sexta-feira, 23 de março de 2012

O namoro de Marta

Miguel e Joana namoravam já há muito tempo, tendo em conta que desde miúdos se conheciam e que desde que deixaram o conservatório consolidaram o seu namoro e nunca mais se separaram. Ambos sonhavam, como todos os namorados, mil coisas diferentes para o seu futuro, que havia de começar no dia em que monetariamente Miguel que era o mais velho e adiantado nos estudos, terminasse o seu curso e começasse a trabalhar, visto que ambos desejavam ser independentes.
Joana tinha a promessa da mãe que um dia o andar onde viviam seria para ela, e depois da morte do avô tinha isso como certo pois a mãe prometera-lhe que o libertaria quando ela precisasse e depois de lhe fazer alguns melhoramentos o colocaria no seu nome. Tendo em conta que no seu nome Joana tinha no banco intacto o valor que herdara da seguradora pela morte do pai e na qual já podia mexer, quando casasse com o Miguel haveriam de ter um bom começo de vida.
Mas nem tudo é como parece e como gostaríamos que fosse.
Depois de se esquivar à mãe de todas as conversas possíveis sobre o seu namoro, para evitar o que ele considerava fatal, que seria uma grande discussão com a mãe, um dia o inevitável aconteceu. Sílvia encontrou o filho numa explanada de um café, numa hora a que de facto não costumava passar por ali, pois era o horário do seu trabalho no colégio, mas que naquele dia por qualquer circunstância aconteceu colidir com a hora a que ambos estavam a lanchar. A sua conversa íntima deixava-os tão embebidos um com o outro que não viram a Sílvia nem ninguém que passava ou os rodeava. De facto Joana e Miguel amavam-se muito mas não imaginavam o que os esperava.

Marta já há algum tempo sabia que a filha namorava mas ainda não conhecia o jovem. Joana mantinha em segredo tal como Miguel o que ambos tinham combinado. Mas Marta via a filha feliz e não se apoquentava nem criava atritos com essas questões. Era a sua vida e sabia que quando chegasse a hora a filha lhe havia de contar e apresentar o namorado, e isso por enquanto bastava-lhe.
O mesmo não acontecia com Sílvia, que vivia atormentada com os homens que eram a sua vida. Filipe há muito que não era o mesmo. Esperava dizer-lhe definitivamente que iria sair de casa.

Mas ia deixando correr o tempo vivendo com Sílvia debaixo do mesmo tecto mas não partilhando com ela a intimidade que era devida a um casal em união perfeita.
A paixão e o fogo que sentia por ela quando se amavam, tinha terminado e Sílvia contribuíra para esse final. Saturara-se de tanta coisa que ouviu dela, de tanta acusação infundada baseada nos ciúmes, e ia deixando passar o tempo um pouco por comodismo, primeiro para não lhe dizer abertamente que queria o divórcio e depois por pena dela, o que para ele também era um castigo, mas fazia-o para acompanhar o filho até final do seu curso.
Depois esperava que também ela se saturasse do relativo abandono a que fora posta e lhe pedisse para sair da sua vida, o que não era provável. Filipe ultimamente preocupava-se muito mais com o trabalho do que com o que Sílvia dizia, pensava ou fazia e era assim que viviam até àquele dia em que Sílvia viu o filho com a jovem que bem conhecia.

- Então Miguel, tudo bem meu filho? Hoje vi-te.
- Então porque não foste ter comigo, não te vi.
- Estavas de namorico com aquela miúda que sempre te disse que não gostava para ti. Foi a mãe dela que estragou a minha relação com o teu pai.

- Mãe calma. Estás a confundir tudo. Nem a Joana tem culpa do que te acontece com o pai, nem a mãe dela teve nada a ver com isso. Não vês que foste tu com esse teu feitio que lentamente destruíste a tua relação com o meu pai, que apesar de tudo permanece aqui, está junto de ti, quem sabe por piedade?

- Marta, a mãe dessa rapariga, afastou o teu pai de mim. Isso é o que sei com toda a certeza. Sabes que ela é viúva, jovem bonita e que o enfeitiçou. Essa filha dela não deve valer grande coisa.
- Vês o que dizes, reparaste bem no que acabaste de afirmar? Como podes avaliar uma pessoa só porque é jovem, viúva e amiga ou conhecida do meu pai? Pensa mãe, pensa, pois estás completamente errada.
- Mato-me se continuares com essa rapariga cuja mãe afastou o teu pai de mim, ouviste o que disse?
- Só podes estar louca. Não podes chantagear-me dessa forma, tens esse direito. Estás a interferir numa parte da minha vida que é só minha. Esqueces-te que sou teu filho, e que devias querer ver-me feliz?
- Serás mais feliz com outra rapariga, tua colega. Digo-te que me mato, e faço-o, pois não suporto perder os homens da minha vida para essas mulherzinhas.
- Não sei que te diga, deixas-me aterrado e confuso. Estás completamente alterada. Sei apenas que meteste loucuras na tua cabeça, infernizastes a vida do meu pai a ponto de ele se querer libertar de ti para ter um pouco de paz e agora fazes isto comigo. Julgas que não sei o que se passa entre vós apesar de tu o tentares disfarçar? Porque julgas que nunca te falei do meu namoro? Porque sabia que irias reagir mal, mas nunca desta maneira. Mãe, tens que ir ao médico.
- Tens-me andado a enganar este tempo todo mantendo essa relação, e não queres que esteja neste estado?

terça-feira, 20 de março de 2012

O Saco de Nozes: Bom dia...boa tarde...boa noite!!

