A História de uma menina triste, franzina e assustada, que só procurava a paz, amar e ser amada!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
" mulher"..eterna
"Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim! "
(Miguel Torga, in 'Diário IV')
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Ser gente....
Era uma miúda apagada,
de semblante triste e sombrio.
A saia às pregas que vestia ao domingo
caía-lhe mal, mas era assim que lhe assentava
fazendo dela uma menina diferente,
e que mesmo assim ela gostava.
Fora a mãe que a costurara
como todas as que tinha.
Só mais uma, a que usava à semana
tapada pelo bibe,
feito da velha camisa coçada,
a mais antiga e usada que o pai tinha,
mas que vestido por cima da saia
lhe dava um ar arranjado,
como se fosse uma menina fina,
tal como as primas da cidade
que apareciam sempre bem vestidas,
e ao olhar a fascinavam
como se fossem bonecas de porcelana,
da mais pura e delicada.
A camisola de malha,
feita pela mãe, com o fio gasto e poído
por ser reaproveitado,
aconchegava-a do frio, e ela sentia-se bem.
Na cabeça um laço de seda barato,
apertado,
feito moinho de cata-vento
arrepiando-lhe o cabelo até ao máximo,
não deixando nenhum fio de cabelo solto ao vento.
E disto, sim, ela não gostava,
porque a magoava, prendia,
porque naquele aperreio forte e dorido,
sentia que perdia a liberdade de ser gente.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Desejos... sonhos doces.
Que bom seria se eu pudesse ver filmes todos os dias,
comer todos os gelados que mais gosto,
trincar, saborear chocolate preto com vinho do porto melhor,
mesmo que isso me fartasse e enjoasse quase até à morte.
Comer queijo do que gosto com chouriço,
beber vinho tinto do mais seco e doce,
comer pasteis de massa tenra e de nata,
pasteis de bacalhau, bolas de berlim a qualquer hora
e tudo que toda a gente gosta
e eu aprovo porque também gosto.
Beber vinho branco, champanhe caro,
sumos frescos adoçados ao meu gosto
com muito bolo de anos
o que mais aprecio a qualquer instante.
Que bom seria se eu dançasse sem parar
até de madrugada e sem cansaço,
conseguisse pular, saltar, mexer-me como outrora sem limites,
e depois bem tarde, pela noite adentro ou de madrugada,
sentir que me desejas, me amas ainda como se fossemos jovens puros e inocentes como antes,
prontos para aprender aquilo que nunca chegamos a fazer,
por não saber.
Ouvir-te sussurrar palavras doces ao meu ouvido atento,
sentir-te ardente de desejo por me possuir
estar tomada nos teus braços meigos, fortes e amorosos,
deixando-me seduzir num tal deleite
que mesmo que quisesse não conseguisse nunca deles fugir.
Mas mesmo podendo, nunca vejo filme algum,
não danço como queria,
nem como pasteis de bacalhau todos os dias
e por mais que o deseje não te sinto meigo e doce,
não como se fosses um pastel de nata ou uma bola de berlim
e eu o vinho do porto
o meu desejo de te sentir em mim.
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Não à morte...Não à vida!
Ficou-se lentamente até que se foi um dia,
não se sabe se com dor , com pena, ou por desejo.
Partiu com o corpo mirrado e seco,
sem ter já o aspecto do homem que sempre fora outrora.
Há muito que não comia como devia,
não falava e não se sabia se ouvia.
Parecia que dormia.
Mas se pensava, ouvia ou percebia,
nem ela sabe, que estar assim já não era vida.
Apagou-se cada dia mais um pouco,
até que num certo instante,num dia à noitinha,
sem se importar com nada nem ninguém,
disse adeus a tudo, fechou os olhos para sempre e foi embora.
Ela viu-o morrer devagarinho,
perder aos poucos tudo o que fez dele um dia,
um homem forte, robusto e lindo.
Mas mesmo fraco e débil, deitado naquela cama,
ela queria-o junto dela todos os dias,
pois a luta dela pela vida dele, era mais que sentida, era o amor que resistia.
No dia em que o viu partir
e muitos outros que se seguiram
chorou inconsolável de amargura.
Agora só pensa nele,
não entende porque se foi tão cedo
porque lhe fugiu, se o cuidou sempre como ele precisava.
E mesmo estando cego, surdo e mudo
queria-o junto dela cada instante
porque o amava e ele era o seu fascínio desde menina.
Hoje cuida das suas roupas,
lava-as, passa-as a ferro,
areja muito bem tudo o que é dele,
e abraça-se a chorar sem ninguém ver
aos fatos e às camisas que ele vestia
quando ainda tinha vida,
e era o homem vivo e forte que tanto bem lhe queria...
Saudades do AMOR
Anda apressada como se fugisse do tempo,
que agora sem ele a seu lado é mais que lento.
Primeiro vestiu-se toda de preto,
cortou os cabelos loiros,
compridos, loiros e desgrenhados
que dizia usar assim,
porque como me contou um dia,
ele adorava vê-la com eles soltos,
desgrenhados e ao vento.
Primeiro vestiu-se toda de preto,
cortou os cabelos loiros,
compridos, loiros e desgrenhados
que dizia usar assim,
porque como me contou um dia,
ele adorava vê-la com eles soltos,
desgrenhados e ao vento.
Carrega consigo o peso da tristeza,
o vazio das longas noites vazias e sós,
e olhando sempre o chão,
parece esconder-se do mundo que a vê,
o mundo que ela não quer mais viver sem o ter com ela.
De repente ele partiu,
deixou-a só, com uma dor que lhe inundou a alma,
lhe encharcou a carne e os ossos,
a faz mirrar de amargura cada dia mais um pouco.
com amarras mais potentes
muito mais que o amor imenso e o carinho que lhe deu.
Mas não foi capaz, não teve forças,
foi impotente e tal como ele,
não resistiu,
e viu-o partir estando junto dele,
e viu-o partir estando junto dele,
naquela viagem derradeira a que mesmo fugindo ninguém escapa.
Agora já despiu as vestes pretas,
e o cabelo já lhe cresceu um pouco,
e o cabelo já lhe cresceu um pouco,
mas o passo que a leva até ele todos os dias,
é o mesmo de outrora,
pesaroso, louco de raiva pela perda que não aceita.
pesaroso, louco de raiva pela perda que não aceita.
Um passo apressado, lamurioso,
com uma cadência penosa, única e só dela.
com uma cadência penosa, única e só dela.
