quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Perder um Amigo....



É sempre muito triste quando um Amigo parte para sempre.

São muitas as lembranças que toda a vida

encheram a nossa alma de alegria

por o ver sorrir, caminhar e ser feliz.

A sua presença está e ficará sempre no espaço,

aqui, ali, junto de nós,

na nossa mente acordada e ainda atenta.

Senti-lo sorrir não custa, mas dói, é difícil,

é penoso demais suportar a sua ausência.

Há sempre um dia em que tudo muda na vida da gente.


Nele que partiu ainda há pouco,

os caracóis do cabelo descaíram,

deixaram de ser loiros e até caíram.

Perdeu a força nas pernas, nos braços,

a vontade de falar, de caminhar, de viver 

e mais grave ainda, a vontade que tinha de sorrir.


Há muito que se fora o desejo de tocar,

já não tinha força, não valia a pena..

tudo passara.









Do seu esbelto corpo, 

do seu sorriso franco e amigo,

mais nada se esperava.

Tudo partira antes dele 

deixando-o velho, esquecido, seco, mirrado.


E a sua boca linda que tocava 

que beijou e foi beijada,

que falou de amor e foi amada,

que segredou amor a mil corpos sedentos

 a quem ele se deu e  por amor ou não, 

a ele se entregaram,

partiu também com ele,

dizem que para o outro lado,

mas partiu junto com ele,

sem deixar recados,

depois de muito sofrer e não tocar mais nada.


Que  idílicos segredos fez nascer em ouvidos apaixonados,

quantos corpos bailando sem parar,

nos salões dos bailes que animou e se entregaram de amor

 e por amor ou paixão, se amaram.


Quanta alegria depositou em corações despedaçados

cujos corpos dançando, lentamente se entrelaçavam,

e unidos permaneciam nesse rodopio constante,

num encanto vivo, terno e doce, até de madrugada.


Quanta musica tocada com paixão fez rodopiar pelos salões corpos que felizes se roçavam,

que só pelo toque suave se desejavam e de mãos muito unidas,

assim se comprometiam e prometendo-se um ao outro para todo a vida,

assim ficavam.

















É sempre muito triste quando um amigo parte de vez,
mesmo que nos digam que amanhã outra estrela brilhará mais intensa no céu,
algures no firmamento.


Falta senti-lo perto, olhá-lo, 
vê-lo sorrir, cantar, tocar, amar e
 fazer amar os outros como fez outrora e sempre.
Ser outra vez ele, poder abraçá-lo....novamente.


Mas não pode ser...a vida não permite que nada volte atrás.
Temos que esperar calmamente...
até que chegue a nossa vez...

E quem sabe mais tarde noutras festas, noutros bailes,
valsaremos infinitamente juntos,   
e para sempre em PAZ!

Fotos do Google

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O AMOR !



O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..


Fotos do Google

x

AMOR TOTAL...



Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Vinícius de Moraes

Foto do Google

Saudade!



Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Cartas de amor!




                                                                  Fotos do Google

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O valor da Amizade...


A amizade por alguém
pode surgir em qualquer idade,
em qualquer momento,
por alguém que nunca vimos antes,
ou então, alguém que já víamos
mas não conhecíamos de verdade,
alguém de quem ouvíamos falar
que até passava por nós,
mas era só mais um mortal igual a tantos.

Aos poucos esse alguém por um motivo qualquer
introduz luz na nossa vida,
instala-se nela para ficar,
para nos ouvir e apoiar,
dar carinho e estar atento,
para nos dar um abraço a qualquer hora,
com tempo para nos fazer sorrir,
fazendo com que a vida,
a  nossa vida, por vezes cruel e dura,
fique mais leve ,
mais doce, risonha e prazenteira.
E vai ficando connosco para sempre
preso a um fio invisível que não se vê
mas que se sente para sempre,
que sabemos forte, duradouro e permanente.

A amizade acontece por alguém
que conhecemos há muito
ou há pouco, tanto faz,
que crescendo devagar ou de repente
cimentou em nós a confiança,
para brotar num momento certo,
conseguindo mostrar-se pura e de  coração aberto,
fazendo por nós e para nós
o que nunca ninguém sinceramente tinha feito antes.



