O Saco de Nozes: Bom dia...boa tarde...boa noite!!

Bom dia...boa tarde...boa noite!!

 PARA MIM,  PARECE-me SEMPRE QUE NADA É BOM, nada é fácil, nem perfeito...e não acredito, não reconheço verdade no que está escrito acima. Para mim a felicidade não existe...vive-se em pequenos momentos que depressa nos fogem...e temos que correr atrás dela...e EU JÁ ESTOU VELHA , PERDI A FORÇA ...já não corro como antes !!!!!!

 Falta-me sempre algo, alguém, alguma coisa para fazer, algo que não fiz mas já não sei como fazer..MAS sinto sempre que o tempo passa e nada faço, nada fiz , nada mais tenho para fazer.
 Sinto que só drogada ( e não falo de químicos) de amor, de amigos sinceros e presentes, de muita compreensão,  de carinho e muita companhia o mundo me poderia ser  risonho mesmo nos dias de chuva, sombrios. Se isso fosse possível então tudo  valeria a pena.
 De facto drogas não são unicamente os químicos que se ingerem e nos ajudam, mal ou bem, a superar as dificuldades, a levar em frente situações que muitas vezes são fúteis, banais, sem interesse algum para muitos, mas que para  quem as sente, lhes parecem maiores que um autentico tornado, um maremoto, o mundo a acabar naquele instante determinado .

 A solidão no meio da multidão, a solidão do isolamento, de se sentir exactamente só, porque não se tem ninguém à nossa volta...
 Situações bem diferentes mas complexas que trazem muito sofrimento a quem as sente.

 Estou só, sinto-me sempre muito só mesmo quando estou com gente à minha volta.
 Troçam de mim, riem-se, fazem troça e não me entendem.
 Sou mal amada, mas também se nunca fui amada como posso sentir tal estado.
 Mas eu amo a minha gente.
 Mesmo que se riam, que se divirtam  do que digo e faço, amo o que julgo ser meu, ainda que nenhum deles me entenda. E depois sofro porque sei que decerto têm razão e que afinal nada valho!

  E o tempo passa, e eu parada sem viver refugiada no meu canto, á espera nem sei do quê???

  Mas mesmo assim escrevi o meu primeiro livro, e o segundo e o terceiro, estes dois últimos (um deles) à espera de poder vir a ser publicado pela minha Editora a Chiado Editora, que está a preparar neste momento a 2ª edição do meu primeiro livro que esgotou nas livrarias onde foi colocada a vender. " AQUI VAI O LENÇO", um pouco de mim, da minha vida, dos meus sentimentos, do que compilei da memória longínqua, do meu fazer de outrora do meu sentir e pensar, dos meus sonhos desfeitos e outros concretizados (poucos), mas que tirei do meu baú de lembranças e ali escrevi...É ler para crer, SENTIR, acreditar e pensar que o mudou mudou apesar de tudo, mas muitas coisas continuam na mesma :((( 

Quando escrevo não estou tão só. Entro noutro mundo, noutra esfera, onde eu comando tudo, sou dona de tudo o que me rodeia e transformo o mundo a meu belo prazer  e a meu jeito.

  Nestes momentos nem sei se há Sol, se chove, se o telefone toca ou se o estômago reclama.

  Ali sou diferente, procuro ser livre e matar as mágoas que me corroem, e faço-o convicta, mesmo sabendo que muito, quase tudo o que escrevo nunca virá a ser lido.
Rosa Maria

Fotos do Google

sexta-feira, 16 de março de 2012

Idade de ser feliz

A Idade de Ser Feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa

De desconhecido

Fotos do Google

Viver

A VIDA
Poema lírico-juvenil
Emile Brontë

A vida, acredita, não é um sonho
Tão negro quanto os sábios dizem ser.
Frequentemente uma manhã cinzenta
Prenuncia uma tarde agradável e soalhenta.
Às vezes há nuvens sombrias
Mas é apenas em certos dias;

Se a chuvada faz as rosas florir
Ó porquê lamentar e não sorrir?
Rapidamente, alegremente
As soalhentas horas da vida vão passando
Agradecidamente, animadamente
Goza-as enquanto vão voando.

E quando por vezes a Morte aparece
E consigo o que de Melhor temos desaparece?
E quando a dor se aprofunda
E a esperança vencida se afunda?
Oh, mesmo então a esperança há-de renascer,
Inconquistável, sem nunca morrer.

