segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mãe, a minha ....



Penso tantas vezes em ti mãe,
mas tu estás longe,
não me ouves e deixas-te ficar no teu descanso .
Esperas que te visite amiúde,
mas tu mãe, sabes que isso me dói,
e também tu nunca mais me procuraste no meu canto.

Custa-me tanto viver este martírio,
estar assim fugida de ti, afastada e marginalizada sem razão,
escondida por algo que não fiz, não entendo,
só porque alguém cometeu um erro louco
me apontou o dedo, me chamou ingrata,
me escondeu de si a sua mão e o coração,
me roubou o colo e o aconchego da casa onde moras
que também já foi minha quando fui moça.

Custa-me saber-te aí todos os dias
e eu triste e só aqui sem te visitar,
sem te ouvir, sem te falar,
sem ver os teus olhos verdes, que mal vêm já os meus,
mas que eu gosto de olhar.
Sem te poder dizer tudo o que sinto,
e ouvir dizer de ti mesmo sendo mentira:: "filha estás bonita".

Preciso que me digas coisas que aliviem o meu pesar,
que me ouças, me deixes falar, que entendas o que vivo,
que sejas minha  mãe de alma e corpo inteiro,
enquanto ainda é tempo de estares comigo e eu contigo
partilhando tudo o que podemos e temos para nos dar.
Vamos, vem também tu ter comigo,
perde o medo e vem estar a meu lado pelo menos um dia,
uma tarde, um momento único para ambas, e vamos conversar.

Mas tu não sabes nem entendes o que sinto,
pois se nunca percebeste bem o teu lugar,
como podes agora, que fui posta de lado, reagir,
se nunca deixaste de falar, falar muito,
mas permanecer em silêncio logo que alguém de voz grave te manda silenciar?


Mas  mãe levanta essa cabeça, vem-me visitar pelo menos só mais uma vez,
antes que alguém te leve e não possas,  mesmo que queiras,
sentir e olhar mais o meu rosto, chamar-me filha linda,
e bem juntinho e unida a mim para sempre ficar como sei que gostarias.


Sabes mãe,
amanhã ou quem sabe ainda hoje irei eu bater-te à porta e entrar,
dar-te um beijo, dizer-te que estou bem, muito bem,
e depois voltar mais animada para o meu canto,
aquele canto onde me refugio,
onde ainda espero que um dia me procures,
onde há muito tempo não te vejo a ti entrar!

Fotos do Google

domingo, 29 de julho de 2012

Estou à tua espera...

Podes vir quando quiseres que estou à tua espera,
mas quando chegares não batas à porta,
entra devagar e não me assustes.
Entra no meu espaço de mansinho
para que eu, que vivo assustada, nem te pressinta.
Ao contrário do Sol que abre os olhos de madrugada lentamente
e à noite os fecha sempre devagarinho,
usa na tua visita essa mesma singeleza,
mas fá-lo num segundo apenas.

Acomoda-te no meu colo,
no meu corpo, na minha mente,
entra em mim toda e sem eu me aperceber
domina-me completamente.
Mas não te esqueças, fá-lo de forma suave,
tão suave e ténue que eu não o pressinta,
tenho medo de querer fugir-te por algum instante,
e zangada por me visitares te vás embora de repente
deixando-me perturbada e combalida para sempre.

Sei que decerto ainda é cedo para chegares,
e porque és para todos quase sempre
visita inesperada e mal aceite
também te temo, porque também sou gente.
Mas se quiseres, podes vir como fazes muitas vezes em segredo.
Sem me assustares, toma-me do meu sono quedo e mudo
e com o teu braço forte e firme,
leva-me a voar contigo para longe
que eu prometo que te sigo e não tenho medo.

Podes vir quando quiseres que estou à tua espera
e se prometeres que me levas como se fosse um sonho
e nunca mais me voltas a colocar neste meu mundo,
podes levar-me agora que estou pronta
que de penas e de mágoas já me bastam as que tenho agora.

Vem amor, abraça-me...


Vem ter comigo
deixa-me abraçar-te de mansinho,
abraça-me tu também com mil carinhos,
deixa que me abrigue no teu regaço meigo e doce,
sem que o notem  sequer os passarinhos.

Vem buscar-me de madrugada,
ao deitar, ao acordar, tanto me importa.
Mas vem, vem ter comigo de repente,
vem, não tenhas medo de me levar como pretendo,
que prometo percorrer contigo os que são teus
e serão também os meus caminhos.

Preciso partir contigo,
conquistar novos mundos e horizontes,
conhecer outros prazeres,
todos aqueles que nunca me mostraste e desconheço.
Preciso fugir deste meu canto
onde me canso, me arrasto, rastejo de dor,
onde tenho fome de amor
e onde morro mais um pouco todos os dias.

