domingo, 9 de outubro de 2011

Os agradecimentos no lançamento

                                      
                                        Agradecimentos


Editora – OBRIGADA à minha editora aqui representada na presença da DRª Ana. Sem a Chiado Editora a apoiar-me neste meu projecto, Isabel nunca teria saído da gaveta. Em boa hora recorri a eles, que prontamente aceitaram realizar este meu sonho. Muito Obrigada Drª ANA.

Pedro Pinto - que me ouviu vezes sem conta e continua a escutar PACIENTEMENTE os meus lamentos, durante as nossas aulas, como se fosse meu psicólogo ou psicoterapeuta. Obrigada pela amizade e apoio, pela dança que me descontrai e anima, mas mais ainda pela paciência com que me ouve sempre, e por todas as horas que ainda havemos de passar juntos, a dançar e a conversar. O Pedro é o Director da escola FAME, que gentilmente acolheu o meu pedido, falando ao par de bailarinos que abriu em beleza este evento, com um Tango Belíssimo.

Adelaide e Paulo – Dançarinos e professores da escola FAME de Coimbra, cujo director é Pedro Pinto que ainda agora referi, que se prontificaram gentilmente DAR INICIO À cessão de lançamento do meu livro com a beleza do Tango, que todos decerto terão apreciado. Eles que são exímios artistas a fazê-lo, desta vez fizeram-no com a maior MESTRIA de sempre. OBRIGADA AOS BAILARINOS E À SUA ESCOLA, que é também a minha escola, A FAME. OBRIGADA ADELAIDE E PAULO.

Grupo de cordas – Um grupo especial, que imagino têm uma surpresa para me fazer, e a vocês, igualmente. Pertencem à secção de FADO da Associação Académica de Coimbra, e eu adoro-os, como a toda a música TOCADA em Coimbra, pelos seus instrumentos e pela sua gente, POR SER INCONFUNDIVEL, e me fazer constantemente recordar os meus tempos de estudante. Sinto que a música tocada e escutada em Coimbra, tem outro sabor, outro sentir. OBRIGADA a todos sem excepção.

Tó – Pela oferta do portátil, pois desde o dia em que mo ofereceste, despertou em mim a vontade de escrever em qualquer canto da casa. O portátil, tornou-se um companheiro imprescindível, tanto assim que é com com ele que me deito todos os dias, como sabes, porque te deitas sempre mais tarde, e vai comigo para todo o lado. Desculpa pelo facto da nossa vida ter mudado um bocadinho desde essa altura. AGORA EU NÃO O LARGO, NEM ELE A MIM, ao portátil claro, mas tu foste o culpado, e digo isto com convicção, pois tu mesmo costumas afirmar, que as mulheres têm sempre razão em tudo o que dizem. OBRIGADATÓ, Pela FORÇA, pelo APOIO, pelo silêncio que MUITAS VEZES preciso e me dás, pela NOSSA AMIZADE INCOMUM, PELA compreensão de todos os momentos, sempre que preciso do teu ombro amigo, e ele lá está presente à minha espera. Desculpa também, o facto de a cozinha ter deixado de funcionar, mas, não foi só a cozinheira que mudou de profissão, AQUI tenho que referir que a culpa não é minha, mas também do fogão que deixou de funcionar a 100%.

ZÉ- Minha filha, Obrigada, pela tua paciência, pelo teu apoio e todo o carinho que me dás. Pelo esforço que fazes no teu dia-a-dia, em fazer na Farmácia o teu trabalho e o meu, pois eu sei que te esforças a dobrar, por eu passar grande parte do tempo ao portátil, a ler, a escrever, a pesquisar. De facto, devias receber dois salários. Vamos pensar nisso. Obrigada, ZÉ.

João Daniel – Pela calma na procura da letra. Obrigada pelo azul do céu e pelos malmequeres. Obrigada pela paciência que tem comigo quando lhe peço informações. Obrigada JOÃO, pela surpresa que me vai proporcionar e aos meus amigos aqui presentes, no final, e que sem a sua ajuda SERIA IMPENSÁVEL, mas como sou cusca, já todos sabem que o Grupo de Cordas vai actuar.

Liliana- Um agradecimento cheio de carinho, pela paciência com que me ensinou a criar o meu blog. Tudo o que aprendi inicialmente devo-o à Liliana, que pacientemente percorreu todos os campos que eram necessários para que o meu blog nascesse, e eu pudesse começar a escrever ALGUNS PENSAMENTOS meio desordenados que me iam na mente. O BLOG, foi o início de tudo. Nele comecei a escrever, a maioria das vezes muito mal, porque não sei escrever bem, mas foi lá que comecei a escrever, sendo assim que nasceu em mim esse desejo de escrever sempre, cada dia mais um bocadinho, mesmo que mal, com a esperança de um dia atingir o primeiro degrau de alguma perfeição. Obrigada, porque afinal foi com a sua ajuda, que naquela tarde de domingo na cozinha, tudo começou.

João Vasco – Que me apoiou desde o início a escrever contos no blog e mais tarde a converter o que lá fui escrevendo num livro. OBRIGADA PELA REVISÃO DO LIVRO, e desculpa as náuseas que te causei, pois tenho consciência que tiveste muito que rever e corrigir. Nunca esquecerei o mail, que um dia meio desalentada te escrevi, quase com vontade de desistir, ao qual tu respondeste: “ hei-de escrever sempre. Mesmo que nunca ninguém me leia. Sempre”. JURO-TE QUE TAMBÉM NUNCA MAIS DEIXAREI DE ESCREVER, MESMO QUE NUNCA NINGUÉM ME LEIA. Obrigada JOÃO VASCO, por me ouvires sempre e mesmo sem tempo, me esclareceres a minhas dúvidas.

Filipe- Obrigada, querido amigo. Sem a sua ajuda Filipe, o meu livro não teria pernas para andar, e nunca teria ido parar às mãos do Drº Pedro Balaus, seu amigo, que aceitou ler o meu manuscrito. Sem o meu querido amigo FILIPE, Isabel não teria ganho nunca qualquer brilho, e não estaríamos agora, aqui todos reunidos. OBRIGADA FILIPE.

