segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um apoio, um amor







E eu desabafei e ele  discreto, 


querido e muito amigo,

respondeu:





  1. Agradeço-te a partilha.


  1. Já há um tanto que a tenho perguntado, 

  1. que a tenho sentido em baixo, 

  1. apesar da sua discrição, 

  1. que a caracteriza.


  1. Vai passar, vai demorar, 

  1. mas vai passar, 

  1. e vai fazer sentido, 

  1. porque a minha irmã amadureceu, 

  1. é inteligente, 

  1. e tem e sempre terá quem a apoie 

  1. sem condição de qualquer ordem.


  1. A minha irmã 


  1. não tem de me dizer o que for, 

  1. não faço, nunca farei qualquer juízo 

  1. nem dela, nem de ninguém, 

  1. viver já cansa que baste, sem este tipo de farelos.


  1. Beijo






   Do irmão dela, 
    
   o irmão que ama a irmã muito mais do que imagina.

   Deus abençoe os filhos que me deu

   que são para sempre a melhor coisa que fiz alguma vez neste mundo azedo e malvado.

O nosso amor NAQUELE DIA





Um dia de sol, 
uma noite de luz de um brilho negro, 
cinzento, 
já não lembro certo, 
mas obscurecido dentro do meu peito. 

Bem no fundo, 
baço, gasto, cansado, 
sofrido, meio triste, 
enegrecido,
não sei ou sei bem porquê,
mas pouco importa
com um místico de tudo
do encanto dos sonhos passados, 
da magia dos amigos,
repleto de quimeras, 
ilusões esquecidas mas relembradas,  
fantástico pela magia.
Concreto nos actos ali feitos,
sei que divino, sentido por todos
por todos querido.

Um final de dia intenso 
nos desejos reais por todos vivido, 
desejos bem definidos,
idiossincrasias puras, diversas na cor,
na luz, no encanto, 
mas todas perfeitas,
no enlevo e empenho com que estavam presentes. 

No abraço continuo
que parecia perpétuo, completo
não sei, se linear, curvilíneo
curto ou comprido,
mas de um querer absoluto, 
um estar ali entregue ao sonho, 
preso por um raio de luz
que inundava todos, 
que a mim me trespassou e fez esquecer a dor 
e o pranto por completo.
Entregue ao deleite da magia pura
que me inundou o peito
de pensar que o amor e a amizade em que acredito 
existem ainda e para sempre puros, 
sinceros e honestos como sempre os imaginei
mesmo surgindo leves, discretos
estiveram ali sempre reais e perfeitos.

Um dia querido, 
desejado ou não, 
mas claro e verdadeiro,
pela amizade, pelo carinho,
pela dádiva da presença de todos, 
pelo riso, 
pela alegria nos rostos presentes,
todos bonitos, tranquilos
relembrando recordações do passado
e talvez por isso
afinal de contas,
apenas um dia diferente
amarelo vivo,
forte,
intensamente vivido
com mil segredos escondidos 
por detrás das pétalas frescas
seguras, hirtas, 
intensas na cor e bem definidas
dos girassóis amarelos que te dei e me deste
flores que trocámos,  
ali juntas e para toda a vida unidas,
que a mente não esquece nada 
ainda que abrande e um dia se acabe.

Por cada girassol que dei aos amigos 
que viveram e vivem comigo a alegria 
a dor, a tristeza 
que existem sempre a meu lado, 
que choram, sorriem e  sofrem comigo,
ontem, como hoje, amanhã  
mas sempre comigo unidos e firmes,
como as pétalas amarelas, 
brilhantes, formosas 
que rodeia o castanho sofrido negro na cor, 
baço no brilho
cingido da corola apertada do girassol, 
dos que me deste, do que te dei 
a ti e aos amigos 
do girassol amarelo que eu tanto amo  
e que ao recordar hoje me faz sofrer 
pela lembrança dos teus olhos tristes
da tua alma aflita, 
girassol que eu abraço 
com o mesmo enlaço que te abraço a ti 
que és minha filha querida, 
a minha vida, o meu fascínio de cada dia ,
o meu encanto a minha ternura,
que quero ver alegre sempre, 
girassol amarelo, 
minha "lua" perfeita. 

