segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dia de Santo António


E hoje que é  dia de SANTO ANTÓNIO, que ele esteja comigo e com quem precisar da sua ajuda, e faça com que a minha prece se realize ;) *

ESTA É A MAIS PURA VERDADE

Que Santo António conserve os meus amigos e me livre dos inimigos!

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A Felicidade

 Se eu conhecesse a felicidade, aquela que todos procuram,
 convidava-a para um chá, sem a querer demorar.


 Queria  conversar com ela, conhecê-la, saber quem é de verdade...
 Foge-me sempre que a vejo, escapa-se-me por entre os dedos sempre que a consigo agarrar.


 Desculpa-se com  falta de tempo e visita-me só de repente ao passar....
 Quando entra, nem sequer se quer sentar,
 e mal me dá os bons dias voa, desparece, talvez para outro lugar.




Mas gosto do cheiro que deixa, da brisa com que me presenteia, e dos sorrisos que me faz dar.


Do prazer que sinto ao vê-la, mesmo que seja ao longe num lançar de olhos, num simples pestanejar.


 Sinto que me faz falta vê-la, de qundo em vez, mesmo que seja mais a sair, que a entrar..


 Sentir o seu abraço quente e forte, e quieta eu, deixar-me  assim ficar.


 Mesmo que o chá esfriasse, por não ter tempo de sobra, para me ouvir, para me escutar...


 Gostava de poder vê-la entrar em mim, sentar-se com calma e ali  ficar, comigo, só  comigo um pouco a   conversar.
.....Tinha tanto que lhe perguntar.


 Mas ela não gosta de chá, e desconfio que nunca pode parar.


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sábado, 11 de junho de 2011

O amor é lindo

           

                                              Cada segundo conta por si,
                                               vamos vivê-los intensamente com AMOR ....,
                                               e ser FELIZES!
                             
       


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A Revolução dos Cravos

Um dia o senhor dom Manuel, que também já não era novo com os seus 59 anos, deixou de trabalhar na fábrica a tempo inteiro e deixou-a ser gerida por um administrador eleito, depois de ter acordado com os seus operários, uma série de reivindicações que eles achavam imprescindíveis para o seu bom funcionamento e continuidade de produção. O país tinha mudado e as vidas das pessoas também.




Em França tanto o João, irmão de Helena, que se tornara um empreiteiro com sucesso, como Fernando, o ex-motorista da antiga patroa de Helena, a dona Justina, e seu primeiro namorado, estavam muito bem, tendo ambos, cada um na sua área, após alguns anos de muito trabalho, singrado na vida.


Fernando foi sempre tendo notícias de Helena, sem que esta soubesse de tal, através de Celeste, a quem ele nunca deixara de escrever e encher de perguntas sobre ela em todas as cartas que lhe enviava. O seu casamento com a filha do dono do restaurante, feito meio às pressas mal chegou a França acabara por terminar num divórcio. Eram feitios muito diferentes, resultantes de culturas diferentes, nunca tiveram filhos, e a suposta paixão que sentiram um por outro inicialmente não foi o suficiente para os manter juntos muito tempo. Na verdade nunca conseguiu entender-se com a mulher com quem casou, pois nunca tirou a Helena da sua cabeça nem do seu coração. Muitas vezes, se arrependeu por ter partido sem lhe dar a oportunidade que ela lhe pedira, “confiar nela”. Amor como o que experimentara por aquela mulher, nunca mais sentiu por alguém. Vivia só havia já algum tempo, e sabia que Helena tinha casado e era mãe de mais dois filhos além de Maria Luísa, e isso apesar de o perturbar, deixava-o feliz por saber que Helena seguira com a sua vida em frente.


Agora que se dera a revolução de Abril no seu País e que se vivia em plena liberdade, estava resolvido a voltar e investir em Lisboa na mesma área em que tinha sangrado em França. Montar um restaurante e cozinhar os pratos portugueses que tinha aprendido a fazer tão bem para os franceses. Assim um dia contou a Celeste que sempre considerou uma mãe que ia regressar e montar o seu próprio negócio. Celeste que já não estava muito nova e gostava dele como ninguém mais, recebeu esta notícia com satisfação. Finalmente poderia pensar em deixar de trabalhar naquela casa e ir viver com o seu Fernando, e quem sabe, ainda participar no seu novo projecto de trabalho.


Na casa de Rui Manuel vivia-se uma época mais livre e menos formal. Também aí a Revolução dos Cravos fizera efeito.




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quinta-feira, 9 de junho de 2011