DRº Pedro Balaus Custódio. A este homem, professor universitário desta cidade
Tenho tantas coisas a agradecer, que não sei como começar.
O apoio incondicional que me deu desde o início, sem me conhecer de lado algum, depois de ler o que é hoje o meu livro. O telefonema que me fez, depois desta fase, dando-me APOIO E FORÇA, dizendo-me coisas que nunca imaginei ouvir acerca do que tinha escrito, encorajando-me sempre, quando eu a escrever, me sentia UMA formiguinha.

A alegria que me deu quando se ofereceu para me fazer o prefácio do livro, não tem limites, nem FORMA de a EXPRIMIR em PALAVRAS.
Essa sensação, ficará guardada dentro de mim para sempre, pois há sensações indescritíveis, por tão incomuns e fabulosas.
Doutor Pedro, obrigada pelo Prefácio extraordinário, que fez brilhar cada história da Isabel, valorizando completamente o meu livro “Aqui vai o lenço”.
Sem o seu prefácio o meu livro estaria nu. Obrigada, por cada email de apoio, energia e muito encorajamento, desde essa altura, até agora.
Obrigada pela nossa conversa, quando nos conhecemos, POR TODAS AS PALAVRAS que me abriram os olhos, ensinaram muita coisa e foram o maior incentivo para eu não desistir e procurar uma editora para Isabel sair da gaveta. Também por isso, não desisti e estamos hoje aqui.
Muito OBRIGADA POR TUDO, Doutor Pedro.

A todos OS Meus amigos aqui presentes, sem excepção:

-Ao SRº PRESIDENTE DA CAMARA DE Soure, Dr João Gouveia.
- Á Srª Vereadora da cultura da CAMARA de Soure, DRª Ana TRENO, ao Sr, Mário Jorge, e a todos os que os acompanharam, muito obrigada.
-Ao Sr Eng. RICARDO Assunção e sua esposa, que se deslocaram de Lisboa até aqui, para se juntarem a nós neste momento, ao sr Eng Oliva, e a todos que através dos mails que o meu marido me cedeu e eu tive a audácia de VOS ENDEREÇAR e se disponibilizaram a estar aqui neste dia, o meu muito obrigado.
-Ao doutor António Simões Director do INSTITUTO PEDRO Hispano da GRANJA do Ulmeiro, a terra onde vivo e trabalho há 33 anos, e à doutora Elisa professora neste Instituto, obrigada pelo apoio, pela presença, pela amizade…

-Ao Pedro e à Tânia, obrigada pela presença e pela divulgação deste evento para mais de 3000 pessoas, através do Facebook… e ainda bem que não vieram todas, pois não caberíamos aqui. Mas adorei esse gesto de imenso apoio e carinho.

-AOS CABRAS, obrigada por terem vindo…
-A TODOS OS MEUS AMIGOS E COLEGAS DA FAME, famosos dançarinos, apaixonados pela SALSA, AQUI PRESENTES, UM OBRIGADO DO TAMANHO DO MUNDO.

A todos sem excepção,…, um grande obrigada por terem vindo, pois sem Vocês aqui, este momento não teria qualquer significado.




Agradeço que me desculpem algum esquecimento, mas penso que está na hora de me calar e prosseguirmos, caso contrário nunca mais passaremos ao bufete, e para a próxima não apanho aqui ninguém.




SIM PORQUE HAVERÁ MAIS LIVROS.

O lançamento do meu primeiro livro

                                          
                                                       "AQUI VAI O LENÇO"


Vai ser daqui a pouco, às seis da tarde, que decorrerá no Café Santa Cruz em Coimbra, a cessão de lançamento do meu primeiro livro.
Estou ansiosa, espectante, curiosa, bastante agitada, mas contente, muito feliz, por  este ser um dia tão especial e esperado desde que o livro foi editado.

Nunca imaginei escrever um livro, ainda que no meu recolhimento, nas minhas horas de maior solidão, desespero, grande tristeza ou então nos momentos de alegria, muitas vezes recorresse à escrita como uma forma evasiva de me libertar de amarras, das coisas ruins, ou então para registar as coisas muito boas, que transbordavam do meu peito, porque as más que as levasse o vento, mas as boas, essas queria-as guardar comigo para sempre.
Mas fazia isso, escrevendo  muito mais as coisas más, que me maltratavam e faziam chorar. Essas levavam-me  a escrever em folhas soltas ou pequenos cadernos, que arquivava, procurando deitar para o esquecimento dessas folhas que escondia, o que me apoquentava a alma.

Hoje vou encontrar-me, assim o espero, com alguns amigos, aqueles que são de facto meus amigos.
Vou verificar se tenho amigos, pois se a casa estiver vazia ou unicamente com pessoas que ali forem por curiosidade, não será a mesma coisa.
QUERO MUITO SENTIR QUE OS PRESENTES, SÃO MESMO MEUS AMIGOS E QUE ALI ESTÃO DE ALMA E CORAÇÃO, ou será que os que se dizem amigos estarão todos por qualquer motivo ocupados e faltarão ao meu convite?

Sei que alguns, poucos talvez, mas alguns, não faltarão, e estarão lá para me apoiar, inteiramente.


Desta vez Isabel vai ser durante algum tempo "rainha", e vai segurar na sua mão o "lenço"  que pretende atirar para outros locais,ou novamente para ali, um dia no futuro, noutros lançamentos de outros livros que hão-de surgir, porque eu nunca mais deixarei de escrever, mesmo que nunca ninguém me leia.


Obrigada João. Acredito que uma mãe que escreve é outra coisa, mesmo que seja insignificante, o que as suas palavras escritas transmitam.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

  HOJE ESTOU SÓ E PODIA NÃO ESTAR, MAS QUANTAS COISAS PODIAM SER QUE NÃO SÃO....