Se formos honestos e verdadeiros,
se tivermos para dar o que esperamos receber,
se estivermos disponíveis um certo dia,
naquele dia exacto,
numa certa hora e a deixarmos entrar sem receio por nós adentro,
porque a amizade espera de nós
a estima, a consideração e o respeito,
que o amigo que nasceu para nós
tem para nos dar em troca,
a nossa vida muda, ganha mais sentido e cor,
e por sentirmos sempre presente um braço amigo
faz-nos sentir mais fortes,
Homens de verdade para a vida.

Que seria de nós sem ter um amigo,
mesmo que seja só um, mas verdadeiro?
Que será feito dos homens que os não têm ?
 por onde andam?
 Sem amizade, sem amigos
 os homens vegetam.... andam perdidos!


  Fotos do Google

sábado, 4 de agosto de 2012

...MARTA...



Aquele aperto de mão encerrava um toque que na mão de Filipe o fez estremecer. Por aquele momento ele esperaria outro tanto tempo, mas sair dali sem se despedir de Marta é que não podia acontecer. 
Naquele dia um pouco talvez por não ter ali a presença de Sílvia, apertou forte a mão a Marta e num segundo ainda com a sua mão segurando a dela aproximou-se do seu rosto que parecia veludo e deu-lhe um beijo. 
Marta estremeceu, não esperava aquele contacto e Filipe sentiu esse arrepio que foi correspondido porque também ele vibrou de emoção. Laura percebia tudo, só Marta não queria ver porque de facto não lhe interessava. 
Para esta, Filipe não era mais que um cliente, era um amigo como outros que tinha e naquela altura muito importante, pois precisava da sua ajuda, mas somente isso, um amigo com que podia contar.

OS amores de MARTA!


Filipe era gastroenterologista, uma especialidade em desenvolvimento havia pouco tempo, desde o início de 1990, no principal Hospital do Funchal, especialidade que tinha tirado num hospital em Lisboa com muito sacrifício pois exigira dele várias vindas e idas ao Continente. 

Foi nessa altura que Sílvia desenvolveu dentro dela o  medo infundado de perder o seu amor. Quando das ausências absolutamente necessárias de Filipe ao Continente, quando este preparava a sua especialização, ele entendia a sua angústia e tristeza e tentava compensá-la por ter que a deixar, a ela e ao filho, esses períodos sem ele, sem nunca imaginar que ela se transformaria com isso numa mulher tão ciumenta e possessiva.

Mas na verdade a partir dessa altura Sílvia apesar das várias virtudes que tinha, deixou aumentar dentro de si sentimentos de posse excessivos e outros análogos que em nada a beneficiavam. 
Se supusesse que o marido tinha um caso com alguém, ninguém lhe demovia essa inquietação e mania da cabeça. Inventava-lhe namoros com enfermeiras ou médicas colegas, comparando a vida dele à vida passada num filme ou qualquer novela da TV, onde houvesse um protagonista que sendo médico vivia de namoricos no hospital. 

Sílvia tornava-se assim por vezes uma mulher difícil, o que lhe dava instabilidade e inconstância emocional para orientar o seu dia-a-dia com calma e serenidade. Se pudesse, teria o marido sempre junto de si, sendo professor como ela, preso a ela como um animal de estimação, ou uma jóia rara, mas sabia que isso não podia ser. De nada valiam os conselhos que as amigas lhe davam quando ela se lamentava, pois até delas desconfiava por lhe dizerem bem do marido. 
Filipe gostava dela, e ao princípio até gostava de ser tão adorado, mas ultimamente já lhe incomodava o seu excessivo zelo e as imensas questões que ela lhe colocava.
Se o marido chegava mais cedo a casa, ela desconfiava, mas se se atrasava desconfiava também. Se tinha algum serviço extra não agendado, alguma urgência ou até uma substituição que fizesse para ajudar um amigo tendo que pernoitar inesperadamente no hospital, Sílvia desorientava-se igualmente e enchia-o de perguntas quando ele chegava a casa. Imaginava-o constantemente envolvido com enfermeiras ou médicas bonitas que faziam com ele tudo o que lhes estava vedado, por não passarem de colegas.