Irei contigo para onde me levares a qualquer hora,
tu sabes que a teu lado estarei firme, segura e forte
e que a teu lado não terei mais medo. 
Abraça-me amor, abraça-me devagarinho
vem, não tenhas medo, cobre-me de beijos lânguidos, sentidos,
e leva-me a viajar pelo mundo fora sem destino.

Abraça-me no teu abraço quente de doçura
que o tempo não vai deixar perdurar para toda a vida.

Ouviste?
Vem buscar-me já que se  põe tarde,
vem buscar-me, não demores e leva-me contigo,
que só de pensar que o farás em breve
eu acalmo,
adormeço e me deleito em ti tranquila,
sentindo nos meus olhos o sorriso
que desejei sentir um dia,
quando ainda me desconhecias
e eu era ainda uma criança pequenina.

Anda, vem buscar-me e dá-me esse carinho lindo que tens contigo,
que eu não tenho e nunca tive,
mas que procuro perdidamente ainda!

Fotos do Google

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Amores Perdidos




Tanto tempo partilhado, tanta cor,

tanto brilho nos sorrisos,


tanto tempo de mãos dadas,


unidas partilhando caminhadas.


Mas só isso é muito pouco,


foi sempre muito pouco,


tão pouco,


que agora que penso


me parece nada.




Se debaixo de mim brotam desejos ardentes,


ensejes de viver paixões e outros amores mais fortes,


mais quentes e celestiais


porquê esconder-me nesta capa que me abafa,


me sufoca, me mata aos poucos


me obriga a fechar os olhos,


a negar a vida, a dizer sempre não,


a viver triste, azeda e descontente?


Quero este, aquele outro,


em qualquer momento, a qualquer hora,


quero todos que me amam, nada mais,


quero sentir paixão e amor ardentes


por ti, por aquele ali ou por aquele outro além, tanto me faz,


mas quero sentir a vida pulsar dentro de mim,


arrancar este vazio que me inunda brandamente,


me destrói e não dá paz.


Sim, não quero mais viver a solidão.


Não sei o que é o amor, penso que não,


e muito menos sei o que é paixão,


mas sinto que preciso viver esses prazeres,


essas sensações de bem querer e querer bem


ser amada, amada, eternamente amada e amar alguém.


Sair do mundo, fugir da vida, sorrir,


ser feliz


e não ter medo de nada.





Estou tão parada, amarelecida pelo tempo,


Sem firmeza, engelhada, encurvada pela espera,


pelo desalento tão cansada


que já esqueci tudo,


perdi todas as vontades


e não quero mais nada.


Se hoje é Verão isso que importa?


Acordei de manhã cedo e tudo estava negro e baço.


Eu tinha frio e desalento e medo, medo, muito medo.



Para mim há muito que se foi a Primavera.


Agora espero que este Verão gélido passe e


que o Inverno doce me acolhe em seu regaço.






Fotos do Google



Entardecer ...!



Foi-se o sol e a chuva não pára de cair.

Metida no meu canto, sinto frio e a dor intensa de não ter como sonhei e não saber o que fazer há muito tempo.

Penso até, que já não sei amar, que já não sei fazer mais nada.

Queria dormir eternamente e não ter que sentir o afastamento dos que amo, de tudo o que tive e já não tenho, do que julgava meu e me fugiu.

Pergunto a mim mesma se um dia alguém me amou, se alguém me desejou perdidamente?

Será que alguém me quer ainda desse ou de outro jeito?

Não sinto esse amor, não sinto que alguém me queira ainda. Sei mesmo que nunca ninguém me quis dessa maneira, da forma como sonhei um dia ser querida.

O vazio que me habita corrói-me até à mente, e eu morro aos poucos, devagar, mas não me importo.

Este meu ser, este meu pensar constante põe-me louca, despejada de tudo que mais quero, mais que vazia despe-me de todas as vontades e desejos. E devagarinho eu deixo que esse pensar louco me habite.

Não tenho mais nada, não quero mais nada. Deixem-me agora, já que se foram. Só quero ficar aqui quieta, surda, muda de cansaço e não me digam nada. Quero pensar, deixem-me pensar que estou perdida.

Habita-me o silêncio das longas noites escuras mal dormidas, mas esse quero-o comigo, porque me entende e me conforta.

Deixem-me agora ficar assim, parada e queda, emudecida, que assim parece que sou gente inteligente. Deixem-me e não me digam nada.

Que falta me faz a ausência do amor ardente que não tive que nunca senti febril e nem vou sentir. O amor, se é amor o que ainda sinto, é pouco, é muito pouco.

Que falta me faz sentir vibrar de emoção por sentir o teu corpo junto ao meu, repleto de paixão.

O teu corpo afoga-se no meu, mas eu já não o vejo, não o sinto, pois por me doer, me ferir de dor continuamente, prefiro fugir dele. Há muito que perdi o desejo que tinha de te querer daquele jeito.

