segunda-feira, 12 de março de 2012

Minha LUA

Minha filha MULHER!


Relembro sorrindo de um tempo passado

Teus cabelos trançados "Maria chiquinha"


Minha  boneca doce, filha querida e menina adorada.


O vestido bordado azul às florzinhas,

e  todos os outros, de cores variadas,

com lacinhos ou fitas,

as golas de renda, os chapelinhos de palha.

E a tua alegria constante ao meu lado.


A vida inteira procurei descobrir

De nós duas, qual era a mais criança

Se era eu contigo no meu  colo a dar-te carinho,
e mais tarde de 


mãos dadas buscando a tua confiança,

ou tu no teu jeito engraçado e carinhoso de rir, saltitando,

segurando a minha mão onde eu buscava proteção e apoio.

Minha filha, minha amiga linda e muito estimada.
Que de ternura, 


tua face tem tanta.

Mistura tão linda de mulher


e de jovem livre e amada

Minha estrela na terra, minha 


lua no céu, de AMOR, 

iluminada !


A tua mãe que te adora SEMPRE


 :=)












fotos Google

Os meus filhos:)

Meu filho luz, o meu SOL,o meu filho de ouro que emociona e me dá força para ir em frente, a tua irmã sempre será a minha LUA, A MINHA menina TRANQUILA, a mais nova, que me acalmava quando eu estava mais ansiosa e que só de pegar nas suas
mãozinhas finas quando brincava com ela me acalmava,  QUE HOJE TEMO PERDER PARA OUTRA FAMILIA, PORQUE COM TANTA CHATICE onde trabalhamos,  ACABAMOS POR NÃO NOS FALARMOS COM CALMA, NÃO COMO EU GOSTARIA, por ser sua mãe e não patroa...MAS MESMO ASSIM ainda hoje vê tudo com a sua calma e sabedoria ...OS meus dois filhos, os bens mais preciosos que tenho a quem não posso dar mais porque NÃO TENHO, tudo se dispõem a fazer para ajudar uma obra  que construi e se está a esvair, CAPAZ SE OS DESTRUIR TAMBÉM.... e EU TENHO MUITO MEDO

Não CONSIGO DEIXAR DE PENSAR QUE TUDO ISTO É INJUSTO, POIS PASSEI MILHARES DE NOITES A CHORAR PELO MAL QUE ME FAZIA TRABALHAR NUM BALCÃO ONDE OUVIA  e FAZIA SOB PRESSÃO E COMO TAL SEMPRE A TOMAR DROGAS, COISAS PARA  AS QUAIS NÃO ESTAVA PREPARADA,  QUE ME FAZIAM MUITO MAL, POIS NÃO NASCI PARA TRABALHAR NA AREA DA SAÚDE, MAS QUE EU ENFRENTAVA COMO SE ESTIVESSE TUDO BEM COMIGO...

O QUE MAIS DESEJO É PODER AJUDAR-VOS MAS SINTO-ME MUITO LIMITADA, COMO NUNCA IMAGINEI ESTAR, E ISSO DÓI-ME PROFUNDAMENTE!

OBRIGADA PELA VOSSA ENORME AJUDA E COMPREENÇÃO E DESCULPEM A VOSSA  MÃE QUE ESTÁ COM MUITA DIFICULDADE EM ENFRENTAR ESTA CRISE...nunca imaginei na minha vida ter que vos contar, como o pai fez, como vai a nossa vida, porque está dificil..Isso foi muito duro e a falar disso olhamos um para o outro e não falamos porque da boca não saem palavras, só lágrimas dos olhos. sei qiue me entenderão pois appesar de não terem filhos têm os vossos lares e companheiros a quem amam. ISTO É PARTILHAR, E A DOR TAMBÉM SE COMUNGA ASSIM, QUANDO AS PALAVRAS FICAM PRESAS E SE ENROLAM  NA GARGANTA

SEMPRE SOUBE QUE ERA FRACA, MAS NÃO TANTO...
DESCULPEM MEUS FILHOS, E PERDOEM O MEU DESABAFO POIS SÓ VOS QUERIA AGRADECER O AMOR QUE SEI QUE TÊM POR NÓS, E A  FORMA PRONTA COM QUE SE DISPONIBILIZARAM A AJUDAR.
SEMPRE SOUBE QUE CRIEI OS MELHORES FILHOS DO MUNDO.

vamos caminhando dia a dia, o tempo vai passando e poderá ser que tudo isto atenue, mas nunca mais serei a mesma Rosa Maria!

