sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Podes partir...


Não faz mal partires de costas,
trocares-me por uma outra
não me acenares como o outro,
não comeres tostas ao almoço
andares à chuva em Agosto

Afinal já não me importas
não me queres para nada, eu sei,
ouviste bem,
percebeste que eu sei tudo
que também eu, arranjei outro?
Um que cheira como gosto,
me põe a mão no quadril
não me lambuza,
mas beija-me 
e afaga-me à meia noite
Um diferente de ti, 
ouviste, ou não?
Agora tenho outro.
Um que come tostas com leite de manhã ao acordar
e não como tu, 
que as comes ao deitar,

Detesto migalhas no chão,
 na mesa, 
e na cama, nem pensar.
E pior de tudo, 
ter migalhas, ser migalha
e não ter quem as vá limpar.


 Fotos do Google

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Aquela casa...


Encostei-me ao portão 
e deixei-me ali ficar sem olhar ao tempo
Sonhei, pensei como tudo fora antes
Porque ali, 
agora só vou  de vez em quando
e aquele dia era importante
Não vou todas as vezes como deveria,
porque está tudo diferente 
e não me sinto ali aceite
Antes entrava por ali dentro
e aquele corredor comprido que hoje me assusta
dava-me conforto e confiança.
Hoje mete-me medo, envergonha-me, assusta-me

Então 
pensei nos beijos dados de fugida, 
repetidos,
 doces e macios e sempre poucos
Nos abraços de namorada apaixonada
(lembras-te)
e alguém com pressa a chamar-me pelo nome, lá de dentro



Pensei, pensei, até que as grades gravadas na cabeça
me fizeram doer e sentir que não estava ali por acaso,
Magoada pelos ferros,
pelo barulho dos chinelos gravado na minha cabeça,
arrastando pelo chão um corpo que bem conheço
mas que nega dar-me 
além de alguma atençao a mão

Acordei de um sonho antigo, vivido antes , 
mas presente em mim sempre
vivido ali e não noutro lugar.
Aquela fora a minha casa durante muito tempo.
Fora ela, que mal ou bem me acolheu e tapou o medo,
me prendeu e proibiu de ser livre,
mas me ajudou a conhecer o outro lado de mim
o meu avesso,
a mulher que eu queria e sonhava ser e comecei a nascer ali,
contigo a meu lado



Aquele corredor, 
longo,
que outrora  fiz muitas vezes aos pulos de contente,
onde me abraçaste e eu em ti ficava eternamente enlaçada,
se não tivesses que partir a uma certa hora,
aquela não é hoje a mesma casa.

Agora tem grades,
o corredor parece mais longo e apesar de branco e amarelo
mostra-se para mim sempre enevoado
e dá-me medo, é mais comprido,
e "tu" já lá não estás para me abraçar e beijar como antigamente
"Tu" estás aqui comigo,
nesta casa que é a nossa e não tem grades,
nem mãos fechadas, mas corações abertos.
Por isso tenho medo de lá ir,
bater à porta
Tenho medo das passadas, das grades pretas,
Porque ali eu não sou eu,
volto de novo a ser criança
e tremo assustada.


E com tudo isto,  
esqueci por que fui ali naquele dia
Aqueles que me deram o ser, estão unidos
(com todos os azedumes e desavenças, mas estão),
à sessenta e muitos anos e tenho a certeza, até ao fim da vida
Afinal fui lá para lhes agradecer, 
dar um mimo e um abraço.
Mas não estavam, 
estava tudo fechado e as grades pretas trancadas.
Parabéns 
e apesar de tudo obrigada.



Fotos do Google

Um vazio



Tenho dentro de mim um vazio que não vejo, 
mas sinto,
um aperto na alma que me traz pesada, 
me tira as vontades, 
me deixa parada, inerte, 
oca, vazia de tudo e sem nada.

