sábado, 16 de julho de 2011

Tudo ilusão!!

                                Poema para Iludir a Vida
Tudo na vida está em esquecer o dia que passa. 
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste, 
um cedro, areias, raízes, 
ou asa de anjo 
caída num paul. 
O navio que passou além da barra 
já não lembra a barra. 
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar 
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos 
                                                                               [portos. 
Hoje corre-te um rio dos olhos 
e dos olhos arrancas limos e morcegos. 
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje 
                                                                                 [o fim 
e que há certezas, firmes e belas, 
que nem os olhos vesgos 
podem negar. 
Hoje é o dia de amanhã. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"

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Sempre o AMOR !


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sexta-feira, 15 de julho de 2011

A AMIZADE


                   
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
O Homem é do tamanho do seu sonho.Fernando Pessoa

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...
Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa )

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.
Fernando Pessoa

Poesia & CiaMais

AMOR

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer


Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!


Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Fernando Pessoa
Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos     



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Hoje é o dia de amanhã

Fernando NamoraFernando Gonçalves NamoraPortugal1919 // 1989Escritor/Poeta/Médico
Poema para Iludir a VidaTudo na vida está em esquecer o dia que passa. 
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste, 
um cedro, areias, raízes, 
ou asa de anjo 
caída num paul. 
O navio que passou além da barra 
já não lembra a barra. 
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar 
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos 
                                                                               [portos. 
Hoje corre-te um rio dos olhos 
e dos olhos arrancas limos e morcegos. 
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje 
                                                                                 [o fim 
e que há certezas, firmes e belas, 
que nem os olhos vesgos 
podem negar. 
Hoje é o dia de amanhã. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"



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As coisas transitórias






As Coisas TransitóriasIrmão, 
nada é eterno, nada sobrevive. 
Recorda isto, e alegra-te. 

A nossa vida 
não é só a carga dos anos. 
A nossa vereda 
não é só o caminho interminável. 
Nenhum poeta tem o dever 
de cantar a antiga canção. 
A flor murcha e morre; 
mas aquele que a leva 
não deve chorá-la sempre... 
Irmão, recorda isto, e alegra-te. 

Chegará um silêncio absoluto, 
e, então, a música será perfeita. 
A vida inclinar-se-á ao poente 
para afogar-se em sombras doiradas. 
O amor há-de ser chamado do seu jogo 
para beber o sofrimento 
e subir ao céu das lágrimas ... 
Irmão, recorda isto, e alegra-te. 

Apanhemos, no ar, as nossas flores, 
não no-las arrebate o vento que passa. 
Arde-nos o sangue e brilham nossos olhos 
roubando beijos que murchariam 
se os esquecêssemos. 

É ânsia a nossa vida 
e força o nosso desejo, 
porque o tempo toca a finados. 
Irmão, recorda isto, e alegra-te. 

Não podemos, num momento, abraçar as coisas, 
parti-las e atirá-las ao chão. 
Passam rápidas as horas, 
com os sonhos debaixo do manto. 
A vida, infindável para o trabalho 
e para o fastio, 
dá-nos apenas um dia para o amor. 
Irmão, recorda isto, e alegra-te. 

Sabe-nos bem a beleza 
porque a sua dança volúvel 
é o ritmo das nossas vidas. 
Gostamos da sabedoria 
porque não temos sempre de a acabar. 
No eterno tudo está feito e concluído, 
mas as flores da ilusão terrena 
são eternamente frescas, 
por causa da morte. 
Irmão, recorda isto, e alegra-te. 

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera" 
Tradução de Manuel Simões

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domingo, 3 de julho de 2011

Perder um grande amor.

Perder um grande amor é como perder um pouco de nós mesmos, e ficarmos à deriva sem como um reles barco sem cais  .... sem encontrar uma ajuda, sem avistar uma ilha, perdida num oceano infindo sem ter bóia ou sequer um tronco pequeno, algo onde se pudesse agarrar, uma orientação, uma luz, um barqueiro que ajudasse e ensinasse a navegar, acostar, e mais tarde, talvez quem sabe descansar.


Na sua existência no mundo, perder o seu amor, aquele que era o seu amor verdadeiro, o seu melhor e maior amigo, o seu companheiro, significava para Helena ter que voltar a nascer, reaprender a viver, e ela não conseguia imaginar como seria possível. Sabia que nada nunca mais seria como até ali, mas ainda não acreditava no que sentia como verdadeiro. José Carlos não podia ter tido um acidente tão grave, não podia ser verdade, mas de facto essa era a realidade.

Era preciso resistir, reaprender tudo de novo, reconstruir uma nova vida. Era necessário sobreviver de alguma forma, mas como havia ela de renascer novamente. Não podia vegetar, dar-se por vencida, pois tinha os filhos, mas estava desalentada, sem forças, vazia, como se lhe tivessem cortado as pernas e os braços, e a força que a fazia andar na vida.