Ninguém vos quer um BEM MAIOR, e vos AMA mais que a vossa mãe que neste momento só tem para vos dar, preocupações.

DESCULPEM e procurem ser  FELIZES cada instante ;)

Beijinhos da MÃE


Fotos do Google


Tu e eu !



Aquele prato de arroz de cabidela com frango...sem talher para cortar...

Sempre a maneira como me falas. Quem sou eu????

Não valho nada, tudo o que faço está mal.
Ao teu lado, para ti, contigo, tudo o que penso, digo e faço está errado.
Que pena,pois ninguém te quer tanto quanto EU. És a minha filha, ÚNICA e MUITO QUERIDA.
Quando um dia fores mãe entenderás melhor o que te digo.

Ninguém te quer tanto quanto eu, ninguém. Entendes??? Ninguém!!!

Nos nossos corações que são pequenos enquanto músculo, cabe todo o amor do mundo, muitos amores, amores diferentes, mas amores de bem-querer, pois não sei de outros sentimentos. Rejeito-os. O meu por ti é incomensurável, és a minha princesa, e por mais que o que quisesse aqui descrever há palavras que nem ditas nem escritas dizem o que nos vai no pensamento e no coração.

Falas-me sempre com ar e atitude reprovadora. Eu aceito, mas fico triste e começo a falar, falar, falar...somente para disfarçar....Ontem foi assim...

Um dia quando for mais velha, se tiver Alzeimer  que é o mais certo, colocas-me na minha cabana e com o dinheiro que será a minha reforma pagas com o teu irmão e o pai, a quem cuide de mim. Reconhecerei sempre o verde do meu jardim, assim como, tenho a certeza, do meu coração nunca sairá a imagem do rosto dos meus filhos e assim o da minha menina, mesmo que nessa altura se te olhar pareça não saber quem és...

Rosa Maria

Fotos do Google

Vida

Como provar a vida

Como Provar a Vida

Com a idade, como castigo dos excessos da juventude mas também como consolação, começa-se a provar as coisas que dantes se consumiam sem pensar. Até quase morrer de uma hepatite alcóolica eu bebia «whiskey» como se fosse água: o «uisce beatha» gaélico; a água da vida. Agora, com o fígado restaurado por anos de abstinência, apenas provo. 
Suspeito que seja assim com todos os prazeres - até o de acordar bem disposto ou passar um dia sem dores ou respirar como se quer ou não precisar de mais ninguém para funcionar. Parecem prazeres pequenos quando ainda temos prazeres maiores com os quais podemos compará-los. Mas tornam-se prazeres enormes quando são os únicos de que somos capazes. 
Sei que a última felicidade de todos nós será repararmos no último momento em que conseguimos provar a vida que vivemos e achá-la - não tanto apesar como por causa de tudo - boa. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (23 Set 2011)'

segunda-feira, 5 de março de 2012

O PRIMEIRO BEIJO





O Primeiro Beijo
Durante todas as noites desse verão, as estrelas foram líquidas no céu. Quando eu as olhava, eram pontos líquidos de brilho no céu. Na primeira vez, encontrámo-nos durante o dia: eu sorri-lhe, ela sorriu-me. Dissemos duas ou três palavras e contivemo-nos dentro dos nossos corpos. Os olhos dela, por um instante, foram um abismo onde fiquei envolto por leveza luminosa, onde caía como se flutuasse: cair através do céu dentro de um sonho. 

Naquela noite, fiquei a esperá-la, encostado ao muro, alguns metros depois da entrada da pensão. As pessoas que passavam eram alegres. Eu pensava em qualquer coisa que me fazia sentir maior por dentro, como a noite. As folhas de hera que cobriam o cimo do muro, e que se suspendiam sobre o passeio, eram uma única forma nocturna, feita apenas de sombras. Primeiro, senti as folhas de hera a serem remexidas; depois, vi os braços dela a agarrarem-se ao muro; depois, o rosto dela parado de encontro ao céu claro da noite. E faltou uma batida ao coração. 