Fotos do Google


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Lágrimas



Os meus olhos infelizes
choram de tristeza e mágoa,
feridos de cansaço e pena, 
de desespero e de dor,
de fraqueza, 
de angustia e de um enorme  temor. 

Choram muito e estão tristes, 
mas tanto, 
 que nem sei medir as causas 
os motivos, as razões,
só sei que choram magoados, 
feridos e estão cansados
mas não param esse pranto.
Não deixam de verter água gélida 
que me corta a alma aflita 
me fere no corpo,
me transforma num ser humano
incompleto
impotente e inútil
me apaga os sentidos todos,
me deixa a morrer, a morrer aos poucos. 


Os meus olhos choram tanto
porque  o meu coração triste 
rebenta de muita dor
infeliz e incapaz
por não conseguir sozinho 
sofrer  
e resolver a dor 
que atormenta os seus olhos,
os olhos da minha flor.

Uns olhos que me conhecem, 
e que eu conheço também, 
olhos que vejo tristes, 
magoados 
e que choram como os meus
mais tristes ainda, 
 infelizes, 
sozinhos, 
olhos por que dava tudo 
para não ver chora assim,
nem por ela, nem por mim,
nem por ele,
nem no mundo por ninguém
um segundo sequer que fosse.


Deus, deixa que meus olhos chorem,
não importa,
 que chorem sempre,
mas seca os dela de vez, 
por favor Senhor!

Fotos do Google

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Aquele abraço



Não sabes como te quero, 
o quanto te amo, te desejo bem,
sou tua mãe bem o sabes 
e mãe quando é mesmo mãe 
faz e diz com os seus filhos 
tudo o que eu te digo e te faço 

Mas aquele abraço só nosso
sentido, silencioso, apertado,
repleto de consolo 
desejado e doce, 
que me deste e eu te dei 
com lágrimas regado
sofrido, 
sem testemunhas
que eu senti cheio de amor e ternura magoado,
valeu para o resto da vida, 
da tua e da nossa vida,
pois por aquele motivo, 
não quero que me dês outro.


Nesse sentido abraço
que trocámos com ternura
senti quanto me queres bem, 
que precisas de mim hoje 
como quando eras menina 
tinhas medo do escuro, 
de magoar os joelhos, 
de fazer cópias compridas,
quando não estavas bem
e o teu coração inquieto 
os teus olhos enevoados,
chorosos e magoados,
procuravam o conforto
no meu colo que era, 
foi e será sempre o teu eterno regaço.    

Daquele instante supremo,
naquele abraço apertado
senti o quanto sofrias
vi que o teu corpo de mulher 
voltava a ser de menina
e aflita afaguei-te, 
dei-te mimos, disse-te mil coisas 
bem sabes que depois acalmaste
ganhaste força, cresceste 
e julgo que venceste o medo e o resto da tua vida  

De ti quero sempre mil beijos 
ternos e meigos abraços, 
repletos de magia
mas aquele 
guardá-lo-ei como único 
pela dor que envolvia.
E porque nos mostrou a ambas 
como nos queremos bem,
como  precisamos eu de ti e tu ainda de mim,
porque nos segredou que estamos
unidas para toda a vida,
guardá-lo-ei bem guardado 
para que não o veja ninguém
num baú de ouro fino, 
no canto mais recôndito 
do meu coração de mãe
ora alegre ora aflito.


Obrigada minha flor, 
minha filha, minha vida,
por confiares em mim, que eu sei


Fotos do Google

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mãe, a minha ...





Um mãe é sempre uma mãe
e a minha nem que ela fosse uma silva,
nem que ela me arranhasse,
sempre havia de me querer bem
sempre era minha mãe e eu era sua filha.

Obrigada mãe por este carinho, hoje.
Também te quero muito. 


TU SABES QUE TE AMO :)

Fotos do Google




Partiu


 Desde que ele partiu
 nunca mais ninguém a viu sorrir.
 Perdeu tudo: a fome, o frio, o sono,
 a vontade de falar,
 e a vontade de chorar 
 a vontade de viver.

 Tinha sempre gente à sua volta
  mas no seu dizer constante
  estava só,
  perdida,
  triste e sem alento
  e deste seu dizer e sentir 
  fazia cada dia o seu pranto.