E a dor que a percorre parece que cresce
e é hoje mais penosa e intensa ainda.
e é hoje mais penosa e intensa ainda.
Por dentro habita-a uma escuridão eterna
e um negrume denso
instalou-se de vez no seu coração mirrado e triste.
instalou-se de vez no seu coração mirrado e triste.
que tem os olhos chorosos espetados de amargura,
olhos sem luz nem vida que morrem de dor.
As janelas da sua alma e da sua mente
olhos sem luz nem vida que morrem de dor.
As janelas da sua alma e da sua mente
perderam o interesse o brilho e a cor,
e vivem num luto permanente.
Fotos do Google
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terça-feira, 31 de julho de 2012
Queria ser gente!
Hoje,
decerto hoje gostava de te ver aparecer,
de te ver sorrir para mim devagarinho,
de te sentir de novo como antigamente,
de te ver a cor, o cheiro,
sentir o teu perfume quente,
o teu gemido ofegante e ardente,
de me encostar a ti e tu a mim
e por instantes
saber-te meu e eu tua, para sempre
e inteiramente.
Ontem,
fugiste de mim sem eu dar conta,
partiste sem deixar sequer uma mensagem
sem te despedires,
sem dizer um adeus ou até nunca.
Simplesmente, um dia distante lá para trás,
partiste, foste embora
e desde então não voltaste ainda,
resolveste sair, partir, bater a porta em surdina
deixando-me na incerteza da teu regresso um dia.
Hoje,
tu sabes bem que hoje sem te ver,
vivo triste e mais amargurada,
que sem te ter comigo de quando em vez,
a vida é mais dura,
mais cruel ainda.
Sinto saudades tuas, do teu consolo.
Fazias-me bem, davas-me alento,
davas-me riso e força, e cor e brilho
e lembras-te ainda??
- fazias-me sentir gente!
Fotos do Google
decerto hoje gostava de te ver aparecer,
de te ver sorrir para mim devagarinho,
de te sentir de novo como antigamente,
de te ver a cor, o cheiro,
sentir o teu perfume quente,
o teu gemido ofegante e ardente,
de me encostar a ti e tu a mim
e por instantes
saber-te meu e eu tua, para sempre
e inteiramente.
Ontem,
fugiste de mim sem eu dar conta,
partiste sem deixar sequer uma mensagem
sem te despedires,
sem dizer um adeus ou até nunca.
Simplesmente, um dia distante lá para trás,
partiste, foste embora
e desde então não voltaste ainda,
resolveste sair, partir, bater a porta em surdina
deixando-me na incerteza da teu regresso um dia.
Hoje,
tu sabes bem que hoje sem te ver,
vivo triste e mais amargurada,
que sem te ter comigo de quando em vez,
a vida é mais dura,
mais cruel ainda.
Sinto saudades tuas, do teu consolo.
Fazias-me bem, davas-me alento,
davas-me riso e força, e cor e brilho
e lembras-te ainda??
- fazias-me sentir gente!
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Mãe, a minha ....
Penso tantas vezes em ti mãe,
mas tu estás longe,
não me ouves e deixas-te ficar no teu descanso .
Esperas que te visite amiúde,
mas tu mãe, sabes que isso me dói,
e também tu nunca mais me procuraste no meu canto.
Custa-me tanto viver este martírio,
estar assim fugida de ti, afastada e marginalizada sem razão,
escondida por algo que não fiz, não entendo,
só porque alguém cometeu um erro louco
me apontou o dedo, me chamou ingrata,
me escondeu de si a sua mão e o coração,
me roubou o colo e o aconchego da casa onde moras
que também já foi minha quando fui moça.
Custa-me saber-te aí todos os dias
e eu triste e só aqui sem te visitar,
sem te ouvir, sem te falar,
sem ver os teus olhos verdes, que mal vêm já os meus,
mas que eu gosto de olhar.
Sem te poder dizer tudo o que sinto,
e ouvir dizer de ti mesmo sendo mentira:: "filha estás bonita".
Preciso que me digas coisas que aliviem o meu pesar,
que me ouças, me deixes falar, que entendas o que vivo,
que sejas minha mãe de alma e corpo inteiro,
enquanto ainda é tempo de estares comigo e eu contigo
partilhando tudo o que podemos e temos para nos dar.
Vamos, vem também tu ter comigo,
perde o medo e vem estar a meu lado pelo menos um dia,
uma tarde, um momento único para ambas, e vamos conversar.
Mas tu não sabes nem entendes o que sinto,
pois se nunca percebeste bem o teu lugar,
como podes agora, que fui posta de lado, reagir,
se nunca deixaste de falar, falar muito,
mas permanecer em silêncio logo que alguém de voz grave te manda silenciar?
Mas mãe levanta essa cabeça, vem-me visitar pelo menos só mais uma vez,
antes que alguém te leve e não possas, mesmo que queiras,
sentir e olhar mais o meu rosto, chamar-me filha linda,
e bem juntinho e unida a mim para sempre ficar como sei que gostarias.
Sabes mãe,
amanhã ou quem sabe ainda hoje irei eu bater-te à porta e entrar,
dar-te um beijo, dizer-te que estou bem, muito bem,
e depois voltar mais animada para o meu canto,
aquele canto onde me refugio,
onde ainda espero que um dia me procures,
onde há muito tempo não te vejo a ti entrar!
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domingo, 29 de julho de 2012
Estou à tua espera...
Podes vir quando quiseres que estou à tua espera,
mas quando chegares não batas à porta,
entra devagar e não me assustes.
Entra no meu espaço de mansinho
para que eu, que vivo assustada, nem te pressinta.
Ao contrário do Sol que abre os olhos de madrugada lentamente
e à noite os fecha sempre devagarinho,
usa na tua visita essa mesma singeleza,
mas fá-lo num segundo apenas.
Acomoda-te no meu colo,
no meu corpo, na minha mente,
entra em mim toda e sem eu me aperceber
domina-me completamente.
Mas não te esqueças, fá-lo de forma suave,
tão suave e ténue que eu não o pressinta,
tenho medo de querer fugir-te por algum instante,
e zangada por me visitares te vás embora de repente
deixando-me perturbada e combalida para sempre.
Sei que decerto ainda é cedo para chegares,
e porque és para todos quase sempre
visita inesperada e mal aceite
também te temo, porque também sou gente.
Mas se quiseres, podes vir como fazes muitas vezes em segredo.