O mundo parou. Sombras pousavam-lhe, transparentes, na pele do rosto. O ar fresco, arrefecido, moldava-lhe a pele do rosto. E o mundo continuou. Ajudei-a a descer. Corremos pelo passeio de mãos dadas. A minha mão a envolver a mão fina dela: a força dos seus dedos dentro dos meus. Na noite,os nossos corpos a correrem lado a lado. Quando parámos: as nossas respirações, os nossos rostos admirados um com o outro: olhámo-nos como se nos estivéssemos a ver para sempre. Quando os meus lábios se aproximaram devagar dos lábios dela e nos beijámos, havia reflexos de brilho, como pó lançado ao ar, a caírem pela noite que nos cobria. 

José Luís Peixoto, in 'Cemitério de Pianos'

Tema(s): Amor  Beijo 


EU SEI!





Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.



Sofia Mello Breyner
fotos do Google


F
f

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O pó é o que resta!

Escrever,
Gosto de escrever porque me alivia,
mas muitas vezes, tantas vezes, o penso é tão duro e denso
que não tenho palavras que consigam aliviar o que sinto.
As palavras são parcas e neste momento dizem pouco.
O coração rebenta de tanta pena e desilusão.
Sei que não tenho culpa, ninguém tem culpa.
NÃO, eu sei que quem faz girar o mundo, é o culpado.Será?
Mas alguém saberá o que me  acontece a mim?
Sou tão ínfima, tão minúscula,
neste mundo imenso onde todos os  dias morre gente e ninguém se vira para olhar e perguntar porquê!

Tudo parecia decorrer com perfeição..e afinal, NÃO.
Mas então porque está triste, amorfo e amargurado tudo o que sente o meu coração?
Serei decerto a culpada de tudo.
Decerto fiz muito pouco, eu sei que fiz pouco, quase nada.
Mas eu não comando o mundo.
Nem o deles, nem o meu, mas sei que tenho a culpa.
Alguém tem que ser culpado, e eu que estou aqui só e a reclamar, só posso ser eu a causadora.
Estava tudo construído e encostado num canto,
naquele canto onde tudo parecia correcto, protegido de qualquer mal.

Ali o meu barco ancorado parecia seguro e abrigado.
De longe conseguia ver que tudo estava quase perfeito, imaculado,
mas de facto só ao longe os meus olhos conseguiam ver assim, aquilo que já era um amontoado.
Os ventos que surgiram à minha volta, na minha vida,
querem derrubar o que sobra da minha construção.
E eu não tenho força, não tenho mais nada para a suster.
Sei que tudo irá cair, vejo-o, sinto-o e não sei o que fazer.
Depois não sei o que virá,
mas alguma coisa menos boa será.
Algo que não prevejo bom, mas terei que suportar.
Por muito que escreva não consigo aliviar o peso do fim,
de algo que construí e se está lentamente a desmoronar.


Tudo vai cair a meus pés sem que eu consiga fazer nada para o evitar.
Que pena, que dor enorme,

VER cair a meus pés, e eu  inerte, impotente, sem  forças para segurar o que construí numa vida.

Mas que foi que construí, se tudo passará a pó??????

Nada, absolutamente nada.
E no futuro muito breve se verá...


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Para ti não é tarde!



Há muito que os nossos corpos não se envolvem como outrora.
Perdeste o jeito de lhe tocar, 
de o seduzir e envolver como eu sonhava.
Um jeito que nunca foi  muito teu,
não me ensinaste a ter 
nem a encontrar forma  de o sentir, 
de aprender contigo como fazer.
Uma necessidade porque lutei a vida inteira, 
mas cuja falta aceitei como uma verdade crua, 
dolorosa, unicamente nossa, 
mas que me faz sofrer ainda hoje, 
como ontem,
mas eu sei que não tem volta.

Lutei por essa paixão ardente, 
envolvente e pura, 
que senti por ti mas não concretizei a vida inteira 
e que  agora com mais calma, 
aceito assim pois estou cansada e velha, 
e sei que unidos e amigos 
hoje vivemos outro tempo, 
outras quimeras.  