  Das saudades que tinha 
  de o ter presente,
  de o ter a seu lado,
  mesmo já velho e trôpego,
  cansado como ela,
  mas com o seu olhar doce,
  terno, atento
  e sempre amante,
  tudo lhe fazia falta,
  e sentida ficou doente.
  A sua ausência 
  tirou-lhe a força,
  o alento,
  o ar que queria respirar
  que sem ele era diferente.
  Devagar,
  como uma luz que mingua e se  apaga  lentamente,
  ficou mal, cada dia mais um pouco,
  mirrou de tanta dor,
  secou pela sua falta, 
  e como uma flor que morre seca,
  ela morreu por não ter o seu amor .

  Partiu hoje.
  Soube-o depois de almoço.


  Agora ambos devem estar mais felizes,
  unidos nas suas almas, 
  estou certa,
  tranquilos para todo o sempre.
  
  Presos
  num olhar cintilante,
  estarão agora e eternamente
  com o mesmo piscar de olhos de antes
  o jeito com que se miravam
  a  força 
  com que nela
  ele sempre arava o campo,
  mexia a terra feliz 
  com a força de um gigante,
  mas com a mesma ternura    
  com que depois ela a semeava contente,
  e às flores que plantava
  que das suas mãos  dela floriam 
  como sendo as mais belas,
  mesmo que fossem singelas
  por serem suas preferidas.
  
  E como ele adorava vê-las
  belas, frescas, diferentes
  como ela sempre vistosas
  e ardentes  
  na cor e no cheiro,
  no asseio, na perfeição do desenho,
  no arrumo com que as colocava nos vasos e nos canteiros.
  
  Que  as mãos dela envolviam a terra
  amando ela esse toque 
  como se fosse dele o abraço
  que as suas mãos recebiam dela,
  da terra e das  flores que ele mirava e amava 
  como se nesse tocar a terra, 
  o abraçasse a ele e ele a ela
  tal como os abraços quentes,
  voluptuosos e amantes  
  que  se deram um ao outro
  rolando nos campos de milho louro 
  onde tanta vez se amaram
  se deitaram por amor louco,
  fazendo-se juras eternas,
  tendo como colchão a mãe terra 
  e como tecto o céu de sol aberto
  e  brilhante,
  onde afinal hoje estão 
   unidos para todo o sempre. 
  

Adeus Palmira e João,
foi tão bom ter-vos comigo
nesta passagem pela vida. 
Fiquem em PAZ.
Um dia, 
que espero distante, voltaremos a estar juntos.  
  
Fotos do Google


domingo, 7 de outubro de 2012

Se eu fosse poeta






Ai que seria de mim se eu fosse poeta,
se as palavras que escrevo 
fossem o retrato do que sinto...

Eu seria livre
e tu quem sabe, serias  um deserto..
o meu deserto infinito,
onde me perderia
de sede, 
de prazer 
onde morreria aos poucos docemente
perdida nos abraços quentes 
da areia imensa 
que seriam os teus braços
os teus abraços quentes  
onde me deixaria envolver 
e morrer consolada com sede de mais beijos
dos teus abraços envolventes 
dos teus lábios quentes 
e sequiosos para sempre

Inês Maomé

Foto do Google
 .

Ser mãe




Apareceste logo de manhã 
e ver-te deu-me força e mais alento.
Estás de facto um homem feito, 
um perfeito e belo homem, 
um amigo do peito, 
mas para mim 
que te vejo sempre com olhos de quem te deu mama e colo ~
e muito mimo, 
te deu banho, a papinha, te pôs a dormir, 
te contou histórias 
te viu crescer devagarinho,
a mim que te amo com outros olhos, 
outro sentir,
pareces-me ainda o meu menino, 
mais que perfeito, completo em tudo
e apesar do homem adulto que olho 
e sei  atento e esperto, 
serás sempre o meu menino 
pois se não me engano a uma mãe é sempre isso que parece
quando ela olha os seus filhos: 
vê-los sempre lindos e  pequeninos.


Contigo vi o sol, 
e no meu coração raiou a esperança.
Ias andar de bicicleta 
e ontem tinhas-te perdido a nadar 
esbracejando ao máximo nas águas da piscina.

