segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O valor da Amizade...


A amizade por alguém
pode surgir em qualquer idade,
em qualquer momento,
por alguém que nunca vimos antes,
ou então, alguém que já víamos
mas não conhecíamos de verdade,
alguém de quem ouvíamos falar
que até passava por nós,
mas era só mais um mortal igual a tantos.

Aos poucos esse alguém por um motivo qualquer
introduz luz na nossa vida,
instala-se nela para ficar,
para nos ouvir e apoiar,
dar carinho e estar atento,
para nos dar um abraço a qualquer hora,
com tempo para nos fazer sorrir,
fazendo com que a vida,
a  nossa vida, por vezes cruel e dura,
fique mais leve ,
mais doce, risonha e prazenteira.
E vai ficando connosco para sempre
preso a um fio invisível que não se vê
mas que se sente para sempre,
que sabemos forte, duradouro e permanente.

A amizade acontece por alguém
que conhecemos há muito
ou há pouco, tanto faz,
que crescendo devagar ou de repente
cimentou em nós a confiança,
para brotar num momento certo,
conseguindo mostrar-se pura e de  coração aberto,
fazendo por nós e para nós
o que nunca ninguém sinceramente tinha feito antes.



















Se formos honestos e verdadeiros,
se tivermos para dar o que esperamos receber,
se estivermos disponíveis um certo dia,
naquele dia exacto,
numa certa hora e a deixarmos entrar sem receio por nós adentro,
porque a amizade espera de nós
a estima, a consideração e o respeito,
que o amigo que nasceu para nós
tem para nos dar em troca,
a nossa vida muda, ganha mais sentido e cor,
e por sentirmos sempre presente um braço amigo
faz-nos sentir mais fortes,
Homens de verdade para a vida.

Que seria de nós sem ter um amigo,
mesmo que seja só um, mas verdadeiro?
Que será feito dos homens que os não têm ?
 por onde andam?
 Sem amizade, sem amigos
 os homens vegetam.... andam perdidos!


  Fotos do Google

sábado, 4 de agosto de 2012

...MARTA...



Aquele aperto de mão encerrava um toque que na mão de Filipe o fez estremecer. Por aquele momento ele esperaria outro tanto tempo, mas sair dali sem se despedir de Marta é que não podia acontecer. 
Naquele dia um pouco talvez por não ter ali a presença de Sílvia, apertou forte a mão a Marta e num segundo ainda com a sua mão segurando a dela aproximou-se do seu rosto que parecia veludo e deu-lhe um beijo. 
Marta estremeceu, não esperava aquele contacto e Filipe sentiu esse arrepio que foi correspondido porque também ele vibrou de emoção. Laura percebia tudo, só Marta não queria ver porque de facto não lhe interessava. 
Para esta, Filipe não era mais que um cliente, era um amigo como outros que tinha e naquela altura muito importante, pois precisava da sua ajuda, mas somente isso, um amigo com que podia contar.

OS amores de MARTA!


Filipe era gastroenterologista, uma especialidade em desenvolvimento havia pouco tempo, desde o início de 1990, no principal Hospital do Funchal, especialidade que tinha tirado num hospital em Lisboa com muito sacrifício pois exigira dele várias vindas e idas ao Continente. 

Foi nessa altura que Sílvia desenvolveu dentro dela o  medo infundado de perder o seu amor. Quando das ausências absolutamente necessárias de Filipe ao Continente, quando este preparava a sua especialização, ele entendia a sua angústia e tristeza e tentava compensá-la por ter que a deixar, a ela e ao filho, esses períodos sem ele, sem nunca imaginar que ela se transformaria com isso numa mulher tão ciumenta e possessiva.

Mas na verdade a partir dessa altura Sílvia apesar das várias virtudes que tinha, deixou aumentar dentro de si sentimentos de posse excessivos e outros análogos que em nada a beneficiavam. 
Se supusesse que o marido tinha um caso com alguém, ninguém lhe demovia essa inquietação e mania da cabeça. Inventava-lhe namoros com enfermeiras ou médicas colegas, comparando a vida dele à vida passada num filme ou qualquer novela da TV, onde houvesse um protagonista que sendo médico vivia de namoricos no hospital. 

Sílvia tornava-se assim por vezes uma mulher difícil, o que lhe dava instabilidade e inconstância emocional para orientar o seu dia-a-dia com calma e serenidade. Se pudesse, teria o marido sempre junto de si, sendo professor como ela, preso a ela como um animal de estimação, ou uma jóia rara, mas sabia que isso não podia ser. De nada valiam os conselhos que as amigas lhe davam quando ela se lamentava, pois até delas desconfiava por lhe dizerem bem do marido. 
Filipe gostava dela, e ao princípio até gostava de ser tão adorado, mas ultimamente já lhe incomodava o seu excessivo zelo e as imensas questões que ela lhe colocava.
Se o marido chegava mais cedo a casa, ela desconfiava, mas se se atrasava desconfiava também. Se tinha algum serviço extra não agendado, alguma urgência ou até uma substituição que fizesse para ajudar um amigo tendo que pernoitar inesperadamente no hospital, Sílvia desorientava-se igualmente e enchia-o de perguntas quando ele chegava a casa. Imaginava-o constantemente envolvido com enfermeiras ou médicas bonitas que faziam com ele tudo o que lhes estava vedado, por não passarem de colegas.