Agora  aceito o que nos resta 
e basta de sofrer.
O que seria meu, sempre almejei e nunca alcancei,
quem sabe porque não o merecia ter,
tento esquecer, 
ainda que no corpo sinta ainda 
a dor dessa imensa ausência.

Fico com os sonhos e pesadelos 
que me atormentam sempre, constantemente,
mas não têm solução nem volta, 
que o tempo voa, e tudo, tudo passa, 
e o passado passou e já não conta.

Deitas-te a meu lado cansado, 
e as nossas mãos, 
os nossos dedos entrelaçados
falam uns  com os outros, 
passeando-se como sempre, 
numa conversa doce e macia 
que me acalma e deleita.

Em silêncio as nossas mãos 
transmitem uma à outra mil verdades 
alegrias e frustrações vividas, 
e quem saberá se dizem entre elas 
falando só para elas 
os seus desejos impossíveis
os caminhos não percorridos, 
feitos por elas  não realizados.

E ficamos em silêncio, 
deitados lado a lado, 
sonhando como seria bom voltar a sentir de novo o êxtase do prazer 
que tu reclamas agora 
e eu poucas vezes senti, 
mas acredita sempre desejei sentir contigo 
como sendo um presente merecido que a vida me negou 
mas devia ter ofertado.

Para ti não é tarde, 
mas para mim é como se tudo tivesse terminado. 
O amor e a amizade não, 
mas a paixão foi-se de vez, 
fugiu do meu corpo, abandonando-o para sempre.

Ficou connosco o nosso amor calmo, 
a companhia que me dás e eu te ofereço em troca 
se a quiseres a ela e a mim assim,
a amizade que construímos e nos faz sentir 
mais seguros estando lado a lado,
Essa amizade que  será o alicerce da vida que nos espera no futuro.

Mas que posso fazer se sinto saudades do que não fizemos, 
do amor que os nossos corpos não sentiram, 
julgando que o tempo não teria fim?

Preciso do teu carinho cada dia,
para avançar e não desistir de lutar 
de estar sempre a teu lado 
e não querer fugir nem partir para um outro lugar...
onde não sinta dor, nem pena, 
nem mágoa ou qualquer outro pesar.

HÁ UM TEMPO PARA TUDO

Há sempre um tempo para tudo.
Um tempo para nascer, viver e outro para morrer.
Um tempo para amar e outro para detestar.
Amar tudo e todos, e depois pensar se valeu a pena amar tanto assim.
Um tempo de sonhar e imaginar que a vida é bela.
que o mundo é uma bola de sabão que conseguimos apanhar e segurar eternamente na nossa mão…, imaginem uma bola de sabão na nossa mão!!!!!

Há um tempo para detestar com razão ou sem ela, as pessoas,
tudo o que nos rodeia, os valores, as guerras, a passividade, os grandes amores e desamores,
pois o mundo é cruel rouba-nos sem o sabermos e tira da nossa vida tudo o que queremos e buscamos dela…
Sumindo-se tudo por entre os dedos das nossas mãos como grãos finos de areia,
Há um tempo que nos faz sentir o desamor, a solidão, o vazio e a ingratidão.
Este é o tempo do desespero e da desilusão.
Pois há  um tempo para construir e outro para destruir.
Em cada dia vive-se sempre um tempo desigual
Um tempo de viver o bem, sentir prazer, sorrir, sonhar, festejar,pensar que tudo vale a pena, que somos fortes valentes, capazes de vencer.
Como o  tempo de se ser criança e brincar, sonhar, pedir e desejar, ganhando sempre o amor de toda a gente.
Um tempo de ver crescer, florir, desejar e sentir a paixão,
como forma única de sobreviver na vida
Um tempo de saber esperar e de acalmia.
Um tempo de acreditar na verdade, sinceridade, de acreditar que a amizade existe.
Um tempo de ser feliz e desejar a felicidade como único pilar.
Mas espera-nos sempre um tempo de perder, de chorar, de pedir sem receber
Um tempo de impotência e incapacidade permanentes.