Alegre com a sua asa dourada
Suficientemente forte para nos fazer sentir bem
Corajosamente, sem medo de nada

Enfrenta o dia do julgamento que vem.
Porque gloriosamente, vitoriosamente
Pode a coragem o desespero vencer.
Emile Bronte, 1818-48, escritora inglês, Life


Fotos do Google


quinta-feira, 15 de março de 2012

Os SINOS TOCARAM

Hoje bem cedo os sinos tocaram.
Não gosto daquele toque, aquele som tem o cheiro de morte e arrepia-me.

Não sei quem morreu, mas alguém não está mais entre nós e permanece inerte naquela caixa  enfeitada de rendas, repleta de flores, com gente que a envolve, triste ou não, porque estar ali é mais uma função, uma obrigação da sociedade que nada mais.


A família sofre, mas sofrerá de facto? Sim, acredito que muitas vezes sofre.
A perda de um filho, de um jovem ou de uma criança.  A perda do marido, a paixão de uma vida, a perda de um amigo, o confidente de sempre, a perda dos que morrem nas guerras que alguém inventa, tantas perdas... Estas e outras perdas semelhantes dão dor e padecimento aos que ficam, fazem dilacerar os seus corações deixando sulcos feridas, marcas que nunca desaparecem.
Mas quem parte leva saudades, sei que leva!
A não ser que tenha tido tempo e capacidade, de neste mundo se despedir de tudo e todos, aceitando com toda a crença e de coração aberto a hora da sua partida deste mundo de emoções, cheiros, desejos e convicções, guerras amargas, sorrisos ardentes, amores e desamores, de tantas fraquezas e de outras coisas infindáveis, boas ou não, que nos prendem e nos fazem desejar ficar mais um bocadinho sobre a terra.
Quem parte leva sempre saudades, mas quem fica também as tem. Que parva que é a morte, ou não?
De manhã ouvi o toque do sino a falar-me de morte, e não gostei, nunca gosto.

Nem gosto de falar nela, porque me soa mal. É uma palavra fria, distante, errada, mas ao mesmo tempo certa,  porque existe em cada canto à nossa espera, escondida, matreira e por isso não gosto dela.

Quando eu morrer, queria estar cega e surda e muda e louca e não me lembrar de nada.
Queria, sei lá o que queria se agora que posso querer, não posso querer nada.

Mas se pudesse queria adormecer, sonhar que a vida é linda e bela, que no mundo não há guerras, queria sonhar que tenho muitos amigos, brincar de roda com eles como se fosse criança, sorrir, chorar de contente, rir às gargalhadas e com eles, depois de muito brincar sossri e pular, cansada queria adormecer profundamente e mais nada.
Ficar-me com esse sonho lindom pronta para recomeçar noutro mundo.

Pois quando eu morrer que me importarão as rendas, as flores as pessoas à volta da caixa onde gelada hei-de estar deitada.
NÃO VEJO, NÃO SINTO MAIS NADA.
Já não sou gente, e aqueles que me rodeiam não são meus amigos, não me são nada.
Sei que  não o são, porque que se são, onde estão eles agora?

AMIGOS, onde estão eles? NÃO os tenho, nunca os tive. Vivo só, e tenho medo, muito medo.
De quê? Não sei! De tudo..talvez do nada! 

Os sinos tocaram hoje a anunciar a morte e eu não gostei, nunca vou gostar.

Mas sei, que um dia quando tocarem por mim não os ouvirei e por hoje isso me basta!

Fotos Do Google

segunda-feira, 12 de março de 2012

A um amigo tudo se diz , mas tem que ser a um amigo...

Obrigada amiga,
 por cada palavra que me diz de incentivo, mas deve copiá-las e aplicá-las também a SI.

Deve esquecer esse homem que um dia lhe cedeu a célula que deu essa menina tão linda que tem.
NÃO se esqueça que a fizeram num acto de amor. Apesar de ser filha desse homem que hoje detesta, é linda, meiga e tem bom carácter mas não nasceu só de si, apesar de ter sido a minha amiga a educá-la.
Esse homem deve esquecê-lo e tirá-lo da sua cabeça, como ( mal comparado ) eu fiz com tudo o que me roubaram, e esta é a minha opinião.
No mínimo ele deu-lhe essa célula, que junta com uma sua resultou num ser maravilhoso que é a sua filha um ser tão lindo e perfeito por fora como o é por dentro.
NÃO A ENVENENE contra nada, nem contra ninguém.
Tente viver em paz mesmo que sinta fome...., seja do que for.
Desculpe ...penso assim...
Esqueça e não mencione mais esse nome, faça de conta que desapareceu para sempre. Se for preciso faça luto e depois renasça de novo...linda e esbelta, com o coração livre e feliz, como deve ser...

