro 

a lama onde cada dia mais me afundo 

Tudo é sempre pouco,
pode ser nada.

Tudo não sei o que é 

nem me interessa 
pois tudo o que sinto 
é um mundo que não presta 
que me afoga e mata 
me trata mal e devora 
e estou cansada do tudo nada que tenho 
que sempre tive até hoje 
e para mim hoje 
já é tarde e do ontem nada quero 
e como disse 
do tudo que tenho algures
nada me pertence 


Nem mérito ou reconhecimento, 
Nem fome ou sono, 
Nem descrédito ou merecimento 
Nem os beijos, 
 o ouvir-te dizer-me e eu dizer-te a ti
"amo-te" com doçura, 
nem abraços quentes, 
nem orgasmos como presentes 
os que nunca foram meus 
mas procurei incessante, como louca 
onde me afogasse hoje, tal como muitas vezes ontem  
e sonhasse tudo ainda 
como sempre noutros tempos 
Mas esses não me visitam 


Tudo o que tenho são sonhos 
são danças onde me viro e reviro e pulo 
onde rodopio, salto e me canso 

até o coração estafado e assustado 
me dizer que aquele tudo é o bastante 

onde tudo, 
mas tudo é falso e mentira 

pois tudo o que quero ainda 

e o que queria antes 

e nunca tive e não tenho, 

nunca vou ter, nem existe
é tudo mentira .



Tudo, é uma farsa 

Tudo é nada simplesmente 

Ou então 
eu não sou gente



sábado, 8 de dezembro de 2012

Tudo


Tudo o que devia ser feito foi feito
O vestido branco pendurado na cruzeta 
ansioso esperava  pelo seu corpo
as flores unidas em boquet estavam perfeitas
ela tratou do corpo, do rosto,
que a alma pura já lha entregara 
e a  ânsia de ser sua por completo
estava perto e muito breve
A mãe arranjou  a casa
ornamentou-a de organza  e flores singelas
e ela e casa 
ficaram mais  lindas que nunca. 



Naquele dia, 
o mais esperado
todos vestiram o melhor fato
e ela o seu vestido de seda branco
que fez dela uma princesa 
Linda e mais  feliz que nunca 
sorria de lado a lado
Chovia, choveu todo  dia
mas que lhe importava a chuva
se estava com ele 
e juntos iriam ser felizes na vida


Mentira, 
foi tudo mentira
Ele enganou-se, ENGANOU-A
mentiu-lhe
fingiu ser feliz
pois na verdade não era a ela, 
nem a nada ou ninguém
que ele queria ou amava.

E em breve 
cansado de tudo e nada
do amor que não tinha,
que ninguém sabe se procurava,
simplesmente partiu 
e deixou-a sozinha, 
amarga e desesperada

Tudo o que ela lhe dava a ele era pouco,
foi o que ele disse,
rasgando-lhe os sonhos, 
deitando-os para o lixo

Tudo o que ele lhe deu um dia foi pouco, 
foi quase um nada 
e só por ser cego 
o amor  dela por ele, ela se contentava 
E ela ficou, resistiu, lutou contra  a dor

Tudo, 
foi tudo mentira
mas o mundo gira, gira
e ela vai superar, 
e um dia virá que tudo lembrado
será só passado
e tudo 
não será nada. 





Fotos Google

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O meu nome


Detesto que me chamem dona
não gosto de ser senhora
quero ser mulher 
simplesmente mulher 
e mãe e amiga 
e amante dos que me quiserem
por amor  

Não sou dona de nada 
não tenho comigo bens, 
nem dons,
nem poderes, 
nem ouro ou diamantes,
nem amores como queria,
daqueles mais tresloucados  
nada decentes, 
mas apaixonados e ardentes.


Nunca fui  dona nsda
muito menos de ninguém
nem de amores arrebatados
que me cansassem por dentro 
me amassassem os ossos 
e a carne, 
me limpassem dos olhos o choro 
me molhassem a boca sedente, 
me deixassem risonha e contente, 
me desfizessem por fora
mas mais inteira por dentro
no coração, na alma  e na mente  

Não sou senhora de nada
estou nua, 
estou carente, vivo rasgada 
não tenho mais que um corpo velho
frouxo, cansado
 fragilidade e dorido, 
 talvez já demente
um corpo que nada tem de invulgar,  nada sente
a quem nada ou ninguém quer
a quem nem a vida pertence


Não quero que me chamem dona 
e muito menos senhora
sim, 
já o gritei e gritarei sempre 
não quero,
sou MARIA
E sou mais ainda
isso eu sei,
pois se há uma coisa que tenho  
que por direito me pertence, 
é o meu nome de flor, 
nome que um dia me deram
e esse  
quero-o para sempre.
sou e serei sempre 
Rosa maria

Fotos do Google

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Que me importa...