Aquela relação era estranha, não pela falta de amor entre ambos, mas pelo amor em excesso e doentio, pela falta de compreensão e desconfiança de Sílvia no marido, ela que ia sofrendo em silêncio todas as situações mirabolantes que criava na sua cabeça, como se fossem de facto verdades vividas por Filipe. Pensava muitas vezes que acreditava e confiava nele, queria muito admitir isso, mas não confiava nas mulheres que o rodeavam. 

Ultimamente havia dias que Filipe chegava tão cansado que fazia tudo para não dar muita importância ao que Sílvia lhe dizia, para não se aborrecer. Precisava de descanso e sabia muito bem que a mulher o amava, que tudo o que esta lhe dizia era pura imaginação, mas as suas conversas sempre sobre o mesmo assunto enfadavam-no. 
Amavam-se, mas muitas vezes amuavam e ficavam aborrecidos pelas dúvidas doentias e descabidas de Sílvia. Filipe não podia tratar da mulher como uma doente, não aprovava nem aceitava isso, mas ele sabia que ela era uma pessoa ansiosa, obcecada e compulsiva. 


Sílvia ainda não se apercebera que sem dar conta estava gradualmente a afastar dela o homem a quem tanto queria. Mas pouco havia a fazer, pois eram as suas vidas e Sílvia parecia cega.
Sílvia vivia tão enciumada, que ao ver Marta naquela tarde tão jovem e viúva mas tão segura de si e com uma filha crescida para a sua idade, não conseguiu evitar que sobrevoasse pela sua mente um rasto de inveja pela sua postura e atitude firmes, surgindo-lhe a ideia que o melhor seria o marido nunca mais a encontrar, como se isso fosse possível acontecer daí para a frente numa ilha como aquela. 

Afinal nunca se tinham encontrado até àquele dia, mas a partir daí como os filhos eram colegas e amigos, não seria difícil isso voltar a suceder nalgum encontro casual e isso assustava Sílvia, fazendo-a tremer. 
Ela iria fazer tudo para o filho não brincar de coisa alguma com Joana, muito menos pensar em a namorar mesmo que só de brincadeira, para evitar que Filipe um dia encontrasse aquela jovem viúva e bonita  que lhe pareceu tão elegante, de quem ela não tinha nada a apontar senão o facto de ser desimpedida, pois ainda se poderia atirar um dia nos braços do marido.

"Um excerto do romance que ando a escrever:) Ainda sem revisão!"

Inês Maomé 


A Felicidade é....




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Caminhei depressa....e não devia!



Caminhei, caminhei apressada demais para aqui chegar,
para os ver viajar no mundo, soltos e  livres,
amados por alguém, seguros e felizes,
derrubando barreiras sem medo e com sentido.
Só agora reparo que não valia a pena tanta pressa,
sim, para quê tanta caminhada, tanta correria,
se não os  apreciei em cada passo como deveria?


Tinha medo e escondi-me de muita coisa,
fugindo de sentir próximo de mim o que me agitava,
coisas muitas vezes insignificantes,
mas importantes para eles
que eram o meu e o seu mundo
que eu devia amar como eles amavam,
vivendo perto deles cada segundo,
estando sempre presente,
mas que feita cobarde fugi sempre em silencio quanto pude.




Devia sentir e olhar com eles o que eles desejavam,
coisas singelas, banais, que eram os seus sonhos da altura,
mas que sem eu o entender ou aceitar,
sem jeito nem graça me assustavam
fazendo bater veloz  o meu coração insensato,
que descompassado me infligia dor e medo,
tanto que me fazia esconder e fugir da sua vida nesses momentos.


Vê-los crescer com calma ,
devagar em cada dia
quando viviam a meu lado e me chamavam mãe todos os dias,
era o que eu agora queria.
Voltar a viver com eles tudo o que rejeitei por ter medo e não saber o que era a vida,
era o que eu mais queria.