 Longe de mim, e eu aqui no meu local habitual, naquele canto onde me refugio e escrevo o que sinto, mesmo que nunca ninguém leia o que escrevo. Tu, a muitos kilómetros daqui, trabalhas, apesar de hoje ser um dia de descanso marcado no calendário.

Escrevo para destilar de mim o que me vai na alma, por isso continuarei a escrever mesmo que nunca ninguém me leia, acredite e considere e assim, nunca ninguém me entenda..., COMO MUITAS VEZES acontece contigo, pois a maioria das vezes, fico em silêncio atenta a tudo que me contas,comprendendo o que me dizes, ouvindo os teus problemas,....mas TU NÃO me ENTENDES, dizes que falo sempre do mesmo...., não entendes que preciso que te empenhes, não te escondas dos nossos probemas, preciso que me fales de outras coisas, das nossas coisas....

Está perto o lançamento do primeiro livro que escrevi. "AQUI VAI O LENÇO"

A história de Isabel, uma menina triste, infeliz, que nasceu e começou desde cedo a sentir-se rejeitada, preterida. Sem saber porquê, ela sentia isso,sempre, e esse sentimento pegou-se à sua pele de uma forma, que nunca mais a abandonou. Ela tudo fazia para que a paz reinasse à sua volta, e o seu maior desejo e ambição era ver que em casa todos viviam em paz e harmonia.

Isabel e Pedro, UM CASAL QUE IMAGINEI à NOSSA SEMENHANÇA, é um casal que eu queria fazer feliz a todo o custo, e que ainda hoje não sei se são ou não felizes, ou se vivem num faz de conta, que é isso que a vida é.......
Se não fizermos de conta que conseguimos, que somos capazes, que somos fortes, que estamos bem, que estamos felizes, se não fizerrmo de conta ...a vida, passa a correr e não aproveitamos nada, pois passamos o tempo, e com ela a vida, com lamentações.
Mas será que a felicidade existe?
E como se chega e atinge essa felicidade???
Para Isabel, a felicidade, ou o que ela imaginava ser isso, escapava-lhe das mãos como finos grãos de areia, e com isso, ela contentava-se com pouco, muito pouco...
Coitada da criança, que pena da mulher!!! Como lamento essa Isabel, e como tenho pena dela...

No dia do lançamento quero-te junto de mim. Vou procurar estar calma, agradecer a todos os que me apoiaram e incentivaram a caminhar em frente, para atingir aquele momento.

AGRADECER A TODOS, E AINDA MAIS, AOS QUE MAIS AMO, e que em DIAS COMO O DE HOJE, ME DEIXAM NO SILÊNCIO...mas que amo muito, que são o motivo porque desejo continuar a viver...

Se ao menos um dia, tu conseguisses ser aquele que eu imaginei que poderias ser, talvez me sentisse mais inteira, mesmo que fosse por instantes, muito mais querida, mais amada e preferida, como Isabel sonhou ser um dia, e talvez conseguisse afastar de mim a sombra dessa Isabel que inventei para me libertar do passado, mas que ainda povoa a minha mente...


Sei que no lançamento tudo vai correr bem, pois mesmo que não corra bem, nada poderei fazer para que tal não aconteça.

O que podia fazer para as coisas darem certo, já foi feito e tu estiveste lá, presente, com esse apoio imenso... e é também por esse apoio imenso, eterno e meigo que te AMO.


Vem depressa, tenho saudades de TI !!


Fotos do Google

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Amigos

 AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente arranja sem querer nem pressentir e depois sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente esuta, atende e entende!

Benditos os que guardam amigos, os que dão o seu ombro para chorar.
Porque amigo sofre, escuta, chora e alivia a dor do outro.
Amigo não tem hora para consolar! Amigo está sempre presente.

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é sentido, é direção, é o caminho que nos falta na aflição.
Amigo é a base quando nos falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros puros e sinceros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade, uma coisa unica, preciosa, precisa para a vida inteira!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos,
Há outras que sorriem, por saber que os espinhos são de rosas!

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                                                     AMOR

                        
Amor é brisa, perfumada, matinal,
Um arco-íris em matizes de ternura.
Porto seguro, nosso lume essencial,
Âncora e fonte de felicidade pura.

Rola a paixão numa ação devastadora
E o amor, num perene encantamento...
Se o tornado da paixão nos deixa marcas,
A aragem do amor alivia o sofrimento...

Porém nem sempre a paixão leva ao amor...
Também nem sempre o amor contém paixão...
Mas tendem ambos a se unir, nos confundir,
Nos instigantes meandros da sedução...

O que mais quero é para sempre equilibrar
Paixão e amor no mesmo rol das emoções...
Quero de amor, à tua vida me enlaçar
E de paixão me entregar, sem restrições...


 DO Google

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MÃE CORAÇÃO

Helena arranjou-se o melhor que pode, mas com a singeleza que lhe era exclusiva. Depois de arrumada, a senhora dona Joaquina abençoou-a e disse-lhe que ela estava muito bonita. Sem a farda vestida, com aquele vestido simples mas que lhe assentava lindamente, e o seu loiro cabelo solto, parecia uma menina de família. Decerto a futura sogra iria gostar muito dela. Isto dito por aquela senhora, teve um efeito maravilhoso para dar confiança a Helena que saiu de casa, quando o José Carlos apareceu ao fundo do portão de trás, como sempre, radiosa de satisfação.


- Estás mais bonita que nunca, Helena. Amo-te.

Foi o que lhe disse José Carlos quando ela se aproximou dele.

Helena não se lembrava de ouvir aquelas palavras, ditas pelo namorado naquele tom sedutor, e ficando como que magnetizada corou de forma, que ficou ainda mais bonita, sem ter jeito de lhe retorquir nada. Partiram de mãos dadas e com muita descrição, que os beijos à luz do dia estavam proibidos, ainda que a vontade do José Carlos em a abraçar e acariciar, fosse maior que nunca.

- “Este casal é perfeito”. Foi o que pensou a senhora dona Joaquina, quando os viu ao longe de mãos dadas, a caminhar juntos, à medida que se afastavam, sentada na janela do quarto de cima que dava para aquele lado da rua.