Aquela relação era estranha, não pela falta de amor entre ambos, mas pelo amor em excesso e doentio, pela falta de compreensão e desconfiança de Sílvia no marido, ela que ia sofrendo em silêncio todas as situações mirabolantes que criava na sua cabeça, como se fossem de facto verdades vividas por Filipe. Pensava muitas vezes que acreditava e confiava nele, queria muito admitir isso, mas não confiava nas mulheres que o rodeavam. 

Ultimamente havia dias que Filipe chegava tão cansado que fazia tudo para não dar muita importância ao que Sílvia lhe dizia, para não se aborrecer. Precisava de descanso e sabia muito bem que a mulher o amava, que tudo o que esta lhe dizia era pura imaginação, mas as suas conversas sempre sobre o mesmo assunto enfadavam-no. 
Amavam-se, mas muitas vezes amuavam e ficavam aborrecidos pelas dúvidas doentias e descabidas de Sílvia. Filipe não podia tratar da mulher como uma doente, não aprovava nem aceitava isso, mas ele sabia que ela era uma pessoa ansiosa, obcecada e compulsiva. 


Sílvia ainda não se apercebera que sem dar conta estava gradualmente a afastar dela o homem a quem tanto queria. Mas pouco havia a fazer, pois eram as suas vidas e Sílvia parecia cega.
Sílvia vivia tão enciumada, que ao ver Marta naquela tarde tão jovem e viúva mas tão segura de si e com uma filha crescida para a sua idade, não conseguiu evitar que sobrevoasse pela sua mente um rasto de inveja pela sua postura e atitude firmes, surgindo-lhe a ideia que o melhor seria o marido nunca mais a encontrar, como se isso fosse possível acontecer daí para a frente numa ilha como aquela. 

Afinal nunca se tinham encontrado até àquele dia, mas a partir daí como os filhos eram colegas e amigos, não seria difícil isso voltar a suceder nalgum encontro casual e isso assustava Sílvia, fazendo-a tremer. 
Ela iria fazer tudo para o filho não brincar de coisa alguma com Joana, muito menos pensar em a namorar mesmo que só de brincadeira, para evitar que Filipe um dia encontrasse aquela jovem viúva e bonita  que lhe pareceu tão elegante, de quem ela não tinha nada a apontar senão o facto de ser desimpedida, pois ainda se poderia atirar um dia nos braços do marido.

"Um excerto do romance que ando a escrever:) Ainda sem revisão!"

Inês Maomé 


A Felicidade é....




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Caminhei depressa....e não devia!



Caminhei, caminhei apressada demais para aqui chegar,
para os ver viajar no mundo, soltos e  livres,
amados por alguém, seguros e felizes,
derrubando barreiras sem medo e com sentido.
Só agora reparo que não valia a pena tanta pressa,
sim, para quê tanta caminhada, tanta correria,
se não os  apreciei em cada passo como deveria?


Tinha medo e escondi-me de muita coisa,
fugindo de sentir próximo de mim o que me agitava,
coisas muitas vezes insignificantes,
mas importantes para eles
que eram o meu e o seu mundo
que eu devia amar como eles amavam,
vivendo perto deles cada segundo,
estando sempre presente,
mas que feita cobarde fugi sempre em silencio quanto pude.




Devia sentir e olhar com eles o que eles desejavam,
coisas singelas, banais, que eram os seus sonhos da altura,
mas que sem eu o entender ou aceitar,
sem jeito nem graça me assustavam
fazendo bater veloz  o meu coração insensato,
que descompassado me infligia dor e medo,
tanto que me fazia esconder e fugir da sua vida nesses momentos.


Vê-los crescer com calma ,
devagar em cada dia
quando viviam a meu lado e me chamavam mãe todos os dias,
era o que eu agora queria.
Voltar a viver com eles tudo o que rejeitei por ter medo e não saber o que era a vida,
era o que eu mais queria.


Agora quando olho para trás verifico que o tempo voou sem eu dar conta.
Envelheci, os filhos cresceram, estudaram, casaram , são independentes,
e esta minha casa, a sua, a nossa casa,
ficou despida de tudo, até dos medos antigos,
ficou vazia,
sem vozes, sem movimento, sem sorrisos lindos.
Eu aqui sentada olhando o tempo percorrido,
parada, sem sentido, apenas cansada daquilo que por mim não foi vivido,
gostava de os ter comigo mais tempo ainda
para os sentir coisa minha muito querida,
para lhes chamar meus a cada instante,
abraçá-los de repente,
tê-los ao colo, chamar-lhes meus amores,
como o fazia quando eram pequeninos.