Sem me assustares, toma-me do meu sono quedo e mudo
e com o teu braço forte e firme,
leva-me a voar contigo para longe
que eu prometo que te sigo e não tenho medo.
Podes vir quando quiseres que estou à tua espera
e se prometeres que me levas como se fosse um sonho
e nunca mais me voltas a colocar neste meu mundo,
podes levar-me agora que estou pronta
que de penas e de mágoas já me bastam as que tenho agora.
Vem amor, abraça-me...
Vem ter comigo
deixa-me abraçar-te de mansinho,
abraça-me tu também com mil carinhos,
deixa que me abrigue no teu regaço meigo e doce,
sem que o notem sequer os passarinhos.
Vem buscar-me de madrugada,
ao deitar, ao acordar, tanto me importa.
Mas vem, vem ter comigo de repente,
vem, não tenhas medo de me levar como pretendo,
que prometo percorrer contigo os que são teus
e serão também os meus caminhos.
Preciso partir contigo,
conquistar novos mundos e horizontes,
conhecer outros prazeres,
todos aqueles que nunca me mostraste e desconheço.
Preciso fugir deste meu canto
onde me canso, me arrasto, rastejo de dor,
onde tenho fome de amor
e onde morro mais um pouco todos os dias.
Irei contigo para onde me levares a qualquer hora,
tu sabes que a teu lado estarei firme, segura e forte
e que a teu lado não terei mais medo.
Abraça-me amor, abraça-me devagarinho
vem, não tenhas medo, cobre-me de beijos lânguidos, sentidos,
e leva-me a viajar pelo mundo fora sem destino.
Abraça-me no teu abraço quente de doçura
que o tempo não vai deixar perdurar para toda a vida.
Ouviste?
Vem buscar-me já que se põe tarde,
vem buscar-me, não demores e leva-me contigo,
que só de pensar que o farás em breve
eu acalmo,
adormeço e me deleito em ti tranquila,
sentindo nos meus olhos o sorriso
que desejei sentir um dia,
quando ainda me desconhecias
e eu era ainda uma criança pequenina.
Anda, vem buscar-me e dá-me esse carinho lindo que tens contigo,
que eu não tenho e nunca tive,
mas que procuro perdidamente ainda!
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Amores Perdidos
Tanto tempo partilhado, tanta cor,
tanto brilho nos sorrisos,
tanto tempo de mãos dadas,
unidas partilhando caminhadas.
Mas só isso é muito pouco,
foi sempre muito pouco,
tão pouco,
que agora que penso
me parece nada.
Se debaixo de mim brotam desejos ardentes,
ensejes de viver paixões e outros amores mais fortes,
mais quentes e celestiais
porquê esconder-me nesta capa que me abafa,
me sufoca, me mata aos poucos
me obriga a fechar os olhos,
a negar a vida, a dizer sempre não,
a viver triste, azeda e descontente?
Quero este, aquele outro,
em qualquer momento, a qualquer hora,
quero todos que me amam, nada mais,
quero sentir paixão e amor ardentes
por ti, por aquele ali ou por aquele outro além, tanto me faz,
mas quero sentir a vida pulsar dentro de mim,
arrancar este vazio que me inunda brandamente,
me destrói e não dá paz.
Sim, não quero mais viver a solidão.
Não sei o que é o amor, penso que não,
e muito menos sei o que é paixão,
mas sinto que preciso viver esses prazeres,
essas sensações de bem querer e querer bem
ser amada, amada, eternamente amada e amar alguém.
Sair do mundo, fugir da vida, sorrir,
ser feliz
e não ter medo de nada.

Estou tão parada, amarelecida pelo tempo,
Sem firmeza, engelhada, encurvada pela espera,
pelo desalento tão cansada
que já esqueci tudo,
perdi todas as vontades
e não quero mais nada.
Se hoje é Verão isso que importa?
Acordei de manhã cedo e tudo estava negro e baço.
Eu tinha frio e desalento e medo, medo, muito medo.
Para mim há muito que se foi a Primavera.
Agora espero que este Verão gélido passe e
que o Inverno doce me acolhe em seu regaço.
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Entardecer ...!
Foi-se o sol e a chuva não pára de cair.
Metida no meu canto, sinto frio e a dor intensa de não ter como sonhei e não saber o que fazer há muito tempo.
Penso até, que já não sei amar, que já não sei fazer mais nada.
Queria dormir eternamente e não ter que sentir o afastamento dos que amo, de tudo o que tive e já não tenho, do que julgava meu e me fugiu.
Pergunto a mim mesma se um dia alguém me amou, se alguém me desejou perdidamente?
Será que alguém me quer ainda desse ou de outro jeito?
Não sinto esse amor, não sinto que alguém me queira ainda. Sei mesmo que nunca ninguém me quis dessa maneira, da forma como sonhei um dia ser querida.
O vazio que me habita corrói-me até à mente, e eu morro aos poucos, devagar, mas não me importo.
Este meu ser, este meu pensar constante põe-me louca, despejada de tudo que mais quero, mais que vazia despe-me de todas as vontades e desejos. E devagarinho eu deixo que esse pensar louco me habite.
Não tenho mais nada, não quero mais nada. Deixem-me agora, já que se foram. Só quero ficar aqui quieta, surda, muda de cansaço e não me digam nada. Quero pensar, deixem-me pensar que estou perdida.
Habita-me o silêncio das longas noites escuras mal dormidas, mas esse quero-o comigo, porque me entende e me conforta.
Deixem-me agora ficar assim, parada e queda, emudecida, que assim parece que sou gente inteligente. Deixem-me e não me digam nada.
Que falta me faz a ausência do amor ardente que não tive que nunca senti febril e nem vou sentir. O amor, se é amor o que ainda sinto, é pouco, é muito pouco.
Que falta me faz sentir vibrar de emoção por sentir o teu corpo junto ao meu, repleto de paixão.
O teu corpo afoga-se no meu, mas eu já não o vejo, não o sinto, pois por me doer, me ferir de dor continuamente, prefiro fugir dele. Há muito que perdi o desejo que tinha de te querer daquele jeito.
Desisti de te querer como outrora, de te sentir como ansiava, para me poupar à dor e não sofrer.
Perdeu-se em vielas estreitas, ruas escuras da vida o meu prazer e nunca mais o encontrei em parte alguma.
Estou sedenta, mas não tenho água que mate a minha sede. A fonte de água pura há muito que secou e já não recordo ter bebido dela.
Para quê beber agora água inquinada se esta me faz mal, se me dá mais sede ainda? Prefiro morrer desta ansiedade.