Da Lapa até casa do José Carlos, não foi muito o percurso feito, ou então foi porque ia satisfeita e feliz com o seu apaixonado, que Helena achou que fizeram aquele caminho rapidamente. José Carlos vivia num bairro antigo de Lisboa, mesmo às portas da Lapa, numa zona onde as pessoas se cumprimentavam umas às outras. Helena gostou disso, porque lhe lembrou a sua aldeia. Entraram por umas escadas estreitas, e ao abrir a porta, a casa era acolhedora.

Numa sala de entrada, encostada a uma porta rasgada, protegida por uma varanda, virada para o rio Tejo, de onde se via a outra margem, estava uma senhora já com alguma idade, mas muito direita, vestida de negro, mas que ao vê-los entrar se levantou e sorrindo se dirigiu ao casal para os cumprimentar.

-Não demoraste muito José, ainda bem. Boa tarde menina, tenho muito gosto em a conhecer. É a Helena, não é? O meu filho não se cansa de falar na menina, tanto que quase já lhe gastou o nome.

- Sim mãe é a Helena. Helena, apresento-te a minha mãe.

-Chamo-me Matilde, e tenho muito gosto em a conhecer. Ainda bem que não tardaram, pois ainda temos tempo para tomar um chá com calma. Meu filho, desculpa e a Helena também, mas esqueci-me de te dizer que hoje tenho uma devoção a cumprir na igreja, onde me comprometi estar com algumas senhoras amigas aqui do bairro, por isso gostei que não tivessem demorado. Vou ter que me ausentar um pouco, mas não demoro. Vão ter ambos que me desculpar, mas ficam à vontade, pois já têm idade para saber o que fazem.

- Oh mãe por favor, olhe como fala. Sabes a minha mãe é assim diz tudo que sente.

- E faz muito bem. Não se preocupe minha senhora, que sairemos quando a senhora sair. E não se apoquente com o chá. Não é preciso incomodar-se. O José quis só trazer-me aqui para nos conhecermos, e hei-de voltar outros dias com certeza, não é José Carlos?

- Nada disso- disse Matilde- claro que veio aqui para nos conhecermos, e há-de voltar outros dias, mas tenho tudo preparado e não sairei enquanto não tomarmos o nosso chá, com um bolinho feito por mim. Mas conte-me Helena, então trabalha em Lisboa, mas é da serra, do Norte? Já está cá há algum tempo, pelo que me contou o José Carlos?

- Sou de Malhoa, lá bem para o norte, do concelho de Chaves, mas quis vir trabalhar e estudar para a capital e aqui estou, realmente já há algum tempo.

- Posso falar mãe- atalhou o José- Queria dizer-lhe que gosto muito de Helena, e como já lhe disse, ela trabalha numa casa que não lhe deixa muito tempo livre, assim temos que aproveitar a sua vinda aqui. Como já lhe contei bastantes coisas dela diga-me a verdade: é ou não bonita a minha Helena?

- Envergonhas-me com essas conversas. Que há-de a tua mãe pensar de mim?

- Penso que é muito mais bonita, do que eu imaginava- disse a mãe do José, a Matilde- deve ser porque tem bom coração, como também me disseste, por isso a acho tão bonita, como o meu filho.

- Dona Matilde, a senhora deixa-me sem eu saber o que dizer. Primeiro prepara-me um chá e faz um bolo por minha causa que lhe apareço aqui em casa a uma hora nada conveniente, pois tem mais que fazer. E tu José, que andaste a contar mais de mim à tua mãe?

- A verdade. Que és linda e boa pessoa, que te amo e que te quero para minha mulher.

- Nem sei que dizer, a ouvir isso à frente da tua mãe.



Fotos do Google

o MEU CORAÇÃO



TENHO NO MEU CORAÇÃO A TUA ALMA


Tenho no meu coração
A tua alma
E nos teus beijos
O meu pensamento.


Sinto no meu corpo
O teu corpo
E o pulsar ardente e sequioso
De um prazer nunca saciado

FOTO DO GOOGLE

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

As PALAVRAS

As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.


DE :Eugénio de Andrade

Foto do google

Fernando Pessoa


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.


Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.


Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,


Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?


Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.




Fotos do Google

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um dia especial!!

Aquele dia especial que Isabel tanto ansiava há muito, ia surgir daí a algum tempo.

A sua filha, Joana, tinha sido pedida em casamento, e Isabel que não esperava que isso acontecesse daquela forma inesperada, até porque na época, aquela era uma atitude já não muito comum entre os jovens namorados. A maioria deles, assumia a sua relação amorosa e simplesmente passavam a viver juntos, o que era preferível a casarem e daí a algum tempo assumirem um divórcio, era o que Isabel pensava. Isabel não estava habituada a ser surpreendida por notícias assim tão agradáveis, pois para ela, casar a filha com a pessoa que era já o seu companheiro, era além de uma notícia inesperada e agradável, uma novidade encantadora.

Depois daquele dia, a cabeça de Isabel não teve mais descanso. Naquele dia, no dia de casamento de Joana, tudo tinha que estar o melhor possível, perfeito. E a cabeça de Isabel começou a sonhar, e de tal forma, que a partir daí, sempre que queria relaxar era nesses dias que pensava, porque esse trabalho que iria ter com o casamento, lhe daria imenso prazer e alegria.

Teriam que escolher a data, o local, o menu, fazer a lista de convidados, os convites, a decoração do local da cerimónia, da casa de Isabel e também da casa de Joana e do seu futuro marido.

Completar o enxoval da filha, era algo que Isabel queria muito fazer, e foi a primeira coisa que começou a tratar. Mas Isabel não era a noiva, era simplesmente a mãe dela, e assim limitou-se, de vez em quando, a dar algumas opiniões fazendo um esforço para não interferir muito. A noiva era Joana e seria dela e do futuro marido, a escolha da grande maioria das coisas que preencheriam por completo o dia do seu casamento.