Ver-te deu-me a certeza 
que vou conseguir sair desta imobilidade
suportar a dor e o inchaço
e mesmo que não corra, 
vou caminhar e dançar como disseste. 

Para mim és tudo, 
e em ti acredito. 
Além do filho homem que vejo, 
belo e gigante 
no tamanho e na sabedoria,  
recordo sempre em ti o meu filho lindo, 
crescido decerto, 
por isso também mais perfeito e culto,
um atleta preparado para vencer na vida 
cada desafio, 
que a mim me incute 
sempre a esperança no futuro,
a certeza e a força 
de conseguir fazer o que me dizes como certo.



E eu, 
porque o disseste,
sei que vou vencer esta meta
que me derrubou agora,
que vou voltar a dançar e a caminhar 
como tu nunca deixarás de fazer as tuas corridas de bicicleta,
nadar no mar e na piscina
correr pelos montes, 
estudar,
ler e escrever muito, 
e por ser um homem perfeito,
um filho atento, 
um homem belo, um atleta
ser sempre o meu sol,
um grande trabalhador 
um escritor 
e um poeta.

Fotos do Google

sábado, 6 de outubro de 2012

O hospital, a sáude um bem precioso


O cheiro é inconfundível,
e as pessoas que ali nos acolhem,
quando as olhei, como sempre me acontece
vi-as diferentes com medo e muito respeito
pelo trato, pelas roupas simples e enrugadas que envergam,
roupas feias mas as mais adequadas e perfeitas
pela sua postura,
pelo tom de voz com que nos falam  indiferente e frio,
pela forma como olham os seus iguais,
que somos nós os doentes que ali vão
em busca de ajuda e de cura
que tal como eu naquela noite ali me dirigi,
precisando de ajuda da sabedoria de alguém
que milagrosamente me tratasse
que me pareceram como sempre muito fortes
movimentando-se ligeiras,
escondendo decerto para lá do fato,
por serem iguais a mim e a todos que ali vão
um ar distante, uma voz meiga mas linear,
que as distancia e as protege da dor dos que cuidam e respeitam
pois como nós também  são gente e sentem.



Naquela noite como suponha eu não gostei daquele sítio

pois  já sabia que o detestaria como sempre,
mas precisava de ajuda
e assim esperei até ser atendida.
Vi pessoas, que mais que eu sofriam,
se lamentavam, reclamavam e até gritavam disparates,
umas novas, outras mais velhas, muito velhas
e quem sabe talvez por isso, mais sofridas.
Porem aquém e além, vi que existiam
pessoas, não importa quem,
com vontade de comer, de rir, rir abertamente.


Eu a vontade que tinha era de chorar. Só isso.
De olhar aquelas salas,
as cadeiras, os corredores e as macas repletas de gente
aquela gente que são povo como meu,
os seus rostos sofridos,
por isso diferentes dos que vejo habitualmente,
tudo isso me dava tristeza e pesar
me fazia pensar querer fugir dali e não voltar,
me dava vontade de chorar,
chorar muito e sempre.

As urgências do hospital,
um local que visitei aflita e por necessidade,
porque sempre os temo e me angustiam o corpo, a alma e a mente,
mas de onde ao fim de algumas horas saí inteira,
com um veredicto para a vida.
Artrose nos joelhos, doença da idade, limitativa,
que faz doer, que tem que ser cuidada com carinho e não tem cura.
Ali gradualmente pensei e trouxe comigo a certeza
que aquele era sem dúvida o pior local do mundo para se estar,
para eu e os que mais quero e amo ali estarem algum dia,
já que as guerras que matam e destroem massas de gente inocente
podiam ser evitadas pelos homens que as inventam e sustentam.

Médicos, enfermeiros, auxiliares e seguranças,
rodopiam naquele local com desenvoltura e muito desembaraço
é o seu local de trabalho,
foi para trabalhar ali que se formaram,
e por dentro dos fatos que envergam tenho a certeza
escondem por certo as suas emoções,
executando as suas funções como autómatos,
evitando dar olhos à dor e à desgraça alheia,
trabalhando com os doentes que ali entram,
bastante distanciados e indiferentes
para se pouparem da dor do seu semelhante,
porque é assim que tem que ser, tenho a certeza.



