terça-feira, 14 de agosto de 2012

Não sei se amou ..se foi amada!


Está muito mais gorda que quando a conheci.
Casou, foi mãe e nos anos decorridos 
aprendeu decerto alguma coisa
pois da vida pouco ou nada sabia.
Guardava os animais no monte,
via-os nascer, crescer e à noite ao regressar a casa 
comia a sopa grossa que a mãe fazia 
mas que nunca lhe ensinou a fazer como devia.

"Não sei fazer isso, nem isto", 
disse-me um dia.
E ela não sabia fazer a cama, 
deitar sobre ela os lençóis brancos 
que nos afagam a pele no final de um dia de cansaço, 
e além disso, não sabia varrer, cozinhar, 
passar a ferro, limpar,
não sabia mais que pastorear o rebanho,
cavar a terra e semear.

Não sei se aprendeu mais do que aquilo que lhe ensinei, 
mas um dia casou,
foi mãe e o filho que pariu
cresceu,
tal como as cabritas que via nascer
cresciam sempre a seu lado.

Um dia mostrou-me a casa, a sua casa, 
e a cama bem feita como eu lhe ensinara.
Nos móveis além do essencial que não usava
pouco havia ou nada,  
mas nas gavetas guardava jornais,
muitos jornais como coisa rara,
para embrulhar a marmita,
quem sabe para ler um dia,
ou como simplesmente me disse
"para embrulhar alguma coisa que seja preciso, quem sabe"  

Morreu ontem, o marido.
Ficou doente, tinha um ferida e não sabia
e como a ferida era grave, 
cresceu, alastrou e morreu depressa.

Agora ela está viúva, 
mas não sei se esteve casada, 
como não sei,
se usou os jornais ou as coisas essenciais
que guardava nos móveis novos,
se amou e foi amada,
se algum dia desejou e se sentiu desejava.

Está triste e chorosa a coitada, 
aquele era o seu companheiro 
que sempre fez o que quis, 
se deitou na sua cama 
mesmo de lençóis mal esticados,
nem sempre brancos, lavados,
mas lhe deu o filho amado 
que agora será só dela.



Mas lembro-me muito bem 
que chorou e se lastimou muito mais 
no dia
em que lhe Deus lhe levou o pai, 
lho roubou da vida dela...
"foi ela que mo disse um dia...
e eu acreditei e acredito, 

como sei que vai ficar mais só, 
e vai limpar as gavetas...
dos jornais amontoadas,
que as notícias já são velhas...

...há tanto tempo que ela não vê parir um cabrito...
nem voltará a ver acontecer tal acto.

  


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

34 ANOS e o nosso AMOR



Vestida de branco ia a noiva,
nas mãos, botões de rosa bem apertados
compunham o ramo.
À entrada da igreja esperava o noivo,
elegante,
vestido a preceito
no seu fato preto de calças listadas.
No bolso do peito um botão de rosa,
uma rosa tirada do boquet apertado
que ele por ser noivo teve direito.

Era tanta gente,
amigos talvez,
mas na memória dela só ficou o instante
de dizer o sim, desfilar pela rua,
e sorrir,
comer muito pouco,
sentir mais calor,
dar meia volta, sair dali e partir
para bem longe (o possível).

Queria estar só,
partir para outro lado,
o local já destinado, mas para a época afastado
onde junta com ele descobrisse o mundo,
a verdade,
o segredo escondido no desejo contido,
de se unirem os dois finalmente,
de gozarem o prazer
de um amor mal cuidado,
demasiado guardado,
protegido,
muito desprevenido
e demais desatento
ainda puro e desconhecido.
Mas o amor não se guarda, nem se esconde, não se manda esperar,
partilha-se, dá-se, vive-se, sente-se e pronto....

Ao amor, nada se lhe pode pedir,
só temos que o receber, sentir e dar como troca amor igual. 
Mas não o devemos soltar, não demais,
porque o podemos perder.
Deve-se viver cada dia na medida certa,
mas gozar o prazer de o ter porque é nosso e não pode morrer.
Porque se cansa, desalenta,
se esgota, cansa e perde o encanto,
o fascínio da aurora,
e quando se mostra, não conta histórias loucas
nem nos fala com emoção ao coração.

E ela começou a aprender a amar,
devagar, lentamente
numa busca constante,
que dura, que durará sempre,
de que  não desistirá nunca,
porque ainda não o encontrou a seu gosto,
porque lhe desconhece o segredo
a forma de o alcançar em pleno.

Não pensem os inteligentes que ele é fácil de alcançar...
e preservar igual e isento como se fosse sempre jovem e louco.  

Nessa busca constante
vivem ainda os dois,
juntos, mais unidos ainda,
em busca de um amor novo,
um amor maior e supremo,
o amor pela família, do encontro com a paz,
do conforto, da compreensão,
do amar mais com o coração,
que com o corpo ou a razão.

E assim para toda a vida ficarão,
juntos, presos aos seus,
como lhes disse o padre naquele dia:
"para o bem e para o mal, até que a morte os separe",
como se a vida fosse de verdade um conto de fadas...
momentos de luz que nos iluminam a alma e aquecem cada dia o coração...