Odiar e repetir constantemente essa situação não a leva a nada. Tente esquecer essa parte do seu passado, o nome desse homem (tire-o da sua boca, e mais, da sua mente e do seu coração) e verá que será muito mais feliz.
A si, ele não é nada, acaba simplesmente por ser o pai da sua filha que já é uma mulher adulta e saberá muito bem o tipo de relação que poderá ter com o pai.
E que lhe importa que ele diga mal dela, ou até de si, se já não o conhece, e nem lhe interessa e se existem pessoas que só dizem bem de vocês duas?
Porque fala dele constantemente?
Sare essa ferida e esqueça tudo que já passou, pois quanto mais mexer nessa ferida mais tempo ela levará a sarar.
Meta na sua cabeça que o dinheiro que ele havia de lhe dar, já o gastou, o perdeu ou lho roubaram, mas acabou, já se foi, como as minhas joias se foram e todas as noites de amor que nunca vivi verdadeiramente como sonhei um dia....
E o que fazer? Viver a pensar nisso , ou pensar no presente e tentar resistir com amargura ?
Viva o presente, pois sei que tem força para caminhar em frente, mas deixe a amargura de lado.
Sei que se cair é capaz de se levantar sozinha! FORÇA, a minha amiga tem muita força e e´uma mulher de coragem!

Pense, que livre desses pensamentos ficará mais solta e até mais bonita.
Pode até já ter perdido alguma felicidade que lhe passou à porta, por insistir em falar sempre do mesmo!

O resto da minha vida já o sabe. Obrigada por me entender, e desculpe o atrevimento com que lhe falo, o abuso que tomei em lhe falar sempre do mesmo, mas precisava fazê-lo pela insistência com que aborda constantemente esse assunto que sei lhe é penoso mas tem que enterrar.......HOJE!

ATÉ breve minha amiga e obrigada do coração por todo o apoio e carinho.
Beijinhos
Rosa Maria


Fotos do Google

Minha LUA

Minha filha MULHER!


Relembro sorrindo de um tempo passado

Teus cabelos trançados "Maria chiquinha"


Minha  boneca doce, filha querida e menina adorada.


O vestido bordado azul às florzinhas,

e  todos os outros, de cores variadas,

com lacinhos ou fitas,

as golas de renda, os chapelinhos de palha.

E a tua alegria constante ao meu lado.


A vida inteira procurei descobrir

De nós duas, qual era a mais criança

Se era eu contigo no meu  colo a dar-te carinho,
e mais tarde de 


mãos dadas buscando a tua confiança,

ou tu no teu jeito engraçado e carinhoso de rir, saltitando,

segurando a minha mão onde eu buscava proteção e apoio.

Minha filha, minha amiga linda e muito estimada.
Que de ternura, 


tua face tem tanta.

Mistura tão linda de mulher


e de jovem livre e amada

Minha estrela na terra, minha 


lua no céu, de AMOR, 

iluminada !


A tua mãe que te adora SEMPRE


 :=)












fotos Google

Os meus filhos:)

Meu filho luz, o meu SOL,o meu filho de ouro que emociona e me dá força para ir em frente, a tua irmã sempre será a minha LUA, A MINHA menina TRANQUILA, a mais nova, que me acalmava quando eu estava mais ansiosa e que só de pegar nas suas
mãozinhas finas quando brincava com ela me acalmava,  QUE HOJE TEMO PERDER PARA OUTRA FAMILIA, PORQUE COM TANTA CHATICE onde trabalhamos,  ACABAMOS POR NÃO NOS FALARMOS COM CALMA, NÃO COMO EU GOSTARIA, por ser sua mãe e não patroa...MAS MESMO ASSIM ainda hoje vê tudo com a sua calma e sabedoria ...OS meus dois filhos, os bens mais preciosos que tenho a quem não posso dar mais porque NÃO TENHO, tudo se dispõem a fazer para ajudar uma obra  que construi e se está a esvair, CAPAZ SE OS DESTRUIR TAMBÉM.... e EU TENHO MUITO MEDO

Não CONSIGO DEIXAR DE PENSAR QUE TUDO ISTO É INJUSTO, POIS PASSEI MILHARES DE NOITES A CHORAR PELO MAL QUE ME FAZIA TRABALHAR NUM BALCÃO ONDE OUVIA  e FAZIA SOB PRESSÃO E COMO TAL SEMPRE A TOMAR DROGAS, COISAS PARA  AS QUAIS NÃO ESTAVA PREPARADA,  QUE ME FAZIAM MUITO MAL, POIS NÃO NASCI PARA TRABALHAR NA AREA DA SAÚDE, MAS QUE EU ENFRENTAVA COMO SE ESTIVESSE TUDO BEM COMIGO...

O QUE MAIS DESEJO É PODER AJUDAR-VOS MAS SINTO-ME MUITO LIMITADA, COMO NUNCA IMAGINEI ESTAR, E ISSO DÓI-ME PROFUNDAMENTE!