A reviravolta no país

          Apesar de por duas ou três vezes Helena ter procurado dona Joaquina, esta nunca mais aparentou ser a mesma pessoa. O seu coração cada vez mais frágil, alegrou-se no dia, em que de táxi, Helena a visitou com os dois filhos mais novos, o Luís e a Leninha. A senhora ficou radiante, mas de facto Helena verificou que ela já não era a mesma pessoa. Sentia-se cansada, a tensão arterial sempre alta, reumatismo que lhe causava dores fortes e diminuía a capacidade de se movimentar, e várias outras fraquezas que a tornavam uma pessoa mais envelhecida e muito abatida.
        Rui Manuel estava um jovem lindo, atraente, muito educado e bem formado, e por vontade do pai continuou os seus estudos na Academia Militar. Em 1974, Rui com os seus 18 anos começava os seus estudos superiores na área da aeronáutica.  Maria Luísa, com 12 anos, continuava a ser uma belíssima aluna no liceu, mas nunca mais se tinham encontrado. O país estava a travessar um período crítico, que já se vinha a arrastar há anos atrás, e demasiado importante para não se reflectir na vida das pessoas.
           Manuel, patrão da fábrica que possuía e onde trabalhava desde muito jovem juntamente com o pai, até que este faleceu, passava já há meia dúzia de anos atrás, algumas preocupações com as reivindicações que os trabalhadores constantemente lhe intimavam. Aumentos de ordenados, menos horas de trabalho, ordenado igual para homens e mulheres que faziam o mesmo trabalho ou idêntico, e muitas outras exigências que gradualmente conforme entendia mais justo, dom Manuel ia satisfazendo. 
          Após este ano tudo se alterou. Todas as vidas verificaram alterações e não houve local de trabalho ou ensino, lugar publico ou privado que não tivesse oscilado com os acontecimentos político-sociais, que se verificaram nesse ano.
          As pessoas finalmente tinham liberdade plena de pensamento e expressão, podendo falar nos cafés, na rua, onde lhes apetecesse, conscientes de que dali em diante isso as pudesse colocar em risco de prisão. Acabou o medo de olhar para o lado por alguma palavra eventualmente caída em algum ouvido persecutório. As pessoas pensavam por si, libertaram-se do medo com que viviam quando falavam do que se passava no seu país ou no seu trabalho e condições de vida. Igualdade perante a lei, e tolerância, também apareceram gradualmente para todos, trabalhadores de todos os níveis e de todas as áreas, poetas e escritores que agora podiam livremente expressar o seu pensamento.
        O país abriu-se completamente ao mundo, e a informação de tudo passou a circular através das fronteiras e não só dentro do país. A mulher criou um lugar de direito na sociedade, e Helena que já se sentia muito bem naquele gabinete onde trabalhava, continuou ainda com mais energia e vontade de evoluir naquelas áreas de processos jurídicos onde já se movimentava muito bem, talvez porque os seus patrões fossem pessoas evoluídas e já com ideias avançadas para a época.
         Menos bem ficou o senhor Manuel que muito depressa perdeu o dom. Os trabalhadores, tanto exigiram que a certa altura determinaram que melhor que ele, eles próprios, fariam a gestão daquela fábrica. Tinha surgido um movimento social marcado pela autonomia, e na fábrica formou-se um movimento social que originou uma comissão de trabalhadores assalariados assumindo a direcção de processos de produção de organização de trabalho em regime de auto gestão.
     O poder exercido pelo senhor Manuel na fábrica, foi suspenso, retirando-lhe os trabalhadores o controlo de parte muito importante das actividades económicas. Surgem as greves, que dão continuidade e força à luta crescente dos operários e o senhor Manuel que pensou ter sido sempre um óptimo, senão o melhor de todos os patrões, viu-se de um momento para o outro, despojado de todos os seus poderes ou quase todos, pois concordar com todas as exigências que lhe eram propostas, eram na sua opinião, um exagero.
         Num prazo estipulado, todas as reivindicações exigidas pelos operários tinham que ser satisfeitas, caso contrário os trabalhadores paravam o trabalho, fazendo greve, mas o senhor Manuel entendia que a exigência de uma cantina e uma biblioteca para a fábrica, assim como um sítio para as mulheres trabalhadoras deixarem todo o dia os filhos, eram em demasia. Manuel andava muito abatido, revoltado e não conseguia aceitar as alterações que via diariamente na sua fábrica.
         Com estas alterações e constantes revelações de acontecimentos ocorridos na fábrica em casa, que não ficava nada bem era a dona Joaquina que achava uma injustiça um conjunto de trabalhadores armados em comissão mandatária, dirigir agora a fábrica que o seu marido deixara para os filhos.  Gradualmente a sua saúde foi piorando até que um dia nunca mais saiu da cama. Justina e o filho não sabiam mais o que lhe fazer. Vista pelos médicos, nada havia a fazer. Estava velha, doente e como tal medicada, só havia que esperar que melhorasse. Mas a senhora já tinha 74 anos e a família já não esperava que dali já não houvesse mais melhoras.
        Este último desgosto, roubara-lhe a derradeira réstia de vontade que tinha de viver. E na verdade um dia de manhã sem que nada o fizesse prever quando Celeste lhe foi levar o pequeno-almoço ao quarto e a medicação habitual, a senhora dormia de um sono profundo de que nunca mais acordou, sem saber que mais tarde os problemas na fábrica iriam encontrar solução.
        Um dia o senhor dom Manuel, que também já não era novo, pois já tinha 59 anos, deixou de trabalhar na fábrica a tempo inteiro e deixou-a ser gerida por um administrador eleito, depois de ter acordado com uma série de reivindicações dos seus operários. O país tinha mudado e as vidas das pessoas também.
   

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O tempo passou

O tempo passou e eu fiquei sempre aqui, quieta e insegura com os meus anseios.
Permiti que ele levasse  a matéria e tudo o que com ela se degenera.
Dos sonhos, os mais torpes, desenvencilhei-me, mas enrolei-me nas
fantasias manhosas, impossíveis que me viciavam, mas que eu desejava,
fazendo-me crer que iriam acontecer a qualquer altura, no sonho mais profundo que sempre idealizara.
Preferi ficar com a mente e a alma  no passado..., presos lá atrás, onde ninguém já vê nada.
Em espírito, sentimento, coração, paixão e todos os amores vividos então.
Lá onde os guardei, numa caixinha lacrada,
todas as emoções sagradas da noite e do dia,
todos os risos dos instantes de euforia, de brincadeira, ou de choro rasgado de dor, 
toda a luz de cada manhã que amanhecia e a certeza de amores infindáveis, 
ficaram registados para sempre como se fosse possível voltar a um dia a tê-los na minha mão...