Mas os filhos quando crescem não são das mães
nem de ninguém
são como eu, como tu e tu,
são do mundo que nos comanda o dia e a vida como bem lhe interessa.





Caminhei , caminhei apressada demais para aqui chegar 
e não valia a pena,
que o tempo e a vida são apenas uma...




Fotos do Google

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

" mulher"..eterna


"Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?


Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.


Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.


Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim! "


(Miguel Torga, in 'Diário IV')

Fotos do Google

Ser gente....



Era uma miúda apagada,
de semblante triste e sombrio.
A saia às pregas que vestia ao domingo
caía-lhe mal, mas era assim que lhe assentava
fazendo dela uma menina diferente,
e que mesmo assim ela gostava.

Fora a mãe que a costurara
como todas as que tinha.
Só mais uma, a que usava à semana
tapada pelo bibe,
feito da velha camisa coçada,
a mais antiga e usada que o pai tinha,
mas que vestido por cima da saia
lhe dava um ar arranjado,
como se fosse uma menina fina,
tal como as primas da cidade
que apareciam sempre bem vestidas,
e ao olhar a fascinavam
como se fossem bonecas de porcelana,
da mais pura e delicada.

A camisola de malha,
feita pela mãe, com o fio gasto e poído
por ser reaproveitado,
aconchegava-a do frio, e ela sentia-se bem.

Na cabeça um laço de seda barato,
apertado,
feito moinho de cata-vento
arrepiando-lhe o cabelo até ao máximo,
não deixando nenhum fio de cabelo solto ao vento.

E disto, sim, ela não gostava,
porque a magoava, prendia,
porque naquele aperreio forte e dorido,
sentia que perdia a liberdade de ser gente.


Fotos do Google

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Desejos... sonhos doces.


Que bom seria se eu pudesse  ver filmes todos os dias,
comer todos os gelados que mais gosto,
trincar, saborear chocolate preto com vinho do porto melhor,
mesmo que isso me fartasse e enjoasse quase até à morte.

Comer queijo do que gosto com chouriço,
beber vinho tinto do mais seco e doce,
comer pasteis de massa tenra e de nata,
pasteis de bacalhau, bolas de berlim a qualquer hora
e tudo que  toda a gente gosta
e eu aprovo porque também gosto.
Beber vinho branco, champanhe caro,
sumos frescos adoçados ao meu gosto
com muito bolo de anos
o que mais aprecio a qualquer instante.

Que bom seria se eu dançasse sem parar
até de madrugada e sem cansaço,
conseguisse pular, saltar, mexer-me como outrora sem limites,
e depois bem tarde, pela noite adentro ou de madrugada,
sentir que me desejas, me amas ainda como se fossemos jovens puros e inocentes como antes,
prontos para aprender aquilo que nunca chegamos a fazer,
por não saber.

Ouvir-te sussurrar palavras doces ao meu ouvido atento,
sentir-te ardente de desejo por me possuir
estar tomada nos teus braços meigos, fortes e amorosos,
deixando-me seduzir num tal deleite
que mesmo que quisesse não conseguisse nunca deles fugir.

Mas mesmo podendo, nunca vejo filme algum,
não danço como queria,
nem como pasteis de bacalhau todos os dias
e por mais que o deseje não te sinto meigo e doce,
não como se  fosses um pastel de nata ou uma bola de berlim
e eu o vinho do porto
o meu desejo de te sentir em mim.

Fotos do Google

Não à morte...Não à vida!


Ficou-se lentamente até que se foi um dia,
não se sabe se com dor , com pena, ou por desejo.
Partiu com o corpo mirrado e seco,
sem ter já o aspecto do homem que sempre fora outrora.

Há muito que não comia como devia,
não falava e não se sabia se ouvia.
Parecia que dormia.
Mas se pensava, ouvia ou percebia,
nem ela sabe, que estar assim já não era vida.

Apagou-se cada dia mais um pouco,
até que num certo instante,num dia à noitinha,
sem se importar com nada nem ninguém,
disse adeus a tudo, fechou os olhos para sempre e foi embora.

Ela viu-o morrer devagarinho,
perder aos poucos tudo o que fez dele um dia,
um homem forte, robusto e lindo.
Mas mesmo fraco e débil, deitado naquela cama,
ela queria-o junto dela todos os dias,
pois a luta dela pela vida dele, era mais que sentida, era o amor que resistia.

No dia  em que o viu partir
e muitos outros que se seguiram
chorou inconsolável de amargura.
Agora só pensa nele,
não entende porque se foi tão cedo
porque lhe fugiu, se o cuidou sempre como ele precisava.
E mesmo estando cego, surdo e mudo
queria-o junto dela cada instante
porque o amava e ele era o seu fascínio desde menina.