...amores diferentes...


- Ao principio parece que foi difícil adaptar-se à tua ausência, parece que a casa e tudo o resto andava num baldio, mas depois tudo tomou um rumo. Também não posso estar a fazer perguntas à Joana constantemente pois podia desconfiar que sei onde estás e não é isso que queres pois não?

- Tens razão. Na altura expliquei aos meus filhos porque partia numa carta que deixei ao mais velho, dizendo-lhes que precisava encontrar-me, saber o que queria para o resto da minha vida, que precisava fazer algo diferente além de ser mãe deles e esposa do pai, ainda que fazer isso me deixasse muito feliz, mas que precisava saber se depois deles saírem de casa, conseguiria ficar só com o pai deles, da forma como vivia com ele até ali. Mas não sei se me entenderam, se me perdoaram.

- Os filhos percebem sempre os pais e acabam por lhes perdoar sempre alguma coisa que eles façam menos bem. Olha o que aconteceu comigo e com o meu pai, tanto tempo revoltado comigo e depois com a doença ficamos juntos e mais unidos que nunca.

- Sabes Marta queria contar-te uma coisa que não sei se tem perdão, pois afinal saí de casa mas não foi para trair o Jorge, só para lhe dar uma lição.

- E então?

- O dono da residencial que me alugou o quarto andou tanto de volta de mim, conversou tanto comigo falou-me tanto da sua vida, que um dia me convenceu que o que eu precisava e me faltava era saber o que era sentir prazer de verdade.

- Estou admirada contigo, tu foste nessas cantigas. Mas quem é esse homem?

- Primeiro só me cumprimentava. Depois passou a servir-me as refeições quando eu jantava lá e um dia, não vai lá muito tempo, dei comigo como se não fosse eu a contar-lhe a minha vida.

- Tu a contares a tua vida a um homem desconhecido, não acredito, mas que te deu?

- É viúvo e tem uma filha de treze anos, mais novo do que eu, sete anos, mas tão envolvente que me deixei ir, até que um dia lhe disse que gostava de fazer sexo com o meu marido, mas nunca sentia nada, e que não sabia como era pois nunca o tinha feito com mais ninguém, mas que da forma que o fazia não gostava de o fazer porque não sentia prazer algum, me torturava e deixava incompleta e triste.

- Nessa noite não consegui dormir pois a sua conversa deixou-me agitada, nervosa pois imagina que me disse que se eu estivesse disponível o fazia comigo, que me mostrava como se faz amor com uma mulher.

- Ele disse-te isso tudo e tu ouviste, e não reagiste?

- Então não reagi Marta. Sabes lá, fiquei toda a tremer, assustada, sem saber o que fazer, envergonhada, mas agora que aconteceu tinha que te contar, daí precisar tanto de te falar.

- Aconteceu, então tu e ele já estiveram juntos, assim unidos numa relação física verdadeira. Nem acredito.

- Acredita que é verdade. Um dia falámos tanto depois de jantar, chorei tanto com saudades dos meus filhos, por estar aqui escondida fugida talvez sem motivo, que ele também me contou de como perdeu a mulher três anos atrás e como tem sido difícil viver sem ela.

- E então, mulher fala tudo de uma vez, despacha-te, o que foi que aconteceu?

- Devemos os dois ter bebido um bocadinho de vinho além da conta, e eu que quase nunca bebo nada além de água, lembro-me que ele me pegou na mão para me levar até ao quarto pois já era tarde, me ajudou a deitar em cima da cama e recordo bem que fui eu que lhe agarrei pelo pescoço e o comecei a beijar sem parar.

- Tu fizeste isso, mas explica-te melhor e depois, depois?

- Depois, nunca mais paramos. A seguir aos beijos e abraços, sei que o meu corpo quase virgem foi todo descoberto e tocado por mãos de veludo, lambido, beijado e adorado como se eu fosse dele e ele meu para todo o sempre. Estávamos os dois saudosos, frágeis e eu muito carente. Nessa noite descobri o que é ser realmente amada daquele jeito que sempre imaginei, e lembrei-me da forma como por vezes me falavas da forma como viveste com o Luís.

- E agora. Ficaste resolvida a fazer o quê? Continuam a encontrar-se?

- Não! Primeiro ao acordar de manhã, nem queria acreditar no que me tinha sucedido. O meu corpo podia sentir, sentira aquela sensação enorme de prazer que naquele momento me pesava como se o mundo me tivesse caído em cima, mas sentira, e por isso pensei que foi bom ter-me acontecido aquilo mas jurei a mim mesma que nunca mais aconteceria.

- E não aconteceu, ou nem por isso?

- Mas achas que sou uma qualquer ou quê? Ainda tenho no Jorge o meu marido, um grande companheiro, e gostava de saber se com ele depois de ter sentido a minha falta caso ainda esteja livre, eu consigo sentir a mesma coisa ou parecido.

- E o homem da residencial? Continuam a ver-se?