Então escolhi o melhor tempo em cada dia,
aquele registado nos momentos de maior ilusão,
onde vivi meus melhores momentos, sem utopia,
e a realidade era um sonho de não se acordar,
onde eu corria solta e a felicidade vinha
de braços abertos me abraçar.
E o tempo vai passando devagar, e a minha alma não quer fugir dos sonhos e  vir ter comigo agora,
enroscada cada dia nas alegrias de outrora....


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

O dia do casamento

E Helena sorriu e beijou a filha com carinho, que vestida quase igualzinha a ela, parecia uma boneca, antes de entrar no carro que as levariam dali para a igreja.

Ninguém viu, mas numa janela da biblioteca espreitando aquela saída do carro, estava Justina, dizendo adeus a alguém que tendo o seu sangue nunca fora dela e partia para sempre da sua casa e da sua vida. Anos antes a sua boca negara toda a verdade, e todos os dias seguintes, tinha-os vivido num tormento, olhando aquela menina da sombra, apreciando a forma como Helena a criava com amor, sentindo uma dor enorme, mas fingindo que não sentia nada, pois há muito que o seu coração escondera por vergonha, humilhação e cobardia o que a sua boca nunca fora capaz de proferir, e aceitara isso como a única realidade possível. Aquela menina era sua e acabava de a perder para sempre, e isso, sem que ela o impedisse, fê-la chorar em vão de muita dor e raiva.

Não queria como em outras ocasiões anteriores, sentir aquilo, mas era mais forte que ela. A partir daquele dia a sua vida teria que mudar, pois quase todos a consideravam já um pouco louca, e até ela se sentia assim um pouco. Sabia, bem no fundo, que não seria capaz de a deixar de vigiar de longe sem que ninguém o percebesse, mas isso era uma coisa que nem mesmo ela admitia, mesmo sabendo que o faria com toda a certeza.

-Estás linda meu amor. Como estás linda.

Foi o que José Carlos lhe disse, quando se colocou no altar da igreja do bairro, ao seu lado. A mãe dele achou que ela estava belíssima, e a família dele presente, decerto também, pois durante o almoço que se seguiu, não se pouparam a elogiar Helena e o noivo, pela noiva que ele escolhera. Maria Luísa, tinha sido aceite há muito sem muitos comentários, pela mãe de José, que afinal era quem ia viver com Helena, e naquele dia a menina para os convidados não foi mais que a menina das alianças.

Ao final da tarde, o motorista levou dona Joaquina, Celeste e Alzira para casa, e os noivos foram para casa de José Carlos, que já tinha sido adaptada para todos conviverem em união. Maria Luísa não cabia de contente com o quartinho que lhe coube. Gostava daquele sítio de onde conseguia ver o rio e os barcos a navegar. Os noivos ficaram no quarto que já era o quarto de solteiro de José Carlos e que Helena conhecendo muito bem, reorganizara para ambos, e a mãe de José tinha o seu quarto habitual. Esta só tivera que prescindir de um velho quarto de costura e arrumações, e que o casal convertera lindamente no quarto da menina.

Triste, partiam Celeste, e mais que ninguém a senhora dona Joaquina, que tinha a certeza que a sua vida iria mudar. Não iria ter mais com quem conversar como antes, apesar de Helena lhe dizer que haviam de continuar a encontrar-se. Dona Joaquina sabia que a sua vida em casa do filho nunca mais seria a mesma sem ter Helena e Maria Luísa.

Alzira só imaginava que na terra ninguém iria acreditar em tudo o que ela vira, se lhes contasse. Não fora as fotografias tiradas, ninguém acreditaria, pois durante todo o dia, tudo esteve perfeito.

Quem lhe dera a ela semelhante sorte, mas quase já desistira de arranjar um namorado, além de que, ainda que ninguém soubesse, o patrão dela, era um presumido autoritário, atrevido e tudo o mais, e se bem que lhe pagasse um bom ordenado, moía-lhe a cabeça, e em tempos idos, perseguia-a, quando ela ainda não se sabia proteger, abusando dela quanto queria, sem que ela pudesse dizer nada à patroa para não se enxovalhada e desacreditada no meio de todos. Por isso nunca saíra daquela casa, mas esse era um segredo que nunca contaria a ninguém. Ir para onde, se não sabia que razão dar à patroa. Depois podia cair noutra casa bem pior.
 Para ela, a filha de Helena era um caso mal contado, e pelo que Celeste lhe contara ficara com as suas dúvidas, mas como diz o ditado, “casou-se, honrou-se”. Que tinha ela com a vida de Helena se a sua, era o que ela sabia. Mas Alzira não era uma lutadora como Helena, conformando-se com a sua sorte, e assim não iria ter a sorte da amiga.


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sábado, 4 de junho de 2011

...O feio da vida!

Não é bonito, não pode ser bonito o que nasce de forma feia e brutal, através de dor e sofrimento.


Podia ser mais disforme ainda, horrendo, feio de meter medo, mas não é o que acontece, pois pensando bem, ele é a vida que resta, longa, que lá fora há muito para ver e sentir,

e viver é urgente.

Quanto mais o olho, mais me encanta, porque me revela que tudo é possível, porque me ensina que tudo vale a pena.