Hoje cuida das suas roupas,
lava-as, passa-as a ferro,
areja muito bem tudo o que é dele,
e abraça-se a chorar sem ninguém ver
aos fatos e às camisas que ele vestia
quando ainda tinha vida,
e era o homem vivo e forte que tanto bem lhe queria...

Saudades do AMOR


Anda apressada como se fugisse do tempo,
que agora sem ele a seu lado é mais que lento.
Primeiro vestiu-se toda de preto,
cortou os cabelos loiros,
compridos, loiros e desgrenhados
que dizia usar assim,
porque como me contou um dia,
ele adorava vê-la com eles soltos,
desgrenhados e ao vento.
Carrega consigo o peso da tristeza,
o vazio das longas noites vazias e sós,
e olhando sempre o chão, 
parece esconder-se do mundo que a vê, 
o mundo que ela não quer mais viver sem o ter com ela.

De repente ele partiu, 
deixou-a só, com uma dor que lhe inundou a alma, 
lhe encharcou a carne e os ossos, 
a faz mirrar de amargura cada dia mais um pouco.

Se ela pudesse tinha-o preso a si  eternamente,
com amarras mais potentes
muito mais que o amor imenso e o carinho que lhe deu.  
Mas não foi capaz, não teve forças, 
foi impotente e tal como ele,  
não resistiu,
e viu-o partir estando junto dele, 
naquela viagem derradeira a que mesmo fugindo ninguém escapa.

Agora  já despiu as vestes pretas,
e o cabelo já lhe cresceu um pouco,
mas o passo que a leva até ele todos os dias, 
é o mesmo de outrora,
pesaroso, louco de raiva pela perda que não aceita. 
Um passo apressado, lamurioso,
com uma cadência penosa, única e só dela.  
E a dor que a percorre parece que cresce
e é hoje mais penosa e intensa ainda.
Por dentro habita-a uma escuridão eterna
e um negrume denso
instalou-se de vez no seu coração mirrado e triste.





Só de a olhar, vê quem reparar bem  
que tem os olhos chorosos espetados de amargura,
olhos sem luz nem vida que morrem de dor.
As janelas da sua alma e da sua mente
perderam o interesse o brilho e a cor,
e vivem num luto permanente.


Fotos do Google

terça-feira, 31 de julho de 2012

Queria ser gente!

Hoje,
decerto hoje gostava de te ver aparecer,
de te ver sorrir para mim devagarinho,
de te sentir de novo como antigamente,
de te ver a cor, o cheiro,
sentir o teu perfume quente,
o teu gemido ofegante e ardente,
de me encostar a ti e tu a mim
e por instantes
saber-te meu e eu tua, para sempre
e inteiramente.

Ontem,
fugiste de mim sem eu dar conta,
partiste sem deixar sequer uma mensagem
sem te despedires,
sem dizer um adeus ou até nunca.
Simplesmente, um dia distante lá para trás,
partiste, foste embora
e desde então não voltaste ainda,
resolveste sair, partir, bater a porta em surdina
deixando-me na incerteza da teu regresso um dia.


Hoje,
tu sabes bem que hoje sem te ver,
vivo triste e mais amargurada,
que sem te ter comigo de quando em vez,
a vida é  mais dura,
mais cruel ainda.
Sinto saudades tuas, do teu consolo.
Fazias-me bem, davas-me alento,
davas-me riso e força, e cor e brilho
e lembras-te ainda??

- fazias-me sentir gente! 



Fotos do Google

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mãe, a minha ....



Penso tantas vezes em ti mãe,
mas tu estás longe,
não me ouves e deixas-te ficar no teu descanso .
Esperas que te visite amiúde,
mas tu mãe, sabes que isso me dói,
e também tu nunca mais me procuraste no meu canto.

Custa-me tanto viver este martírio,
estar assim fugida de ti, afastada e marginalizada sem razão,
escondida por algo que não fiz, não entendo,
só porque alguém cometeu um erro louco
me apontou o dedo, me chamou ingrata,
me escondeu de si a sua mão e o coração,
me roubou o colo e o aconchego da casa onde moras
que também já foi minha quando fui moça.

Custa-me saber-te aí todos os dias
e eu triste e só aqui sem te visitar,
sem te ouvir, sem te falar,
sem ver os teus olhos verdes, que mal vêm já os meus,
mas que eu gosto de olhar.
Sem te poder dizer tudo o que sinto,
e ouvir dizer de ti mesmo sendo mentira:: "filha estás bonita".

Preciso que me digas coisas que aliviem o meu pesar,
que me ouças, me deixes falar, que entendas o que vivo,
que sejas minha  mãe de alma e corpo inteiro,
enquanto ainda é tempo de estares comigo e eu contigo
partilhando tudo o que podemos e temos para nos dar.
Vamos, vem também tu ter comigo,
perde o medo e vem estar a meu lado pelo menos um dia,
uma tarde, um momento único para ambas, e vamos conversar.