Naquela noite
 eu e todos que ali estávamos ,
alguns muito pior que eu tenho a certeza,
e os outros 
que todos os dias 
hão-de continuar a ir ali
cada dia a qualquer hora
doentes e sofridos 
enchendo de desespero e sorrisos perdidos
aquelas salas esverdeadas mal cheirosas,
as cadeiras e as macas,
espalhados pelo infinitos corredores  
esperando em silêncio, 
uns gritando,
outros falando alto,
lamentando-se ou não,
que tudo o que fazem nada resolve,
mas revoltados pela hora que não chega,
pela longa espera,
da chamada para o médico que demora,
da cura que esperam e não chega e os desespera,
pelas dores, pelo cansaço,
igualmente  sofridos  é o que fazem,
muitos de facto gritam, falam alto,
fazem parecer que ali não existe noite ou dia, apenas tempo.



E ainda 
que reconhecendo naquele sitio um local de apoio e ajuda único,
onde todos buscam de novo 
a saúde e a força
é também dali que querem sair,
fugir depressa
voltando para suas casas, 
para as suas vidas
esquecer o cheiro, os rostos sofridos, o sangue, os gritos,
imaginado que aquilo não existe assim,
que ali tudo é perfeito
que as doenças e maleitas não matam, não fazem sofrer,
se curam e todas passam.


Fotos do Google

domingo, 30 de setembro de 2012

UM sonho diferente..PAI!



Partiste levando contigo tudo o que considerastes teu
e eu que estava ausente, 
quando cheguei  e vi tudo mais nu e vazio
soube que foi por minha causa que o fizeste
e por isso fiquei triste e chorei,
chorei muito,
 pois sei que já não me querias, 
como sempre imaginei que nunca me quiseste.

As prateleiras antes repletas não me lembro bem do quê,
estavam  vazias, 
desertas das lembranças de família.
As paredes sem quadros,
das fotos do passado que arrancaste dali
e levaste não sei para quê, 
quem sabe para limpar mais depressa as memórias do passado.
Não havia livros, 
só alguma loiça e umas quantas peças 
indefinidas sem interesse. 

Sonho estranho,
 pois do resto  nada mais ficou, 
a não ser alguém que na sala,
atenta e calma para acalentar a minha dor 
e pacientemente escutar os meus lamentos,
ficou atenta,  
triste e chorosa, mas ali permaneceu 
sentada à minha espera.


Não, 
sei bem que não foi  ela a culpada da tua partida brusca,
uma mãe mesmo que ausente, 
mesmo que peque e não faça, ou faça só o que lhe vai na mente, 
chora pelos filhos, roga por eles
e é sempre por eles perdoada.

Apareceste mais tarde, 
bem arranjado, 
composto, com ar fresco e alinhado
de camisa verde axadrezada, 
veste para ti desusada, coisa rara, 
mas que na altura te caía bem.
Numa das mãos um ramo de rosas desabrochadas,
vermelhas de veludo, muito abertas,
nem bonitas, nem feias, 
mas que tempos antes decerto 
deviam ter sido muito mais belas e encantadas
como tu devias ter sido comigo e eu contigo outrora. 


Quando as olhei senti-as belas, 
por serem as primeiras que me davas
e por serem únicas 
e me parecerem sinceras,
senti-as as mais formosas de todas 
e mais que tudo, 
verdadeiras.

Estendeste-me a mão com elas e nesse gesto 
procurei também aquele abraço, 
aquele abraço paterno 
que me negaste a vida inteira. 

E eu faminta por nunca mo teres dado, 
aceitei de bom grado 
as flores que me estendeste, 
desabrochadas como eu 
que acolhi ali com um sorriso aberto.
E com carinho mal lhes peguei
depressa me agarrei ao teu corpo
colando-me a ele de repente
como se essa fosse o última oportunidade de o fazer. 
E por momentos sinto o amor que nos temos e nos foge,
que me negas todos os dias constantemente
repudiando-me sempre, 
como se eu fosse algo mau que te destrói 
deixando para o lado, 
morrendo lentamente 
o amor que nos temos, que nos foge, 
mas eu sei e acredito 
que ainda existe vivo entre nós,
desde que nasci há muito tempo, 
até hoje, 
que como tu, já não sou jovem e podia até já ser avó.