Como Isabel adoraria poder dizer-lhes o que gostaria de colocar aqui ou fazer acolá, como adoraria que este e aquele facto ou situação, um ou outro pormenor, fossem desta e daquela maneira, exactamente como ela achava que ficaria melhor, mas não o devia fazer. A noiva não era ela, mas si a filha. Isabel só deveria apoiar e quando muito dar uma ou outra opinião a Joana, que poderia aceitar ou não o parecer que a mãe lhe dava. Teria que ser assim.

E devagar, muito devagarinho, os dias foram passando, sem nada de especial se fazer ou acontecer em relação ao acontecimento previsto, ainda que os sonhos e ideias para o acontecimento se avolumassem dia a dia, na cabeça de Isabel.

Entretanto um dos dias mais importantes, chegou finalmente. Aproximava-se a altura de escolher o vestido de noiva de Joana. Para Isabel, tal como para a filha, esse era um momento grandioso. E foi, pois elas viveram-no intensamente. Depois de numa primeira tarde terem visitado, ambas, as lojas da cidade mais próxima especialistas nesta área de vestuário, resolveram visitar algumas outras de uma cidade especificamente abundante em lojas mais específicas e com maior variedade desse tipo de artigos. E que bonitos, eram todos os vestidos que viram e que Joana vestiu.

Em cada um, Joana ficava mais bonito que no anterior. Mas, um tinha muitas rendas, outro, muitos folhos, aquele era muito alto de cinta, este outro muito descido pela anca, um análogo tinha uma enorme cauda, e outro ainda, era demasiado decotado. De facto em todos ficava muito bem, esplêndida, mas Joana ainda não sentira que algum deles seria o seu. Imaginava que tinha que ser um vestido, que ao vê-la, o noivo, a achasse mais linda qua algum dia já a tivesse visto. E de facto, ainda que alguns lhe assentassem melhor que outros, quando vestiu aquele porque se decidiu não pestanejou. Aquele seria o seu vestido. Com ele vestido sentia-se bem, o noivo iria de gostar de a ver e Isabel adorou a escolha da filha. Mas que vestido daqueles não ficaria bem a qualquer jovem que os coloque?

O vestido, simples, mas com um corte fabuloso, assentava-lhe como se tivesse sido feito exclusivamente para ela. Com um corte magnífico, faria dela uma princesa. Mais tarde, voltaria à prova do definitivo, mas naquele dia, Joana trouxe consigo as meias que iria usar e a liga azul para lhe dar sorte. Isabel não queria que nada faltasse a Joana, mesmo aquelas coisas consideradas pelo povo, como lendas ou superstições.

E os dias iam avançando e agora para Isabel, que já vira Joana com o vestido colocado como se fosse o dia do casamento, seria muito mais fácil continuar a sonhar, a sonhar, sonhar muito, com o dia que seria por certo o mais feliz da vida da sua filha.

E como ela ficaria bonita descendo as escadas da sua casa…


Fotos do Google

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ELE na televisão

Isabel estava de férias, no seu país. Estávamos ainda no Verão, no seu final, mas os dias uns pelos outros ainda se apresentavam risonhos, quentes, convidando à praia e ao lazer. Mudava de local naquele final de semana, pois nesse ano as férias eram um pouco mais longas que o habitual.

Tinha passado com Pedro um ano muito difícil, por motivos de trabalho, de uma recidiva de uma doença muito aborrecida do Pedro e porque não dizê-lo, por falta de dinheiro, que naquele ano na sua família como em todo o país parecia escassear cada vez mais. Na verdade, aquele ano até ali tinha sido muito complicado, e o que estava para vir logo se viria.

Mas naquele ano os filhos juntaram-se à mãe e ofereceram ao pai, pelo aniversário, uma semana numa Albergaria que ao percorrer com olhar atento fez lembrar a Isabel as pousadas maravilhosas que de vez em quando, recordava com nostalgia do seu Brasil, aonde ainda pretendia voltar, mas não sabia quando. Poderia ser que o fizesse só em sonhos.

Naquela tarde algo muito importante iria acontecer. Era absolutamente imperioso que ela e o Pedro estivessem na Albergaria, no seu quarto, ou num outro lugar qualquer, onde atentamente o pudessem ouvir. Sem saber como, nem porquê, o filho mais velho iria falar na televisão. Um convite chegado sem contar, e sem Isabel conhecer ao certo o motivo, mas que a deixou cheia de curiosidade e interesse. De facto o que sabia é que o seu filho mais velho iria falar na TV, naquela tarde exactamente a uma hora determinada, e o que ela sabia é que isso era muito bom. Sabia que ele tinha muito valor. Era inteligente, culto, bem-falante, conhecedor de tudo, além os assuntos da sua área, mas também modesto e humilde, para ter nele o exemplo do que deviam ser os homens no mundo, para que este evoluísse e andasse para a frente. Não havia nada que ele não dominasse, era o que Isabel mãe orgulhosa e babada pensava do seu primogénito.

E de facto ocuparam o quarto na Albergaria, a tempo de à hora exacta, estarem em frente à TV. Sentados na cama em frente à televisão esperaram ambos que o programa começasse. Pareciam duas crianças. Isabel estava tão nervosa que quando o programa começou, queria logo que ele aparecesse. E apareceu, mas primeiro numa curta apresentação e depois de escutado o primeiro convidado, foi um prazer ouvir e ver o seu rebento. Um homem lindo, talentoso só de olhar, simples no aspecto, mas grandioso em tudo o que dizia, que para Isabel aquele era o seu menino, ou não, pois era um homem que ela ouvia. E baralhada, pois sabia que o seu menino era um homem, aquele homem com letra grande que falava, que sabia bem o que dizia, respondendo com enorme eloquência e sabedoria a tudo o que lhe era perguntado, Isabel não sabia se havia de rir ou de chorar, pois cada coisa que ele dizia deixava o seu coração repleto de felicidade.

Isabel atenta, não perdeu uma palavra do que ele disse, nem sobre o trabalho, nem sobre os seus gostos pessoais, e muito mais haveria para dizer, que apesar da vida ainda não ser muito cumprida, ele aproveita cada segundo e o seu curriculum já é longo e muito rico.