Helena estava mutilada, e as suas perspectivas de vida naquela altura só lhe mostravam muita tristeza, sofrimento e dor. Não sabia como olhar o horizonte e voltar a ver como é sublime o nascer do sol, e á noite como é grandioso e belo o brilho do luar sobre o mar tranquilo, dar valor às mínimas coisas como sempre fizera com o Zé.

Perder o seu amor para todo o sempre, daquela forma violenta e brutal, pode acontecer numa ocasião a qualquer um, mas Helena não estava preparada para viver aquela situação, como nunca ninguém está. Nunca mais ouvir o seu amor dizer o seu nome, deixar de escutar a sua voz, nunca mais tocar a sua pele, ou ele, a dela, deixar de sentir fisicamente a sua presença ao seu lado, deixar de sentir o seu cheiro, a sua presença, o seu silêncio, os seus berros e ralhos, as suas gargalhadas, senti-lo adormecer, e milhares de tantas coisas que não conseguia recordar, mas que Helena sabia que tinham terminado, faziam-na sofrer como nunca imaginara ser possível.

Ficaria para sempre a lembrança dos sentidos do José nos seus, e na sua mente a sensação de que sentiria ainda e para sempre o cheiro e a presença do seu amor ausente. Tudo isso parecia uma cruel e muito dura realidade, tudo isso lhe doía muito fundo no seu coração, tanto que nem parecia ser verdade ao pensar, mas era a única forma de tentar resistir e superar não por ela pelos filhos, e por Maria Luísa que estava mal e precisava mais ainda dela, naquela altura.

Tudo isto era muito triste, cruel, mas verdadeiro.

Na sua pele a lembrança distante do seu toque, preso num fino véu de seda a sobrevoar eternamente a sua mente, como se um vento ténue pairasse sobre ela perpetuamente, mas cada vez tão mais distante, que de vez em quando não conseguiria evitar que a saudade fizesse libertar dos seus olhos, lágrimas de saudades profundas do vivido, cada vez mais distantes no tempo, mas sempre eternamente presentes. E teria que ser assim que Helena havia de sobreviver, de lembranças, com muita saudade do seu amor perdido, sem um adeus sequer.

E à cabeça de Helena apareceram imensas recordações, memórias de instantes vividos com o marido, com os filhos, com os amigos. Todas elas ficariam guardadas no seu corações como uma relíquia, amor único, numa caixinha de onde nunca mais sairiam, por mais que o mundo desse voltas.

E Helena falava alto e repetia como se estivesse a dizê-lo para ter a certeza que o José Carlos ouviria:

“- Os nossos filhos, o nosso amor, os nossos beijos e abraços, o nosso quarto, a nossa sala, a nossa casa, a tua mãe, os baptizados, as comunhões, a escola dos nossos filhos, as compras para a casa, os nossos amigos, o teu trabalho, o meu trabalho, os nossos cães, o meu bem-querer igual ao teu, os nossos telefonemas, a nossa família, a minha terra e a minha família, os nossos almoços fora com os amigos com a família, os Natais, as Páscoas, as festas da aldeia, os nossos serões, as nossas idas à praia, os nossos passeios a dois, as nossas férias, os piqueniques com os filhos, as nossas arrelias, as nossas tardes de domingo, as nossas discussões, os nossos encontros e desencontros, o estarmos sós, o acordarmos juntos, tudo o que vivemos juntos, e tudo o que ainda vou viver cada dia a pensar em ti, contigo a meu lado, porque te amo sempre, meu companheiro, minha força, meu amor, meu amigo. Obrigada, meu amor, um até já eterno”.

E Helena dizia tudo isto chorando compulsivamente, num choro ininterrupto e difícil de suster, sozinha no seu quarto. Os filhos já estavam a descansar e a família que ficara a fazer-lhe companhia, estava reunida na sala a descansar no sofá, lastimando-se continuamente.

Ela, sem conseguir dar descanso à sua cabeça, desejava que a manhã chegasse depressa, pois tinha que resolver o grande problema de dar sangue a Maria Luísa, sabendo muito bem que só por acaso teria o mesmo tipo de sangue dela. Estava tão angustiada que ainda nem medira a profundidade deste problema. A angústia de perder o seu companheiro de todos os momentos deixara-a atordoada, perdida a divagar em sonhos passados e fizera-a quase esquecer que realmente Maria Luísa não era sua filha biológica. Há muito que não pensava no passado e muito menos em Justina, que o pai de Maria Luísa por opção de JOSÉ Carlos e dela, nunca o tinham procurado


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