Sim, prefiro morrer de sede que inundar o meu espirito no pesar que me causa a água que me dás, que me destrói de mansinho, me seca mais o corpo sedento e a alma mal-amada.
Faz-me falta demais o teu amor quentinho, o teu carinho, o fervor do teu corpo em silêncio colado ao meu devagarinho, mas que hei-de fazer se me fugiu?
Sinto falta dos meus sonhos de menina, os sonhos que abalaram, os que não vivi contigo porque ambos nos perdemos, eu e tu noutros embaraços desmedidos.
Não sei viver assim. Dói-me muito tudo e todos terem partido. Parecia-me tão cedo ainda.
Permaneço no meu canto, cansada deste pensar penado.
Sem ver, sem sentir, sem cobiçar já o amor que idealizei um dia, tardo neste meu estado apático pois pressinto que assim tudo será mais fácil neste meu entardecer.
Inês MAOMÉ
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Apelo!
Triste e acabrunhado só chama por ela, pensa e fala o nome dela.
"Porque te foste sem me dizer nada", é o que diz constantemente..
"Sabes que não gosto de estar sozinho, tenho medo do escuro, da noite, do frio,
tenho medo de estar aqui sem ti e tu juraste que quando partisses me levavas contigo"
"Queria tanto ir antes de ti,
ou então juntinhos, unidos, partirmos os dois de mãos dadas,
voarmos sem medo até esse lugar onde te enfiaste, pois contigo não tenho medo de nada"
"Dei-te tanto beijo ontem à noite, agarrei-me ao teu retrato e beijei-o até ao infinito.
Mas tu serena, escondida, não ouviste, não sentiste, não vieste ter comigo. Diz-me porque é que ficaste calada?"
" Ouviste??? Chamei-te vezes sem fim porque sem ti tenho medo de tudo.
Clamei, chorei, implorei por ti toda a noite, e só ouvi o vazio do escuro, o eco da minha voz.
À minha volta só sentia o silêncio da tua ausência e tu sabes que tenho medo, porque não me respondeste?"
"Porque te fostes embora e me deixaste aqui abandonado?
Tu sabes que sem ti não serei capaz de fazer nada..., então porque partiste de repente sem me dizer nada, porquê?
Anda, vem-me buscar depressa, anda vem, que sem ti não quero este mundo para nada.
Cor de rosa !
Ao contrário da outra,
que passa de saia curta, justa, apertada
a vincar-lhe as formas sadias, bem feitas,
de pernas roliças e bem torneadas,
blusa cor de rosa, das rosas já desabrochadas,
mas rosada e bela,
e não amarela ou encarnada,
ela passa vistosa, cheia de graça, sempre bem penteada.
Passa ondulando, meneando o corpo,
de salto bem alto e riso marcado.
E sempre airosa, feliz, orgulhosa, com ar importante
caminha em frente e nem olha para o lado,
enquanto a outra jaz inanimada.
A outra coitada, infeliz pela vida partiu já há muito.
Doente, cansada, já morta por dentro
ultimamente sempre amedrontada,
partiu sem força, com sede de vida
mas sem dizer nada.
Não escolheu a saia,
nem a cor da blusa, não escolheu nada.
Não teve tempo nem de viver mais tempo,
e depois que importa,
e depois que importa,
se a saia justa, colada, apertada,
que ousara outrora, há muito lhe caía mal.
Preferiu partir e deixá-la arrumada.
Jaz inerte, moribunda.
Agora já não é mais gente,
agora não é mais nada!
Nem saia, nem blusa, nem cor, dela não resta nada além de um frio intenso,
e as rosas pálidas, sedosas, brilhantes de orvalho
que leva com ela, em vez da saia justa e da blusa cintada.
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domingo, 22 de julho de 2012
A decisão
A decisão
Com uma passada desenvolta, o cabelo um pouco revolto ao vento, palmilhava há cerca de seis anos aquele mesmo percurso com o ar determinado e firme de quem faz exactamente o que gosta e deve fazer.
sábado, 21 de julho de 2012
Estava ali....
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Estava ali,
pois como de costume fui incapaz de faltar à chamada.
Mas como sempre, cansei-me, fartei-me de esperar parada.
Eles olham para mim com um olhar vago,
e eu sorrio como se não fosse nada.
Desconfiam de mim, talvez por me verem com cara enrugada.
Odeiam-me, tenho quase a certeza que me odeiam
só porque eu, descarada ali vou
e os olho nos olhos sem vergonha e os afronto, descarada.
Mas eles não querem dançar comigo,
e parados só olham, não ligam, não fazem nada.
Mas se assim é porque contínuo a ir ali, se isso me faz penar para nada?
De perna jeitosa ao léu, elas são mais belas que eu.
São belas , jovens, perfeitas.
Pois são! Eu sei que o são!
Já fui assim como elas, perfeita bela e desejada.
Têm o perfume das rosas frescas, o cheiro do jasmim acabado de apanhar
e a sua pela transpira a plena primavera.
E depois, será porque são jovens ainda, mais ou menos belas,
bem feitas, e umas mais outras menos torneadas,
são mais importantes que eu?
Sei que estou velha e cansada,
amargurada pelo tempo, farta de esperar sentada,
lá, como aqui, ou acolá, em todo o lado onde passo,
mas ainda tenho curvas no peito, nas ancas e nas coxas,
só que o meu coração chora cansado.
Mas se me quisessem, se me pedissem pelo gesto
pela mão, ou apenas por um olhar roubado,
rodopiaria na sala como elas, eu sei que o faria.
Elas que são hoje esbeltas
usam os cabelos soltos, blusas quase rasgadas,
saias minguas, vestidos curtos, quase inexistentes,
pernas torneadas ao léu,
quase despidas, rasgadas de tudo,
mas muito bem calçadas, dançam sempre.
E na alma com o sentimento forte e preciso,
certo de que são bem-amadas, dançam eternamente.
Será que continuarei à espera,
se mesmo tu me dizes que eles têm razão?
Sim, se me dizes que as preferes também,
se é com elas que os teus e braços e a tua mente se liberta,
se sente jovem também, se é a dançar com elas que te sentes de novo adolescente.
Que fazer? desistir da dança, não sei ainda!
Mas aqui neste meu canto, sinto-me muito mais calma e tranquila que naquele salão de gente,
onde todos todos dançam
e eu me CANSO, me canso, canso... e ganho desalento...lento...lento..