Mas tu não sabes nem entendes o que sinto,
pois se nunca percebeste bem o teu lugar,
como podes agora, que fui posta de lado, reagir,
se nunca deixaste de falar, falar muito,
mas permanecer em silêncio logo que alguém de voz grave te manda silenciar?


Mas  mãe levanta essa cabeça, vem-me visitar pelo menos só mais uma vez,
antes que alguém te leve e não possas,  mesmo que queiras,
sentir e olhar mais o meu rosto, chamar-me filha linda,
e bem juntinho e unida a mim para sempre ficar como sei que gostarias.


Sabes mãe,
amanhã ou quem sabe ainda hoje irei eu bater-te à porta e entrar,
dar-te um beijo, dizer-te que estou bem, muito bem,
e depois voltar mais animada para o meu canto,
aquele canto onde me refugio,
onde ainda espero que um dia me procures,
onde há muito tempo não te vejo a ti entrar!

Fotos do Google

domingo, 29 de julho de 2012

Estou à tua espera...

Podes vir quando quiseres que estou à tua espera,
mas quando chegares não batas à porta,
entra devagar e não me assustes.
Entra no meu espaço de mansinho
para que eu, que vivo assustada, nem te pressinta.
Ao contrário do Sol que abre os olhos de madrugada lentamente
e à noite os fecha sempre devagarinho,
usa na tua visita essa mesma singeleza,
mas fá-lo num segundo apenas.

Acomoda-te no meu colo,
no meu corpo, na minha mente,
entra em mim toda e sem eu me aperceber
domina-me completamente.
Mas não te esqueças, fá-lo de forma suave,
tão suave e ténue que eu não o pressinta,
tenho medo de querer fugir-te por algum instante,
e zangada por me visitares te vás embora de repente
deixando-me perturbada e combalida para sempre.

Sei que decerto ainda é cedo para chegares,
e porque és para todos quase sempre
visita inesperada e mal aceite
também te temo, porque também sou gente.
Mas se quiseres, podes vir como fazes muitas vezes em segredo.
Sem me assustares, toma-me do meu sono quedo e mudo
e com o teu braço forte e firme,
leva-me a voar contigo para longe
que eu prometo que te sigo e não tenho medo.

Podes vir quando quiseres que estou à tua espera
e se prometeres que me levas como se fosse um sonho
e nunca mais me voltas a colocar neste meu mundo,
podes levar-me agora que estou pronta
que de penas e de mágoas já me bastam as que tenho agora.

Vem amor, abraça-me...


Vem ter comigo
deixa-me abraçar-te de mansinho,
abraça-me tu também com mil carinhos,
deixa que me abrigue no teu regaço meigo e doce,
sem que o notem  sequer os passarinhos.

Vem buscar-me de madrugada,
ao deitar, ao acordar, tanto me importa.
Mas vem, vem ter comigo de repente,
vem, não tenhas medo de me levar como pretendo,
que prometo percorrer contigo os que são teus
e serão também os meus caminhos.

Preciso partir contigo,
conquistar novos mundos e horizontes,
conhecer outros prazeres,
todos aqueles que nunca me mostraste e desconheço.
Preciso fugir deste meu canto
onde me canso, me arrasto, rastejo de dor,
onde tenho fome de amor
e onde morro mais um pouco todos os dias.

Irei contigo para onde me levares a qualquer hora,
tu sabes que a teu lado estarei firme, segura e forte
e que a teu lado não terei mais medo. 
Abraça-me amor, abraça-me devagarinho
vem, não tenhas medo, cobre-me de beijos lânguidos, sentidos,
e leva-me a viajar pelo mundo fora sem destino.

Abraça-me no teu abraço quente de doçura
que o tempo não vai deixar perdurar para toda a vida.

Ouviste?
Vem buscar-me já que se  põe tarde,
vem buscar-me, não demores e leva-me contigo,
que só de pensar que o farás em breve
eu acalmo,
adormeço e me deleito em ti tranquila,
sentindo nos meus olhos o sorriso
que desejei sentir um dia,
quando ainda me desconhecias
e eu era ainda uma criança pequenina.

Anda, vem buscar-me e dá-me esse carinho lindo que tens contigo,
que eu não tenho e nunca tive,
mas que procuro perdidamente ainda!

Fotos do Google

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Amores Perdidos




Tanto tempo partilhado, tanta cor,

tanto brilho nos sorrisos,


tanto tempo de mãos dadas,


unidas partilhando caminhadas.


Mas só isso é muito pouco,


foi sempre muito pouco,


tão pouco,


que agora que penso


me parece nada.




Se debaixo de mim brotam desejos ardentes,


ensejes de viver paixões e outros amores mais fortes,


mais quentes e celestiais


porquê esconder-me nesta capa que me abafa,


me sufoca, me mata aos poucos


me obriga a fechar os olhos,


a negar a vida, a dizer sempre não,


a viver triste, azeda e descontente?