Sei que algo 
se passa comigo
me prende aqui neste canto, 
não me deixa sair, 
ir à vida
mas não me importo
e respeito  
a vontade que me prende,
e fico à espera
parada 
e inerte,
sem vontade de fazer nada, 
vazia de forças
cheia de temores,
e aflita, 
embrulhada em mantas 
em pensamentos que me consomem
me desgastam
que cada dia que passa
me devoram devagar

Mas sem isso me importar, 
fico estática, 
deixo que esse mal estar me penetre
me consuma, me desgaste e mate


Afinal que me importa o tudo
que podia ter e não tenho,
que já tive ontem, 
ou até antes, 
não sei,
se as lembranças estão gastas,
se na rua está frio,
se lá fora,
no mundo que gira e não pára,
não tenho ninguém que me escute, 
me acolha, me entenda, 
me dê um abraço,
me empurre a andar para a frente?

Prefiro ficar neste meu estado latente...
dormente vazio e oco,                                                                                              quem sabe para sempre

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um jardim dentro de mim




Havia dentro de mim um jardim
E nele, 
um grande canteiro de flores
Umas coloridas, outras nem tanto
muitas murchas e sem cor, 
algumas verdes, um encanto
raiadas de esperança, de força,
da cor das lutas da vida,
e eu apaixonada,
 de todas gostava tanto
e de todas cuidava uma a uma, 
nesse canto florido que  era meu
que eu estimava, me encantava 
por serem todas minhas,
 com carinho a todas eu venerava.

Olhá-las juntas dava-me alento,
mais alegria e vigor
mais cor  à alma por dentro
e nos dias que o sol me fugia,
e fugaz não as olhava
quando não o segurava em mim,
mesmo assim elas olhavam-no 
e ao longe, mesmo de longe brilhavam
e  sorrindo-lhe cresciam, 
  e davam-me coragem a mim



Arrebitavam de luz, de vida e de esperança
e com elas por trás de mim, 
erguia-me e caminhava
confiando que nunca murchassem
 me alentassem
me animassem  nas minhas andanças
e mesmo na dor ou nos meus prantos
sempre me reconfortassem.

Senti-as  crescer, 
florir dentro de mim
 animava-me com elas 
e sorria,
 com elas ganhava força
e sonhava realizar 
até os mais misteriosos sonhos
vendo-as nascer, 
florir e morrer
Mas porque as via depois  renascer
pensava tudo possível, 
e ia sonhando acordada.


Dentro do meu coração
regava-as com o meu sorriso,
Com algumas lágrimas, mas também com muito amor
E quando as olhava vivas,
em botão, 
floridas ou desabrochadas
Conforme o frio, a dor ou a estação
eu ficava bem, 
tranquila,
porque sempre as sentia em mim 
vivas.
Eram a âncora que me segurava à roda que é a vida
Que num vai e vem constante, 
gira, gira e nunca pára.

Mas tudo passou,
e de repente o meu canteiro murchou,
parece que findou
O jardim que parecia existir dentro de mim 
parece que teve medo e fugiu,
desapareceu, 
não sei que lhe deu,
busquei-o  por toda a parte e não o encontrei
Decerto um dia, 
sem eu dar conta, 
sumiu,
parece que voou,  se evaporou,
não sei,
 mas não mais me enfeitou

Procurei-o dentro do meu peito, e não mais o encontrei,
Isto sim, é só o que sei.


Sei agora, 
depois de muita buscar,
 que ele mirrou, mirrou
que aquele canto só meu perdeu todo o encanto 
Não mais tenho  esse  canteiro,
nem as flores que  o avivavam
As flores que  me alegravam,
me adornavam e faziam rir de olhar
essas secaram para sempre
 não as vejo mais,
não me habitam, 
não são minhas, não existem.