- Na verdade falámos tanto, eu e ele, sabemos tanto da vida um do outro, que contínuo naquela residencial mas pedi-lhe para nunca mais me levar ao quarto, nunca mais se sentar à minha mesa, nunca mais nada...E penso que ele me entendeu, porque respeita o que lhe pedi e trata-me como se nada tivesse acontecido entre nós. Sabes aquela casa já é um bocadinho a minha casa, mas agora no final do contrato no lar onde trabalho não sei se o renove por mais tempo ou se me vá embora daqui ter com a minha família.

- Minha querida amiga, essa terá que ser uma decisão tua. Se estás aqui e tens o teu coração lá, vai e vê como te recebem, se Jorge te aceita e entende agora de outra forma. Mas eu no teu lugar iria sempre pois gostaria de rever os meus filhos, depois após a recepção logo veria. Verás que Jorge te vai entender de outra forma.

- Nem sei se ele tem outra, não sei de nada.

- Mas não tens de que te queixar pois foi isso que procuraste. Olha aquilo que te aconteceu um dia se ficares com Jorge conta-lhe ou não. Não sei que te dizer, afinal não o premeditaste, só aconteceu, apesar de teres gostado.

- Nunca fui amada daquele jeito. Na cama o Jorge nunca tocou o meu corpo daquela maneira e isso não me sai da cabeça, não o esqueço, mas era ele que eu gostava que me amasse e tocasse assim, entendes?

- Porque julgas que não consigo tirar o Luís da minha cabeça? Fui sempre tão feliz com ele, tão feliz, que nunca me passou pela cabeça substitui-lo.

- Ma nunca tiveste ninguém que te falasse ao coração que te levasse pelo menos tentar de novo?

- Não ainda não, e digo ainda porque não sei o que está para vir. Mas por falar no que está para vir queria dizer-te que a minha filha vai casar a meados de Outubro e penso ir um pouco antes até à Madeira, primeiro porque já lá vai o tempo que eu devia ter aparecido por lá para visitar a minha mãe e a minha filha e não o fiz, e depois porque agora tem que ser mesmo, que trabalho não é tudo. Nada é mais importante que o casamento da minha filha. Irei um mês antes, a meados de Setembro, e se até lá pensares ir diz-me que te dou boleia de carro até Lisboa.







sexta-feira, 10 de agosto de 2012

NÃO sou filha de gente....

                         Sou filha de ninguém

Sou filha do vento,
de tempestades ocultas
do mar revolto,
de noites frias e escuras,
do fundo das trevas,
do desamor constante,
da dor,
do desprezo,
do amor cansado,
do desespero profundo.

Sou filha do nada
sou filha de tempo incerto,
de uma mãe inglória,
de um pai que desconheço.

Sou filha enjeitada
sou filha do nada,
do vazio,
das trevas profundas,
sou filha de ninguém.

Sou filha deste e daquele
mas que me importa
de quem sou filha afinal?
Sou filha do mundo,
da terra,
das pedras
do bem ou do mal.
Sim, e que me importa
não ter pai, não ter mãe
saber se sou ou não filha de alguém,
se nem  mesmo sei se sou gente?

Gente que chora,
que sofre, que vive, que grita,
que caminha na vida
sofrida, descalça,
mal ou bem amada,
mas gente que ama,
 que sorri,
é feliz e alegre
ou talvez odeie e é desprezada,~
que grita, que chora
que sente o bem e o mal,
mas não desiste,
e é gente que existe.

Porque sente e sabe ser gente,
que sabe ser filha de alguém,
que sabe que é amada,
e vive
ontem, hoje, amanhã
e por toda a vida.

Sou filha de ninguém
sou filha do vento....,
do frio do amor,
da dor e do desalento.
´
Não,
sei que não sou filha de gente,
sou filha do acaso....
 do tempo que passa, que passa...





NÃO sou filha de gente....


Sou filha de ninguém
sou filha do vento,
de tempestades ocultas
do mar revolto,
de noites frias e escuras,
do fundo das trevas,
do desamor constante,
da dor, do desprezo,
do amor cansado,
do desespero profundo.

Sou filha do nada
sou filha de tempo incerto,
de uma mãe inglória,
de um pai que desconheço.

Sou filha enjeitada
sou filha do nada, do vazio,
das trevas profundas,
sou filha de ninguém.

Sou filha deste e daquele
mas que me importa
de quem sou filha afinal?
Sou filha do mundo, da terra,
das pedras do bem ou do mal.
Sim, e que me importa
não ter pai, não ter mãe
saber se sou filha de alguém,
se nem  mesmo sei se sou gente de jeito?


Gente que chora,
que sofre, que vive, que grita,
que caminha na vida
sofrida, descalça,
mal ou bem amada, 
gente que ama, que sorri, 
é feliz e alegre
ou talvez não 
e odeia e é desprezada,
que sente o bem e o mal, 
mas não desiste, 
e existe
porque sente e sabe ser gente,
que sabe ser filha de alguém,
que sabe que é amada, 
e vive
ontem, hoje, amanhã
e por toda a vida também.


Sou filha de ninguém
sou filha do vento....,
do frio do amor,
do desalento.
´
Não,
sei que não sou filha de gente....
SOU FILHA DO TEMPO, que passa...