E gostou de tudo o que ele disse. Confirmou que sabia ainda, as coisas de que ele gostava. E que bem que o conhecia o seu menino. Apreciava, como há-de gostar eternamente de música e de escrever, e ler, ler todos os autores que cuidadosamente escolherá sempre, como sendo uma riqueza, algo precioso e especial, importante demais para o ensinar e dar a conhecer exactamente o que pretende ou não, mas sempre uma valia a aproveitar.

Isabel estava agitada, e da emoção de tão bem o ver e ouvir falar, nem sabia se havia de rir ou se chorar. Deixou-se ficar nesse encantamento, recebendo mensagens de elogio e parabéns de amigos que também o ouviram. Nesse dia quase que pensou que o mundo podia acabar. Mas não, era tudo emoção, tinha a sua filha e ela ia casar, uma emoção tão grande que nem sabia bem em qual pensar. A sua princesa ia casar, e o seu menino era um homem que falava com nenhum outro, com sabedoria e total competência.
O seu menino era um Homem, e era o maior. Um dia havia de lá chegar, àquele lugar onde só chegam as estrelas, por nunca desistirem de subir, de lutar e trabalhar. Ela sabia, que um dia o seu brilho chegaria longe, e a partir dali nunca mais pararia de brilhar.



E a sua princesa vestida de branco, naquele dia ia entrega-la a alguém que para sempre havia de a fazer feliz.

E deliciou-se a pensar nos seus dois filhos e tanto o fez, com tanta energia, tanto amor e empenho, que nesse dia chegada a noite, os seus olhos não dormiram. Tinha sido tão forte a emoção que Isabel não estava nela. Será que tudo aquilo era verdade?

Naquele dia vivera de facto momentos de imensa felicidade.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Palavras que são beijos

  Há Palavras que Nos Beijam

 Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)


Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.



Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'


Tema(s): Beijo Palavra Ler outros poemas de Alexandre O'Neill // Co

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Aquela que eu amo..

Antero de Quental



Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas
Da antiga Vênus de cintura estreita...


Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortas entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...


A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que se dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...


E como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...


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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A vida de Isabel degrada-se

E Isabel desconsolada e triste, sofria, por não encontrar solução para aquele problema.
Desde há uns anos atrás, na altura em que tinha uma empregada nova, mulher normal de aspecto que apenas tinha como lucro a força da sua juventude, robusta, boa pessoa, e muito caridosa, com quem o seu pai encontrara maneira de se intrometer, sem qua a mesma o tenha permitido, talvez porque não se dera conta das suas investidas maquiavélicas, quem o saberia? Sim, porque em quem deveria Isabel acreditar, no velho do pai ou na empregada, se as  manobras que ele fez lhe passaram à margem?
O que aconteceu é que as investidas do velho aterrorizaram a rapariga, que com medo do marido descobrir, disse a Isabel que não queria trabalhar mais na sua casa, alegando para isso vários motivos e também algumas provas das tentativas de namoro assediado, do velho atrevido, o pai de Isabel.
~
Isabel chamou a atenção do pai: “que não devia ter feito aquilo, nem assediado a rapariga e mais isto e aquilo”. Mas de facto, Isabel ficou sem empregada e sem sossego. O pai simplesmente deixou de lhe falar, exigindo para o fazer de novo, que a filha lhe pedisse desculpas, coisa qua  Isabel não estava disposta a fazer´. A mãe que só a visitava quando acompanhada pelo marido, deixou assim de visitar a filha para todo o sempre. Isabel passou a viver momentos como nunca sonhou ser possível um dia viver.

Teve que arranjar uma nova empregada o que não foi nada fácil, depois de ter tido em sua casa, durante doze anos, uma pessoa em quem confiava completamente. mas perdeu a visita dos pais a sua casa, o que lhe custou muito a admitir

Não entendia que por causa do velho e das suas manias, tivesse perdido a sua querida empregada. Nunca mais encontraria outra igual.

Mas encontrou, só que com rigor, apesar de parecer doce, meiga, com necessidade de receber carinho e vontade de aprender cada dia coisas novas, Isabel não a conhecia de verdade, e sabia que em nada era igual à anterior. Mesmo assim, Isabel pensou que finalmente a sua vida iria equilibrar, apesar do pai, aquele velho aborrecido, nunca mais lhe ter voltado a falar, e a mãe mesmo que só nunca mais a tivesse visitado.

Mas passados dois anos as jóias valiosas, todas elas, as que Isabel durante a sua vida comprara com sacrifício e amor, e muitas outras que ela os os filhos, receberam como presente, marcando uma data ou um dia especial, todas, absolutamente todas, desapareceram das suas caixas, algumas, a maioria, bonitas, forradas de veludo ou cetim. Isabel via voar o seu património, sem saber para onde. Tudo o que juntara para um dia deixar como herança para os filhos e netos, tudo se fora, tão naturalmente que Isabel, nem ninguém da sua casa,marido ou filhos, deram por isso. A casa não fora desarrumada, as portas e janelas não foram destruídas, os gavetões, armários e na sua totalidade a casa estava intacta, como se ninguém estranho lá tivesse andado a remexer fosse o que fosse. Alguém levara tudo sem deixar vestígios, sem sentir um rasgo de dó ou de piedade.

A nova empregada, a tal que tudo queria aprender e parecia meiga e doce, ultimamente andava sempre agitada e doente, mal disposta, faltando muito ao trabalho. Isabel sem saber de nada, mandava-a ao médico, dava-lhe medicamentos para a aliviar, ouvia-lhe as queixas, até que a mesma, resolveu deixar de trabalhar e ir visitar os filhos pois tudo aquilo podiam ser saudades de casa. E a rapariga partiu, foi visitar os filhos, desempregou-se de casa de Isabel pois como ela dizia: ”a sua cabeça não andava bem”, ao mesmo tempo que gritava para quem a quisesse ouvir: “que estava rica e ninguém tivesse mais pena dela”. Isto confundia Isabel que nunca pensou que algo mais grave que a sua doença, estivesse por trás de tudo o que dizia, já que pelo que a mãe do namorado da moça lhe dizia, muitas vezes a rapariga nem a casa ia dormir, parecendo que andava possuída por algo muito ruim. Devia estar mesmo doente, e para que queria Isabel a servir-lhe em casa um a mulher doente, que passava o tempo a faltar.