Agora quando olho para trás verifico que o tempo voou sem eu dar conta.
Envelheci, os filhos cresceram, estudaram, casaram , são independentes,
e esta minha casa, a sua, a nossa casa,
ficou despida de tudo, até dos medos antigos,
ficou vazia,
sem vozes, sem movimento, sem sorrisos lindos.
Eu aqui sentada olhando o tempo percorrido,
parada, sem sentido, apenas cansada daquilo que por mim não foi vivido,
gostava de os ter comigo mais tempo ainda
para os sentir coisa minha muito querida,
para lhes chamar meus a cada instante,
abraçá-los de repente,
tê-los ao colo, chamar-lhes meus amores,
como o fazia quando eram pequeninos.





Mas os filhos quando crescem não são das mães
nem de ninguém
são como eu, como tu e tu,
são do mundo que nos comanda o dia e a vida como bem lhe interessa.





Caminhei , caminhei apressada demais para aqui chegar 
e não valia a pena,
que o tempo e a vida são apenas uma...




Fotos do Google

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

" mulher"..eterna


"Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?


Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.


Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.


Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim! "


(Miguel Torga, in 'Diário IV')

Fotos do Google

Ser gente....



Era uma miúda apagada,
de semblante triste e sombrio.
A saia às pregas que vestia ao domingo
caía-lhe mal, mas era assim que lhe assentava
fazendo dela uma menina diferente,
e que mesmo assim ela gostava.

Fora a mãe que a costurara
como todas as que tinha.
Só mais uma, a que usava à semana
tapada pelo bibe,
feito da velha camisa coçada,
a mais antiga e usada que o pai tinha,
mas que vestido por cima da saia
lhe dava um ar arranjado,
como se fosse uma menina fina,
tal como as primas da cidade
que apareciam sempre bem vestidas,
e ao olhar a fascinavam
como se fossem bonecas de porcelana,
da mais pura e delicada.

A camisola de malha,
feita pela mãe, com o fio gasto e poído
por ser reaproveitado,
aconchegava-a do frio, e ela sentia-se bem.

Na cabeça um laço de seda barato,
apertado,
feito moinho de cata-vento
arrepiando-lhe o cabelo até ao máximo,
não deixando nenhum fio de cabelo solto ao vento.

E disto, sim, ela não gostava,
porque a magoava, prendia,
porque naquele aperreio forte e dorido,
sentia que perdia a liberdade de ser gente.


Fotos do Google

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Desejos... sonhos doces.


Que bom seria se eu pudesse  ver filmes todos os dias,
comer todos os gelados que mais gosto,
trincar, saborear chocolate preto com vinho do porto melhor,
mesmo que isso me fartasse e enjoasse quase até à morte.

Comer queijo do que gosto com chouriço,
beber vinho tinto do mais seco e doce,
comer pasteis de massa tenra e de nata,
pasteis de bacalhau, bolas de berlim a qualquer hora
e tudo que  toda a gente gosta
e eu aprovo porque também gosto.
Beber vinho branco, champanhe caro,
sumos frescos adoçados ao meu gosto
com muito bolo de anos
o que mais aprecio a qualquer instante.

Que bom seria se eu dançasse sem parar
até de madrugada e sem cansaço,
conseguisse pular, saltar, mexer-me como outrora sem limites,
e depois bem tarde, pela noite adentro ou de madrugada,
sentir que me desejas, me amas ainda como se fossemos jovens puros e inocentes como antes,
prontos para aprender aquilo que nunca chegamos a fazer,
por não saber.

Ouvir-te sussurrar palavras doces ao meu ouvido atento,
sentir-te ardente de desejo por me possuir
estar tomada nos teus braços meigos, fortes e amorosos,
deixando-me seduzir num tal deleite
que mesmo que quisesse não conseguisse nunca deles fugir.

Mas mesmo podendo, nunca vejo filme algum,
não danço como queria,
nem como pasteis de bacalhau todos os dias
e por mais que o deseje não te sinto meigo e doce,
não como se  fosses um pastel de nata ou uma bola de berlim
e eu o vinho do porto
o meu desejo de te sentir em mim.

Fotos do Google

Não à morte...Não à vida!