Fotos do Google

Sílvia ...foge por amor!


E Jorge aqui já chorava, fazendo chorar comovidos pela forma como se expressava e falava de Sílvia, os filhos, que mais do que o pai podia imaginar sentiam a falta da mãe.

Jorge além de aprender a fazer as compras semanais para a dispensa e ir ao talho e ao peixe, teve que aprender a acompanhar mais os filhos, a cuidar e dar atenção à mãe, ver se arrumavam diariamente bem os quartos, se andavam aprumados e limpos se estudavam e tinham bons resultados na escola, saber se estavam bem de saúde, felizes, tinha que conversar com eles, fazer-lhes companhia, apoiá-los e quando se tratava do arrumo da casa passou a fazer disso uma festa.
Juntavam-se todos e dividiam tarefas.

Jorge com o tempo, aprendeu a dar muito valor ao trabalho de Sílvia e reconheceu que para ela fazer aquele trabalho anos seguidos fora de facto cansativo por ser também monótono, sobretudo porque um dia ela sonhara ser enfermeira.

Afinal sempre podiam ter dividido tarefas e teria sido tudo mais fácil.

E depois muito para si, sabia que apesar de a amar, de ela ter sido sempre para ele a única mulher que teve e desejou, nunca a amou como ela merecia e precisava ser amada.

Ele era muito egoísta, e sempre que faziam amor ele não se preocupava muito se ela queria isso ou não e até se esquecia que a devia afagar, estreitá-la com doçura nos braços, chamar-lhe sua, envolve-la com carinho e contar-lhe segredos ao ouvido, dizer-lhe com as mãos segredos inimagináveis por todo o corpo que a deliciariam pressentir.

Ele sabia que procedia mal, que a amava mal, que não lhe dava o que lhe era merecido, que nunca esperava por ela, nunca ou quase nunca a conseguia satisfazer, mas pouco preocupado, pensava sempre que valia mais um satisfeito, ele, que nenhum dos dois, e continuava assim porque a via aceitar resignada a sua forma de ser.

Se até os amigos diziam que eles eram um exemplo de casal a seguir que havia ele de fazer?

Agora é que não sabia que lhes responder quando o olhavam sem questionar, mas sabia que se interrogavam pela ausência de Sílvia em casa.

A ilha era pequena e depressa todos os amigos e conhecidos souberam da sua saída de casa e mais depressa ainda a criticaram e comentaram sem saber razões, apontando a piores, incluindo também a ele que viam não reagir nem fazer nada para a encontrar.

Houve até quem referisse que devia ter partido nalgum paquete com um homem rico, pois que mais podia levar uma mãe a abandonar o seu lar senão a força de muito dinheiro. 

Antes nunca se ouvira dizer que o casal se desse mal, só podia ter sido o dinheiro que a fizera partir.

Mas um dia as pessoas cansaram-se de falar de Sílvia e calaram-se com esse assunto.

Jorge, os filhos e a mãe encontraram forma de caminhar enfrente e até pareciam todos mais unidos.

Cartas de Sílvia nunca as receberam, nem Jorge nem os filhos, e só Deus sabe o quanto isso custava a Sílvia, mas Joana que nunca deixou de os visitar em casa, foi-lhes sempre dizendo que com toda a certeza a mãe deles estava bem, pois as notícias más correm depressa e depois eles estavam como ela que também tinha a mãe longe.


Um dia elas voltariam cada uma de seu lado, mas voltariam prontas para os abraçar. 

Só o filho mais novo de Sílvia não entendia nem aceitava que a mãe tivesse partido, mas calava essa tristeza que lhe moía a alma.


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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O nosso amor!

   

Olhei agora o teu retrato
eras tu, eu sei, conheço-te bem, 
estás a meu lado!
Meu Deus como te amei então,
e como te quero  hoje 
e mesmo agora tanto bem.

Éramos jovens lindos,
formosos, cheios de vida e vigor,
mas a vida sorrateira passou 
e levou-nos essa cor,
deixando um rasto suave de brilho 
de luz e de eternidade
que há-de ficar no retrato,
que irá contar e falar 
da  história da nossa vida,
da existência do nosso encontro
da verdade do nosso amor!

Ao meu Tonito, meu homem, meu amigo,  meu tudo!

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Não me apetece...


Hoje sei que não me apetece nada,
mas pensando bem nem sei o que é apetecer,
e o que me importa ou a alguém o que eu possa ou não querer,
se o que me apetece eu não posso ter.
Por isso hoje como ontem e amanhã,
para mim não existe nada que me apeteça ter.

Não tenho fome nem frio,
estou sozinha mas hoje não tenho medo,
agora não me dói nada,
não tenho prazer nem desprazer,
não quero rir,
nem vou chorar de raiva ou de tristeza,
de amor ou desamor.
Sim, afinal porque hei-de pensar em sofrer?

Hoje não quero sentir coisa alguma,
não quero nada
nem  sede de água,
nem descanso, nem cansaço,
nem o teu colo,
nem sequer o teu abraço.