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Ela ...de flores pálidas e olhos triste....
Vi-a passar, está muito mais magra,
velha e cansada
e quem sabe por dentro morta…de saudade.
Vestida de roupas muito largas
Pretas, da cor da dor, do vazio … com o cabelo branco e luzidio.
Caminhando, dava cada passo com desembaraço.
Nos olhos um olhar triste e baço.
Na boca já não lhe vi como outrora, o sorriso rasgado,
Mas unicamente o queixo descaído,
Os lábios serrados, decerto como sinal de revolta.
Porque a deixaste?
Porque partiste, se sabias que lhe ias fazer falta?
Levava nos braço um enorme ramo de flores,
Brancas, verdes, cinzentas…
Sem cor, mas bonitas apesar de pálidas
mas carregava-as na esperança( isso eu sei)
que irias gostar de as ver ( a ela e às flores),
de as receber com muito amor e um abraço,
que ao chegar junto de ti, ela sentiria
por ser forte demais a emoção de voltar a ver-te ali …
Desconfiei que te ia visitar
Como o faz continuamente todos os dias da semana à mesma hora.
Desde que partiste, a deixaste só, amargurada e sem saber o que pensar,
sei que ainda tem esperança que um dia voltarão a se abraçar, a estar juntos,
para se amarem infinitamente…
como nunca o fizeram antes, nem mesmo a sonhar.
Agora, sempre que chega junto de ti,
tem sempre muito para te dizer e para te contar.
Se te lembrares, sabes que muitas coisas ficaram por dizer…
Ela ainda te adora como ontem…
tal como tu a ela.
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Os meus sonhos!
Vi-te de manhã já arranjado, depois caí num sono profundo e acordei angustiada.
Tinhas já saído e eu meia confusa pelo sonho acordada, esperava ainda ansiosa o teu beijo fugidio, mas amoroso e prazenteiro, no meu rosto ensonado.
Fiquei triste, angustiada, tinha sonhado que não fazia nada, não era amada, ninguém me queria, não valia mais do que sonhara.Simplesmente NADA.
Tinha sonhado que alguém que me queria, estava sempre longe e quando me via, ou por mim passava, não me ligava, não me tocava, falava, falava, apenas era meu pelo nome, e mais nada.
Senti-me só e abandonada, com o desejo e o sentimento certo de alguém para quem o amor existe, mas nunca foi amada, muito menos desejada.
Precisava que me tocasses, que as tuas mãos passassem no MEU corpo e lhe falassem,
lhe dissessem que estou viva, lhe contassem as histórias de encantar que por nunca haver tempo, ninguém, nem tu, alguma vez foram capazes de lhe contar, precisava que com as tuas mãos lhe segredasses que existo, que sou gente VIVA, que sinto.
Acordadada, pensei que tudo fora um sonho, mas sei que não, que tudo é pura realidade e quem sabe hoje ainda é tempo de sentir os prazeres que não tive, os desejos que sonhei sentir e ainda sinto acordada, ...simplesmente porque nunca aconteceram de verdade, mas porque ainda estamos vivos, e eu aqui à tua espera como agora, acordada...
Fiquei ali, e como sabes chorei amargurada.
Faltavam-me as tuas mãos que nunca bem senti, mas amo e pressinto, a reconhecerem a vontade que tenho de te ter, de te ouvir dizer que me queres, a percorrerem suavemente e sem medo o meu corpo já flácido, mas que mirra cada dia sozinho e triste sem que as tuas mãos o percorram e reconheçam de verdade.
Um dia se puderes, entra no meu espaço, nos meus sonhos, e deixa que as tuas mãos me percorram e gastem os meus caminhos, me desfaçam...que um dia deste já pode ser tarde.
Hoje sonhei de verdade, mas triste, fui incapaz de conter o que meu sonho me disse;
que te amo e desejo de verdade.
Poema da minha vida.
A tua mulher, Rosa Maria
que escreveu aqui, para ti, ~
com alma e coração.
Tinhas já saído e eu meia confusa pelo sonho acordada, esperava ainda ansiosa o teu beijo fugidio, mas amoroso e prazenteiro, no meu rosto ensonado.
Fiquei triste, angustiada, tinha sonhado que não fazia nada, não era amada, ninguém me queria, não valia mais do que sonhara.Simplesmente NADA.
Tinha sonhado que alguém que me queria, estava sempre longe e quando me via, ou por mim passava, não me ligava, não me tocava, falava, falava, apenas era meu pelo nome, e mais nada.
Senti-me só e abandonada, com o desejo e o sentimento certo de alguém para quem o amor existe, mas nunca foi amada, muito menos desejada.
Precisava que me tocasses, que as tuas mãos passassem no MEU corpo e lhe falassem,
lhe dissessem que estou viva, lhe contassem as histórias de encantar que por nunca haver tempo, ninguém, nem tu, alguma vez foram capazes de lhe contar, precisava que com as tuas mãos lhe segredasses que existo, que sou gente VIVA, que sinto.
Acordadada, pensei que tudo fora um sonho, mas sei que não, que tudo é pura realidade e quem sabe hoje ainda é tempo de sentir os prazeres que não tive, os desejos que sonhei sentir e ainda sinto acordada, ...simplesmente porque nunca aconteceram de verdade, mas porque ainda estamos vivos, e eu aqui à tua espera como agora, acordada...
Fiquei ali, e como sabes chorei amargurada.
Faltavam-me as tuas mãos que nunca bem senti, mas amo e pressinto, a reconhecerem a vontade que tenho de te ter, de te ouvir dizer que me queres, a percorrerem suavemente e sem medo o meu corpo já flácido, mas que mirra cada dia sozinho e triste sem que as tuas mãos o percorram e reconheçam de verdade.
Um dia se puderes, entra no meu espaço, nos meus sonhos, e deixa que as tuas mãos me percorram e gastem os meus caminhos, me desfaçam...que um dia deste já pode ser tarde.
Hoje sonhei de verdade, mas triste, fui incapaz de conter o que meu sonho me disse;
que te amo e desejo de verdade.
Poema da minha vida.
A tua mulher, Rosa Maria
que escreveu aqui, para ti, ~
com alma e coração.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Aqui Fica o Lenço
PRÓLOGO
Esta história "Aqui fica o lenço" resume em pequenas estórias, o que foi a vida de Isabel cuja vivência o leitor ficará a conhecer melhor com a leitura do livro "Aqui vai o lenço", a que se fez no inicio deste uma curta abordagem.