Acho-o sublime, diferente, por certo por ser mais curto, mas sem ter perdido o seu mérito, porque postura não lhe falta, e de resto, tudo voltará a ser como antes, porque mesmo diminuto voltará a funcionar e a ser muito elegante.

É só uma questão de tempo….

Como gosto dele. E alguma mãe, não gosta dos seus meninos? Se isso acontece é porque não é mãe de verdade.

E o filho mais estranho e distante, difícil, mesmo o mais inquieto e complexo, que mais problemas dá, não é o que mais amor lhe merece?

Gosto dele assim, daquele jeito ou de outro qualquer, mesmo que um dia desapareça e exista na sombra do que foi e nunca mais será.


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sexta-feira, 27 de maio de 2011

a FELICIDADE, será que existe?

NÃO TEM SIDO FÁCIL VIVER ESTES ÚLTIMOS DIAS, MAS JUNTOS, TU E EU,   
HAVEMOS DE SUPERAR, POIS NÃO VEJO OUTRA FORMA DE SOBREVIVER COM SANIDADE SE NÃO ESTIVERMOS UNIDOS...ASSIM ;)

SÓ O AMOR, NAS SUAS DIFERENTE FORMAS, NOS PODE AJUDAR;)


O AMOR VAI VENCER, A FORÇA E CORAGEM SÃO MUITO GRANDES, PORQUE A VIDA VALE A PENA SER VIVIDA, FOI A MENSAGEM QUE RECEBEMOS, QUE NOS DISSE ESSE SEGREDO ;))

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Helena vai Casar

Tinha consciência, que pelo facto de se ter entregado de corpo e alma ao seu amor poderia estar grávida, e também por isso não queria atrasar muito o casamento, ainda que a ideia de dar um irmão a Maria Luísa lhe fosse muito agradável. Iria contar-lhe tudo logo que ele tivesse tempo para a escutar, e depois de junto o enxoval, pois não queria entrar em casa de José Carlos de mãos a abanar, queria comprar um vestido de noiva como sempre imaginara para si. Simples, mas gracioso.
Nesse dia queria sentir-se uma princesa e a sua menina a dama de honor mais linda de sempre.


Um dia logo que foi possível a ambos, Helena contou a José Carlos como foi que aquela menina ficou sua filha. Ao princípio incrédulo, incapaz de entender a atitude da verdadeira mãe, e louvando a atitude invulgar de aceitação da menina pela sua querida Helena. Mas apesar de incrédulo, entendeu que aquela menina era de Helena e jurou-lhe que depois de casados iria ser também pai dela. Em relação a Henrique, José Carlos reconheceu que o melhor era deixar esse homem em paz.
Afinal lá por onde estivesse, nem sabia da existência da filha, e ainda por cima era de momento um mutilado da guerra do Ultramar. Tal como Helena ele não queria mentir mais sobre a existência da menina, mas não achava necessário divulgar o seu passado. Ambos sabiam a verdade e isso era o suficiente. Um dia quereria a menina como se fosse sua, pois já a achava uma criança adorável, e o futuro, se fosse o caso, indicar-lhes-ia um caminho diferente.

José Carlos estava orgulhoso da sua Helena e prometeu-lhe que contaria à mãe a história da menina, de uma forma que ela entenderia e aceitaria. Casariam no início de Janeiro de 1969, daí a dois meses, e iriam ser muito felizes.


Helena estava radiante, pois além de tudo isto, José Carlos arranjara para ela um trabalho num gabinete de alguns advogados. Sentir-se amada e protegida daquela forma era maravilhoso.
Tinha a certeza que em casa de José Carlos com a sogra e a menina, iriam todos juntos edificar a família que ela ambicionava desde que deixara os seus em Malhoa, e nunca mais se sentiria só.




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quarta-feira, 18 de maio de 2011

O início da verdade

E sem dizer mais nada, correu para cima para junto da filha que estava com certeza com dona Joaquina, já que Celeste estava na cozinha.


-Então Helena, vens alegre e pareces diferente, tudo te deve ter corrido bem. E a senhora gostou de ti e tu dela?
-Gostei muito da mãe do Zé, e ela, penso que também gostou de mim. E sabe que mais, o Zé, o meu José Carlos quer casar comigo. Por isso estou tão contente e radiante.
-Que bom. Fico muito satisfeita por ti, pois mereces ser feliz.
-Pediu-me em casamento junto da mãe e olhe o que me deu.
-Um anel de noivado, esse rapaz não está a brincar contigo. Eu não te disse? E a menina já lhe tinhas dito?

-Não, pois não pensava que quisesse tudo tão depressa assim e andava com medo de lhe dizer, mas agora já lhe disse e ele aceitou, porque me quer muito bem. A minha Luzinha vai ter um pai.

-Helena, nem imaginas o quanto desejo que sejas feliz. Olha, sabes, vou dar-te umas boas amêndoas de casamento, mesmo sem me teres ainda convidado.
-Obrigada minha senhora. De facto ele quer casar bem depressa, e com certeza ainda este ano, no final das aulas. Depois lhe direi.
-Estás contente e feliz, como nunca te vi. Se precisares de alguma ajuda minha, podes falar comigo.

Helena acabava o seu curso nocturno nesse ano e fizera também já um curso de dactilografia, portanto estava quase em condições de arranjar outro trabalho. A Maria Luísa como já estava numa ama durante o dia, não era problema. Helena só não queria sair dali sem ter um outro emprego, e esse assunto tinha que o conversar com o futuro marido. Ao sair daquela casa, só levaria saudades de dona Joaquina que a estimara sempre, fazendo-a sentir gente boa.