Nem o sol  que as iluminava me aparece
Nem as lágrimas que as regavam, 
pois secaram
E as dores, 
que as faziam murchar,
para depois retornarem  floridas e vistosas
são maiores e são grandes
vivem comigo para sempre
Além delas, 
parece que tudo sumiu
e por isso  não sou mais a mesma.
Sem esse canteiro que era o refúgio que tinha
Não sei que fazer, nem o que pensar
Ando triste, perturbada,
sou sinto dores e dou ais.
A vida  está mais negra, diferente
Impossível de levar


Entrei num rigoroso inverno,
um inverno frio, de neve e chuva intensa
De vendavais permanentes,
de tudo muito e tanto, 
mas de tudo muito.
A geada que caiu, 
queimou esse meu canto
Esse canto onde moravam as flores que me animavam
e que sei bem não voltarão
sim , não voltarão,
 porque passou o meu tempo
o tempo de me visitarem flores vistosas, 
coloridas e risonhas, 
lindas 
e em botão.


Fotos do Google


QUANDO morrer...



Na hora de eu morrer
Queria não ter memória
Estar surda e muda, estar cega de tudo
Não reconhecer mais o mundo
Não sentir cheiros, nem sabores, nem amores,
Ter perdido todas as vontades,
os desejos, as dores, penas e encantos,
todos os valores
Estar pronta para partir sem me importar com  mais nada.


Quando eu morrer, 
não quero choros
Nem mágoas, nem dores, penas ou lamentos
Não quero ais, 
nem contos de histórias passadas
Lamurias, mentiras ou mesmo verdades inventadas em segundos
perto de mim já morta
ali reinventadas
Na vida, chorei demais
E para diminuir o peso da minha partida
Quero que falem de mim sorrindo,
Que se lembrem do que fiz bem,
Que falem de mim o melhor
Ou então em silêncio puro,
me deixem ficar só 
todo o tempo
enquanto não for para o fundo

Quando eu morrer, 
sobre mim quero flores
Mas diferentes, das mais simples, mais singelas
Margaridas pequenas, envolvendo-me toda
 e sobre mim, desfolhadas
pétalas de rosa, brancas, cor-de-rosa, encarnadas
mesmas velhas e engelhadas
Iguais a mim, tanto faz, mas pétalas 
e não bouquets nem ramos engalanados


Já que na vida amei, chorei  e sofri,
Fui criança, talvez feia, triste e má
Não sei, 
mas fui  criança
E como todas, cresci procurando ser feliz
Fui mulher fiel, 
amei, fui mãe
E apaixonada sofri e chorei.
Quando eu morrer sobre mim
Nas minhas mãos 
quero um girassol
Sinal da vida que levei,
 que vivi nos sonhos que materializei
Dos sorrisos que recebi e dei,
Dos amigos que tive e  amei
Dos abraços que recebi e dei
De tudo o que não fiz e  jamais farei
Mas sonhei, sonhei, sonhei
Um girassol, 
só um,
nas minhas mãos colocado
grande como o Sol
daqueles por quem fui sempre apaixonada


Nos vossos olhos amigos, 
não quero lágrimas
Nem da boca quero que saiam lamentos
Procurem sorrir contentes
Porque parto da vida na hora certa, a minha
Parto em silêncio, 
sem recordar mais nada
mas deixo convosco e para sempre, que eu sei
o cheiro da minha presença.
Não chorem, nem se lamentem,
falem por mim somente o que sonhei dizer e não disse,
e fiquem certos que  a todos vós eu amei.

   
       Fotos da Google

DENTRO DE mim um jardim




Havia dentro de mim um jardim
E nele, um grande canteiro de flores
Umas coloridas, outras nem tanto
muitas murchas e sem cor, algumas verdes
raiadas de esperança e de força,
da cor das lutas da vida,
e eu apaixonada,
de todas gostava tanto
e de todas  cuidava
e uma a uma, nesse canto que  era meu
que eu estimava por ser meu e delas
com carinho a todas mais que amar, venerava.