Um tempo de querer fugir, sumir para não mais voltar.
Um tempo de desilusão, de esquecimento total
Tanto das lembranças doces como das outras que nos adoçaram a mente muito tempo...mas se esfumaram.
Um tempo de pensar, para descobrir se tudo valeu a pena.
Há sempre um tempo para tudo…
e também um tempo de esperança em cada dia,
Ainda que muitas vezes, mesmo sem o sabermos,
estejamos já no final da linha…
No nosso ponto final, no tempo de pôr fim a tudo.


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Se fosse possível! HOJE seria assim

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nada, nada...

  Hoje o dia nasceu frio e tenso para mim.
  Doi-me tudo, estou triste, desconsolada.
  Logo vais chegar como muitas vezes mais tarde ainda, quando o Sol já tiver partido
 e a Lua quem sabe, nem tiver aparecido.
  Como sempre a casa está vazia, ainda que lá fora o Sol brilhe e aqueça as flores orvalhadas do jardim.
 
  Dói-me tudo, e não tenho qualquer vontade!
  Não quero rir, não me apetece, até porque me esqueci de como se ri,
 mas também não vou chorar, ainda que a vontade seja enorme e lute contra ela mais que tudo.
  Chorar para quê, se por mais que grite tudo ficará eternamente como está ou pior ainda.
  Prefiro o silêncio que me aprisiona.
  Dá-me desconforto e dor, mas diz-me que estou viva porque o sinto.
  O tempo vive de mudança. Só se fala em mobilidade e falta de dinheiro.
  As guerras não param, os homens matam-se uns aos outros por desamor, ou porque amam em excesso mas destroem-se, como se isso fosse natural, curasse o mundo das suas penas.
  Isso também me destroi, porque essa mudança me levou tudo, tudo o que juntei.
 
  Dói-me tanto estar aqui sozinha, nesta casa grande. Parece um mundo, mas oco e frio.
  Eles já partiram há muito tempo. Foram viajar as suas vidas.
  Tu andas no teu percurso, que a tua vida não é a minha. Eu nem sei se tive vida.
  Vivi de facto e vivo, mas sempre num estado amorfo.Tudo passou tão depressa...
  Dizes-me sempre "não vás por aí" mas eu vou, pois foi a minha vida que passou e pouco ou nada me deixou.
  E se deixou, porque estou eu cega e não vejo essas lembranças que deviam alegrar-me e alimentar o meu ego?
  Só me chegam à memória as falhas, as ausências, as promessas não cumpridas, o amor negado, regeitado e mal amado, as noites mal dormidas, as lágrimas sofridas pela solidão das tuas longas ausências, o medo, um terrível pavor de te perder sem nunca te ter tido como sonhei ter, um constante e permanente medo que me fez fugir de tudo no tempo e do tempo, um medo que me obrigava a esconder de tudo, como ainda hoje faço, porque tudo, mesmo que fosse nada, era demasiado e me assustava.
 Com tudo isto o tempo passou, eles cresceram, e tu e eu ficámos velhos.
 Mas tu ainda lutas trabalhas, tens amigos, conversas, esqueces as coisas dificeis e mais importante que tudo, ainda sabes rir e ris. 
Ainda bem!

 Eu continuo aqui neste meu canto vazio e nu de tudo e aqui  neste meu canto inútil como eu, afinal não aprendi nada, nunca soube nada, fiquei sem nada, nada, nada....
Sei que nunca aprendi absolutamente nada, porque escondida num canto não se aprende nada

 Agora deste meu canto, só ouço o constante ecoar dos segundos do relógio...que não se cansa e não pára nunca para nada!

 Não te preocupes, eu sei esperar. Sei que vais voltar todos os dias ao teu lugar, mesmo que seja tarde,
tal como o Sol, a Lua, a chuva, o frio ou o calor voltam sempre sem avisar...

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O amor de Sílvia e Filipe

Filipe andava stressado do trabalho e não queria Sílvia magoada com ele pois sabia ser um marido ausente e conhecia a ansiedade da mulher que tinha. Fazer amor com a esposa era para ele sempre um enorme prazer porque ela correspondia a cada gesto seu, seguindo-o docilmente e com tanta ternura que fazia dele naqueles instantes um homem feliz e autêntico. Tinha a certeza que não podia ter uma mulher mais fogosa do que a sua, na cama, e o facto de a saber a ela igualmente realizada nesse campo, tranquilizava-o, ainda que por vezes quando ela o questionava acerca dos seus atrasos e situações semelhantes ele pensasse que tamanho prazer um dia podia acabar, pois podia ser essa relação de ambos tão certa e colossal que a levava a ser demasiado possuidora e ciumenta, uma coisa que ele não gostava nela.