Ficou-se lentamente até que se foi um dia,
não se sabe se com dor , com pena, ou por desejo.
Partiu com o corpo mirrado e seco,
sem ter já o aspecto do homem que sempre fora outrora.

Há muito que não comia como devia,
não falava e não se sabia se ouvia.
Parecia que dormia.
Mas se pensava, ouvia ou percebia,
nem ela sabe, que estar assim já não era vida.

Apagou-se cada dia mais um pouco,
até que num certo instante,num dia à noitinha,
sem se importar com nada nem ninguém,
disse adeus a tudo, fechou os olhos para sempre e foi embora.

Ela viu-o morrer devagarinho,
perder aos poucos tudo o que fez dele um dia,
um homem forte, robusto e lindo.
Mas mesmo fraco e débil, deitado naquela cama,
ela queria-o junto dela todos os dias,
pois a luta dela pela vida dele, era mais que sentida, era o amor que resistia.

No dia  em que o viu partir
e muitos outros que se seguiram
chorou inconsolável de amargura.
Agora só pensa nele,
não entende porque se foi tão cedo
porque lhe fugiu, se o cuidou sempre como ele precisava.
E mesmo estando cego, surdo e mudo
queria-o junto dela cada instante
porque o amava e ele era o seu fascínio desde menina.

Hoje cuida das suas roupas,
lava-as, passa-as a ferro,
areja muito bem tudo o que é dele,
e abraça-se a chorar sem ninguém ver
aos fatos e às camisas que ele vestia
quando ainda tinha vida,
e era o homem vivo e forte que tanto bem lhe queria...

Saudades do AMOR


Anda apressada como se fugisse do tempo,
que agora sem ele a seu lado é mais que lento.
Primeiro vestiu-se toda de preto,
cortou os cabelos loiros,
compridos, loiros e desgrenhados
que dizia usar assim,
porque como me contou um dia,
ele adorava vê-la com eles soltos,
desgrenhados e ao vento.
Carrega consigo o peso da tristeza,
o vazio das longas noites vazias e sós,
e olhando sempre o chão, 
parece esconder-se do mundo que a vê, 
o mundo que ela não quer mais viver sem o ter com ela.

De repente ele partiu, 
deixou-a só, com uma dor que lhe inundou a alma, 
lhe encharcou a carne e os ossos, 
a faz mirrar de amargura cada dia mais um pouco.

Se ela pudesse tinha-o preso a si  eternamente,
com amarras mais potentes
muito mais que o amor imenso e o carinho que lhe deu.  
Mas não foi capaz, não teve forças, 
foi impotente e tal como ele,  
não resistiu,
e viu-o partir estando junto dele, 
naquela viagem derradeira a que mesmo fugindo ninguém escapa.

Agora  já despiu as vestes pretas,
e o cabelo já lhe cresceu um pouco,
mas o passo que a leva até ele todos os dias, 
é o mesmo de outrora,
pesaroso, louco de raiva pela perda que não aceita. 
Um passo apressado, lamurioso,
com uma cadência penosa, única e só dela.  
E a dor que a percorre parece que cresce
e é hoje mais penosa e intensa ainda.
Por dentro habita-a uma escuridão eterna
e um negrume denso
instalou-se de vez no seu coração mirrado e triste.





Só de a olhar, vê quem reparar bem  
que tem os olhos chorosos espetados de amargura,
olhos sem luz nem vida que morrem de dor.
As janelas da sua alma e da sua mente
perderam o interesse o brilho e a cor,
e vivem num luto permanente.


Fotos do Google

terça-feira, 31 de julho de 2012

Queria ser gente!

Hoje,
decerto hoje gostava de te ver aparecer,
de te ver sorrir para mim devagarinho,
de te sentir de novo como antigamente,
de te ver a cor, o cheiro,
sentir o teu perfume quente,
o teu gemido ofegante e ardente,
de me encostar a ti e tu a mim
e por instantes
saber-te meu e eu tua, para sempre
e inteiramente.

Ontem,
fugiste de mim sem eu dar conta,
partiste sem deixar sequer uma mensagem
sem te despedires,
sem dizer um adeus ou até nunca.
Simplesmente, um dia distante lá para trás,
partiste, foste embora
e desde então não voltaste ainda,
resolveste sair, partir, bater a porta em surdina
deixando-me na incerteza da teu regresso um dia.