Hoje não vejo nada nem ninguém,
mas pensando bem
tenho saudades do mundo,
de todos que giram lá fora
se agitam, respiram, sofrem, amam, choram e gritam,
e vivem 
e são gente viva,
que aqui onde estou
parece que morro escondida.


Hoje não quero saber aprender a viver
mas amanhã talvez

e depois quem sabe outra vez.

Preciso crescer de novo e correr
e vir encontrar-me comigo depressa,
que o tempo passa a cada momento
e eu preciso viver mais um pouco,
aprender a envelhecer,
a não ter medo de perder tudo
e serenamente
preciso aprender a morrer...

Hoje não me apetece aprender,
mas amanhã ou depois, terá que me apetecer...

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Perder um Amigo....



É sempre muito triste quando um Amigo parte para sempre.

São muitas as lembranças que toda a vida

encheram a nossa alma de alegria

por o ver sorrir, caminhar e ser feliz.

A sua presença está e ficará sempre no espaço,

aqui, ali, junto de nós,

na nossa mente acordada e ainda atenta.

Senti-lo sorrir não custa, mas dói, é difícil,

é penoso demais suportar a sua ausência.

Há sempre um dia em que tudo muda na vida da gente.


Nele que partiu ainda há pouco,

os caracóis do cabelo descaíram,

deixaram de ser loiros e até caíram.

Perdeu a força nas pernas, nos braços,

a vontade de falar, de caminhar, de viver 

e mais grave ainda, a vontade que tinha de sorrir.


Há muito que se fora o desejo de tocar,

já não tinha força, não valia a pena..

tudo passara.









Do seu esbelto corpo, 

do seu sorriso franco e amigo,

mais nada se esperava.

Tudo partira antes dele 

deixando-o velho, esquecido, seco, mirrado.


E a sua boca linda que tocava 

que beijou e foi beijada,

que falou de amor e foi amada,

que segredou amor a mil corpos sedentos

 a quem ele se deu e  por amor ou não, 

a ele se entregaram,

partiu também com ele,

dizem que para o outro lado,

mas partiu junto com ele,

sem deixar recados,

depois de muito sofrer e não tocar mais nada.


Que  idílicos segredos fez nascer em ouvidos apaixonados,

quantos corpos bailando sem parar,

nos salões dos bailes que animou e se entregaram de amor

 e por amor ou paixão, se amaram.


Quanta alegria depositou em corações despedaçados

cujos corpos dançando, lentamente se entrelaçavam,

e unidos permaneciam nesse rodopio constante,

num encanto vivo, terno e doce, até de madrugada.


Quanta musica tocada com paixão fez rodopiar pelos salões corpos que felizes se roçavam,

que só pelo toque suave se desejavam e de mãos muito unidas,

assim se comprometiam e prometendo-se um ao outro para todo a vida,

assim ficavam.

















É sempre muito triste quando um amigo parte de vez,
mesmo que nos digam que amanhã outra estrela brilhará mais intensa no céu,
algures no firmamento.


Falta senti-lo perto, olhá-lo, 
vê-lo sorrir, cantar, tocar, amar e
 fazer amar os outros como fez outrora e sempre.
Ser outra vez ele, poder abraçá-lo....novamente.


Mas não pode ser...a vida não permite que nada volte atrás.
Temos que esperar calmamente...
até que chegue a nossa vez...

E quem sabe mais tarde noutras festas, noutros bailes,
valsaremos infinitamente juntos,   
e para sempre em PAZ!

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terça-feira, 7 de agosto de 2012

O AMOR !



O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..


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x

AMOR TOTAL...



Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Vinícius de Moraes

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Saudade!



Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Cartas de amor!




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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O valor da Amizade...


A amizade por alguém
pode surgir em qualquer idade,
em qualquer momento,
por alguém que nunca vimos antes,
ou então, alguém que já víamos
mas não conhecíamos de verdade,
alguém de quem ouvíamos falar
que até passava por nós,
mas era só mais um mortal igual a tantos.

Aos poucos esse alguém por um motivo qualquer
introduz luz na nossa vida,
instala-se nela para ficar,
para nos ouvir e apoiar,
dar carinho e estar atento,
para nos dar um abraço a qualquer hora,
com tempo para nos fazer sorrir,
fazendo com que a vida,
a  nossa vida, por vezes cruel e dura,
fique mais leve ,
mais doce, risonha e prazenteira.
E vai ficando connosco para sempre
preso a um fio invisível que não se vê
mas que se sente para sempre,
que sabemos forte, duradouro e permanente.

A amizade acontece por alguém
que conhecemos há muito
ou há pouco, tanto faz,
que crescendo devagar ou de repente
cimentou em nós a confiança,
para brotar num momento certo,
conseguindo mostrar-se pura e de  coração aberto,
fazendo por nós e para nós
o que nunca ninguém sinceramente tinha feito antes.



















Se formos honestos e verdadeiros,
se tivermos para dar o que esperamos receber,
se estivermos disponíveis um certo dia,
naquele dia exacto,
numa certa hora e a deixarmos entrar sem receio por nós adentro,
porque a amizade espera de nós
a estima, a consideração e o respeito,
que o amigo que nasceu para nós
tem para nos dar em troca,
a nossa vida muda, ganha mais sentido e cor,
e por sentirmos sempre presente um braço amigo
faz-nos sentir mais fortes,
Homens de verdade para a vida.