Claro que todo o desânimo e ansiedade com que Sílvia começou o dia se dissiparam, e depois daquele acto de amor, invulgar apesar de tudo, ela adormeceu como um anjo encostada ao abraço de Filipe que deu consigo a pensar na jovem que lhe vendera o lenço. Devia estar a sonhar, como podia ele pensar que o que acabara de fazer podia ter sido com aquela jovem e não com a sua mulher? Seria possível que o seu inconsciente pensara nela quando se entregara daquela forma a fazer amor com Sílvia? Esta era uma boa amante, além disso a sua esposa, que mais queria ele? Mas aquela jovem doce e atenta, muito simpática que o atendera naquela loja no final da tarde não lhe saía da cabeça, e foi com estes pensamentos que adormeceu. De manhã quando acordou, Sílvia estava de robe, em pé junto à cómoda, já de banho tomado, com o lenço nas mãos passando-o ao de leve no seu rosto.

- Já acordaste, e já estás de pé? Gostas do lenço que te ofereci?

- Gosto sim, mas muito mais do amor que me deste ontem. Vou querer-te sempre assim, está bem amor? Doce e macio como este lenço que me ofereceste - e rebolou para cima da cama beijando o marido com ternura.

- Sim Sílvia, faremos amor sempre assim como dizes: “amor doce e macio como este lenço de seda” – e beijou-a correspondendo aos seus beijos - mas agora temos que ir trabalhar- e despegando-se dela com carinho, levantou-se de um pulo. Temos todo o tempo do mundo para nos amarmos “docemente” como dizes, mas agora é a hora da labuta.

- Vamos então que remédio. Adoro-te Filipe.

- Também eu, pois não vês? Mas temos uma casa para governar, um filho para criar, alunos e doentes à espera.

- É a vida, e o Miguel já deve estar lá em baixo à minha espera, vamos.

- Olha, não te esqueças que logo saio mais tarde!

E Sílvia franziu o sobrolho, mas que havia de fazer se tinha um marido medico? Naquela noite sentira-o de uma forma diferente, completamente entregue, como se nunca tivessem feito amor ou já não o fizessem há muito tempo. Preocupara-se com ela cada instante, tocara o seu corpo como sempre fazia, mas os seus dedos pareciam escaldantes e mais apaixonados que nunca. Naquela noite ela desprendera-se como sempre, por completo, mas tinha sido muito mais sua que nunca e pressentira o seu marido diferente sem saber porquê, mas pouco lhe importava pois tinha tido com ele uma noite de amor inesquecível. Ele amava-a.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Marta

Depois de deixar a Joana em casa da amiga, metia-se no autocarro e descia sempre na mesma paragem para depois caminhar percorrendo a pé a distância que a separava da paragem até ao seu local do seu trabalho, uma loja elegante na baixa da cidade do Funchal. A forma como caminhava indiciava a qualquer um que a conhecia ou não, que ela era especial e não uma pessoa vulgar. Caminhava de um jeito seguro, pleno de elegância e beleza. Quem não a conhecia, pois a ilha está sempre cheia de turistas, ao vê-la passar olhavam quase sempre para trás, porque o seu porte esbelto e firme era de uma graciosidade que apetecia olhar.


Vestia sempre um tailleur de saia bem justa até ao joelho, o fato preto que lhe era exigido usar pela empresa mas que lhe assentava como a ninguém. O casaco vincava-lhe a cintura, e a sua cor preta favorecia-lhe ainda mais a silhueta. Por baixo, uma blusa branca, sempre impecavelmente branca, davam-lhe um ar distinto. Junto ao pescoço um fio de ouro branco muito fino com um pingente com a letra “L”, e no dedo anelar da mão esquerda a aliança que Luís lhe colocara no dia do casamento e que ela nunca deixou de usar. No Inverno, que na ilha nunca é muito rigoroso na temperatura, colocava muitas vezes um lenço no pescoço de forma que só ela sabia usar. Sobre o fato usava um casaco comprido também cintado, preto ou azul-escuro. Nos pés, sempre uns sapatos pretos de salto alto, formais mas elegantes o suficiente para transformar o seu porte ao andar no mais gracioso de todos.