Hoje,
tu sabes bem que hoje sem te ver,
vivo triste e mais amargurada,
que sem te ter comigo de quando em vez,
a vida é  mais dura,
mais cruel ainda.
Sinto saudades tuas, do teu consolo.
Fazias-me bem, davas-me alento,
davas-me riso e força, e cor e brilho
e lembras-te ainda??

- fazias-me sentir gente! 



Fotos do Google

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mãe, a minha ....



Penso tantas vezes em ti mãe,
mas tu estás longe,
não me ouves e deixas-te ficar no teu descanso .
Esperas que te visite amiúde,
mas tu mãe, sabes que isso me dói,
e também tu nunca mais me procuraste no meu canto.

Custa-me tanto viver este martírio,
estar assim fugida de ti, afastada e marginalizada sem razão,
escondida por algo que não fiz, não entendo,
só porque alguém cometeu um erro louco
me apontou o dedo, me chamou ingrata,
me escondeu de si a sua mão e o coração,
me roubou o colo e o aconchego da casa onde moras
que também já foi minha quando fui moça.

Custa-me saber-te aí todos os dias
e eu triste e só aqui sem te visitar,
sem te ouvir, sem te falar,
sem ver os teus olhos verdes, que mal vêm já os meus,
mas que eu gosto de olhar.
Sem te poder dizer tudo o que sinto,
e ouvir dizer de ti mesmo sendo mentira:: "filha estás bonita".

Preciso que me digas coisas que aliviem o meu pesar,
que me ouças, me deixes falar, que entendas o que vivo,
que sejas minha  mãe de alma e corpo inteiro,
enquanto ainda é tempo de estares comigo e eu contigo
partilhando tudo o que podemos e temos para nos dar.
Vamos, vem também tu ter comigo,
perde o medo e vem estar a meu lado pelo menos um dia,
uma tarde, um momento único para ambas, e vamos conversar.

Mas tu não sabes nem entendes o que sinto,
pois se nunca percebeste bem o teu lugar,
como podes agora, que fui posta de lado, reagir,
se nunca deixaste de falar, falar muito,
mas permanecer em silêncio logo que alguém de voz grave te manda silenciar?


Mas  mãe levanta essa cabeça, vem-me visitar pelo menos só mais uma vez,
antes que alguém te leve e não possas,  mesmo que queiras,
sentir e olhar mais o meu rosto, chamar-me filha linda,
e bem juntinho e unida a mim para sempre ficar como sei que gostarias.


Sabes mãe,
amanhã ou quem sabe ainda hoje irei eu bater-te à porta e entrar,
dar-te um beijo, dizer-te que estou bem, muito bem,
e depois voltar mais animada para o meu canto,
aquele canto onde me refugio,
onde ainda espero que um dia me procures,
onde há muito tempo não te vejo a ti entrar!

Fotos do Google

domingo, 29 de julho de 2012

Estou à tua espera...

Podes vir quando quiseres que estou à tua espera,
mas quando chegares não batas à porta,
entra devagar e não me assustes.
Entra no meu espaço de mansinho
para que eu, que vivo assustada, nem te pressinta.
Ao contrário do Sol que abre os olhos de madrugada lentamente
e à noite os fecha sempre devagarinho,
usa na tua visita essa mesma singeleza,
mas fá-lo num segundo apenas.

Acomoda-te no meu colo,
no meu corpo, na minha mente,
entra em mim toda e sem eu me aperceber
domina-me completamente.
Mas não te esqueças, fá-lo de forma suave,
tão suave e ténue que eu não o pressinta,
tenho medo de querer fugir-te por algum instante,
e zangada por me visitares te vás embora de repente
deixando-me perturbada e combalida para sempre.

Sei que decerto ainda é cedo para chegares,
e porque és para todos quase sempre
visita inesperada e mal aceite
também te temo, porque também sou gente.
Mas se quiseres, podes vir como fazes muitas vezes em segredo.
Sem me assustares, toma-me do meu sono quedo e mudo
e com o teu braço forte e firme,
leva-me a voar contigo para longe
que eu prometo que te sigo e não tenho medo.