A terra há-de devorar um dia os nossos corpos
que igualmente se transformarão em nada e pó, 
mas para a eternidade terás sido tu sempre o meu pai
e eu a filha que um dia fizeste e depois negaste
eu creio e acredito, 
por teimosia e só de voz. 

Afinal foste tu que mudaste e não eu, 
é o que penso,
nas minhas veias é também teu o sangue que as percorre.

Vem ter comigo, abre-me os teus braços, 
despe-te dessa frieza e crueldade que te mata
e a mim me destrói cada dia mais um pouco 
e nem que seja só uma vez, 
uma vez apenas,
por essa vez que seja, dá-me um abraço
quente e amigo, mas mais que tudo paternal, 
que eu quero sentir que não te vais e nem eu parto
sem saber o que é ter o amor do nosso pai vivo em nós, 
em mim aceso,
 sentir o aconchego terno do teu apoio e do teu regaço amigo 
e eu sei, tenho a certeza, 
sempre presente.




Sonho maldito aquele que vivi, 
e não entendo
em que te vi partir 
e contudo 
regressar diferente, 
com rosas vermelhas nas mãos,
não murchas, 
mas desabrochadas e cadentes.


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As crianças...o futuro!


Rosto lindo de boneca,
pele macia de cetim, 
olhos perfeitos na cor, 
no seu delinear belo, pestanudo e escorreito, 
no seu olhar cândido, virginal  e puro.

Do seu corpo tenro e belo
pressente-se o cheiro de flores primaveris 
das mais belas e formosas, 
e do sorriso 
que os seus lábios 
feitos pétalas macias de rosas castas e puras libertam 
e nos oferece,
sentimos que a natureza é divina e perfeita. 


O acenar das suas mãos pequenas 
e por isso também mais que perfeitas,
faz-nos, só de as olhar, 
sorrir e acreditar
que são estrelas cintilantes, 
porque brilham como elas
e são como o luar
pois nos acalmam e deleitam, 
nos alumiam como o sol,
dizendo-nos que a  felicidade existe,
que o amanhã vem lá
 e tudo será possível,
se acreditarmos como elas.



Tudo isto 
vimos e sentimos
em cada gesto vivido,  
alegre e incontido 
no sentir, 
no sorrir e querer de uma criança.

Tudo isto 
nos ajuda a creditar 
que  o futuro também é amanhã 
e existe, 
e não desvanecerá no nosso peito 
nem no delas.
  

Inês Maomé

Fotos do Google

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Se eu fosse Poeta



Se eu fosse poeta,
e tivesse comigo a todas as horas o dom da escrita 
e todas as palavras que existem, 
gritaria ao mudo o que sinto
e sei que com isso ficaria mais livre e mais solta.

Se pelo menos uma vez 
eu conseguisse colocar no papel 
o que a minha alma aflita sente, 
o que o meu coração pressente,
e o que o meu corpo cansado grita.  

Se eu fosse capaz de dizer 
o que nos meus sonhos vivo  
quando durmo, 
o quanto me atormentam
e consomem e destroem  lentamente.


Se eu fosse capaz 
de rasgar e arrancar de mim 
esta amargura de sonhar constantemente, 
que não sei nada,
que nada tenho, 
que nada posso, 
que sou uma pobre enjeitada mal amada,
que ninguém me quer ou ama,
que sou uma impura, 
desgraçada,
que sou estúpida, burra e acanhada,
que vivo só, isolada, 
triste e amargurada, 
que um mar de água imunda 
me inunda e afunda
e me empurra para a lama,
que não tenho nada, 
nem corpo, nem alma,
talvez eu conseguisse dar paz aos meus sentidos,
e gritando ao mundo todos os meus tormentos,
arrancar de vez de mim o que são os meus lamentos,
e quem sabe,
dormir depois mais calma,
descansar, respira em paz 
e tranquilamente 
julgar-me por vezes feliz.