Que seria de nós sem ter um amigo,
mesmo que seja só um, mas verdadeiro?
Que será feito dos homens que os não têm ?
 por onde andam?
 Sem amizade, sem amigos
 os homens vegetam.... andam perdidos!


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sábado, 4 de agosto de 2012

...MARTA...



Aquele aperto de mão encerrava um toque que na mão de Filipe o fez estremecer. Por aquele momento ele esperaria outro tanto tempo, mas sair dali sem se despedir de Marta é que não podia acontecer. 
Naquele dia um pouco talvez por não ter ali a presença de Sílvia, apertou forte a mão a Marta e num segundo ainda com a sua mão segurando a dela aproximou-se do seu rosto que parecia veludo e deu-lhe um beijo. 
Marta estremeceu, não esperava aquele contacto e Filipe sentiu esse arrepio que foi correspondido porque também ele vibrou de emoção. Laura percebia tudo, só Marta não queria ver porque de facto não lhe interessava. 
Para esta, Filipe não era mais que um cliente, era um amigo como outros que tinha e naquela altura muito importante, pois precisava da sua ajuda, mas somente isso, um amigo com que podia contar.

OS amores de MARTA!


Filipe era gastroenterologista, uma especialidade em desenvolvimento havia pouco tempo, desde o início de 1990, no principal Hospital do Funchal, especialidade que tinha tirado num hospital em Lisboa com muito sacrifício pois exigira dele várias vindas e idas ao Continente. 

Foi nessa altura que Sílvia desenvolveu dentro dela o  medo infundado de perder o seu amor. Quando das ausências absolutamente necessárias de Filipe ao Continente, quando este preparava a sua especialização, ele entendia a sua angústia e tristeza e tentava compensá-la por ter que a deixar, a ela e ao filho, esses períodos sem ele, sem nunca imaginar que ela se transformaria com isso numa mulher tão ciumenta e possessiva.

Mas na verdade a partir dessa altura Sílvia apesar das várias virtudes que tinha, deixou aumentar dentro de si sentimentos de posse excessivos e outros análogos que em nada a beneficiavam. 
Se supusesse que o marido tinha um caso com alguém, ninguém lhe demovia essa inquietação e mania da cabeça. Inventava-lhe namoros com enfermeiras ou médicas colegas, comparando a vida dele à vida passada num filme ou qualquer novela da TV, onde houvesse um protagonista que sendo médico vivia de namoricos no hospital. 

Sílvia tornava-se assim por vezes uma mulher difícil, o que lhe dava instabilidade e inconstância emocional para orientar o seu dia-a-dia com calma e serenidade. Se pudesse, teria o marido sempre junto de si, sendo professor como ela, preso a ela como um animal de estimação, ou uma jóia rara, mas sabia que isso não podia ser. De nada valiam os conselhos que as amigas lhe davam quando ela se lamentava, pois até delas desconfiava por lhe dizerem bem do marido. 
Filipe gostava dela, e ao princípio até gostava de ser tão adorado, mas ultimamente já lhe incomodava o seu excessivo zelo e as imensas questões que ela lhe colocava.
Se o marido chegava mais cedo a casa, ela desconfiava, mas se se atrasava desconfiava também. Se tinha algum serviço extra não agendado, alguma urgência ou até uma substituição que fizesse para ajudar um amigo tendo que pernoitar inesperadamente no hospital, Sílvia desorientava-se igualmente e enchia-o de perguntas quando ele chegava a casa. Imaginava-o constantemente envolvido com enfermeiras ou médicas bonitas que faziam com ele tudo o que lhes estava vedado, por não passarem de colegas.

Aquela relação era estranha, não pela falta de amor entre ambos, mas pelo amor em excesso e doentio, pela falta de compreensão e desconfiança de Sílvia no marido, ela que ia sofrendo em silêncio todas as situações mirabolantes que criava na sua cabeça, como se fossem de facto verdades vividas por Filipe. Pensava muitas vezes que acreditava e confiava nele, queria muito admitir isso, mas não confiava nas mulheres que o rodeavam. 

Ultimamente havia dias que Filipe chegava tão cansado que fazia tudo para não dar muita importância ao que Sílvia lhe dizia, para não se aborrecer. Precisava de descanso e sabia muito bem que a mulher o amava, que tudo o que esta lhe dizia era pura imaginação, mas as suas conversas sempre sobre o mesmo assunto enfadavam-no. 
Amavam-se, mas muitas vezes amuavam e ficavam aborrecidos pelas dúvidas doentias e descabidas de Sílvia. Filipe não podia tratar da mulher como uma doente, não aprovava nem aceitava isso, mas ele sabia que ela era uma pessoa ansiosa, obcecada e compulsiva. 