Que me importa que não me leiam

que ninguém acredite em mim
que não sintam o que escrevo 
que me desprezem e odeiem. 
Que me importa que não me conheçam,
se tenho ou não gente amiga, 
amigos do peito, 
daqueles que nos abraçam 
e nesse abraço forte e apertado 
nos dão força e vida e o resto que nos faz falta. 
Que me importa se o tempo me voa, 
me foge e não volta mais 
se hoje é Inverno
se tenho fome ou sono,
se a guerra no mundo é louca,
se há homens perdidos,  
que raivosos e danados de ódio se matam 
se estropiam e esfolam vivos , 
destroem o mundo, que não é deles mas de toda a gente



Que me importa se hoje é sexta, 

se é domingo ou terça-feira, 
se a lotaria está cheia 
se vai deixar alguém rico.
Que me importam os palácios, 
a riqueza e outros bens,
se a princesa vai ser mãe
se na Síria pessoas morrem aos montes
se homens morrem de graça,
se há dengue na Madeira
se em Angola há petróleo, se o solo é rico 
se há  minas de ouro, 
se há pessoas doentes com  fome
Que me importa o mundo e a vida
se tudo me foge
se não sei o que se passa comigo 
e de tristeza amarga, choro
se a vida assim não tem graça 
nem brilho, nem cor
se não a entendo
se dentro do meu peito
o tempo que passa me arrasta 
me leva a esperança
me diz que o que vivemos ontem
o que rejeitei e não pressenti 
não soube abraçar forte dentro de mim, 
hoje me escapa, me foge, 
devagar me mata, me fugiu e não volta mais
se nega a ficar comigo
me deixa a cada instante mais só e triste
me quer deixar sem ti,
perdida  na escuridão 
Que me importa que chova ou que o sol brilhe lá fora
que me importa..




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eramos como amantes




Eramos dois jovens lindos 

ou seriam os meus olhos a ver-nos, 

mas lembras-te como sorriamos? 
Beijavas-me longamente 
e em ti, afogava-me nesses beijos
apertavas-me contra o peito 
e os nossos corpos colados 
contidos pelo desejo 
ficavam inertes, 
calados e mudos 
que o resto era-nos proibido. 
Ficávamos naquele enlace contido 
querido e amante 
e os nosso corpos quentes 
falavam-nos mil segredo 
do amor único e muito querido, 
que nos tínhamos e era nosso. 


Hoje passaram os anos, 
a pele enrugada 
mas o coração ainda amante 
perdura pela força do nosso abraço quente 
sempre amoroso e terno 
menos apaixonado 
mas mais firme e doce 
e olhando os filhos que nos demos e ao mundo 
sabemos que o meu amor, igual ao teu, 
vai perdurar para além de tudo 
e apesar da vida nos ter dado rasteiras 
não nos ter sido sempre prazenteira 
colados no mesmo abraço 
na espera do amor completo 
nós esperamos ainda 
a realização do que nos era antes proibido 
bebendo do nosso amor o possível 
o amor que será sempre nosso 
meu e teu 
que o amanhã agora é hoje.




domingo, 2 de dezembro de 2012

AMEI-TE SEMPRE


AMEI-TE sempre! 

E desde sempre decidi que te amaria 

que me importam os anos que hoje temos 

que um dia partas talvez para outro planeta 

ou algures um qualquer paraíso te espere? 

Gostaria que soubesses que quero partir contigo, 

que não te esqueças de me dar a tua mão 

eles hão-de deixar-me entrar. 

És o meu tudo, a minha vida, 

Sempre foste a minha força, o meu pilar 


Um dia chamei-te herói, o meu guerreiro 

pois quando tinha medo…lembras-te? 

Contavas-me histórias, falavas-me ao ouvido 

e com ternura e calma…
afagavas-me o cabelo e fazias-me sonhar. 

O meu amor por ti, 
cresceu em mim como as papoilas no campo 

Livre, puro, colorido e real. 

Respiro-te e sinto na minha carne já velha e enrugada 

o encosto da tua, ainda doce e macia 

e tal como se fosse ontem, 
gosto do teu olhar 

Recordo o amargo do que vivemos juntos, 

mas sabe-me bem recordar. 

Quando os meus lábios mirrados beijam os teus 

sei que matam a sede dos teus anseios 

como sei que me roubaste amor, 

não mo deste por completo 

mas fiz-me cega e muda 

não escutei o que podia quebrar o nosso amor 

Cresci e do que me negaste já nem lembro 

Sinto hoje os teus abraços mais fortes, 

o teu carinho mais sereno 
Os nossos filhos dizem-nos que nos demos e ao mundo 

o que tínhamos melhor para lhe dar. 

A certeza que na nossa vida, 

o meu amor por ti e o teu por mim durará para sempre

Amo o teu respirar, 

o calor do teu corpo ainda me aquece e anima 

E o encanto de te ter comigo é tão imenso 

Que esqueci as noites mal dormidas 

o amor mal feito, desajeitado, 

pois sei agora, que me amavas 

eu é que não sou dizer-te como hoje 

“Amo-te por inteiro “