Quero este, aquele outro,


em qualquer momento, a qualquer hora,


quero todos que me amam, nada mais,


quero sentir paixão e amor ardentes


por ti, por aquele ali ou por aquele outro além, tanto me faz,


mas quero sentir a vida pulsar dentro de mim,


arrancar este vazio que me inunda brandamente,


me destrói e não dá paz.


Sim, não quero mais viver a solidão.


Não sei o que é o amor, penso que não,


e muito menos sei o que é paixão,


mas sinto que preciso viver esses prazeres,


essas sensações de bem querer e querer bem


ser amada, amada, eternamente amada e amar alguém.


Sair do mundo, fugir da vida, sorrir,


ser feliz


e não ter medo de nada.





Estou tão parada, amarelecida pelo tempo,


Sem firmeza, engelhada, encurvada pela espera,


pelo desalento tão cansada


que já esqueci tudo,


perdi todas as vontades


e não quero mais nada.


Se hoje é Verão isso que importa?


Acordei de manhã cedo e tudo estava negro e baço.


Eu tinha frio e desalento e medo, medo, muito medo.



Para mim há muito que se foi a Primavera.


Agora espero que este Verão gélido passe e


que o Inverno doce me acolhe em seu regaço.






Fotos do Google



Entardecer ...!



Foi-se o sol e a chuva não pára de cair.

Metida no meu canto, sinto frio e a dor intensa de não ter como sonhei e não saber o que fazer há muito tempo.

Penso até, que já não sei amar, que já não sei fazer mais nada.

Queria dormir eternamente e não ter que sentir o afastamento dos que amo, de tudo o que tive e já não tenho, do que julgava meu e me fugiu.

Pergunto a mim mesma se um dia alguém me amou, se alguém me desejou perdidamente?

Será que alguém me quer ainda desse ou de outro jeito?

Não sinto esse amor, não sinto que alguém me queira ainda. Sei mesmo que nunca ninguém me quis dessa maneira, da forma como sonhei um dia ser querida.

O vazio que me habita corrói-me até à mente, e eu morro aos poucos, devagar, mas não me importo.

Este meu ser, este meu pensar constante põe-me louca, despejada de tudo que mais quero, mais que vazia despe-me de todas as vontades e desejos. E devagarinho eu deixo que esse pensar louco me habite.

Não tenho mais nada, não quero mais nada. Deixem-me agora, já que se foram. Só quero ficar aqui quieta, surda, muda de cansaço e não me digam nada. Quero pensar, deixem-me pensar que estou perdida.

Habita-me o silêncio das longas noites escuras mal dormidas, mas esse quero-o comigo, porque me entende e me conforta.

Deixem-me agora ficar assim, parada e queda, emudecida, que assim parece que sou gente inteligente. Deixem-me e não me digam nada.

Que falta me faz a ausência do amor ardente que não tive que nunca senti febril e nem vou sentir. O amor, se é amor o que ainda sinto, é pouco, é muito pouco.

Que falta me faz sentir vibrar de emoção por sentir o teu corpo junto ao meu, repleto de paixão.

O teu corpo afoga-se no meu, mas eu já não o vejo, não o sinto, pois por me doer, me ferir de dor continuamente, prefiro fugir dele. Há muito que perdi o desejo que tinha de te querer daquele jeito.

Desisti de te querer como outrora, de te sentir como ansiava, para me poupar à dor e não sofrer.

Perdeu-se em vielas estreitas, ruas escuras da vida o meu prazer e nunca mais o encontrei em parte alguma.

Estou sedenta, mas não tenho água que mate a minha sede. A fonte de água pura há muito que secou e já não recordo ter bebido dela.

Para quê beber agora água inquinada se esta me faz mal, se me dá mais sede ainda? Prefiro morrer desta ansiedade.

Sim, prefiro morrer de sede que inundar o meu espirito no pesar que me causa a água que me dás, que me destrói de mansinho, me seca mais o corpo sedento e a alma mal-amada.

Faz-me falta demais o teu amor quentinho, o teu carinho, o fervor do teu corpo em silêncio colado ao meu devagarinho, mas que hei-de fazer se me fugiu?

Sinto falta dos meus sonhos de menina, os sonhos que abalaram, os que não vivi contigo porque ambos nos perdemos, eu e tu noutros embaraços desmedidos.

Não sei viver assim. Dói-me muito tudo e todos terem partido. Parecia-me tão cedo ainda.

Permaneço no meu canto, cansada deste pensar penado.

Sem ver, sem sentir, sem cobiçar já o amor que idealizei um dia, tardo neste meu estado apático pois pressinto que assim tudo será mais fácil neste meu entardecer.

Inês MAOMÉ

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Apelo!

   
     Triste e acabrunhado só chama por ela, pensa e fala o nome dela.
    