Estava farta de partilhar aquela casa com a sombra de uma pessoa que há muito deixara de conversar com ela e de merecer a sua confiança, que a traíra por cobardia, uma mentirosa sem coragem, que ela não estimava mais, apesar de em tempos lhe ter confiado a sua vida e terem partilhado ambas momentos muito dolorosos. Sair daquela casa onde trabalhara arduamente durante meia dúzia de anos e onde toda a sua existência tinha sido revirada. Seria recomeçar a vida sonhada, que lhe faltava viver em paz, tranquilidade e muito amor.

Estávamos no final do ano de 1968. Helena não voltara à aldeia, mas depois de casada havia de voltar a visitar a sua família, como o Zé já tinha referido. Muita coisa nova a esperava depois do casamento. Maria Luísa estava crescida, e com a ajuda do marido, a partir daí, seria mais fácil cuidar dela, educá-la como desejava, e não haveria de precisar da ajuda de ninguém daquela casa. Em relação a Henrique, pai de Maria Luísa, havia de falar ao José Carlos para saber o que devia fazer, que agora ele iria partilhar a sua vida em todas as decisões que ela tomasse, e ela queria contar-lhe toda a verdade relacionada com a menina que era sua filha.



Ansiava falar toda a verdade sobre essa menina que amava como sua, para tirar de cima dela um peso que a sufocava havia muito tempo, pois estava cansada de tanta mentira e fingimento. Falar com rigor far-lhe-ia muito bem, e José Carlos iria saber toda a verdade.


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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Helena e o seu namoro

E naquele dia o Zé parou, agarrou-a mais que nunca e beijou-a por todo o rosto, sem se importar com mais nada. Helena esqueceu que estava na rua, e deixou-se levar por aquele enlevo doce, que lhe fazia bem ao corpo e à alma, e retribuiu sem rubor aquele carinho imenso. Precisava de se sentir assim querida, e amava tanto o José que se pudesse ficava com ele a partir daquele dia, naquela mesma hora. E o José sentiu isso.


-Poes-me louco. Gosto tanto de ti, Helena.
-Também te quero muito tu sabes.

E ficaram assim unidos longo tempo, trocando beijos e caricias que ambos se davam, como se aquele fosse o ultimo dia em que estariam juntos. Naquele pedaço de noite, prometeram-se tudo um ao outro, e mais não se deram, nem fizeram, porque não tinha que acontecer mais nada naquele dia entre ambos. Por momentos o céu foi o seu tecto e o seu abrigo e partilhou com eles o seu amor mútuo.

-Amanhã dir-te-ei o dia, em que posso ir a tua casa. Domingo à tarde, pode ser?
-A minha mãe ficaria muito feliz mas eu, rejubilaria de felicidade. Obrigado Helena.
-Fica combinado, pois hei-de conseguir sair um destes domingos.

E o José Carlos, que nesta altura já levava Helena até ao portão de casa, delicadamente deu-lhe um beijo suave, que perto de casa as janelas tinham olhos.

Desde que Justina tinha regressado há já algum tempo do Alentejo, Helena limitava-se a falar com ela o indispensável. A menina estava já numa ama, e à noite, Helena combinara com Celeste, que só para ter motivo de sair um pouco, a ia buscar todos os dias pois não ficava longe dali. Eram de facto raras ou nenhumas, as ocasiões em que Justina podia ver a menina, e o que Helena queria era que ela nunca a visse. Sair daquela casa era o seu maior desejo, mas faltava-lhe acabar o curso e isso, ela tinha que fazer ali, pois não tinha como passar ainda sem a ajuda monetária que exigira a Justina.

O tempo tinha passado e Justina refugiada na biblioteca melhorara da doença nervosa, mas adquirira um estado de espírito sempre triste e enfadonho. Falava com a sogra, mas esta não apreciava as suas conversas, pois achava que Justina não lhe dava a devida atenção. Nunca falavam de Helena, pois era uma empregada e muito menos da sua filha, porque não era assunto que interessasse a Justina, e a sogra também nunca comentou com a nora o afecto que sentia por ambas. Era o tal segredo que repartia com Helena, e ninguém tinha nada com isso.

Também Rui Manuel sempre que regressava de férias do Instituto, estava proibido de brincar com a “filha da empregada”, e cada vez, isso se foi tornando mais difícil pois também Helena procurou fazer com que isso sucedesse. Mesmo que quisesse, Justina não podia mandar Helena embora, pois há muito que não tinha capacidade de lhe falar de coisa alguma, muito menos num assunto tão melindroso como aquele que só ambas conheciam verdadeiramente: “o nascimento de Maria Luísa”

Naquela noite em que se despediu do Zé, Helena ia decidida a exigir sair um domingo. Celeste havia de cuidar da sua menina, e a montanha de roupa que todas as tardes de domingo passava a ferro, havia de conseguir pô-la em ordem noutra ocasião qualquer. Justina pagava-lhe bem, mas exigia dela muito trabalho em troca para Helena poder sair todos os finais de tarde em que tinha aulas. Dona Joaquina entenderia a necessidade que ela tinha em ir visitar e conhecer a mãe do namorado e nem estava preocupada em pedir a mais ninguém.

Nessa noite Helena deitou-se certa de que faria essa visita, e com a convicção que alguma coisa havia de acontecer que a ajudasse a falar de Maria Luísa ao Zé, de forma que ele a entendesse. O sabor dos beijos apaixonados que ele lhe dera, ainda o retinha consigo, assim como o calor do seu corpo viril e trémulo, junto do seu. Sentia ainda as suas mãos macias a afagarem-na, no corpo e rosto, e isso inebriava-a de prazer e dava-lhe confiança para pensar, que ele a compreenderia e aceitaria com a filha.