Desisti de te querer como outrora, de te sentir como ansiava, para me poupar à dor e não sofrer.

Perdeu-se em vielas estreitas, ruas escuras da vida o meu prazer e nunca mais o encontrei em parte alguma.

Estou sedenta, mas não tenho água que mate a minha sede. A fonte de água pura há muito que secou e já não recordo ter bebido dela.

Para quê beber agora água inquinada se esta me faz mal, se me dá mais sede ainda? Prefiro morrer desta ansiedade.

Sim, prefiro morrer de sede que inundar o meu espirito no pesar que me causa a água que me dás, que me destrói de mansinho, me seca mais o corpo sedento e a alma mal-amada.

Faz-me falta demais o teu amor quentinho, o teu carinho, o fervor do teu corpo em silêncio colado ao meu devagarinho, mas que hei-de fazer se me fugiu?

Sinto falta dos meus sonhos de menina, os sonhos que abalaram, os que não vivi contigo porque ambos nos perdemos, eu e tu noutros embaraços desmedidos.

Não sei viver assim. Dói-me muito tudo e todos terem partido. Parecia-me tão cedo ainda.

Permaneço no meu canto, cansada deste pensar penado.

Sem ver, sem sentir, sem cobiçar já o amor que idealizei um dia, tardo neste meu estado apático pois pressinto que assim tudo será mais fácil neste meu entardecer.

Inês MAOMÉ

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Apelo!

   
     Triste e acabrunhado só chama por ela, pensa e fala o nome dela.
    
    "Porque te foste sem me dizer nada", é o que diz constantemente..
    "Sabes que não gosto de estar sozinho, tenho medo do escuro, da noite, do frio,
    tenho medo de estar aqui sem ti e tu juraste que quando partisses me levavas contigo"

    "Queria tanto ir antes de ti, 
   ou então juntinhos, unidos, partirmos  os dois de mãos dadas,
    voarmos sem medo até esse lugar onde te enfiaste, pois contigo não tenho medo de nada" 

   "Dei-te tanto beijo ontem à noite, agarrei-me ao teu retrato e beijei-o até ao infinito.
 Mas tu serena, escondida, não ouviste, não sentiste, não vieste ter comigo. Diz-me porque é que ficaste calada?"

    " Ouviste??? Chamei-te vezes sem fim porque sem ti tenho medo de tudo. 
Clamei, chorei, implorei por ti toda a noite, e só ouvi o vazio do escuro, o eco da minha voz. 
À minha volta só sentia o silêncio da tua ausência e tu sabes que tenho medo, porque não me respondeste?"

   "Porque te fostes embora e me deixaste aqui abandonado? 
   Tu sabes que sem ti não serei capaz de fazer nada..., então porque partiste de repente sem me dizer nada, porquê?
   Anda, vem-me buscar depressa, anda vem, que sem ti não quero este mundo para nada.

Cor de rosa !





Ao contrário da outra, 

que passa de saia curta, justa, apertada

a vincar-lhe as formas sadias, bem feitas, 

de pernas roliças e bem torneadas,

blusa cor de rosa, das rosas já desabrochadas,

mas rosada e bela,

e não amarela ou encarnada,

ela passa vistosa, cheia de graça, sempre bem penteada.


Passa ondulando, meneando o corpo,

de salto bem alto e riso marcado.

E sempre airosa, feliz, orgulhosa, com ar importante

caminha em frente e nem olha para o lado,

enquanto a outra jaz inanimada. 


A outra coitada, infeliz pela vida partiu já há muito.

Doente, cansada, já morta por dentro


 ultimamente sempre amedrontada,

partiu sem força, com sede de vida

mas sem dizer nada.


Não escolheu a saia, 

nem a cor da blusa, não escolheu nada.

Não teve tempo nem de viver mais tempo,


e depois que importa, 

se a saia justa, colada, apertada, 

que ousara outrora, há muito lhe caía mal.

Preferiu partir e deixá-la arrumada.


Jaz inerte, moribunda. 

Agora já não é mais gente,

agora não é mais nada!

Nem saia, nem blusa, nem cor, dela não resta nada além de um frio intenso,

e as rosas pálidas, sedosas, brilhantes de orvalho

que leva com ela, em vez da saia justa e da blusa cintada.


Fotos do Google

domingo, 22 de julho de 2012

A decisão

  
  A decisão


Todos os dias Marta caminhava ligeira até ao seu trabalho numa loja na zona central do Funchal, depois de descer em frente ao porto da ilha da onde vivia desde que nascera, sempre na mesma paragem do autocarro que percorria parte da zona ocidental da ilha vinda de sua casa.
 Com uma passada desenvolta, o cabelo um pouco revolto ao vento, palmilhava há cerca de seis anos aquele mesmo percurso com o ar determinado e firme de quem faz exactamente o que gosta e deve fazer.

sábado, 21 de julho de 2012

Estava ali....