Olhá-las juntas dava-me alento,
mais alegria e vigor
mais cor  à alma por dentro
e nos dias que o sol me fugia,
e fugaz não as olhava
e eu não o segurava a mim,
elas olhavam-no ao longe e mesmo de longe brilhavam
e  sorriam, cresciam, e eu com elas andava
Arrebitavam de luz, de vida e de esperança
e eu com elas por atrás, erguia-me e caminhava
confiando que nunca murchassem
e sempre me alentassem
me animassem  nas andanças
e mesmo na dor e nos prantos,
sempre me reconfortassem.


Senti-as  crescer, florir dentro de mim
animava-me com elas
com elas sorria e ganhava força
e sonhava realizar até os mais misteriosos sonhos
vendo-as nascer, florir e morrer
porque as via sempre depois  renascer
Pensava tudo possível, e ia sonhando acordada.

Dentro do meu coração
Regava-as com o meu sorriso,
Com algumas lágrimas, mas também com muito amor
E quando as olhava vivas,
Em botão, floridas ou desabrochadas
Conforme o frio, a dor ou a estação
eu ficava bem, tranquila,
porque sempre as sentia vivas.
Eram a âncora que me segurava à roda que é a vida
que num vai vem constante, gira, gira e nunca pára.

Mas tudo passou,
e de repente naquele canto, o meu canteiro murchou
parece que findou
O canteiro dentro de mim parece que teve medo e fugiu,
desapareceu, sem me dizer nada sumiu
não sei que lhe deu.
Busquei-o louca dentro de mim, 
por toda eu e não o encontrei, escondeu-se
decerto um dia sem eu dar conta, 
parece que voou, ou  se evaporou,
não sei, só sei que não mais me enfeitou e alegrou
Procurei-o dentro do meu peito, 
e não mais o encontrei,
Isso sim, é só o que sei.


Sei agora, depois de muita busca,
que ele mirrou, mirrou
Até que se finou
Não tenho mais  esse  canteiro,
nem as flores que  lhe davam vida
as flores que  me alegravam,
me adornavam e faziam o meu olhar rir
agora não as vejo mais,
não me habitam, 
não são minhas, não existem.
Nem o sol  que as iluminava me aparece
Nem as lágrimas que as regavam,
pois secaram
E as dores, 
as que as faziam murchar,
para depois retornarem e desabrochar
são maiores, tão grandes
que acredito foram elas que as afugentaram

Parece que tudo sumiu,
Agora,  não sou mais a mesma.
Sem esse canteiro que era o refúgio que tinha
Não sei que fazer, nem o que pensar
Ando triste, perturbada,
A vida  está mais negra, diferente
Impossível de levar

Entrei num rigoroso inverno,
Um inverno frio, de neve e chuva intensa
De vendavais permanentes,
de tudo muito e tanto, mas de  tudo tanto,
que a geada que caiu, queimou para sempre o meu canto
Esse canto onde moravam as flores que me animavam
e que sei bem, não voltarão
sim , não voltarão, porque passou o meu tempo
o meu tempo de ver flores em botão, frescas e brilhantes 

fotos do Google

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O AMOR é lindo

Amo tudo e todos que conheço, 
 mãe e pai, irmão, amigos,
 o resto da família e o mundo 
que não é meu mas é onde existo e sou.
 Dos amigos, 
acima de tudo amo os leais, 
os verdadeiros,
os que mais me estimam 
me conhecem e eu bem conheço.
Amo a paz, 
amo a vida, amo o mundo como ele é tonto,
 amo o beijo calmo e doce,
o abraço sincero e forte,
e o silêncio do olhar 
que me fala e canta
 e tudo o que sabe me diz e conta.
Amo a dança, 
a alegria do convívio 
Amo-te a "ti" e a "ti"
num amor sem tamanho,
com mais afecto e maior carinho,
mas a Ti,
a Ti que me conheces 
mais que os outros,
 mais que tudo em cada canto meu e nosso,
a Ti, amo mais ainda
amo como louca, 
amo sempre cada instante, 
em cada canto meu teu e nosso
amo sem medida,
 e sempre 
a nossa vida juntos