Depois de deitar a menina, deitou-se também com estes pensamentos. E no dia seguinte sabia que iria conseguir essa autorização da dona Joaquina.

Os estudos não corriam nada mal a Helena, e o trabalho apesar de muito também não a cansava, porque com a garra de querer vencer na vida, ganhara outro ânimo depois que José Carlos a convidou a visitar a mãe.

A autorização para sair estava conseguida, pois a dona Joaquina achara muitíssimo bem e um bom indício o Zé querer levar a Helena a conhecer a mãe.
 
 
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domingo, 15 de maio de 2011

O inicio do namoro

Pelo caminho pouco falaram, mas a cada passo dado, José Carlos encostava-se mais a Helena e ela ia sempre permitindo essa aproximação que lhe sabia muito bem. Precisava de carinho, de alguém que lhe quisesse bem, e aquele conforto vindo assim daquele homem, que na verdade desde que ela vira a primeira vez lhe chamara a atenção, atraia-a cada segundo, mais um bocadinho. As suas mãos de tão entrelaçadas que iam, pareciam não querer desunir-se nunca mais, e isso sabia-lhe bem. Estava de facto encantada com tudo o que ele lhe dissera, e ia gostar imenso de namorar tranquilamente com José Carlos, a quem contaria o segredo da sua vida, somente quando se conhecessem muito bem.


-Deixas-me aqui, pois não quero que te vejam comigo, não antes de contar à minha patroa mais velha, que me pediste em namoro, pois já lhe falei de ti.

-Ai sim? Muito bem, se é isso que queres, entendo. Mas não te esqueças que a partir de hoje és minha namorada e de mais ninguém, e que te vou respeitar, pois como te disse, não estou para brincar.

-Já tive um namorado em tempos, mas não nos entendemos. Ele foi para França e até já casou. Estivemos muito tempo separados e depois não resultou. Não gosto de pessoas que não confiem em mim e me desconsiderem se razão. Digo-to, porque não gosto de mentiras a esse ponto, e não quero que o venhas a saber por outra pessoa, que a Celeste, a cozinheira da casa, gosta de contar tudo a toda a gente. Mas podes confiar em mim, pois já não sei nada dele, nem me interessa para nada. Só espero, que tu não tenhas nenhuma namorada e pior que isso, não me estejas a enganar, sendo casado, como muitos fazem. E agora se não me quiseres, eu entendo.

-Eu casado, tens cada uma? E que me importa que tenhas tido um namorado. Ó Helena mas que dizes tu, claro que te quero para sempre? Nunca te trairia ou faria alguma coisa que te magoasse. Gosto muito de ti e confio em ti.

-Obrigada. Mas sei lá. Por vezes ouço coisas que os rapazes fazem às namoradas, e depois desaparecem, que me passou isso pela cabeça, neste momento.

-Gosto de ti a sério, e quero que conheças a minha mãe, tens que acreditar em mim.

-Está certo, eu acredito.

-Dá-me um beijo, quero dizer, posso dar-te um beijo de despedida até amanhã, posso?

Mas antes que Helena respondesse, Zé Carlos beijou-a na face longamente, e ela gostou desse beijo.

-Atrevido, maroto, disse sorrindo.

E virando-se de frente para ela, deu-lhe mais outro e outro beijo, todos na face, e ela gostou ainda mais.

-Vês não dói nada, e não fugiste de mim? Gosto de ti.

E de repente deu-lhe outro beijo e pôs-se a correr de contente, deixando Helena feliz. Que bem que lhe estava a saber aquele bem-querer de José Carlos.

Helena entrou em casa tão contente, que Celeste quando a viu entrar no quarto viu logo pela sua cara, que algo especial se passara.

-Viste passarinho novo?

-Não vi nada, mas estou agora a ver a minha menina linda, não é Maria Luísa? Está tudo bem Celeste, encontrei colegas que gostei de rever, só isso.

-Colegas, ou mais que isso?

-Lá estás tu, com as tuas ideias malucas. Obrigada por olhares pela minha menina. Vou pô-la a dormir que já é tarde.

-A marota parece que adivinha e não adormece antes de chegares. Bom, então até amanhã. Também vou descansar, mas fica-te com esta. Com essa carinha de riso não me enganas. Hás-de contar-me tudo amanhã.

E Celeste saiu do quarto curiosa, deixando Helena sorrindo sem saber o que lhe tinha acontecido para ela apresentar aquela luz no rosto.

Helena estava realmente feliz. Desde que vira o José Carlos pela primeira vez a olhá-la com alguma insistência, sentiu que esse olhar não a incomodava, e até lhe dava algum prazer. Gostava desse sentir observada por ele, que ela considerava um homem atraente, simpático e muito apresentável. Nas vezes que falaram, sempre lhe agradou o seu tom de voz, a doçura das suas palavras.