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Estava ali,



pois como de costume fui incapaz de faltar à chamada.



Mas como sempre, cansei-me, fartei-me de esperar parada.



Eles olham para mim com um olhar vago,



e eu sorrio como se não fosse nada.



Desconfiam de mim, talvez por me verem com cara enrugada.



Odeiam-me, tenho quase a certeza que me odeiam



só porque eu, descarada ali vou



e os olho nos olhos sem vergonha e os afronto, descarada.



Mas eles não querem dançar comigo,



e parados só olham, não ligam, não fazem nada.



Mas se assim é porque contínuo a ir ali, se isso me faz penar para nada?



De perna jeitosa ao léu, elas são mais belas que eu.



São belas , jovens, perfeitas.



Pois são! Eu sei que o são!



Já fui assim como elas, perfeita bela e desejada.



Têm o perfume das rosas frescas, o cheiro do jasmim acabado de apanhar



e a sua pela transpira a plena primavera.



E depois, será porque são jovens ainda, mais ou menos belas,



bem feitas, e umas mais outras menos torneadas,



são mais importantes que eu?



Sei que estou velha e cansada,



amargurada pelo tempo, farta de esperar sentada,



lá, como aqui, ou acolá, em todo o lado onde passo,



mas ainda tenho curvas no peito, nas ancas e nas coxas,



só que o meu coração chora cansado.



Mas se me quisessem, se me pedissem pelo gesto



pela mão, ou apenas por um olhar roubado,



rodopiaria na sala como elas, eu sei que o faria.



Elas que são hoje esbeltas



usam os cabelos soltos, blusas quase rasgadas,



saias minguas, vestidos curtos, quase inexistentes,



pernas torneadas ao léu,



quase despidas, rasgadas de tudo,



mas muito bem calçadas, dançam sempre.



E na alma com o sentimento forte e preciso,



certo de que são bem-amadas, dançam eternamente.



Será que continuarei à espera,



se mesmo tu me dizes que eles têm razão?



Sim, se me dizes que as preferes também,



se é com elas que os teus e braços e a tua mente se liberta,



se sente jovem também, se é a dançar com elas que te sentes de novo adolescente.



Que fazer? desistir da dança, não sei ainda!
Mas aqui neste meu canto, sinto-me muito mais calma e tranquila que naquele salão de gente,
onde todos todos dançam
e eu me CANSO, me canso, canso... e ganho desalento...lento...lento..







sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ela ...de flores pálidas e olhos triste....


Vi-a passar, está muito mais magra, 
velha e cansada

e quem sabe por dentro morta…de saudade.

Vestida de roupas muito largas

Pretas, da cor da dor, do vazio … com o cabelo branco e luzidio.

Caminhando, dava cada passo com desembaraço.


Nos olhos um olhar triste e baço.


Na boca já não lhe vi como outrora, o sorriso rasgado,

Mas unicamente o queixo descaído,

Os lábios serrados, decerto como sinal de revolta.


Porque a deixaste?

Porque partiste, se sabias que lhe ias fazer falta?



Levava nos braço um enorme ramo de flores,

Brancas, verdes, cinzentas…

Sem cor, mas bonitas apesar de pálidas

mas carregava-as na esperança( isso eu sei)

que irias gostar de as ver ( a ela e às flores),

de as receber com muito amor e um abraço,

que ao chegar junto de ti, ela sentiria

por ser forte demais a emoção de voltar a ver-te  ali …


Desconfiei que te ia visitar

Como o faz continuamente todos os dias da semana à mesma hora.



Desde que partiste, a deixaste só, amargurada e sem saber o que pensar,

sei que ainda tem esperança que um dia voltarão a se abraçar, a estar juntos,

para se amarem infinitamente…
como nunca o fizeram antes, nem mesmo a sonhar.





Agora, sempre que chega junto de ti,
tem sempre muito para te dizer e para te contar.


Se te lembrares, sabes que muitas coisas ficaram por dizer…


Ela ainda te adora como ontem…

tal como tu a ela.





Fotos do Google

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os meus sonhos!


  Vi-te de manhã já arranjado, depois caí num sono profundo e acordei angustiada.

 Tinhas já saído e eu meia confusa pelo sonho acordada, esperava ainda ansiosa o teu beijo fugidio, mas amoroso e prazenteiro, no meu rosto ensonado.

  Fiquei triste, angustiada, tinha sonhado que não fazia nada, não era amada, ninguém me queria, não valia mais do que sonhara.Simplesmente NADA.

  Tinha sonhado que alguém que me queria, estava sempre longe e quando me via, ou por mim passava, não me ligava, não me tocava, falava, falava, apenas era meu pelo nome, e mais nada.