E um dia a rapariga partiu e foi visitar os filhos, ficando Isabel de novo sem empregada, e sem saber ainda da falta das suas preciosidades, pois na verdade, só mais tarde, na sua ausência, deu conta da falta das jóias que tanto estimava, por um dia ter ido buscar uma, para se enfeitar numa ida a uma festa especial. Nesse dia, encontrou todas as caixas vazias, mesmo as que não eram de veludo ou cetim, mas continham dentro algo amarelo que se aparentasse ouro.

Entretanto uma loja que possuia à sociedade, estava com más contas, não conseguia fazer dinheiro para saldar no banco, contas anteriores. Em casa, com o apoio do marido, juntam todos os bens, acções, seguros, o que tinham junto dessa forma, durante a vida. e com tudo junto pagam à banca as dividas da loja, desfazendo a sociedade, passando-a para o sócio que agora sem dividas, e apgando apenas uma mensalidade a Isabel, conseguiria andar para a frente, assim a vida também lhe corresse a  favor e ele soubesse gerir as suas contas.

Aquilo era demais para Isabel. Perdas demais para uma pessoa, ela, que lhe parecia não merecer tamanha sorte, pois nunca fizera mal a alguém. Aquilo era um castigo, não podia ser outra coisa.

 Em rellação ao furto, a polícia não resolveu nada. Não havia provas, e o que se podia provar não foi aceite como verdade. Quando ela chegou de férias, vinda de avião do outro lado do mundo, foi a Isabel que pediu ajuda directamente do gabinete da polícia, que sabe para provar que não tinha dinheiro com ela. Mais tarde quando foi chamada a depor apenas respondeu que não tirou nada que não sabia de nada, e por aí ficou. O namorado também afirmou que nunca a tinha visto com nada, e o processo foi arquivado, e Isabel ficou sem nada. Mas pior do que isso, Isabel aos poucos foi perdendo tudo o que tinha. A vontade de agir, de andar para a frente e lutar contra as adversidades que se lhe deparavam.

O tempo era de mudança. Não havia dinheiro, as dívidas acumulavam-se, e Isabel nem imaginava como havia de fazer frente a toda aquela situação. Numa outra  empresa  que tinha, que já ia com 33 anos, já rescindira contrato com um funcionário, e as dividas com os fornecedores eram cada vez maiores. O que fazer, se os bancos não lhe emprestavam dinheiro para ela saldar essas dívidas? Estava num beco sem saída. Aos poucos perdia tudo, até a vontade de viver, pois também a sua vida pessoal fora sempre um pouco de fingimento e mentira, e nem a esse nível ela se sentia realizada. Viver assim para quê, se só encontrava obstáculos cada vez mais difíceis de transpôr. Sonhava que estava bem, fazia força para saber fingir que o que fizera bem feito a preenchia, mas era tudo mentira.

E Isabel estava desgostosa, sem saber o que fazer à sua vida, pois todos os seus sonhos de trabalho estavam igualmente a desaparecer, como tinha acontecido com as suas jóias, sem ela poder prever tempos atrás que isso iria acontecer.

Ninguém a podia ajudar, só o velho do pai, que deixara de lhe falar e tinha dinheiro. Que ela até sabia, que ele lhe emprestaria, mas a quem ela tinha que fazer esse pedido sujeitando-se a tudo que ele lhe pudesse vir a dizer, ficando subordinada aos seus ditos e opiniões nunca agradáveis.


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AQUELA mulher velha

Afinal, ela não estava completamente errada.
Aquele preto que vestia sempre, o seu semblante carregado e olhos descaídos, onde nunca consegui ver pestanas, e talvez por isso, nunca consegui notar algum dia a cor, velha, casmurra, sempre de mau humor, indisposta e capaz de abrir a boca a qualquer momento para dizer coisas que criavam entre eles,( ela, o filho e a nora), um ambiente o pior possível, quem sabe por ciúmes dela ou da nora, afinal tinha alguma razão de existir com tamanha mágoa e tristura.

Não fazendo dela, com isto, uma santa mulher, porque sempre a considerei má, nada carinhosa, nem meiga, nem atenta, nem disponível para nada que não fossem as coisas que a ela diziam  estritamente respeito, alivia um pouco o sentimento que sempre nutri por ela, de a considerar estranha e conflituosa, capaz de me amedrontar continuamente, quase por gosto, assustando-me até ao fim do mundo.

       Afinal ela não amava ninguém como devia, porque não sabia, pois também nunca foi amada, garantidamente, como desejaria e como deveria ter sido amada. Mãe acima de tudo, depois esposa e amante de seu marido, por obrigação tenho a certeza, pois me afiançou muitas vezes que gostaria muito mais de ter entrado para um convento, esta mulher vestida de negro sempre foi uma mulher fria, quezilenta, implicante, sem amor a ninguém, egoísta, e muito autoritária, capaz de fazer sempre tudo o que queria e garantidamente sabia bem que ninguém naquilo que podia seria capaz de a contradizer nunca.
     Mas uma mulher só no meio de muita gente, a sua gente, uma mulher incompreendida e infeliz, que hoje compreendo um pouco melhor que naquela altura.
   
    A falta de amor, de auto estima, pode fazer-nos impertinentes e maus, duros, terríficos, e aquela mulher mal-amada sempre de semblante carregado e entristecido, sofria de amor tão somente.

      Aquele “serrar” a que se referia, entendo-o hoje muito bem, por que também o vivo e sinto. Não ser amada como se deve, esquecida, egoistamente usada como um objecto, sem se saber mentir, ou cansada de fingir, pode tornar-nos maus, tristes, egoístas, cansados da vida, pois quando se dá e não se recebe na mesma moeda, com o tempo, pode levar-nos a destruir o melhor que temos e somos.
    Ficamos fartos, desesperadamente saturados de tanta monotonia e tanto desamor.
     O melhor é desistir e aceitar resignados, foi o que fiz há muito.