José Carlos parecia-lhe muito calmo e isso encantara-a desde o início, por isso já tinha falado dele à dona Joaquina. No dia seguinte, quando lhe contasse aquela novidade, tinha a certeza qua a senhora iria ficar muito feliz. A única, mas enorme preocupação que tinha em relação ao momento que estava a viver, era Maria Luísa. Como iria reagir José Carlos quando soubesse da sua existência. Será que lhe devia dizer já, como fizera da existência seu anterior namoro, ou seria melhor aguardar um pouco e apresentar-lha mais tarde. De facto a menina era sua filha, um amor e um encargo que tinha na sua vida, mas que ela já não dispensava por nada. Seria que o namorado iria resistir a esse amor que ela guardava em casa? Seria ele como o Fernando, incapaz de a aceitar por ser mãe solteira, apesar no seu caso, não ter iniciado a sua vida sexual, pois a sua filha era adoptada. Afinal nunca se deitara com um homem nem imaginava como seria fazê-lo. Esta era a grande preocupação de Helena, que mesmo assim não deixava de se sentir feliz por estar comprometida naquele momento com José Carlos, o Zé como passaria a chamar-lhe.

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domingo, 8 de maio de 2011

..Ao meu fillho...

Gostava de te abraçar, como se fosse mar!


Quando mergulhas e o mar te envolve completamente, e o teu corpo, todo ele fica envolvido por moléculas de água, também eu gostava de te envolver do mesmo jeito, mas em segurança, que ao contrário de mim, o mar é traiçoeiro, matreiro e falso.


Envolve as pessoas, acaricia-lhes o corpo e muitas vezes fica com elas, engole-as, talvez porque se apaixona e não as queira perder, e ao contrário dele, eu quero-te ver livre e feliz, solto como vento!


Queria abraçar-te, precisava fazê-lo de quando em vez,
em silêncio, de mansinho, sem alaridos, mas como se fosse sempre a primeira vez,
podia ser de fugida, que quando mergulhas também não falas, nem pensas, atiras-te ás ondas e pronto, mas voltas sempre a fazê-lo outra vez…


…. envolver-te forte num abraço firme e seguro,
como os mergulhos certeiros com que furas as ondas de lés a lés,
sentir o teu coração bater junto ao meu, as tuas células vibrar,
sentir que estás feliz, e tranquilo e depois largar-te e ver-te partir audaz e contente …


Que prazer nostálgico e denso,
 sentir a lembrança do calor e do cheiro do teu corpinho de menino….!








Como me orgulho hoje do homem completo, em que te tranformaste...!






















































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sábado, 7 de maio de 2011

Os presentes de Helena

Helena não sabia como entender aquela aceitação tão fácil do pai em relação a Maria Luísa, mas a menina já fazia parte da sua família, e aquele problema ela já resolvera.


-Meninos, Carlos e Vicente, Não querem o que vos trouxe. Uma camisola quentinha para vos aquecer nos dias mais frios, e um carro para vocês brincarem.
-Tão lindo Helena, nunca vi um carro destes, disse logo o Carlos.
-Calma que trouxe um carrito para cada um de vocês, e ainda quero ver quem estima mais o seu. Olhem, trouxe-vos ainda cadernos e lápis que comprei lá na Capital, para vocês não escreverem só na lousa, e aprenderem a escrever melhor em papel.

-Vicente olha, tantos cadernos e lápis. Que bom. Obrigado Helena.
-Para ti Sara, trouxe-te esta saia e esta blusa, que comprei já feitas, que por lá, há lojas que vendem alguma roupas já prontas para vestir e muito bonitas. Penso que te servem senão a mãe tem que lhes dar um jeito. Um pente bonito para te penteares e esta caixa de sabonetes perfumados, que podes guardar entre as tuas roupas enquanto não os gastas.

-É tudo tão lindo, Helena, e os sabonetes que bem que cheiram. Vou guardá-los sempre para darem cheirinho à minha roupa.

-Também te trouxe um livro para leres. Um livro que a minha patroa me deu e eu já li, “A morgadinha dos canaviais”, e sei que vais gostar de ler. Noutra altura quando o tiveres lido, falaremos da história que conta. Faz-te bem ler, para praticares e depois de o leres, guardá-lo bem guardado que os livros são preciosos, e podes emprestá-lo aos nossos irmãos.

-Claro que o vou ler, pois fiz a quarta classe e sei ler e escrever muito bem. A mim a mãe, obrigou-me sempre a ir à escola para eu não pensar em fugir daqui e ir estudar noutro lugar- e Sara disse isto a rir.
-Para ti Clara, trouxe-te esta boneca e este livro de histórias, que depois será também para os nosso irmão lerem. E trouxe também estes cortes de tecido para a mãe fazer, ou mandar fazer a alguém, um vestido, saias e blusas, que vos quero bem arranjadas.

-Para a minha mãe trouxe este corte de tecido para uma saia, e este saco com roupa bonita e muito pouco usada, que a senhora dona Justina me deu e eu sabia que a mãe ia vestir, blusas, saias e este xaile quentinho.

-É tudo tão bonito. Obrigada minha filha, que vou parecer uma senhora.
-Para o pai comprei uma camisa quentinha para o frio, e é o que recebe menos, pois não sabia o que comprar. Desculpe meu pai.
-Gastaste uma fortuna rapariga, valia mais teres guardado contigo esse dinheiro que gastaste, para cuidar da menina. Mas está bem, estamos no Natal e os teus irmãos como tu, antes de saíres daqui pouco ou nada recebiam, que o dinheiro não abundava, ainda que agora, tu e o João nos ajudem com o que nos enviam.

-Estamos no Natal meu pai, e ganharei ainda para lhes mandar algum para os ajudar, e também vai chegar para cuidar da menina. E o João, não vos vai também mandando alguma coisa de França?

-Vai, de vez em quando vai mandando alguma coisa, sim senhor, mas o que tenho é muitas saudades dele- disse a mãe pesarosa.
-Um dia, ainda vos aparece aí sem vocês contarem. O país está em mudança, e um dia ele volta.
-Não sei minha filha, não sei, pois da última vez que escreveu disse-nos que ia casar. Ora casando lá com uma estrangeira, fica por lá para sempre.