  Senti-me só e abandonada, com o desejo e o sentimento certo de alguém para quem o amor existe, mas nunca foi amada, muito menos desejada.

  Precisava que me tocasses, que as tuas mãos passassem no MEU corpo e lhe falassem,
  lhe dissessem que estou viva, lhe contassem as histórias de encantar que por nunca haver tempo,  ninguém, nem tu, alguma vez foram capazes de lhe contar, precisava que com as tuas mãos lhe segredasses que existo, que sou gente VIVA, que sinto.


 Acordadada, pensei que tudo fora um sonho, mas sei que não, que tudo é pura realidade e quem sabe hoje ainda é tempo de sentir os prazeres que não tive, os desejos que sonhei sentir e ainda sinto acordada, ...simplesmente porque nunca aconteceram de verdade, mas porque ainda estamos vivos, e eu aqui à tua espera como agora,  acordada...


  Fiquei ali, e como sabes chorei amargurada.
  Faltavam-me as tuas mãos que nunca bem senti, mas amo e pressinto, a reconhecerem a vontade que tenho de te ter, de te ouvir dizer que me queres, a percorrerem suavemente e sem medo o meu corpo já flácido, mas que mirra cada dia sozinho e triste sem que as tuas mãos o percorram e reconheçam de verdade.


Um dia se puderes, entra no meu espaço, nos meus sonhos, e deixa que as tuas mãos me percorram e gastem os meus caminhos, me desfaçam...que um dia deste já pode ser tarde.

  Hoje sonhei de verdade, mas triste, fui  incapaz de conter o que meu sonho me disse;
  que te amo e desejo de verdade.

   Poema da minha vida.




 A tua mulher, Rosa Maria
 que escreveu aqui, para ti, ~
 com alma e coração.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Aqui Fica o Lenço


PRÓLOGO

  Esta história "Aqui fica o lenço" resume em pequenas estórias, o que foi a vida de Isabel cuja vivência o leitor ficará a conhecer melhor com a leitura do livro "Aqui vai o lenço", a que se fez no inicio deste uma curta abordagem.

 Isabel em menina nunca se sentiu liberta de medos e fobias que por um ou outro motivo atormentavam a sua cabeça.
 Mas não foi por isso que a sua mente não deixou de ser povoada de sonhos e mais sonhos, desejos que queria muito viver e sentir quando fosse uma mulher adulta.
 Esforçou-se desde menina e à medida que foi crescendo em ajudar os outros,  tentando esconder as suas mágoas, ferida por não se sentir compreendida.
 Por isso crescer assim não foi fácil,  nem saudável, nem isento de complicações diversas, mas na altura em que a história "Aqui vai o lenço" ficou, não se sabe se ela terá atingido a plenitude das suas maiores ambições, que quem sabe, nunca terão passado de quimeras e puras fantasias.

  Isabel só queria ser feliz!
 Ter uma casa sua, com enormes e rasgadas  janelas onde entrasse o Sol e que quando se abeirasse dela, as pessoas ao passar lhe sorrissem, quem sabe dizendo-lhe um "bom dia", era um um sonho quase irreal.
 Isabel queria amar e ser amada, mas muito mais que isto ela queria sentir que era preferida e estimada em toda a plenitude, e viver esse amor em paz e harmonia.
 
  Criar uma família alegre e fazê-la feliz, ter o seu trabalho, amigos, sair e conviver com eles, divertir-se, mas acima de tudo Isabel queria ser mãe, sentir o prazer de fazer, gerar, criar os seus filhos com muito amor, como sendo o bem mais precioso que alguma vez alguém pode possuir na vida. Eram tantos os sonhos de Isabel, mas afinal não eram mais que os sonhos e fantasias da maioria das raparigas.
  Será que Isabel conseguiu transformar-se nessa mulher que idealizou ser quando era criança?
  Os traumas e fobias que Isabel arrastava consigo desde menina eram tantos que só o deslizar dos dias, dos anos, poderão dizer-nos a todos se acabaram ou não por a transformar e  o que lhe terá de facto acontecido.
  Será que um dia Isabel agarrou esse bendito lenço que nunca lhe calhava em menina fugindo-lhe constantemente e terá sido feliz, consumando-se como uma mulher completa?


"Aqui fica o lenço", desvenda muitas peripécias e ocorrências da vida de Isabel após o seu casamento até idade um pouco avançada, cabendo ao leitor fazer a análise do que terá sido de facto a vida desta mulher, que lutou pela paz no seu mundo, procurando assim a serenidade para o Mundo de todos. Para isso lutou pela paz no seu lar, na sua aldeia e em redor de todos os que a foram conhecendo e fizeram parte da sua vida.
  "O mundo só será melhor a partir do dia em que cada um de nós se amar primeiro a si mesmo, se respeitar, estimar e depois amar e respeitar a sua família, o seu amigo, o seu vizinho, pois só assim esta rede de paz e amor se espalhará por toda a humanidade " este era o pensamento constante de Isabel.
  Será que na sua vida, Isabel atingiu este objectivo?