OBRIGADA PELA VOSSA ENORME AJUDA E COMPREENÇÃO E DESCULPEM A VOSSA  MÃE QUE ESTÁ COM MUITA DIFICULDADE EM ENFRENTAR ESTA CRISE...nunca imaginei na minha vida ter que vos contar, como o pai fez, como vai a nossa vida, porque está dificil..Isso foi muito duro e a falar disso olhamos um para o outro e não falamos porque da boca não saem palavras, só lágrimas dos olhos. sei qiue me entenderão pois appesar de não terem filhos têm os vossos lares e companheiros a quem amam. ISTO É PARTILHAR, E A DOR TAMBÉM SE COMUNGA ASSIM, QUANDO AS PALAVRAS FICAM PRESAS E SE ENROLAM  NA GARGANTA

SEMPRE SOUBE QUE ERA FRACA, MAS NÃO TANTO...
DESCULPEM MEUS FILHOS, E PERDOEM O MEU DESABAFO POIS SÓ VOS QUERIA AGRADECER O AMOR QUE SEI QUE TÊM POR NÓS, E A  FORMA PRONTA COM QUE SE DISPONIBILIZARAM A AJUDAR.
SEMPRE SOUBE QUE CRIEI OS MELHORES FILHOS DO MUNDO.

vamos caminhando dia a dia, o tempo vai passando e poderá ser que tudo isto atenue, mas nunca mais serei a mesma Rosa Maria!

Ninguém vos quer um BEM MAIOR, e vos AMA mais que a vossa mãe que neste momento só tem para vos dar, preocupações.

DESCULPEM e procurem ser  FELIZES cada instante ;)

Beijinhos da MÃE


Fotos do Google


Tu e eu !



Aquele prato de arroz de cabidela com frango...sem talher para cortar...

Sempre a maneira como me falas. Quem sou eu????

Não valho nada, tudo o que faço está mal.
Ao teu lado, para ti, contigo, tudo o que penso, digo e faço está errado.
Que pena,pois ninguém te quer tanto quanto EU. És a minha filha, ÚNICA e MUITO QUERIDA.
Quando um dia fores mãe entenderás melhor o que te digo.

Ninguém te quer tanto quanto eu, ninguém. Entendes??? Ninguém!!!

Nos nossos corações que são pequenos enquanto músculo, cabe todo o amor do mundo, muitos amores, amores diferentes, mas amores de bem-querer, pois não sei de outros sentimentos. Rejeito-os. O meu por ti é incomensurável, és a minha princesa, e por mais que o que quisesse aqui descrever há palavras que nem ditas nem escritas dizem o que nos vai no pensamento e no coração.

Falas-me sempre com ar e atitude reprovadora. Eu aceito, mas fico triste e começo a falar, falar, falar...somente para disfarçar....Ontem foi assim...

Um dia quando for mais velha, se tiver Alzeimer  que é o mais certo, colocas-me na minha cabana e com o dinheiro que será a minha reforma pagas com o teu irmão e o pai, a quem cuide de mim. Reconhecerei sempre o verde do meu jardim, assim como, tenho a certeza, do meu coração nunca sairá a imagem do rosto dos meus filhos e assim o da minha menina, mesmo que nessa altura se te olhar pareça não saber quem és...

Rosa Maria

Fotos do Google

Vida

Como provar a vida

Como Provar a Vida

Com a idade, como castigo dos excessos da juventude mas também como consolação, começa-se a provar as coisas que dantes se consumiam sem pensar. Até quase morrer de uma hepatite alcóolica eu bebia «whiskey» como se fosse água: o «uisce beatha» gaélico; a água da vida. Agora, com o fígado restaurado por anos de abstinência, apenas provo. 
Suspeito que seja assim com todos os prazeres - até o de acordar bem disposto ou passar um dia sem dores ou respirar como se quer ou não precisar de mais ninguém para funcionar. Parecem prazeres pequenos quando ainda temos prazeres maiores com os quais podemos compará-los. Mas tornam-se prazeres enormes quando são os únicos de que somos capazes. 
Sei que a última felicidade de todos nós será repararmos no último momento em que conseguimos provar a vida que vivemos e achá-la - não tanto apesar como por causa de tudo - boa. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (23 Set 2011)'

segunda-feira, 5 de março de 2012

O PRIMEIRO BEIJO





O Primeiro Beijo
Durante todas as noites desse verão, as estrelas foram líquidas no céu. Quando eu as olhava, eram pontos líquidos de brilho no céu. Na primeira vez, encontrámo-nos durante o dia: eu sorri-lhe, ela sorriu-me. Dissemos duas ou três palavras e contivemo-nos dentro dos nossos corpos. Os olhos dela, por um instante, foram um abismo onde fiquei envolto por leveza luminosa, onde caía como se flutuasse: cair através do céu dentro de um sonho. 

Naquela noite, fiquei a esperá-la, encostado ao muro, alguns metros depois da entrada da pensão. As pessoas que passavam eram alegres. Eu pensava em qualquer coisa que me fazia sentir maior por dentro, como a noite. As folhas de hera que cobriam o cimo do muro, e que se suspendiam sobre o passeio, eram uma única forma nocturna, feita apenas de sombras. Primeiro, senti as folhas de hera a serem remexidas; depois, vi os braços dela a agarrarem-se ao muro; depois, o rosto dela parado de encontro ao céu claro da noite. E faltou uma batida ao coração. 