Fotos do Google

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Abraça-me agora


Abraça-me agora , hoje e sempre
abraça-me forte
e com amor aperta-me contra o teu peito
fica colado a mim todo o tempo que tiveres
quero sentir o bater do teu coração
preciso sentir o teu cheiro
o calor que emana do teu corpo
sentir em cada abraço a força do amor que me tens
o desejo ardente de me teres colada a ti
por tempo incerto
e eu a ti,
a dar-te tudo o que tenho e que é teu
que eu te dou por inteiro e te pertence



Abraça-me e queda-ta comigo
deixa falar baixinho os nossos corações 
silencia a tua voz com a minha
e nesse aconchego 
que eu queria não acabasse nunca
deixa que eu respire o ar que é teu, 
mas também meu 
porque o quero,
deixa que a aragem que nos envolve 
permaneça imaculada 
e viva em nós como um laço
e nos envolva mais, 
e cresça com ternura em cada abraço
nos prenda e una para sempre 
nos deixe assim colados e cingidos 
como só quem ama e sente amor pleno
permanece e fica
mesmo para além da vida 



Abraça-me hoje e para sempre 
que quero sentir-te em mim 
forte e vivo 
resplandescente de alegria
pois tu sabes que para mim um abraço teu é mais que tudo
é a vida que continua
é a tua e a minha, 
a nossa vida que avança e brilha

Abraça-me sempre, 
amor
encosta-te a mim devagarinho
fá-lo sempre como queiras, 
mas de forma tão pura e terna
que não o sinta ou escute sequer os passarinhos


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Preso a mim....Desde que te conheci


Trago-te preso a mim desde o dia que te conheci
As tuas calças largas, usadas e poídas
Lembro-me delas com ternura,
Assim como da camisa axadrezada cintada,
Não sei se lavada, sim lavada, mas que sei te assentava bem
Fazendo de ti mais delgado e faminto de tudo e de mim,
 Sim, que bem sei que me querias como eu a ti

Tu e tudo  que era teu, falavam-me  de ti, 
e eu ouvia-te sem palavras e atenta 
escutava das tuas mãos, 
dos teus dedos delgados que falavam sem fim
histórias que me encantavam, me faziam sonhar e até chorar
quando no palco daquele teatro  tu eras  actor, sim  o actor principal
e não o negues a mim, nem agora, 
pois também sabias que sim, que  o foste e serás.

E por tudo isto que o desejo de te ter junto de mim crecia até ao fim, crescia sempre
E cresceu até hoje, sim até agora e eternamente
Que hoje ainda é cedo e o amanhã existe 
e quando eu não sabia nada de nada,
sim de nada,
sonhava  contigo mil venturas



e só de te ver, queria ter-te inteiro 
porque  o teu olhar, 
as tuas mãos de dedos delgados e finos
pareciam buscar-me sempre que me olhavas e passavas por mim
e eu gostava  
e construía em mim o paraíso dos amantes que não existe
e da fome dos beijos e abraços ainda não trocados,
dos encostos ternos e meigos sonhados
palavras sussurradas a medo,
 sim, palavras mudas, melodiosas, doces imaginadas e sentidas,
apaixonadas e amorosas
e assim construí o castelo da nossa vida,
sim, o castelo onde eu  seria a rainha e tu o meu rei  
onde tudo seria perfeito,  sem mácula, só  nosso e intenso 

Mas tudo isto era mentira, sim a mentira mais perfeita
Pois os castelos não existem, as dores e mágoas sim
e tudo  modificam
e até os amores intensos, até os que doem e matam,
Sim, até esses desvanecem.
Ficam os outros,
como o que inventámos depois de estarmos juntos e ainda hoje é só nosso.