     Perdoa-me a incompreensão, mas considero que não te devias ter vingado nos que inocentemente te rodeavam, só por que nunca foste amada como desejaste, por quem querias.
Eu  não deixei de amar quem me rodeia e não procurei essa vingança, e sabes uma coisa, se tivesses deixado eu podia ter-te amado naquela altura.

   Assim perdeste a oportunidade de amar e ser amada por todo o resto do mundo que não quiseste conhecer, e também pelos que conheceste.
   Não deixaste que te amassem porque lhes mostraste sempre má cara, vestida com as tuas vestes negras, tal era a cegueira que te rodeava por desejares aquele amor que não te souberam dar, não por mal, mas porque não souberam amar-te como deviam.
    Sei isso muito bem. Mas como te compreendo melhor hoje, desculpo um pouco o teu permanente mau humor a tua tristura infinita para comigo.
    Que Deus te recompense agora, e eternamente.
     Fica em PAZ!

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Aquela velha

Afinal, ela não estava errada completamente.

Aquele preto que vestia sempre, o seu semblante carregado e olhos descaídos, onde nunca consegui ver pestanas, e talvez por isso, nunca consegui notar algum dia a sua cor, velha, casmurra, sempre de mau humor, indisposta e capaz de abrir a boca a qualquer momento para dizer coisas que criavam entre eles, o filho e a nora, um ambiente o pior possível, quem sabe por ciúmes da nora, afinal tinha alguma razão pela sua tristura.

Não fazendo dela, com isto, uma santa mulher, porque sempre a considerei má, nada carinhosa, nem meiga, nem atenta, nem disponível para nada, que não fossem as coisas que lhe diziam respeito estritamente a ela, alivia um pouco o sentimento que nutri por ela, de a considerar estranha e conflituosa, capaz de me amedrontar continuamente, quase por gosto.

Afinal ela não amava ninguém como devia, porque não sabia, pois também nunca foi amada, garantidamente, como desejaria e como deveria ter sido amada, mãe acima de tudo, depois esposa e amante de seu marido, por obrigação, tenho a certeza, pois me afiançou muitas vezes que gostaria muito mais de ter entrado para um convento. Mulher quezilenta, implicante, sem amor a ninguém, egoísta, e muito autoritária, capaz de fazer sempre tudo o que queria e garantidamente saber que ninguém seria capaz de a contradizer fosse no que fosse, mas uma mulher só no meio de muita gente, a sua gente, mulher incompreendida e infeliz, que hoje consigo compreender um pouco melhor que naquela altura. A falta de amor, de auto estima, pode fazer-nos impertinentes e maus, duros e terríficos, sempre de semblante carregado e entristecido.

Aquele “serrar” a que se referia, entendo-o hoje muito bem, por que também o vivo e sinto. Não ser amada como se deve, esquecida, egoistamente usada como um objecto sem se saber mentir, ou cansada de fingir, pode tornar-nos maus, tristes, egoístas, cansados da vida, pois quando se dá e não se recebe na mesma moeda, com o tempo, podemos destruir o nosso melhor.
Ficamos fartos e desesperadamente saturados, de tanta monotonia e tanto desamor. O melhor é desistir e aceitar resignados, foi o que fiz há muito.

Perdoa-me a incompreensão, mas considero que não te devias vingar nos que inocentemente te rodeavam e buscavam o teu carinho, só por que nunca foste amada como desejaste por quem querias com sonhaste. EU  também não fui nem sou amada como desejava ser, e sei que não sou má, não procurei  nunca essa vingança.

É que assim, perdeste a oportunidade de amar e ser amada por todo o resto do mundo que não quiseste conhecer, e pelos que conheceste, mas não deixaste que te amassem porque lhes mostraste sempre má cara, vestida com as tuas vestes negras, tal era a cegueira que te rodeava por desejar aquele amor que não te souberam dar, não por mal, mas porque não souberam amar-te como deviam.

Sei isso muito bem, e como te compreendo melhor hoje desculpo um pouco o teu permanente mau humor.

Que Deus te recompense agora, e eternamente.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O amor é o amor

Alexandre O'Neill     




O amor é o amor




O amor é o amor - e depois?!


Vamos ficar os dois


a imaginar, a imaginar?..




O meu peito contra o teu peito,


cortando o mar, cortando o ar.


Num leito


há todo o espaço para amar!




Na nossa carne estamos


sem destino, sem medo, sem pudor,


e trocamos - somos um? somos dois? -


espírito e calor!


O amor é o amor - e depois?!








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Poesias Completas


1951/1981


Biblioteca de Autores Portugueses


Imprensa Nacional Casa da Moeda

















Escrever Amor

Alexandre O'Neill


Mal nos conhecemos

Inauguramos a palavra amigo!

Amigo é um sorriso

De boca em boca,

Um olhar bem limpo

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.

Um coração pronto a pulsar

Na nossa mão!

Amigo (recordam-se, vocês aí,

Escrupulosos detritos?)

Amigo é o contrário de inimigo!

Amigo é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado.

É a verdade partilhada, praticada.

Amigo é a solidão derrotada!

Amigo é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

Amigo vai ser, é já uma grande festa!



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Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca,

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.



Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto,

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas, inesperadas

Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído,

No papel abandonado)


Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte.


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A meu favor

Tenho o verde secreto dos teus olhos

Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor

O tapete que vai partir para o infinito

Esta noite ou uma noite qualquer


A meu favor

As paredes que insultam devagar

Certo refúgio acima do murmúrio

Que da vida corrente teime em vir

O barco escondido pela folhagem

O jardim onde a aventura recomeça.


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Nesta curva tão terna e lancinante

que vai ser que já é o teu desaparecimento

digo-te adeus

e como um adolescente

tropeço de ternura

por ti.


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