    "Porque te foste sem me dizer nada", é o que diz constantemente..
    "Sabes que não gosto de estar sozinho, tenho medo do escuro, da noite, do frio,
    tenho medo de estar aqui sem ti e tu juraste que quando partisses me levavas contigo"

    "Queria tanto ir antes de ti, 
   ou então juntinhos, unidos, partirmos  os dois de mãos dadas,
    voarmos sem medo até esse lugar onde te enfiaste, pois contigo não tenho medo de nada" 

   "Dei-te tanto beijo ontem à noite, agarrei-me ao teu retrato e beijei-o até ao infinito.
 Mas tu serena, escondida, não ouviste, não sentiste, não vieste ter comigo. Diz-me porque é que ficaste calada?"

    " Ouviste??? Chamei-te vezes sem fim porque sem ti tenho medo de tudo. 
Clamei, chorei, implorei por ti toda a noite, e só ouvi o vazio do escuro, o eco da minha voz. 
À minha volta só sentia o silêncio da tua ausência e tu sabes que tenho medo, porque não me respondeste?"

   "Porque te fostes embora e me deixaste aqui abandonado? 
   Tu sabes que sem ti não serei capaz de fazer nada..., então porque partiste de repente sem me dizer nada, porquê?
   Anda, vem-me buscar depressa, anda vem, que sem ti não quero este mundo para nada.

Cor de rosa !





Ao contrário da outra, 

que passa de saia curta, justa, apertada

a vincar-lhe as formas sadias, bem feitas, 

de pernas roliças e bem torneadas,

blusa cor de rosa, das rosas já desabrochadas,

mas rosada e bela,

e não amarela ou encarnada,

ela passa vistosa, cheia de graça, sempre bem penteada.


Passa ondulando, meneando o corpo,

de salto bem alto e riso marcado.

E sempre airosa, feliz, orgulhosa, com ar importante

caminha em frente e nem olha para o lado,

enquanto a outra jaz inanimada. 


A outra coitada, infeliz pela vida partiu já há muito.

Doente, cansada, já morta por dentro


 ultimamente sempre amedrontada,

partiu sem força, com sede de vida

mas sem dizer nada.


Não escolheu a saia, 

nem a cor da blusa, não escolheu nada.

Não teve tempo nem de viver mais tempo,


e depois que importa, 

se a saia justa, colada, apertada, 

que ousara outrora, há muito lhe caía mal.

Preferiu partir e deixá-la arrumada.


Jaz inerte, moribunda. 

Agora já não é mais gente,

agora não é mais nada!

Nem saia, nem blusa, nem cor, dela não resta nada além de um frio intenso,

e as rosas pálidas, sedosas, brilhantes de orvalho

que leva com ela, em vez da saia justa e da blusa cintada.


Fotos do Google

domingo, 22 de julho de 2012

A decisão

  
  A decisão


Todos os dias Marta caminhava ligeira até ao seu trabalho numa loja na zona central do Funchal, depois de descer em frente ao porto da ilha da onde vivia desde que nascera, sempre na mesma paragem do autocarro que percorria parte da zona ocidental da ilha vinda de sua casa.
 Com uma passada desenvolta, o cabelo um pouco revolto ao vento, palmilhava há cerca de seis anos aquele mesmo percurso com o ar determinado e firme de quem faz exactamente o que gosta e deve fazer.

sábado, 21 de julho de 2012

Estava ali....

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Estava ali,



pois como de costume fui incapaz de faltar à chamada.



Mas como sempre, cansei-me, fartei-me de esperar parada.



Eles olham para mim com um olhar vago,



e eu sorrio como se não fosse nada.



Desconfiam de mim, talvez por me verem com cara enrugada.



Odeiam-me, tenho quase a certeza que me odeiam



só porque eu, descarada ali vou



e os olho nos olhos sem vergonha e os afronto, descarada.



Mas eles não querem dançar comigo,



e parados só olham, não ligam, não fazem nada.



Mas se assim é porque contínuo a ir ali, se isso me faz penar para nada?



De perna jeitosa ao léu, elas são mais belas que eu.



São belas , jovens, perfeitas.



Pois são! Eu sei que o são!



Já fui assim como elas, perfeita bela e desejada.



Têm o perfume das rosas frescas, o cheiro do jasmim acabado de apanhar



e a sua pela transpira a plena primavera.



E depois, será porque são jovens ainda, mais ou menos belas,



bem feitas, e umas mais outras menos torneadas,



são mais importantes que eu?



Sei que estou velha e cansada,



amargurada pelo tempo, farta de esperar sentada,



lá, como aqui, ou acolá, em todo o lado onde passo,



mas ainda tenho curvas no peito, nas ancas e nas coxas,



só que o meu coração chora cansado.



Mas se me quisessem, se me pedissem pelo gesto



pela mão, ou apenas por um olhar roubado,



rodopiaria na sala como elas, eu sei que o faria.