Hoje damos as mãos, beijos calmos, e o resto não importa
Sim, o resto não sei para onde foi, mas também já não interessa, nem a ti 
eu sei, afinal vivemos outro tempo

As calças ainda são usadas, largas, coçadas 
mas as camisas não são mais cintadas
Mas eu gosto, sim gosto de ti assim como és hoje.
Assim sim, tudo faz sentido.



sábado, 5 de janeiro de 2013

Abraça-me


Abraça-me forte
e ama-me até me faltar o ar,
pode ser de mansinho,
sem que o notem os passarinhos
mas sempre com carinho 

como se não houvesse outra vez, 
nem outra nunca mais
que o mundo pode acabar
e se eu morrer hoje, quero morrer de amor
fazendo da tua a minha pele,
sentindo o teu cheiro amante
sim, quero ficar colada a ti,
como se tu e eu fossemos um só corpo, 

uma só alma completa
quero esquecer contigo que este mundo que é o nosso
está perdido,
esquecer as bombas, os homens que morrem
e os que os matam
as guerras loucas e infinitas 

em que vivemos e não acabam.



Sim, 
quero esquecer que há filhos que matam pais,
e pais que matam os filhos,
que os fazem arder vivos,
e em seguida feitos loucos
vão passear e dormir no cais

Pais, que violam os filhos
e outros pais que os trucidam e enterram vivos,
avós que vivem sozinhos,
velhos solitários sem raízes, sem nada,
sem roupa, comida ou qualquer carinho

Sim,
isto é sério
pois ninguém tem tempo para dar afecto a um farrapo velho

E os velhos que fizeram o mundo girar
aparecem secos,
mirrados pelo vazio,
a cheirar ao podre da solidão


Como está diferente e revoltado o mundo, 

não vês amor?
Sujo, quase impróprio e impuro

Sim, 
como está diferente de há anos atrás
quando ainda éramos crianças,
quando não líamos jornais nem víamos televisão.

Destroem-se lentamente todos os valores morais
mas deixa lá, 

vem, esquece-os por hoje
vem ter comigo e abraça-me forte
faz-me esquecer que existimos neste mundo

porco e imundo
traiçoeiro e vil
faz-me sentir uma rainha
dá-me tudo o que tens contigo 
que em troca eu dou-te tudo o que tenho ainda
e depois de me amarese eu a ti

deixa-me adormecer no teu regaço
fica tu no meu colo amante, 
por ti renascido, hoje  mais feliz que antes

Sei que sou louca...


Vou rasgar de mim a carapaça que me tapa
Vou gritar ao mundo que tudo está imperfeito
Sim, vou dizer a todos que não estou contente
Que fui ver o mar e ele danado 
cuspia lixo, latas, vómitos de gente

E pouco me importa que me chamem louca
Porque me hei-de importar agora seja do que for,
se durante tanto tempo tudo fiz
e nada recebi em troca?

Agora que estou velha, 
sim velha e só, tudo me acontece,
mas de mal
roubam-me, ignoram-me até me batem
Não gosto deste mundo enlouquecido, 
sim, juro que não gosto



Nunca gostei, 
nunca foi meu por inteiro
Nunca me acolheu como eu gostaria, 
sempre o senti vil e traiçoeiro
Queria fugir para outros continentes,
ir em busca de outra vida, outros quereres
o querer só um pouco do tudo que sinto tenho direito

Queria entrar pelo mar adentro como Moisés
Ou voar nas asas de um pássaro
Ir par um lugar distante e andar por lá nua e descalça, 
sim descalça, nua na alma e livre como um pássaro,
de chinelo no pé e um farrapo a tapar-me a solidão 
e eu sei que isso me bastaria

Fazer negócio de rua, vender laranjas,
viver numa tenda qualquer feita de farrapo
Mas libertar-me deste peso que me avassala,
Sim, que me sufoca e mata 
e não me deixa ser feliz sequer um dia,
Aprender a rir sem pensar que há coisas que aos poucos me destroem e avassalam


Aqui não sou nada, 
sim, 
eu sei que pouco fiz, que pouco valho
falta-me a graça, 
a firmeza na vontade
a força de andar p`ra frente, 
a capacidade de voar 
e fazer o que me apetece.