Sílvia ainda não se apercebera que sem dar conta estava gradualmente a afastar dela o homem a quem tanto queria. Mas pouco havia a fazer, pois eram as suas vidas e Sílvia parecia cega.
Sílvia vivia tão enciumada, que ao ver Marta naquela tarde tão jovem e viúva mas tão segura de si e com uma filha crescida para a sua idade, não conseguiu evitar que sobrevoasse pela sua mente um rasto de inveja pela sua postura e atitude firmes, surgindo-lhe a ideia que o melhor seria o marido nunca mais a encontrar, como se isso fosse possível acontecer daí para a frente numa ilha como aquela. 

Afinal nunca se tinham encontrado até àquele dia, mas a partir daí como os filhos eram colegas e amigos, não seria difícil isso voltar a suceder nalgum encontro casual e isso assustava Sílvia, fazendo-a tremer. 
Ela iria fazer tudo para o filho não brincar de coisa alguma com Joana, muito menos pensar em a namorar mesmo que só de brincadeira, para evitar que Filipe um dia encontrasse aquela jovem viúva e bonita  que lhe pareceu tão elegante, de quem ela não tinha nada a apontar senão o facto de ser desimpedida, pois ainda se poderia atirar um dia nos braços do marido.

"Um excerto do romance que ando a escrever:) Ainda sem revisão!"

Inês Maomé 


A Felicidade é....




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Caminhei depressa....e não devia!



Caminhei, caminhei apressada demais para aqui chegar,
para os ver viajar no mundo, soltos e  livres,
amados por alguém, seguros e felizes,
derrubando barreiras sem medo e com sentido.
Só agora reparo que não valia a pena tanta pressa,
sim, para quê tanta caminhada, tanta correria,
se não os  apreciei em cada passo como deveria?


Tinha medo e escondi-me de muita coisa,
fugindo de sentir próximo de mim o que me agitava,
coisas muitas vezes insignificantes,
mas importantes para eles
que eram o meu e o seu mundo
que eu devia amar como eles amavam,
vivendo perto deles cada segundo,
estando sempre presente,
mas que feita cobarde fugi sempre em silencio quanto pude.




Devia sentir e olhar com eles o que eles desejavam,
coisas singelas, banais, que eram os seus sonhos da altura,
mas que sem eu o entender ou aceitar,
sem jeito nem graça me assustavam
fazendo bater veloz  o meu coração insensato,
que descompassado me infligia dor e medo,
tanto que me fazia esconder e fugir da sua vida nesses momentos.


Vê-los crescer com calma ,
devagar em cada dia
quando viviam a meu lado e me chamavam mãe todos os dias,
era o que eu agora queria.
Voltar a viver com eles tudo o que rejeitei por ter medo e não saber o que era a vida,
era o que eu mais queria.


Agora quando olho para trás verifico que o tempo voou sem eu dar conta.
Envelheci, os filhos cresceram, estudaram, casaram , são independentes,
e esta minha casa, a sua, a nossa casa,
ficou despida de tudo, até dos medos antigos,
ficou vazia,
sem vozes, sem movimento, sem sorrisos lindos.
Eu aqui sentada olhando o tempo percorrido,
parada, sem sentido, apenas cansada daquilo que por mim não foi vivido,
gostava de os ter comigo mais tempo ainda
para os sentir coisa minha muito querida,
para lhes chamar meus a cada instante,
abraçá-los de repente,
tê-los ao colo, chamar-lhes meus amores,
como o fazia quando eram pequeninos.





Mas os filhos quando crescem não são das mães
nem de ninguém
são como eu, como tu e tu,
são do mundo que nos comanda o dia e a vida como bem lhe interessa.





Caminhei , caminhei apressada demais para aqui chegar 
e não valia a pena,
que o tempo e a vida são apenas uma...




Fotos do Google

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

" mulher"..eterna


"Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?


Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.


Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.


Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim! "


(Miguel Torga, in 'Diário IV')

Fotos do Google

Ser gente....



Era uma miúda apagada,
de semblante triste e sombrio.
A saia às pregas que vestia ao domingo
caía-lhe mal, mas era assim que lhe assentava
fazendo dela uma menina diferente,
e que mesmo assim ela gostava.

Fora a mãe que a costurara
como todas as que tinha.
Só mais uma, a que usava à semana
tapada pelo bibe,
feito da velha camisa coçada,
a mais antiga e usada que o pai tinha,
mas que vestido por cima da saia
lhe dava um ar arranjado,
como se fosse uma menina fina,
tal como as primas da cidade
que apareciam sempre bem vestidas,
e ao olhar a fascinavam
como se fossem bonecas de porcelana,
da mais pura e delicada.

A camisola de malha,
feita pela mãe, com o fio gasto e poído
por ser reaproveitado,
aconchegava-a do frio, e ela sentia-se bem.

Na cabeça um laço de seda barato,
apertado,
feito moinho de cata-vento
arrepiando-lhe o cabelo até ao máximo,
não deixando nenhum fio de cabelo solto ao vento.

E disto, sim, ela não gostava,
porque a magoava, prendia,
porque naquele aperreio forte e dorido,
sentia que perdia a liberdade de ser gente.


Fotos do Google

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Desejos... sonhos doces.