O mundo parou. Sombras pousavam-lhe, transparentes, na pele do rosto. O ar fresco, arrefecido, moldava-lhe a pele do rosto. E o mundo continuou. Ajudei-a a descer. Corremos pelo passeio de mãos dadas. A minha mão a envolver a mão fina dela: a força dos seus dedos dentro dos meus. Na noite,os nossos corpos a correrem lado a lado. Quando parámos: as nossas respirações, os nossos rostos admirados um com o outro: olhámo-nos como se nos estivéssemos a ver para sempre. Quando os meus lábios se aproximaram devagar dos lábios dela e nos beijámos, havia reflexos de brilho, como pó lançado ao ar, a caírem pela noite que nos cobria. 

José Luís Peixoto, in 'Cemitério de Pianos'

Tema(s): Amor  Beijo 


EU SEI!





Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.



Sofia Mello Breyner
fotos do Google


F
f

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O pó é o que resta!

Escrever,
Gosto de escrever porque me alivia,
mas muitas vezes, tantas vezes, o penso é tão duro e denso
que não tenho palavras que consigam aliviar o que sinto.
As palavras são parcas e neste momento dizem pouco.
O coração rebenta de tanta pena e desilusão.
Sei que não tenho culpa, ninguém tem culpa.
NÃO, eu sei que quem faz girar o mundo, é o culpado.Será?
Mas alguém saberá o que me  acontece a mim?
Sou tão ínfima, tão minúscula,
neste mundo imenso onde todos os  dias morre gente e ninguém se vira para olhar e perguntar porquê!

Tudo parecia decorrer com perfeição..e afinal, NÃO.
Mas então porque está triste, amorfo e amargurado tudo o que sente o meu coração?
Serei decerto a culpada de tudo.
Decerto fiz muito pouco, eu sei que fiz pouco, quase nada.
Mas eu não comando o mundo.
Nem o deles, nem o meu, mas sei que tenho a culpa.
Alguém tem que ser culpado, e eu que estou aqui só e a reclamar, só posso ser eu a causadora.
Estava tudo construído e encostado num canto,
naquele canto onde tudo parecia correcto, protegido de qualquer mal.

Ali o meu barco ancorado parecia seguro e abrigado.
De longe conseguia ver que tudo estava quase perfeito, imaculado,
mas de facto só ao longe os meus olhos conseguiam ver assim, aquilo que já era um amontoado.
Os ventos que surgiram à minha volta, na minha vida,
querem derrubar o que sobra da minha construção.
E eu não tenho força, não tenho mais nada para a suster.
Sei que tudo irá cair, vejo-o, sinto-o e não sei o que fazer.
Depois não sei o que virá,
mas alguma coisa menos boa será.
Algo que não prevejo bom, mas terei que suportar.
Por muito que escreva não consigo aliviar o peso do fim,
de algo que construí e se está lentamente a desmoronar.


Tudo vai cair a meus pés sem que eu consiga fazer nada para o evitar.
Que pena, que dor enorme,

VER cair a meus pés, e eu  inerte, impotente, sem  forças para segurar o que construí numa vida.

Mas que foi que construí, se tudo passará a pó??????

Nada, absolutamente nada.
E no futuro muito breve se verá...


Fotos do Google

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Para ti não é tarde!



Há muito que os nossos corpos não se envolvem como outrora.
Perdeste o jeito de lhe tocar, 
de o seduzir e envolver como eu sonhava.
Um jeito que nunca foi  muito teu,
não me ensinaste a ter 
nem a encontrar forma  de o sentir, 
de aprender contigo como fazer.
Uma necessidade porque lutei a vida inteira, 
mas cuja falta aceitei como uma verdade crua, 
dolorosa, unicamente nossa, 
mas que me faz sofrer ainda hoje, 
como ontem,
mas eu sei que não tem volta.

Lutei por essa paixão ardente, 
envolvente e pura, 
que senti por ti mas não concretizei a vida inteira 
e que  agora com mais calma, 
aceito assim pois estou cansada e velha, 
e sei que unidos e amigos 
hoje vivemos outro tempo, 
outras quimeras.  

Agora  aceito o que nos resta 
e basta de sofrer.
O que seria meu, sempre almejei e nunca alcancei,
quem sabe porque não o merecia ter,
tento esquecer, 
ainda que no corpo sinta ainda 
a dor dessa imensa ausência.

Fico com os sonhos e pesadelos 
que me atormentam sempre, constantemente,
mas não têm solução nem volta, 
que o tempo voa, e tudo, tudo passa, 
e o passado passou e já não conta.

Deitas-te a meu lado cansado, 
e as nossas mãos, 
os nossos dedos entrelaçados
falam uns  com os outros, 
passeando-se como sempre, 
numa conversa doce e macia 
que me acalma e deleita.

Em silêncio as nossas mãos 
transmitem uma à outra mil verdades 
alegrias e frustrações vividas, 
e quem saberá se dizem entre elas 
falando só para elas 
os seus desejos impossíveis
os caminhos não percorridos, 
feitos por elas  não realizados.

E ficamos em silêncio, 
deitados lado a lado, 
sonhando como seria bom voltar a sentir de novo o êxtase do prazer 
que tu reclamas agora 
e eu poucas vezes senti, 
mas acredita sempre desejei sentir contigo 
como sendo um presente merecido que a vida me negou 
mas devia ter ofertado.