Elas que são hoje esbeltas



usam os cabelos soltos, blusas quase rasgadas,



saias minguas, vestidos curtos, quase inexistentes,



pernas torneadas ao léu,



quase despidas, rasgadas de tudo,



mas muito bem calçadas, dançam sempre.



E na alma com o sentimento forte e preciso,



certo de que são bem-amadas, dançam eternamente.



Será que continuarei à espera,



se mesmo tu me dizes que eles têm razão?



Sim, se me dizes que as preferes também,



se é com elas que os teus e braços e a tua mente se liberta,



se sente jovem também, se é a dançar com elas que te sentes de novo adolescente.



Que fazer? desistir da dança, não sei ainda!
Mas aqui neste meu canto, sinto-me muito mais calma e tranquila que naquele salão de gente,
onde todos todos dançam
e eu me CANSO, me canso, canso... e ganho desalento...lento...lento..







sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ela ...de flores pálidas e olhos triste....


Vi-a passar, está muito mais magra, 
velha e cansada

e quem sabe por dentro morta…de saudade.

Vestida de roupas muito largas

Pretas, da cor da dor, do vazio … com o cabelo branco e luzidio.

Caminhando, dava cada passo com desembaraço.


Nos olhos um olhar triste e baço.


Na boca já não lhe vi como outrora, o sorriso rasgado,

Mas unicamente o queixo descaído,

Os lábios serrados, decerto como sinal de revolta.


Porque a deixaste?

Porque partiste, se sabias que lhe ias fazer falta?



Levava nos braço um enorme ramo de flores,

Brancas, verdes, cinzentas…

Sem cor, mas bonitas apesar de pálidas

mas carregava-as na esperança( isso eu sei)

que irias gostar de as ver ( a ela e às flores),

de as receber com muito amor e um abraço,

que ao chegar junto de ti, ela sentiria

por ser forte demais a emoção de voltar a ver-te  ali …


Desconfiei que te ia visitar

Como o faz continuamente todos os dias da semana à mesma hora.



Desde que partiste, a deixaste só, amargurada e sem saber o que pensar,

sei que ainda tem esperança que um dia voltarão a se abraçar, a estar juntos,

para se amarem infinitamente…
como nunca o fizeram antes, nem mesmo a sonhar.





Agora, sempre que chega junto de ti,
tem sempre muito para te dizer e para te contar.


Se te lembrares, sabes que muitas coisas ficaram por dizer…


Ela ainda te adora como ontem…

tal como tu a ela.





Fotos do Google

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os meus sonhos!


  Vi-te de manhã já arranjado, depois caí num sono profundo e acordei angustiada.

 Tinhas já saído e eu meia confusa pelo sonho acordada, esperava ainda ansiosa o teu beijo fugidio, mas amoroso e prazenteiro, no meu rosto ensonado.

  Fiquei triste, angustiada, tinha sonhado que não fazia nada, não era amada, ninguém me queria, não valia mais do que sonhara.Simplesmente NADA.

  Tinha sonhado que alguém que me queria, estava sempre longe e quando me via, ou por mim passava, não me ligava, não me tocava, falava, falava, apenas era meu pelo nome, e mais nada.

  Senti-me só e abandonada, com o desejo e o sentimento certo de alguém para quem o amor existe, mas nunca foi amada, muito menos desejada.

  Precisava que me tocasses, que as tuas mãos passassem no MEU corpo e lhe falassem,
  lhe dissessem que estou viva, lhe contassem as histórias de encantar que por nunca haver tempo,  ninguém, nem tu, alguma vez foram capazes de lhe contar, precisava que com as tuas mãos lhe segredasses que existo, que sou gente VIVA, que sinto.


 Acordadada, pensei que tudo fora um sonho, mas sei que não, que tudo é pura realidade e quem sabe hoje ainda é tempo de sentir os prazeres que não tive, os desejos que sonhei sentir e ainda sinto acordada, ...simplesmente porque nunca aconteceram de verdade, mas porque ainda estamos vivos, e eu aqui à tua espera como agora,  acordada...


  Fiquei ali, e como sabes chorei amargurada.
  Faltavam-me as tuas mãos que nunca bem senti, mas amo e pressinto, a reconhecerem a vontade que tenho de te ter, de te ouvir dizer que me queres, a percorrerem suavemente e sem medo o meu corpo já flácido, mas que mirra cada dia sozinho e triste sem que as tuas mãos o percorram e reconheçam de verdade.


Um dia se puderes, entra no meu espaço, nos meus sonhos, e deixa que as tuas mãos me percorram e gastem os meus caminhos, me desfaçam...que um dia deste já pode ser tarde.

  Hoje sonhei de verdade, mas triste, fui  incapaz de conter o que meu sonho me disse;
  que te amo e desejo de verdade.

   Poema da minha vida.




 A tua mulher, Rosa Maria
 que escreveu aqui, para ti, ~
 com alma e coração.