Quem sabe se os sonhos ruins que tenho 
e me ensombram 
me abandonassem,
partissem de vez para além das nuvens, 
eu aqui na terra 
ficasse com algum sossego e paz,
algum tempo 
para sonhar que sou gente contente,
que posso sorrir e não ter medo 
descansar e viver com calma,
e serena e tranquila aprendesse a sorrir,
pensando que os sonhos são mentiras, 
mas mesmo sendo verdades,
não matam, só molestam
e por vezes acalentam as nossas almas, 
lhes dão vida, 
são a chama que alumia cada dia nosso,
mais um dia...lentamente, 
como se fossem flores cheirosas, coloridas e frescas 
a enfeitar e dar cor à nossa vida ...
quantas vezes, 
muitas vezes triste, 
falsa e apenas de mentira...







Mas não tenho palavras,
não as conheço...
e deixo-me ficar 
com os sonhos que me perturbam 
que me inquietam,
que aos poucos me destroem...
e me matam,
mas que eu 
apesar de aflita e assustada, 
aceito, 
porque são mais fortes, 
muito mais poderosos do que eu...
e cada dia me vencem e dominam
e fazem parte de mim como um todo 
e por completo.

Inês Maomé

Fotos Google

O nosso Futuro


Deitas-te a meu lado,
e eu sinto-te tranquilo e contento-me 
com o calor do teu corpo,
o teu respirar lento,
porque isso me acalma
adoça o meu espírito revolto 
e a minha alma sempre triste e descontente.

A vontade de te ter ali 
sempre assim, 
quente, quieto e mudo,
dormitando a meu lado
e com o teu braço forte
 abraçares o meu corpo já flácido
que tão bem conheces 
 e sabes bem 
sempre carente,
faz-me bem, ajuda-me a viver 
a ter vontade de contigo seguir em frente.


Amar também é isso, 
é sentir o desejo invadir a nosso corpo e a nossa mente,
mas ficarmos contidos,
porque o corpo não responde mais aos íntimos desejos sentidos.
É aceitar que vivemos outro tempo,
um tempo em que um mar de ânsias nos invade 
mas se some de repente, 
desaparece num instante 
e do imenso areal onde antes rolávamos felizes e contentes 
como crianças alegres, puras 
mas por certo inconscientes, 
 pouco resta 
e o que ficou é curto, 
é pouco 
e quase se apaga 
ao menor toque de um  vento mais ardente.


Ficou a certeza de que 
nos queremos e amamos como antes 
apesar desse amor ter outra cor, 
outro brilho, outro sentido.
De que, ainda que só de vez em quando 
surge a certeza de um consolo caloroso, 
mais apaixonado,
o prazer desmedido e incontido de me dares o que desejas
 AMOR que eu aceito 
e retribuiu como sei,  
como posso e sinto de verdade. 

Precisamos acreditar que o amanhã existe e será o nosso futuro. 
Aceitar que  lá tudo será  mais duro e muito diferente
mais negro, mais pesado e ardiloso,
mas que unidos, 
com o nosso amor
e sempre de mãos dadas 
chegaremos num dia não marcado ao final dessa jornada.
Nesse dia 
custe o que custar 
o tempo gritará ao mundo inteiro 
que mesmo assustados,
rotos, velhos, moídos, desgraçados,
nós lutámos 
e  juntos vencemos 
porque fomos sempre puros e nos amámos. 

Inês Maomé



Fotos do Google

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Nua e hirta !


Hoje não sou capaz de escrever,
estou triste demais 
secaram-se na minha alma
as palavras que dariam sentido ao que sinto.
Dentro de mim existe um vazio 
que clama piedade
um eco abafado 
que pressinto surdo e mudo 
que me aperta e estrangula os sentimentos,
uma aflição infinita que não quero
 mas se colou a mim como uma pele que me recobre 
e de mim não foge nunca.

Hoje estou assim, 
perturbada, 
esgotada de sofrer pelos que amo,
que me falam e escutam,
mas sofrem em silêncio dores ocultas,
que devagar  me destroem, me torturam
e devagar me matam.  


Não tenho forma de me despejar 
desta mágoa que me inunda
deste mau estar que me consome 
e gasta a cada instante
queria gritar, 
dizer a todos, a este, àquele 
e ao mundo inteiro 
que não estou bem
que muitos sofrem sem ter culpa
que morro devagar porque me matam,
mas engulo o grito, 
sufoco de angustia
e no silêncio frio existo, 
e permaneço quieta e  mais que muda,
 nua e hirta.

Inês Maomé


Fotos do Google