Para ti não é tarde, 
mas para mim é como se tudo tivesse terminado. 
O amor e a amizade não, 
mas a paixão foi-se de vez, 
fugiu do meu corpo, abandonando-o para sempre.

Ficou connosco o nosso amor calmo, 
a companhia que me dás e eu te ofereço em troca 
se a quiseres a ela e a mim assim,
a amizade que construímos e nos faz sentir 
mais seguros estando lado a lado,
Essa amizade que  será o alicerce da vida que nos espera no futuro.

Mas que posso fazer se sinto saudades do que não fizemos, 
do amor que os nossos corpos não sentiram, 
julgando que o tempo não teria fim?

Preciso do teu carinho cada dia,
para avançar e não desistir de lutar 
de estar sempre a teu lado 
e não querer fugir nem partir para um outro lugar...
onde não sinta dor, nem pena, 
nem mágoa ou qualquer outro pesar.

HÁ UM TEMPO PARA TUDO

Há sempre um tempo para tudo.
Um tempo para nascer, viver e outro para morrer.
Um tempo para amar e outro para detestar.
Amar tudo e todos, e depois pensar se valeu a pena amar tanto assim.
Um tempo de sonhar e imaginar que a vida é bela.
que o mundo é uma bola de sabão que conseguimos apanhar e segurar eternamente na nossa mão…, imaginem uma bola de sabão na nossa mão!!!!!

Há um tempo para detestar com razão ou sem ela, as pessoas,
tudo o que nos rodeia, os valores, as guerras, a passividade, os grandes amores e desamores,
pois o mundo é cruel rouba-nos sem o sabermos e tira da nossa vida tudo o que queremos e buscamos dela…
Sumindo-se tudo por entre os dedos das nossas mãos como grãos finos de areia,
Há um tempo que nos faz sentir o desamor, a solidão, o vazio e a ingratidão.
Este é o tempo do desespero e da desilusão.
Pois há  um tempo para construir e outro para destruir.
Em cada dia vive-se sempre um tempo desigual
Um tempo de viver o bem, sentir prazer, sorrir, sonhar, festejar,pensar que tudo vale a pena, que somos fortes valentes, capazes de vencer.
Como o  tempo de se ser criança e brincar, sonhar, pedir e desejar, ganhando sempre o amor de toda a gente.
Um tempo de ver crescer, florir, desejar e sentir a paixão,
como forma única de sobreviver na vida
Um tempo de saber esperar e de acalmia.
Um tempo de acreditar na verdade, sinceridade, de acreditar que a amizade existe.
Um tempo de ser feliz e desejar a felicidade como único pilar.
Mas espera-nos sempre um tempo de perder, de chorar, de pedir sem receber
Um tempo de impotência e incapacidade permanentes.


Um tempo de querer fugir, sumir para não mais voltar.
Um tempo de desilusão, de esquecimento total
Tanto das lembranças doces como das outras que nos adoçaram a mente muito tempo...mas se esfumaram.
Um tempo de pensar, para descobrir se tudo valeu a pena.
Há sempre um tempo para tudo…
e também um tempo de esperança em cada dia,
Ainda que muitas vezes, mesmo sem o sabermos,
estejamos já no final da linha…
No nosso ponto final, no tempo de pôr fim a tudo.


Fotos do Google

Se fosse possível! HOJE seria assim

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nada, nada...

  Hoje o dia nasceu frio e tenso para mim.
  Doi-me tudo, estou triste, desconsolada.
  Logo vais chegar como muitas vezes mais tarde ainda, quando o Sol já tiver partido
 e a Lua quem sabe, nem tiver aparecido.
  Como sempre a casa está vazia, ainda que lá fora o Sol brilhe e aqueça as flores orvalhadas do jardim.
 
  Dói-me tudo, e não tenho qualquer vontade!
  Não quero rir, não me apetece, até porque me esqueci de como se ri,
 mas também não vou chorar, ainda que a vontade seja enorme e lute contra ela mais que tudo.
  Chorar para quê, se por mais que grite tudo ficará eternamente como está ou pior ainda.
  Prefiro o silêncio que me aprisiona.
  Dá-me desconforto e dor, mas diz-me que estou viva porque o sinto.
  O tempo vive de mudança. Só se fala em mobilidade e falta de dinheiro.
  As guerras não param, os homens matam-se uns aos outros por desamor, ou porque amam em excesso mas destroem-se, como se isso fosse natural, curasse o mundo das suas penas.
  Isso também me destroi, porque essa mudança me levou tudo, tudo o que juntei.
 