Podes vir quando quiseres que estou à tua espera
e se prometeres que me levas como se fosse um sonho
e nunca mais me voltas a colocar neste meu mundo,
podes levar-me agora que estou pronta
que de penas e de mágoas já me bastam as que tenho agora.

Vem amor, abraça-me...


Vem ter comigo
deixa-me abraçar-te de mansinho,
abraça-me tu também com mil carinhos,
deixa que me abrigue no teu regaço meigo e doce,
sem que o notem  sequer os passarinhos.

Vem buscar-me de madrugada,
ao deitar, ao acordar, tanto me importa.
Mas vem, vem ter comigo de repente,
vem, não tenhas medo de me levar como pretendo,
que prometo percorrer contigo os que são teus
e serão também os meus caminhos.

Preciso partir contigo,
conquistar novos mundos e horizontes,
conhecer outros prazeres,
todos aqueles que nunca me mostraste e desconheço.
Preciso fugir deste meu canto
onde me canso, me arrasto, rastejo de dor,
onde tenho fome de amor
e onde morro mais um pouco todos os dias.

Irei contigo para onde me levares a qualquer hora,
tu sabes que a teu lado estarei firme, segura e forte
e que a teu lado não terei mais medo. 
Abraça-me amor, abraça-me devagarinho
vem, não tenhas medo, cobre-me de beijos lânguidos, sentidos,
e leva-me a viajar pelo mundo fora sem destino.

Abraça-me no teu abraço quente de doçura
que o tempo não vai deixar perdurar para toda a vida.

Ouviste?
Vem buscar-me já que se  põe tarde,
vem buscar-me, não demores e leva-me contigo,
que só de pensar que o farás em breve
eu acalmo,
adormeço e me deleito em ti tranquila,
sentindo nos meus olhos o sorriso
que desejei sentir um dia,
quando ainda me desconhecias
e eu era ainda uma criança pequenina.

Anda, vem buscar-me e dá-me esse carinho lindo que tens contigo,
que eu não tenho e nunca tive,
mas que procuro perdidamente ainda!

Fotos do Google

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Amores Perdidos




Tanto tempo partilhado, tanta cor,

tanto brilho nos sorrisos,


tanto tempo de mãos dadas,


unidas partilhando caminhadas.


Mas só isso é muito pouco,


foi sempre muito pouco,


tão pouco,


que agora que penso


me parece nada.




Se debaixo de mim brotam desejos ardentes,


ensejes de viver paixões e outros amores mais fortes,


mais quentes e celestiais


porquê esconder-me nesta capa que me abafa,


me sufoca, me mata aos poucos


me obriga a fechar os olhos,


a negar a vida, a dizer sempre não,


a viver triste, azeda e descontente?


Quero este, aquele outro,


em qualquer momento, a qualquer hora,


quero todos que me amam, nada mais,


quero sentir paixão e amor ardentes


por ti, por aquele ali ou por aquele outro além, tanto me faz,


mas quero sentir a vida pulsar dentro de mim,


arrancar este vazio que me inunda brandamente,


me destrói e não dá paz.


Sim, não quero mais viver a solidão.


Não sei o que é o amor, penso que não,


e muito menos sei o que é paixão,


mas sinto que preciso viver esses prazeres,


essas sensações de bem querer e querer bem


ser amada, amada, eternamente amada e amar alguém.


Sair do mundo, fugir da vida, sorrir,


ser feliz


e não ter medo de nada.





Estou tão parada, amarelecida pelo tempo,


Sem firmeza, engelhada, encurvada pela espera,


pelo desalento tão cansada


que já esqueci tudo,


perdi todas as vontades


e não quero mais nada.


Se hoje é Verão isso que importa?


Acordei de manhã cedo e tudo estava negro e baço.


Eu tinha frio e desalento e medo, medo, muito medo.



Para mim há muito que se foi a Primavera.


Agora espero que este Verão gélido passe e


que o Inverno doce me acolhe em seu regaço.






Fotos do Google