Isabel em menina nunca se sentiu liberta de medos e fobias que por um ou outro motivo atormentavam a sua cabeça.
Mas não foi por isso que a sua mente não deixou de ser povoada de sonhos e mais sonhos, desejos que queria muito viver e sentir quando fosse uma mulher adulta.
Esforçou-se desde menina e à medida que foi crescendo em ajudar os outros, tentando esconder as suas mágoas, ferida por não se sentir compreendida.
Por isso crescer assim não foi fácil, nem saudável, nem isento de complicações diversas, mas na altura em que a história "Aqui vai o lenço" ficou, não se sabe se ela terá atingido a plenitude das suas maiores ambições, que quem sabe, nunca terão passado de quimeras e puras fantasias.
Esta história "Aqui fica o lenço" resume em pequenas estórias, o que foi a vida de Isabel cuja vivência o leitor ficará a conhecer melhor com a leitura do livro "Aqui vai o lenço", a que se fez no inicio deste uma curta abordagem.
Isabel em menina nunca se sentiu liberta de medos e fobias que por um ou outro motivo atormentavam a sua cabeça.
Mas não foi por isso que a sua mente não deixou de ser povoada de sonhos e mais sonhos, desejos que queria muito viver e sentir quando fosse uma mulher adulta.
Esforçou-se desde menina e à medida que foi crescendo em ajudar os outros, tentando esconder as suas mágoas, ferida por não se sentir compreendida.
Por isso crescer assim não foi fácil, nem saudável, nem isento de complicações diversas, mas na altura em que a história "Aqui vai o lenço" ficou, não se sabe se ela terá atingido a plenitude das suas maiores ambições, que quem sabe, nunca terão passado de quimeras e puras fantasias.
Isabel só queria ser feliz!
Ter uma casa sua, com enormes e rasgadas janelas onde entrasse o Sol e que quando se abeirasse dela, as pessoas ao passar lhe sorrissem, quem sabe dizendo-lhe um "bom dia", era um um sonho quase irreal.
Isabel queria amar e ser amada, mas muito mais que isto ela queria sentir que era preferida e estimada em toda a plenitude, e viver esse amor em paz e harmonia.
Criar uma família alegre e fazê-la feliz, ter o seu trabalho, amigos, sair e conviver com eles, divertir-se, mas acima de tudo Isabel queria ser mãe, sentir o prazer de fazer, gerar, criar os seus filhos com muito amor, como sendo o bem mais precioso que alguma vez alguém pode possuir na vida. Eram tantos os sonhos de Isabel, mas afinal não eram mais que os sonhos e fantasias da maioria das raparigas.
Será que Isabel conseguiu transformar-se nessa mulher que idealizou ser quando era criança?Ter uma casa sua, com enormes e rasgadas janelas onde entrasse o Sol e que quando se abeirasse dela, as pessoas ao passar lhe sorrissem, quem sabe dizendo-lhe um "bom dia", era um um sonho quase irreal.
Isabel queria amar e ser amada, mas muito mais que isto ela queria sentir que era preferida e estimada em toda a plenitude, e viver esse amor em paz e harmonia.
Criar uma família alegre e fazê-la feliz, ter o seu trabalho, amigos, sair e conviver com eles, divertir-se, mas acima de tudo Isabel queria ser mãe, sentir o prazer de fazer, gerar, criar os seus filhos com muito amor, como sendo o bem mais precioso que alguma vez alguém pode possuir na vida. Eram tantos os sonhos de Isabel, mas afinal não eram mais que os sonhos e fantasias da maioria das raparigas.
Os traumas e fobias que Isabel arrastava consigo desde menina eram tantos que só o deslizar dos dias, dos anos, poderão dizer-nos a todos se acabaram ou não por a transformar e o que lhe terá de facto acontecido.
Será que um dia Isabel agarrou esse bendito lenço que nunca lhe calhava em menina fugindo-lhe constantemente e terá sido feliz, consumando-se como uma mulher completa?
"Aqui fica o lenço", desvenda muitas peripécias e ocorrências da vida de Isabel após o seu casamento até idade um pouco avançada, cabendo ao leitor fazer a análise do que terá sido de facto a vida desta mulher, que lutou pela paz no seu mundo, procurando assim a serenidade para o Mundo de todos. Para isso lutou pela paz no seu lar, na sua aldeia e em redor de todos os que a foram conhecendo e fizeram parte da sua vida.

Será que na sua vida, Isabel atingiu este objectivo?
Fotos do Google
terça-feira, 19 de junho de 2012
Grito de DOR!
Estou cansada!
Continuo cansada, mesmo sem fazer nada.
Será que uma ida ao super mercado cansa? A mim sim, porque agora tudo me cansa.
Invade o meu corpo um abatimento que me desfaz, me deixa sem vontade de nada fazer, pensar ou dizer.
Um silêncio mudo acompanha a minha fadiga intensa, um silêncio que também me cansa porque me faz pensar.
Não tenho força nas pernas, a cabeça não quer meditar.
Não me apetece ler, nem escrever, nem falar (e há quem diga que falo muito),
Mentira porque não me apetece nada, muito menos falar.
Custa-me respirar.
Custa-me ver gente falar.
Ouvi-las tagarelar, gralhar, conversar, (como se diz)
pois só ouço um ruído disforme e não as entendo,
e canso-me só de ter de as olhar.
Custa-me não fazer nada, mas não faço nada.
Por isso sofro, porque rejeito este meu estado.
Preocupa-me esta inanidade, esta futilidade, este vazio EM QUE VIVO e em que nada me leva a agir.
Mas não tenho vontade de procurar ocupar-me com nada.
Deito-me na cama e só me apetece chorar.
Afinal sei fazer algo, choro!
Mas que tenho eu, se só sei chorar?
Que coisa estranha foi esta que entrou em mim,
me penetrou pelos poros,
invadiu o meu corpo,
a mente e a alma,
me dominou e destrói lentamente
e eu a ver e a sentir,
deixo isso acontecer e
nada faço além de me lamentar?
E choro, por dentro e nos meus olhos tristes.
Esta coisa estranha que sinto quer destruir-me o corpo, a mente,
tirar-me os sentidos, a força e a vontade de tudo, até de viver.
Sei que continuo só e sei que tudo é mais fácil quando estás comigo.
Mas isso é impossível.
Sim eu sei que é impossível!
Sei que atravessamos uma fase má, mas eu devia reagir, ter força. Ir á luta…
Mas não vou!