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Grito de DOR!

Estou cansada!

Continuo cansada, mesmo sem fazer nada.

Será que uma ida ao super mercado cansa? A mim sim, porque agora tudo me cansa.

Invade o meu corpo um abatimento que me desfaz, me deixa sem vontade de nada fazer, pensar ou dizer.

Um silêncio mudo acompanha a minha fadiga intensa, um silêncio que também me cansa porque me faz pensar.

Não tenho força nas pernas, a cabeça não quer meditar.

Não me apetece ler, nem escrever, nem falar (e há quem diga que falo muito),

Mentira porque não me apetece nada, muito menos falar.

Custa-me respirar.

Custa-me ver gente falar.

Ouvi-las tagarelar, gralhar, conversar, (como se diz)
pois só ouço um ruído disforme e não as entendo,

e canso-me só de ter de as olhar.

Custa-me não fazer nada, mas não faço nada.

Por isso sofro, porque rejeito este meu estado.

Preocupa-me esta inanidade, esta futilidade, este vazio EM QUE VIVO e em que nada me leva a agir.

Mas não tenho vontade de procurar ocupar-me com nada.

Deito-me na cama e só me apetece chorar.

Afinal sei fazer algo, choro!

Mas que tenho eu, se só sei chorar?

Que coisa estranha foi esta que entrou em mim,
me penetrou pelos poros,
invadiu o meu corpo,
a mente e a alma,
me dominou e destrói lentamente
e eu a ver e a sentir,
deixo isso acontecer e
nada faço além de me lamentar?

E choro, por dentro e nos meus olhos tristes.

Esta coisa estranha que sinto quer destruir-me o corpo, a mente,

tirar-me os sentidos, a força e a vontade de tudo, até de viver.

Sei que continuo só e sei que tudo é mais fácil quando estás comigo.

Mas isso é impossível.
Sim eu sei que é impossível!
Sei que atravessamos uma fase má, mas eu devia reagir, ter força. Ir á luta…
Mas não vou!

Paro esgotada, e sem nada ter feito, sinto que tudo me dói.

Dói-me tudo, mesmo quando não sinto dor em lado algum.

Doem-me as pernas, os braços, dói-me a cabeça,
e o meu corpo não tem força para nada.

Sinto um convite irresistível à inanição, à paralisia total…
e de repente fico sem pensar.

Que me aconteceu?

Que me está a acontecer,
se mesmo tendo sido sempre um pouco assim, sempre reagi?

Debaixo da carapaça onde antes me escondia ganhava força e caminhava,
sorria, trabalhava,
inventava mesmo que fosse de fachada,
algo que me impelia a andar para a frente,
parece que hoje não existe nada.

Agora não consigo superar
e deixo-me ficar inerte neste deleite amargo.
E não sinto nada!
Escutando permanentemente dentro de mim, o que parece ser um grito que me diz que são os anos e o tempo a passar, não reajo e não faço nada.

Que me importa o tempo a passar, se eu também passo…
Mas tem que importar, devia importar,
porque passo cansada, cega e surda por tudo que hoje me rodeia sem reagir
e preciso viver,
voltar a sorrir e a sentir-me cheia de "graça", mesmo que falsa.

Se eu tivesse força, vontade de agir…mas nada!

Fico parada, estática, séria, triste e sisuda

Angustiada,
sentindo-me mais que nunca mal amada e mal estimada.

As lágrimas são minhas companheiras,
as amigas que mais me visitam e acompanham,

São o colírio que espero me cuide e trate.

Há-de lavar as mágoas que me atravessam
me saltam pelos olhos a cada instante
e me despedaçam.

E quem sabe um dia tudo pode ainda mudar?
Talvez um dia ao acordar o Sol brilhe dentro de mim, quem sabe?

Quem sabe?
Ai como eu gostava de saber
Ia prepara-me já para o receber.

Espero cada dia, cada hora, cada segundo que o Sol me inunde.

Fico a aguarda-lo, estou a aguardar.

E também por TI que toda a vida custaste a chegar, eu aguardo.


VEM DEPRESSA COM O SOL,
VEM COM O SOL, VEM!
TRAZ-ME A LUZ E A VIDA,
A FORÇA PARA EU VOLTAR A QUERER PENSAR,
FAZER, INVENTAR, AMAR E DESEJAR …

...porque os dias estão a fugir-me e eu  estou MUITO cansada de esperar...sem nada para fazer, nada ...

Fotos do Google

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cansada...