Que bom seria se eu pudesse  ver filmes todos os dias,
comer todos os gelados que mais gosto,
trincar, saborear chocolate preto com vinho do porto melhor,
mesmo que isso me fartasse e enjoasse quase até à morte.

Comer queijo do que gosto com chouriço,
beber vinho tinto do mais seco e doce,
comer pasteis de massa tenra e de nata,
pasteis de bacalhau, bolas de berlim a qualquer hora
e tudo que  toda a gente gosta
e eu aprovo porque também gosto.
Beber vinho branco, champanhe caro,
sumos frescos adoçados ao meu gosto
com muito bolo de anos
o que mais aprecio a qualquer instante.

Que bom seria se eu dançasse sem parar
até de madrugada e sem cansaço,
conseguisse pular, saltar, mexer-me como outrora sem limites,
e depois bem tarde, pela noite adentro ou de madrugada,
sentir que me desejas, me amas ainda como se fossemos jovens puros e inocentes como antes,
prontos para aprender aquilo que nunca chegamos a fazer,
por não saber.

Ouvir-te sussurrar palavras doces ao meu ouvido atento,
sentir-te ardente de desejo por me possuir
estar tomada nos teus braços meigos, fortes e amorosos,
deixando-me seduzir num tal deleite
que mesmo que quisesse não conseguisse nunca deles fugir.

Mas mesmo podendo, nunca vejo filme algum,
não danço como queria,
nem como pasteis de bacalhau todos os dias
e por mais que o deseje não te sinto meigo e doce,
não como se  fosses um pastel de nata ou uma bola de berlim
e eu o vinho do porto
o meu desejo de te sentir em mim.

Fotos do Google

Não à morte...Não à vida!


Ficou-se lentamente até que se foi um dia,
não se sabe se com dor , com pena, ou por desejo.
Partiu com o corpo mirrado e seco,
sem ter já o aspecto do homem que sempre fora outrora.

Há muito que não comia como devia,
não falava e não se sabia se ouvia.
Parecia que dormia.
Mas se pensava, ouvia ou percebia,
nem ela sabe, que estar assim já não era vida.

Apagou-se cada dia mais um pouco,
até que num certo instante,num dia à noitinha,
sem se importar com nada nem ninguém,
disse adeus a tudo, fechou os olhos para sempre e foi embora.

Ela viu-o morrer devagarinho,
perder aos poucos tudo o que fez dele um dia,
um homem forte, robusto e lindo.
Mas mesmo fraco e débil, deitado naquela cama,
ela queria-o junto dela todos os dias,
pois a luta dela pela vida dele, era mais que sentida, era o amor que resistia.

No dia  em que o viu partir
e muitos outros que se seguiram
chorou inconsolável de amargura.
Agora só pensa nele,
não entende porque se foi tão cedo
porque lhe fugiu, se o cuidou sempre como ele precisava.
E mesmo estando cego, surdo e mudo
queria-o junto dela cada instante
porque o amava e ele era o seu fascínio desde menina.

Hoje cuida das suas roupas,
lava-as, passa-as a ferro,
areja muito bem tudo o que é dele,
e abraça-se a chorar sem ninguém ver
aos fatos e às camisas que ele vestia
quando ainda tinha vida,
e era o homem vivo e forte que tanto bem lhe queria...

Saudades do AMOR


Anda apressada como se fugisse do tempo,
que agora sem ele a seu lado é mais que lento.
Primeiro vestiu-se toda de preto,
cortou os cabelos loiros,
compridos, loiros e desgrenhados
que dizia usar assim,
porque como me contou um dia,
ele adorava vê-la com eles soltos,
desgrenhados e ao vento.
Carrega consigo o peso da tristeza,
o vazio das longas noites vazias e sós,
e olhando sempre o chão, 
parece esconder-se do mundo que a vê, 
o mundo que ela não quer mais viver sem o ter com ela.

De repente ele partiu, 
deixou-a só, com uma dor que lhe inundou a alma, 
lhe encharcou a carne e os ossos, 
a faz mirrar de amargura cada dia mais um pouco.

Se ela pudesse tinha-o preso a si  eternamente,
com amarras mais potentes
muito mais que o amor imenso e o carinho que lhe deu.  
Mas não foi capaz, não teve forças, 
foi impotente e tal como ele,  
não resistiu,
e viu-o partir estando junto dele, 
naquela viagem derradeira a que mesmo fugindo ninguém escapa.

Agora  já despiu as vestes pretas,
e o cabelo já lhe cresceu um pouco,
mas o passo que a leva até ele todos os dias, 
é o mesmo de outrora,
pesaroso, louco de raiva pela perda que não aceita. 
Um passo apressado, lamurioso,
com uma cadência penosa, única e só dela.  
E a dor que a percorre parece que cresce
e é hoje mais penosa e intensa ainda.
Por dentro habita-a uma escuridão eterna
e um negrume denso
instalou-se de vez no seu coração mirrado e triste.





Só de a olhar, vê quem reparar bem  
que tem os olhos chorosos espetados de amargura,
olhos sem luz nem vida que morrem de dor.
As janelas da sua alma e da sua mente
perderam o interesse o brilho e a cor,
e vivem num luto permanente.


Fotos do Google