Que fosse visível na rua, nunca mais vestiu cores claras além das suas camisas brancas, mas tudo o que vestia assentava-lhe tão bem que seria erro mudar. E depois o seu pisar na calçada, a sua passada certa e segura, tendo em conta que usava sempre aqueles sapatos com um tacão que lhe favoreciam as formas, era de tal forma elegante e belo, que tudo junto faziam de Marta uma mulher linda, diferente e muito especial. Resolvera vestir-se sempre como se o Luís estivesse ao seu lado a acompanhá-la e isso dava-lhe energia para continuar. Seria difícil arranjar um homem como o Luís para colocar no seu lugar, e apesar dos elogios e rodeios que de vez em quando lhe dirigiam alguns colegas ou amigos, estava segura que estava muito bem assim. Não queria mais homem nenhum na sua vida.

Laura que tinha três filhos e tinha uma relação um tanto estremecida com o marido pois apesar de muito amigos e unidos, Laura queixava-se a Marta de se sentir e saber mal-amada, dizia-lhe sempre:

- Deixa-te estar assim, que se já te acostumaste é assim que estás bem. Não tens que prestar contas a ninguém. Controlas o teu tempo e a tua vida como queres. É que casadas nem sempre tudo corre bem, e tu isso não podes avaliar pois infelizmente estiveste casada pouco tempo. Olha o que eu passo com o meu marido por ser ciumento, e depois comigo na cama ser um egoísta. Inventa-me namoros, e tudo o resto que sabe que não tenho, mas mói-me com isso, como te tenho contado. Sou uma mal-amada. Um sacrifício! Mas que hei-de fazer se gosto dele é o pai dos meus filhos, e até é meu amigo.
 
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Mirrar nunca!

Self-disclosure   de: João vasco coelho

Dito-dito.


morro por viver
vivo morto
o ar imenso
esqueço ardo


morro por viver
num esmero
de entoação da fala


vivo
ainda por aqui danço
ainda aqui estou por morrer
ainda aqui estou por mirrar


um tubérculo ínfimo
feito das coisas que se permitem


morro por viver
por não saber
o que poderia ter feito mais


acabo sempre por ficar
sempre quase
sempre quase

Do blog Starjamming by João Coelho  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sonho-te

    Sonho-te

   Estavas ali deitado a meu lado,
   Vi o teu corpo, rodeei-te com os meus braços,
   e tu abraçavas-me como sempre sonhei que o fizesses.
   Eu desesperada, prendia-te forte e não queria deixar-te partir.
   Alguém te puxava de mim, e tu querias fugir, partir dali do meu abraço,
   do meu colo sedento de carinho e do teu apoio.
   Faz-me tanta falta o teu abraço, o teu consolo.
   Tenho saudades dos teus abraços, do calor do teu corpo.
  O teu cheiro permanece em mim mas vejo-te sempre partir
  e o que resta da força que pressinto dos teus braços,
  é muito pouco para saciar o meu desejo.
  Tens sempre tanta pressa, tanto cansaço!
  Fazes-me falta...pára um pouco, atende ao meu apelo,
  e fica calmo junto de mim mais um pouco
 olha-me no rosto e depois em silêncio, mesmo sem saber,
  toscamente e como desejares, aquece-me nesse abraço quente.
  Deixa-te ficar, aperta-me, beija-me, sufoca-me de carinhos
  que eu gosto..
  Preciso tanto que o faças...
  Ama-me como sabes,
  que mesmo assim é esse amor que tens que eu desejo tanto!
  Mas era tudo um sonho...
  Vê se voltas...

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Adeus

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,

e o que nos ficou não chega

para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,

... gastámos as mãos à força de as apertarmos,

gastámos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;

era como se todas as coisas fossem minhas:

quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.

E eu acreditava.

Acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,

era no tempo em que o teu corpo era um aquário,

era no tempo em que os meus olhos

eram realmente peixes verdes.


Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade,

uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor,

já se não passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



Eugénio de Andrade, in “Poesia e Prosa”

Tema(s): Amor Ler outros poemas de Eugénio de Andrade //
 
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Estou só!

Estou só. Não sei por andam os que me amam, todos fugiram de mim! E não me peçam para não sentir mais do que isto, pois não sou capaz!

Mas eu estou aqui, só que estou só, vazia, cada vez mais só e sem ter nada. No meu pensamento brotam manchas negras que não são as realidades que gostaria de pensar, de sonhar, mas brotam de mim duras e cruéis cada vez com mais intensidade.

Tudo e todos me fogem, é o que sinto. Não tenho mais nada, e o que me resta também irá embora. Mas será que alguma vez tive alguma coisa?

A casa é grande e está maior ainda desde cada dia que passa. Dentro dela sinto-me uma gigante amedrontada de frio, alma gelada, amedrontada de não saber nem entender nada. Estou congelada do medo da solidão, do vazio que sinto à minha volta na minha alma, no coração, nas minhas mãos...

Tiraram-me tudo, dia a dia vão-me levando tudo. Mas tudo o quê se nunca tive nada?

Sinto-me vazia, oca, perdida, sem um apoio afeiçoado para descansar, um colo quente e fofo, umas mãos macias carinhosas, aquelas que tristemente não recordo, mas acalento em mim como uma falta que nestas horas me animaria, no aconchego de um regaço delicado.

Como estou só, e como o lamento!

Despeço-me aos poucos do que imaginei ser meu, mas decerto nunca foi. Perco-me em sonhos, com a ideia de poder ainda viver o que o tempo já consumiu e me roubou, se por um acaso chegou a ser meu.

Nem sei que faça. Se pare ou continue.
Mas parar é morrer para sempre, desaparecer e nunca mais ver os que retenho no coração. O amor que lhes tenho, esse, ninguém mo vai levar nem mesmo a morte.
Mas continuar, é viver num desespero de sossego preocupado e constante, num vazio que eu sinto gelado, sem nada, sem nada nem ninguém com quem falar, estar ou partilhar.

É estar oco, vagueando olhando o céu, sentir a chuva, o sol ou o luar e pensar que bom é viver, mas não ter nada, estar preso áquele lugar e não conseguir sorrir ou sonhar, apenas chorar e querer fugir dali, procurar qualquer coisa algures noutro lugar, mas não ter pernas para fugir e caminhar.

Eu não tenho nada, já não tenho mais nada e não quero isso, mas mesmo sem o desejar, nem saber como fazer para sobreviver, quero viver, quero sentir-me uma vez, mesmo que seja só mais uma vez amada por todos os que amo e se esquecem de mo dizer agora enquanto penso e sinto, agora que estou só e triste e tudo me foge e eu fico sem nada.

Afinal dizer, "eu amo-te" não custa nada!

E eu amo-vos muito, ouviram???? Amar-vos-ei sempre, mesmo para além do tempo do já não ter nem ser nada!!!!

AMIGOS !

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Descobri o " CAMTICA" !

Este Natal muitas coisas diferentes me aconteceram, um amigo meu ficou muito doente, mas para me compensar desta tristeza, a minha filha casou e correu tudo lindamente.

Tive mais dificuldades em adquirir as prendas que desejava oferecer aos meus amigos e familiares, por falta de variadas coisas, mas tantas voltas dei à cabeça que penso ter conseguido satisfazer as minhas necessidades nesse campo, e os ter deixado a todos contentes naquela noite!

Ofereci a cada um algo que os fez sorrir!

Sim neste NATAL, todos ficaram felizes!
E eu também!

Com as tantas buscas que fiz  descobri o CAMTICA.
Muito útil para criar videos com toda a facilidade e perfeição, gravar e promover produtos para cliente em diversas áreas.
Criar videos que possam responder a clientes, a dúvidas e outras questões  que eventualmente estes possam ter.
E tem tantas outras possibilidades de utilização!
Produz ficheiros em formato standart AVI e WMV.

EXPERIMENTE-O, mas não deixe de o fazer!

Veja neste link:"http://jiteco.com/screen_recorder_software.html

Fotos do Google