Há muito tempo, mesmo muito tempo que estou todos os dias cansada.

E saber isto cansa-me ainda mais.

Vazia, oca, triste, deixo que o que sinto me gaste,

me esvazie e transforme por dentro.

E continuo sempre cansada,

E  pensando ´cada dia em fazer algo,

mesmo sem vontade de fazer nada, fico parada e não faço nada.

No entanto queria fazer muita coisa.

Sonhos, coisas lindas que me fariam feliz, E AOS OUTROS.

Trabalhar, correr, saltar, DANÇAR, fazer amor, passear à beira-mar...viver!

Conversar com amigos (se os tivesse),

fazer coisas úteis para mim e para o MUNDO.

Mas já não sei fazer nada, se por acaso alguma vez soube fazer alguma coisa....

Hoje não me apetece fazer nada,

não consigo fazer nada,

simplesmente porque estou cansada.

Doem-me as pernas, a cabeça e os braços, o peito, as costas…
Dói-me dar um abraço..!!!

Dói-me tudo…até à alma…!

Decerto porque sabe que estou cansada.

Mas não sei porque estou assim, se à minha volta o mundo gira,

Se tudo e todos se mexem num frenesim constante e ninguém tem tempo para nada.



Sinto que já não sei fazer mais nada.

Parece que passou o meu tempo.

Já nada me espera.

Já não tenho mais para fazer aqui.

Mandam-me calar, dizem que falo muito,
demais e mal…

E eu que pensava, que neste momento não falo nada, quase nada...

Que vivo em silêncio, porque aprendi finalmente a estar só.

A viver só.

Sofrendo a dor do vazio e a ausência de tudo o que gostava,

e só falo quando eles se juntam …


Calo-me e ouço dizer a alguém

“ ela não sabe nada, não sabe o que diz”

E não sei! Não sei nada, não faço nada, nem sei o que digo e falo...

Tudo porque estou cansada.

E deixo que no meu coração,

essas palavras ditas por bocas parvas que não sabem o que dizem,

me magoem e enterrem mais,

me espezinhem e me calem.

E no FIM fico além de cansada, triste e magoada.



Se eles soubessem o que sinto!

Se eles soubessem como o meu cansaço me mata,

me invade toda, me percorre o corpo e me domina.

Mas ninguém sabe, ou se importa com o que sinto.

Ninguém sabe o que me vai na alma.

Ninguém entende o meu sentir.


O vazio que me percorre, MATA-ME.

A necessidade que sinto de fazer muito

e nada ter para fazer nem vontade de fazer, DESTROI-ME.

O amor que queria sentir e não sinto,

faz de mim um ser inútil inerte e frio.



E só sinto vontade de fugir, fechar os olhos, desaparecer...

Sonhar que estou num outro mundo,

onde me amam, ne entendem, onde sinto o amor,

onde ainda sou uma mulher viva.

Onde tenho que fazer e não me sinto cansada.

Um mundo onde vou a tempo de viver, e vivo feliz e grito a todos que existo...

Sim VIVER…

Viver, trabalhar, amar e ser feliz.

Porque aqui, sei que já estou .....a MORRER cansada!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pia morre!

CARTAS de amor!

Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são 
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

           Álvaro de Campos

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Será que a felicidade existe!


                               
                                 Quando me julgo feliz não sei o que pensar,
                                 nem sei se o que sinto é isso a que chamam felicidade.
                                 Mas é bom, doce no sabor que tem,
                                 meigo no afago dos sentidos.
                                 São instantes que me confundem de alegria interior,
                                 mágicos de beleza,
                                 que me enchem de sensações que desconheço,
                                 e me fazem sentir bem,
                                 me fazem subir no espaço e sorrir.
                                 Respirar com calma, desbloquear a mente,
                                 olhar o mundo sem medo e sem cansaço,

                                 me levam a acreditar
                                 ainda que só por momentos, nesses momentos,
                                 que tudo é possível.
                                 E nesses momentos eu acredito nela
                                 e sei que ser Feliz é possível ainda que por instantes.

                                 Por ela paro, bloqueio, fico lerda e tudo aceito,
                                 pois sinto que esses momentos que vivo são diferentes,
                                 puros, verdadeiros e me fazem bem...
                                 Mas não os prendo...., não posso, não consigo,
                                 e desaparecem...
                                 Pena que fujam, voem para algures sem deixar rasto,
                                 e demorem a voltar...Mas é sempre assim!
                                 Regressam só de quando em vez,
                                 sempre, absolutamente sempre sem se fazer anunciar.
                             
                                 Preciso viver cada instante, não renunciar a nada,
                                 para não  fazer má vizinhança....,
                                 a essa que chamam felicidade
                                 Ela mora algures no espaço,
                                 existe decerto no mundo em cada gesto,
                                 e pode estar presente em cada canto...
                                 Ou  será que não existe, .
                                 Será mesmo que a felicidade existe?