Paro esgotada, e sem nada ter feito, sinto que tudo me dói.
Dói-me tudo, mesmo quando não sinto dor em lado algum.
Doem-me as pernas, os braços, dói-me a cabeça,
e o meu corpo não tem força para nada.
Sinto um convite irresistível à inanição, à paralisia total…
e de repente fico sem pensar.
Que me aconteceu?
Que me está a acontecer,
se mesmo tendo sido sempre um pouco assim, sempre reagi?
Debaixo da carapaça onde antes me escondia ganhava força e caminhava,
sorria, trabalhava,
inventava mesmo que fosse de fachada,
algo que me impelia a andar para a frente,
parece que hoje não existe nada.
Agora não consigo superar
e deixo-me ficar inerte neste deleite amargo.
E não sinto nada!
Escutando permanentemente dentro de mim, o que parece ser um grito que me diz que são os anos e o tempo a passar, não reajo e não faço nada.
Que me importa o tempo a passar, se eu também passo…
Mas tem que importar, devia importar,
porque passo cansada, cega e surda por tudo que hoje me rodeia sem reagir
e preciso viver,
voltar a sorrir e a sentir-me cheia de "graça", mesmo que falsa.
Se eu tivesse força, vontade de agir…mas nada!
Fico parada, estática, séria, triste e sisuda
Angustiada,
sentindo-me mais que nunca mal amada e mal estimada.
As lágrimas são minhas companheiras,
as amigas que mais me visitam e acompanham,
São o colírio que espero me cuide e trate.
Há-de lavar as mágoas que me atravessam
me saltam pelos olhos a cada instante
e me despedaçam.
E quem sabe um dia tudo pode ainda mudar?
Talvez um dia ao acordar o Sol brilhe dentro de mim, quem sabe?
Quem sabe?
Ai como eu gostava de saber
Ia prepara-me já para o receber.
Espero cada dia, cada hora, cada segundo que o Sol me inunde.
Fico a aguarda-lo, estou a aguardar.
E também por TI que toda a vida custaste a chegar, eu aguardo.
VEM DEPRESSA COM O SOL,
VEM COM O SOL, VEM!
TRAZ-ME A LUZ E A VIDA,
A FORÇA PARA EU VOLTAR A QUERER PENSAR,
FAZER, INVENTAR, AMAR E DESEJAR …
...porque os dias estão a fugir-me e eu estou MUITO cansada de esperar...sem nada para fazer, nada ...
Fotos do Google
Continuo cansada, mesmo sem fazer nada.
Será que uma ida ao super mercado cansa? A mim sim, porque agora tudo me cansa.
Invade o meu corpo um abatimento que me desfaz, me deixa sem vontade de nada fazer, pensar ou dizer.
Um silêncio mudo acompanha a minha fadiga intensa, um silêncio que também me cansa porque me faz pensar.
Não tenho força nas pernas, a cabeça não quer meditar.
Não me apetece ler, nem escrever, nem falar (e há quem diga que falo muito),
Mentira porque não me apetece nada, muito menos falar.
Custa-me respirar.
Custa-me ver gente falar.
Ouvi-las tagarelar, gralhar, conversar, (como se diz)
pois só ouço um ruído disforme e não as entendo,
e canso-me só de ter de as olhar.
Custa-me não fazer nada, mas não faço nada.
Por isso sofro, porque rejeito este meu estado.
Preocupa-me esta inanidade, esta futilidade, este vazio EM QUE VIVO e em que nada me leva a agir.
Mas não tenho vontade de procurar ocupar-me com nada.
Deito-me na cama e só me apetece chorar.
Afinal sei fazer algo, choro!
Mas que tenho eu, se só sei chorar?
Que coisa estranha foi esta que entrou em mim,
me penetrou pelos poros,
invadiu o meu corpo,
a mente e a alma,
me dominou e destrói lentamente
e eu a ver e a sentir,
deixo isso acontecer e
nada faço além de me lamentar?
E choro, por dentro e nos meus olhos tristes.
Esta coisa estranha que sinto quer destruir-me o corpo, a mente,
tirar-me os sentidos, a força e a vontade de tudo, até de viver.
Sei que continuo só e sei que tudo é mais fácil quando estás comigo.
Mas isso é impossível.
Sim eu sei que é impossível!
Sei que atravessamos uma fase má, mas eu devia reagir, ter força. Ir á luta…
Mas não vou!
Paro esgotada, e sem nada ter feito, sinto que tudo me dói.
Dói-me tudo, mesmo quando não sinto dor em lado algum.
Doem-me as pernas, os braços, dói-me a cabeça,
e o meu corpo não tem força para nada.
Sinto um convite irresistível à inanição, à paralisia total…
e de repente fico sem pensar.
Que me aconteceu?
Que me está a acontecer,
se mesmo tendo sido sempre um pouco assim, sempre reagi?
Debaixo da carapaça onde antes me escondia ganhava força e caminhava,
sorria, trabalhava,
inventava mesmo que fosse de fachada,
algo que me impelia a andar para a frente,
parece que hoje não existe nada.
Agora não consigo superar
e deixo-me ficar inerte neste deleite amargo.
E não sinto nada!
Escutando permanentemente dentro de mim, o que parece ser um grito que me diz que são os anos e o tempo a passar, não reajo e não faço nada.
Que me importa o tempo a passar, se eu também passo…
Mas tem que importar, devia importar,
porque passo cansada, cega e surda por tudo que hoje me rodeia sem reagir
e preciso viver,
voltar a sorrir e a sentir-me cheia de "graça", mesmo que falsa.
Se eu tivesse força, vontade de agir…mas nada!
Fico parada, estática, séria, triste e sisuda
Angustiada,
sentindo-me mais que nunca mal amada e mal estimada.
As lágrimas são minhas companheiras,
as amigas que mais me visitam e acompanham,
São o colírio que espero me cuide e trate.
Há-de lavar as mágoas que me atravessam
me saltam pelos olhos a cada instante
e me despedaçam.
E quem sabe um dia tudo pode ainda mudar?
Talvez um dia ao acordar o Sol brilhe dentro de mim, quem sabe?
Quem sabe?
Ai como eu gostava de saber
Ia prepara-me já para o receber.
Espero cada dia, cada hora, cada segundo que o Sol me inunde.
Fico a aguarda-lo, estou a aguardar.
E também por TI que toda a vida custaste a chegar, eu aguardo.
VEM DEPRESSA COM O SOL,
VEM COM O SOL, VEM!