Vivo num barco que baloiça, 
e me enjoa
Sim, 
num barco que não é meu 
nem de ninguém 
que não aprendi a comandar
onde  não quero mais viver a suspirar 
a tremer de medo, 
aflita sempre aos ais 
com a certeza de um dia 
quem sabe, não muito longínquo 
decerto vou afundar,
afundar.

Fotos do Google

Ama-me hoje



Queria que me amasses, 
hoje mais que nunca

queria que me acariciasses 

que te unisses a mim e assim ficasses
como se fossemos um só, 
sim amor? 

Preciso tanto que o faças
que cedas mais esta vez a este desejo louco
de tu e eu nos sentirmos unidos numa mesma pele,
e surdos e mudos, 
num frenesim que só quem ama sente
me faças esquecer e eu a ti 
o mundo estouvado em que vivemos 
 que é o nosso 
mas não é só bonito, 
mas ruim e imperfeito
sim, 
o mundo terrível de guerras, 
de ódios e miséria
de podridão, de bondade falsa,
hipocrisia, gente devassa,
pessoas que por um nada 
tudo fazem, 
que cospem o chão que pisam, 
e ao mesmo tempo matam,
sim matam, 
por tudo e por nada destroem gente, 
fingindo-se imputados 

Mas hoje deixa-os
anda, 
vamos esquecer tudo isso, 
e só hoje
só mais uma vez, ama-me profundamente 
 como nunca me amaste antes
em hora alguma.


Fotos do Google

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Escrever , mas escrever como um poeta


Não sei que diga ou que escreva,
 ou escreva o que pense, 
pois sei que não o farei bem.
Pelo que aprendi hoje 
escrevo o que penso, 
mas mal
porque não sigo regras.
Sou como um rio que corre por fora das margens 
que inunda tudo, 
que não rega 
mas destrói
não serve para nada. 
 Escrevo porque penso, o que é normal
pois cada ser humano pensa e pode escrever com palavras o seu pensar
 mas não é por fazer isso 
que é um escritor ou poeta


 Primeiro como todos nós eu penso,
estou cada instante a pensar 
e só por pensar escrevo
e isso é evidente, porque me apetece escrever.
Não se tira de dentro de um saco o que ele lá não tem.
Se não pensasse não conseguira escrever, 
pois estaria oca
sem palavras, sem pensar
penso até que não seria gente
Então com as palavras que tenho na mente
que são constantemente o que penso
posso  escrever uma frase,
e fazer com muitas frases que escrevo
 um discurso
dar-lhes uma relação lógica
fazê-las relacionarem-se contando algo que se entenda 
me digam a mim e a todos que me leiam
o que sinto o que tenho na mente, 
enfim, o que estou a pensar 
com um conteúdo que todos entendam
Mas isto não é nada fácil para ficar perfeito,
escrever como  um escritor o faria  e não como um escrevente,
não é fácil 
nem para qualquer um
escrever todos escrevemos pois todos pensamos 
e todos temos constantemente palavras na cabeça  
que podemos escrever fluentemente
mas escrever palavras como um escritor,
 é diferente, sublime 
e exige mais que poesia ou sentimento 
exige muita técnica  e magia



Tem que se atender à pontuação
e ter um instrumento linguístico perfeito
e eu não tenho. 
Neste momento só penso e escrevo o que penso 
sem ordem, sem preceito, 
sem pontuação correcta
mas prometo que vou aprender 
e quem sabe um dia ainda,
 venha a escrever 
como um escritor, um poeta
utilizando a pontuação, a sintaxe exigida 
com capacidade técnica 
e mais ainda 
utilizando todos os instrumentos linguísticos precisos 

Sim, um dia vou conseguir
e hei-de ser um escritor ou quem sabe até um poeta