     Fotos do Google

A felicidade existe!





  A fonte mais importante da infelicidade consiste na


 ilusão de encontrar a vida 


 renunciando a Deus, de conquistar a liberdade


 excluindo as verdades morais e a 


 responsabilidade pessoal.


 (João Paulo II, Homilia aos jovens a 28-7-2002)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Cartas de amor!

Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são 
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

           Álvaro de Campos

Um infinito cansaço!!!

O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

                      Álvaro de Campos

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Queria ser uma menina Feliz !


     Se eu pudesse queria ser sempre menina,
     Usar bibe, ir à escola de sacola,
     Ter trabalhos de casa para fazer.
     Ter colegas de carteira,
     amigos sinceros, verdadeiros.
     Brincar no baloiço, e andar de bicicleta.
     Pular, brincar à malha, às escondidas,
     jogar à bola e brincar atarefada com muitas bonecas.
     Fazer de médica, de professora ou cozinheira,
     fazer de qualquer coisa tanto faz,
     mas andar de sapatinhos,
     calçar sempre peúgas e usar umas trancinhas muito bem feitas.
     Nas horas vagas aprender música,
     ballet e talvez inglês.
     Ser uma menina prendada, inteligente.
     De pele macia, acetinada mas um pouco corada.
     E ler muito correcto o português.
     Ser uma menina feliz,
     uma menina contente, sem medos nem receios.
     Alegre e risonha,
     Simpática, com o colo da mãe sempre constante
     e a atenção do pai sempre presente,
     correr para um ou para o outro indiferentemente satisfeita.
     Queria ser sempre menina e não ter medo do escuro,
     dos gritos, das vozes altas, alteradas,
     da tez pálida do pai que furioso ralha sem ela saber porquê.
     Queria ser menina agora e sempre,
     ou então só mais uma  vez
      por um segundo apenas,
      e tentar ser feliz
      mesmo que fosse só nesse momento.


 Fotos do Google

Solidão..ou não??


Foi-se o sol e a chuva não pára de cair.
Metida no meu canto só sinto frio e uma dor imensa de não ter e não saber o que fazer há muito tempo. 
Penso até que já não sei amar como antigamente. Mas o amor não muda, cresce e aumenta no nosso coração e preso a esse amor quase rebento.
Queria dormir eternamente e não ter que sentir a ausência dos que julgo amar, de tudo o que perdi, se na verdade perdi, pois não se perde o que nunca se teve.
Mas e a mim, será que alguém me amou? 
Será que alguém me quer ainda?
Não sinto esse amor, não sinto que alguém me queira. Sei mesmo que nunca ninguém me quis, não como sonhei um dia ser querida.
O vazio que vive dentro de mim corrói-me até à mente, e eu morro aos poucos mas não me importo.


Este meu ser e pensar põe-me oca, vazia, despida de vontades e desejos, e eu deixo.
Não sinto mais nada, não quero mais nada. 
Só quero ficar aqui e não me perguntem nada.
Só o silêncio me habita, e esse quero-o comigo porque só ele me entende.


Deixem-me ficar assim parada, quieta, emudecida, que assim parece-me que sou mais gente.
Que falta me faz a ausência do amor que nunca tive e nunca senti nem sinto. 
Apenas apoio amigo, mas isso é pouco.
Que falta me fez sempre sentir o meu corpo vibrar de emoção colado ao teu e eu por sentir o teu perto de meu, partir contigo em longas e intermináveis viagens. 
Mas não se perde o que nunca se teve e não se tem.
O teu corpo fugiu-me sempre e o meu afogou-se muito cedo na sede do desejo que tinha de te querer. 
Partiu de mim essa vontade ardente de te querer, de te sentir, e eu deixei-a ir. Desisti de sonhar.
Perdeu-se, abalou de mim e nunca mais a procurei encontrar.

Estou sedenta, mas não tenho nada que mate a minha sede. A fonte de água pura há muito que secou e não recordo ter bebido dela. Morro de sede.
Para quê beber agora água inquinada se me faz mal, se me dá mais sede ainda? 
Prefiro morrer de sede.
Sim, prefiro morrer de sede que inundar a minha alma na dor que me causa a água que me dás, que me destrói de mansinho e me seca ainda mais o corpo e a alma.
Mas faz-me tanta falta o teu amor, o teu carinho, aquele que sonhei e não logrei. Sinto tanta falta do que nunca tive.
Não sei como viver assim, perdida, num fazer de conta constante que me arrasa e destrói.
Por isso permaneço no meu canto. 
Sem ver, sem sentir, sem desejar, quase sem viver, dizendo sim a tudo, 
vou andando devagar, pois assim tudo me parece mais fácil neste meu entardecer.

 Fotos do Google