  Dói-me tanto estar aqui sozinha, nesta casa grande. Parece um mundo, mas oco e frio.
  Eles já partiram há muito tempo. Foram viajar as suas vidas.
  Tu andas no teu percurso, que a tua vida não é a minha. Eu nem sei se tive vida.
  Vivi de facto e vivo, mas sempre num estado amorfo.Tudo passou tão depressa...
  Dizes-me sempre "não vás por aí" mas eu vou, pois foi a minha vida que passou e pouco ou nada me deixou.
  E se deixou, porque estou eu cega e não vejo essas lembranças que deviam alegrar-me e alimentar o meu ego?
  Só me chegam à memória as falhas, as ausências, as promessas não cumpridas, o amor negado, regeitado e mal amado, as noites mal dormidas, as lágrimas sofridas pela solidão das tuas longas ausências, o medo, um terrível pavor de te perder sem nunca te ter tido como sonhei ter, um constante e permanente medo que me fez fugir de tudo no tempo e do tempo, um medo que me obrigava a esconder de tudo, como ainda hoje faço, porque tudo, mesmo que fosse nada, era demasiado e me assustava.
 Com tudo isto o tempo passou, eles cresceram, e tu e eu ficámos velhos.
 Mas tu ainda lutas trabalhas, tens amigos, conversas, esqueces as coisas dificeis e mais importante que tudo, ainda sabes rir e ris. 
Ainda bem!

 Eu continuo aqui neste meu canto vazio e nu de tudo e aqui  neste meu canto inútil como eu, afinal não aprendi nada, nunca soube nada, fiquei sem nada, nada, nada....
Sei que nunca aprendi absolutamente nada, porque escondida num canto não se aprende nada

 Agora deste meu canto, só ouço o constante ecoar dos segundos do relógio...que não se cansa e não pára nunca para nada!

 Não te preocupes, eu sei esperar. Sei que vais voltar todos os dias ao teu lugar, mesmo que seja tarde,
tal como o Sol, a Lua, a chuva, o frio ou o calor voltam sempre sem avisar...

  Fotos do Google

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O amor de Sílvia e Filipe

Filipe andava stressado do trabalho e não queria Sílvia magoada com ele pois sabia ser um marido ausente e conhecia a ansiedade da mulher que tinha. Fazer amor com a esposa era para ele sempre um enorme prazer porque ela correspondia a cada gesto seu, seguindo-o docilmente e com tanta ternura que fazia dele naqueles instantes um homem feliz e autêntico. Tinha a certeza que não podia ter uma mulher mais fogosa do que a sua, na cama, e o facto de a saber a ela igualmente realizada nesse campo, tranquilizava-o, ainda que por vezes quando ela o questionava acerca dos seus atrasos e situações semelhantes ele pensasse que tamanho prazer um dia podia acabar, pois podia ser essa relação de ambos tão certa e colossal que a levava a ser demasiado possuidora e ciumenta, uma coisa que ele não gostava nela.


Claro que todo o desânimo e ansiedade com que Sílvia começou o dia se dissiparam, e depois daquele acto de amor, invulgar apesar de tudo, ela adormeceu como um anjo encostada ao abraço de Filipe que deu consigo a pensar na jovem que lhe vendera o lenço. Devia estar a sonhar, como podia ele pensar que o que acabara de fazer podia ter sido com aquela jovem e não com a sua mulher? Seria possível que o seu inconsciente pensara nela quando se entregara daquela forma a fazer amor com Sílvia? Esta era uma boa amante, além disso a sua esposa, que mais queria ele? Mas aquela jovem doce e atenta, muito simpática que o atendera naquela loja no final da tarde não lhe saía da cabeça, e foi com estes pensamentos que adormeceu. De manhã quando acordou, Sílvia estava de robe, em pé junto à cómoda, já de banho tomado, com o lenço nas mãos passando-o ao de leve no seu rosto.

- Já acordaste, e já estás de pé? Gostas do lenço que te ofereci?

- Gosto sim, mas muito mais do amor que me deste ontem. Vou querer-te sempre assim, está bem amor? Doce e macio como este lenço que me ofereceste - e rebolou para cima da cama beijando o marido com ternura.

- Sim Sílvia, faremos amor sempre assim como dizes: “amor doce e macio como este lenço de seda” – e beijou-a correspondendo aos seus beijos - mas agora temos que ir trabalhar- e despegando-se dela com carinho, levantou-se de um pulo. Temos todo o tempo do mundo para nos amarmos “docemente” como dizes, mas agora é a hora da labuta.

- Vamos então que remédio. Adoro-te Filipe.

- Também eu, pois não vês? Mas temos uma casa para governar, um filho para criar, alunos e doentes à espera.

- É a vida, e o Miguel já deve estar lá em baixo à minha espera, vamos.

- Olha, não te esqueças que logo saio mais tarde!

E Sílvia franziu o sobrolho, mas que havia de fazer se tinha um marido medico? Naquela noite sentira-o de uma forma diferente, completamente entregue, como se nunca tivessem feito amor ou já não o fizessem há muito tempo. Preocupara-se com ela cada instante, tocara o seu corpo como sempre fazia, mas os seus dedos pareciam escaldantes e mais apaixonados que nunca. Naquela noite ela desprendera-se como sempre, por completo, mas tinha sido muito mais sua que nunca e pressentira o seu marido diferente sem saber porquê, mas pouco lhe importava pois tinha tido com ele uma noite de amor inesquecível. Ele amava-a.

Fotos do Google