-Não pense nisso agora, minha mãe, então não há-de voltar para mostrar a mulher à família. Agora vamos ver melhor os presentes para saber se todos estão contentes.
-Tens razão filha, pois o que trouxeste é tudo tão bonito.

-A senhora dona Justina deu-me as roupas que lhe trouxe, e o resto, fui comprando aos poucos, para não gastar o dinheiro todo de uma vez. Mas sabe, gostava de falar com vocês sobre o baptizado da menina. Gostaria de a baptizar aqui, talvez em Quintela. A Sara seria a madrinha e o pai o padrinho. O que é que a mãe pensa disto?

-Acho tão lindo. Queres mesmo fazer isso? Pode ser no Natal?
-No dia de Natal, toda a gente iria dar fé da nossa vida, e isso, eu não gostava. Mas podia ser logo a seguir, assim que o senhor prior puder e tiver tempo livre para o fazer, o que importa é que seja antes que eu me vá embora.

-Eu, madrinha da Maria Luísa? – Respondeu a Sara, muito feliz.
-O pai vai combinar o dia e a hora com o senhor padre e havemos de festejar com um almoço melhorado- disse a mãe também satisfeita.

 
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

O pai de Maria Luísa

Dona Joaquina não entendia aquele seu comportamento estranho e atribuía todas as culpas à ausência do Rui Manuel e à falta exagerada de apoio do filho para com a nora, pois na verdade verificava que ambos passavam muito pouco tempo juntos, e que Manuel estava muito tempo fora de casa, não disponibilizando muito ou nenhumas atenções para a esposa.


Muitas vezes quando conversava com ela, percebia muito bem que a Justina parecia que apesar de estar a olhar para ela nem sequer estava a ouvir o que ela lhe dizia, limitando-se a concordar com tudo e pouco mais. Resolveu até aconselhar o filho, dizendo-lhe que o melhor era levar Justina a um médico, pois assim não poderia continuar. Estando em casa era como se não estivesse. Justina poucas ordens dava em casa aos criados, deixando tudo ao seu critério, e ela já se sentia velha e cansada para tomar a casa a seu encargo e para a ver assim abatida, e para a ver a concordar com tudo. Com tudo isto, cada vez a notava mais isolada e isso preocupava-a muito. E ainda a senhora não sabia o que vinha de trás. O filho concordou e iria procurar um bom médico para a levar, ainda que a ele o estado dela, não o perturbasse.

Helena continuava nos seus estudos perfeitamente, e um dia com a direcção que Celeste lhe dera no bolso meteu-se num táxi e foi até aquela casa. Aquele era o ponto de partida. O que diria quando chegasse logo se viria conforme quem a recebesse.

Quando bateu à porta o seu coração parecia querer saltar-lhe do peito. Quem a viesse atender, havia de lho ver a bater de tanto que lhe fazia saltar a blusa. Algo lhe dizia que ali ia saber qualquer coisa acerca do que procurava.

-Diga, que deseja?
E Helena sem saber o que dizer foi directa ao assunto.
-O senhor Capitão Henrique está?
-Mas quem é a menina, para aqui vir perguntar, pelo senhor Capitão?

E a pessoa que atendeu à porta Helena não era muito nova, mas também não era velha, e Helena imaginou que fosse mãe da amiga da senhora dona Justina, e não se intimidou.

-Olhe sabe, fui madrinha de guerra de um militar que devia pertencer ao esquadrão do senhor Capitão Henrique, pois um dia numa carta ele mandou-me esta direcção já nem me lembro a que propósito, e fala-me sempre muito bem do seu capitão. Gostava muito deste meu afilhado, mas não sei o que lha aconteceu. Decerto deve ter acabado a sua comissão no Ultramar e regressou à terra, pois não me voltou a escrever. Pensei que sendo assim talvez o senhor capitão conhecendo os seus soldados, conhecesse o paradeiro deste meu afilhado de guerra.

-Boa madrinha que esse maroto que não lhe escreveu mais, tinha. E não lhe mandou fotografias suas. Se visse realmente como é bonita não havia de a querer perder de vista.

-Não sei minha senhora, até pensei que lhe pudesse ter acontecido alguma coisa má. Algum acidente de guerra, pois não acontecem só aos outros. Mas estou ansiosa por saber dele e se a senhora me puder ajudar. Esse senhor Capitão por onde anda, será que posso falar com ele?

-Pois não sei verdadeiramente ao certo por onde anda, mas sei que não está no Continente, isso infelizmente sei, e sei mais.

-Assusta-me, mas morreu esse senhor?
-Não calma, mas podia estar melhor.
-Ai sim então conte-me, pode ser que me ajude a encontrar o meu afilhado.
-Teve um grande acidente no início do ano de 65, ou no final de 1964, não sei bem e ficou tão mal que o deram como perdido para a vida. Foi apanhado por uma mina. Mas nesta altura não sei o que é feito dele. Só sei que perdeu uma perna, e ficou com algumas deformações pelo corpo e no rosto que ainda devem estar a tentar tratar lá no Ultramar onde está. Este Natal a minha filha vem passar comigo a consoada, depois dessa altura volte cá, que eu pergunto-lhe e pode ser que ela saiba dizer mais alguma coisa sobre o esquadrão com o qual ele trabalhava. Quem sabe esse seu afilhado já está em casa, ou talvez não.

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