TRAZ-ME A LUZ E A VIDA,
A FORÇA PARA EU VOLTAR A QUERER PENSAR,
FAZER, INVENTAR, AMAR E DESEJAR …
...porque os dias estão a fugir-me e eu estou MUITO cansada de esperar...sem nada para fazer, nada ...
Fotos do Google
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Cansada...
Há muito tempo, mesmo muito tempo que estou todos os dias cansada.
E saber isto cansa-me ainda mais.
Vazia, oca, triste, deixo que o que sinto me gaste,
me esvazie e transforme por dentro.
E continuo sempre cansada,
E pensando ´cada dia em fazer algo,
mesmo sem vontade de fazer nada, fico parada e não faço nada.
No entanto queria fazer muita coisa.
Sonhos, coisas lindas que me fariam feliz, E AOS OUTROS.
Trabalhar, correr, saltar, DANÇAR, fazer amor, passear à beira-mar...viver!
Conversar com amigos (se os tivesse),
fazer coisas úteis para mim e para o MUNDO.
Mas já não sei fazer nada, se por acaso alguma vez soube fazer alguma coisa....
Hoje não me apetece fazer nada,
não consigo fazer nada,
simplesmente porque estou cansada.
Doem-me as pernas, a cabeça e os braços, o peito, as costas…
Dói-me dar um abraço..!!!
Dói-me tudo…até à alma…!
Decerto porque sabe que estou cansada.
Mas não sei porque estou assim, se à minha volta o mundo gira,
Se tudo e todos se mexem num frenesim constante e ninguém tem tempo para nada.
Sinto que já não sei fazer mais nada.
Parece que passou o meu tempo.
Já nada me espera.
Já não tenho mais para fazer aqui.
Mandam-me calar, dizem que falo muito,
demais e mal…
E eu que pensava, que neste momento não falo nada, quase nada...
Que vivo em silêncio, porque aprendi finalmente a estar só.
A viver só.
Sofrendo a dor do vazio e a ausência de tudo o que gostava,
e só falo quando eles se juntam …
Calo-me e ouço dizer a alguém
“ ela não sabe nada, não sabe o que diz”
E não sei! Não sei nada, não faço nada, nem sei o que digo e falo...
Tudo porque estou cansada.
E deixo que no meu coração,
essas palavras ditas por bocas parvas que não sabem o que dizem,
me magoem e enterrem mais,
me espezinhem e me calem.
E no FIM fico além de cansada, triste e magoada.
Se eles soubessem o que sinto!
Se eles soubessem como o meu cansaço me mata,
me invade toda, me percorre o corpo e me domina.
Mas ninguém sabe, ou se importa com o que sinto.
Ninguém sabe o que me vai na alma.
Ninguém entende o meu sentir.
O vazio que me percorre, MATA-ME.
A necessidade que sinto de fazer muito
e nada ter para fazer nem vontade de fazer, DESTROI-ME.
O amor que queria sentir e não sinto,
faz de mim um ser inútil inerte e frio.
E só sinto vontade de fugir, fechar os olhos, desaparecer...
Sonhar que estou num outro mundo,
onde me amam, ne entendem, onde sinto o amor,
onde ainda sou uma mulher viva.
Onde tenho que fazer e não me sinto cansada.
Um mundo onde vou a tempo de viver, e vivo feliz e grito a todos que existo...
Sim VIVER…
Viver, trabalhar, amar e ser feliz.
Porque aqui, sei que já estou .....a MORRER cansada!
E saber isto cansa-me ainda mais.
Vazia, oca, triste, deixo que o que sinto me gaste,
me esvazie e transforme por dentro.
E continuo sempre cansada,
E pensando ´cada dia em fazer algo,
mesmo sem vontade de fazer nada, fico parada e não faço nada.
No entanto queria fazer muita coisa.
Sonhos, coisas lindas que me fariam feliz, E AOS OUTROS.
Trabalhar, correr, saltar, DANÇAR, fazer amor, passear à beira-mar...viver!
Conversar com amigos (se os tivesse),
fazer coisas úteis para mim e para o MUNDO.
Mas já não sei fazer nada, se por acaso alguma vez soube fazer alguma coisa....
Hoje não me apetece fazer nada,
não consigo fazer nada,
simplesmente porque estou cansada.
Doem-me as pernas, a cabeça e os braços, o peito, as costas…
Dói-me dar um abraço..!!!
Dói-me tudo…até à alma…!
Decerto porque sabe que estou cansada.
Mas não sei porque estou assim, se à minha volta o mundo gira,
Se tudo e todos se mexem num frenesim constante e ninguém tem tempo para nada.
Sinto que já não sei fazer mais nada.
Parece que passou o meu tempo.
Já nada me espera.
Já não tenho mais para fazer aqui.
Mandam-me calar, dizem que falo muito,
demais e mal…
E eu que pensava, que neste momento não falo nada, quase nada...
Que vivo em silêncio, porque aprendi finalmente a estar só.
A viver só.
Sofrendo a dor do vazio e a ausência de tudo o que gostava,
e só falo quando eles se juntam …
Calo-me e ouço dizer a alguém
“ ela não sabe nada, não sabe o que diz”
E não sei! Não sei nada, não faço nada, nem sei o que digo e falo...
Tudo porque estou cansada.
E deixo que no meu coração,
essas palavras ditas por bocas parvas que não sabem o que dizem,
me magoem e enterrem mais,
me espezinhem e me calem.
E no FIM fico além de cansada, triste e magoada.
Se eles soubessem o que sinto!
Se eles soubessem como o meu cansaço me mata,
me invade toda, me percorre o corpo e me domina.
Mas ninguém sabe, ou se importa com o que sinto.
Ninguém sabe o que me vai na alma.
Ninguém entende o meu sentir.
O vazio que me percorre, MATA-ME.
A necessidade que sinto de fazer muito
e nada ter para fazer nem vontade de fazer, DESTROI-ME.
O amor que queria sentir e não sinto,
faz de mim um ser inútil inerte e frio.
E só sinto vontade de fugir, fechar os olhos, desaparecer...
Sonhar que estou num outro mundo,
onde me amam, ne entendem, onde sinto o amor,
onde ainda sou uma mulher viva.
Onde tenho que fazer e não me sinto cansada.
Um mundo onde vou a tempo de viver, e vivo feliz e grito a todos que existo...
Sim VIVER…
Viver, trabalhar, amar e ser feliz.
Porque aqui, sei que já estou .....a MORRER cansada!
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