segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Guma Kimbanda

Acerca de mim (DELE do GUMA)

As minhas palavras são olhos nos olhos! Os silêncios, falam por si! Escrevo porque as palavras ficam, e o que dizemos segue com a brisa quente e húmida de um dia de cacimbo! Todos os dias a toda a hora, agradeço cada milésimo de segundo como se fosse o último, porque aos poucos me vou dissolvendo na natureza que é minha mãe.

As palavras do GUMA estremecem-me sempre, por isso as colei no meu blog.OBRIGADA

O nosso amor!




Carlos Queiroz (1907-1949)
CANÇÃO GRATA

Por tudo o que me deste: — Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? E certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
Obrigado, obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
— Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Afinal são irmãos....!!!

       Recolhido no silêncio do seu quarto, quanto mais pensava sobre tudo o que soubera naquele dia, mais certeza tinha em relação ao que teria de fazer para poder superar o que lhe ia na alma. O seu amor e atracção por Maria Luísa era muito forte, muito mais do que deveria ser, tendo em conta que era seu irmão. Reconhecia que a amava e se pudesse era a ela que queria, para viver com ele até ao fim dos dias. Por isso protelava tanto a sua relação com Teresa, pois tentava atrair para si a Maria Luísa e ver se ela cedia e acabava o namoro com Pedro.
       A sua relação com Teresa não era má, mas estava longe de pensar que seria aquela a mulher que sonhara ter como companhia para toda uma existência. Teresa era uma óptima companhia, simpática, terna, mas não o fazia sentir plenamente apaixonado, ele que apesar de ser um homem discreto, era um sonhador em matérias do amor, procurava um bem-querer infindável e incontornável, que o fizesse estremecer e desejar sempre mais, para a sua vida.


       Há já algum tempo que pensava fazer um doutoramento numa área específica do seu curso. Pensou que o melhor, seria afastar-se de tudo e de todos, durante algum tempo, para colocar as ideias no lugar, com a certeza que teria que colocar um fim na sua relação com Teresa, que estava certo não o completava. Falaria com o pai, que não o deixaria de apoiar como sempre fizera, nestas circunstâncias quando se tratava de evoluir na sua carreira profissional.

      Sabia que a mãe iria ficar triste pelo seu afastamento, mas era exactamente a ela que queria mostrar que estava melindrado com o seu procedimento. Precisava afastar-se dela não queria julga-la pior do que estava a fazer naquele momento. A sua mãe era uma mulher fraca e tinha tido um procedimento com o qual ele não concordava. O tempo ia  ajudar a esquecer tudo e tudo voltaria a entrar no trilho, mas naquele momento queria sair dali, precisava afastar-sede Mizinha e sublimar os seus sentimentos. Era o que ele esperava.

      Foi com estes pensamentos que se deitou, convicto de que esta seria a melhor atitude a tomar. Precisava afastar-se da irmã, e necessitava de tempo para se conciliar com as atitudes que a mãe tomara, para a voltar a enfrentar como sempre, com naturalidade.

       No dia seguinte falaria com o pai e ia começar a resolver todas as burocracias na sua faculdade, o que não seria difícil. Por outro lado sabia que Teresa ia sofrer, mas não podia continuar com tamanha incerteza, e um namoro que não era bom para nenhum deles. Quando regressasse, se ambos ainda estivessem livres, quem sabe ainda pudessem voltar a encontrar-se de novo e recomeçar uma relação, isto se o futuro não lhe reservasse uma surpresa e ele acabasse por ficar no país para onde gostaria de ir estudar. O mundo está repleto de Marias.

Helena encontra Henrique

    Maria Luísa estava cada dia melhor, e os médicos já tinham avisado a mãe que faltava pouco para ela regressar a casa. Havia poucos dias, que o médico que a tratara mais de perto lhe dissera que naquele acidente, o pai tinha falecido.

    Fora-lhe dito, por ele, que nada mais havia a fazer e que para a sua rápida recuperação tinha que manter a calma e aceitar o sucedido.
 
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terça-feira, 26 de julho de 2011

MÃE

         CONFIDÊNCIAS

                            Mãe! Vem ouvir...

         Mãe!
         Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
         Traze tinta encarnada para escrever estas coisa! Tinta cor de sangue,
         sangue verdadeiro, encarnado!
         Mãe, passa a tua mão pela minha cabeça!
         Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de
         viagens! Eu vou viajar.  Tenho sede! Eu prometo saber viajar!

         Quando voltar é para subir os degraus da tua asa, um por um. Eu
         vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me
         a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que
         eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as
         mesmas palavras.

         Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
         Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também
         quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

         Mãe!   passa a tua mão pela minha cabeça!
         Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!



       De ALMADA NEGREIROS



terça-feira, 19 de julho de 2011

O vazio e a solidão


                                               
                                       Ela julga-se infeliz porque ele partiu.
  
                                       Mas ele não era dela, nem de ninguém.

                                       Preferiu a morte ao desassossego,
                                      de ter que escolher a mulher e casa certa.

                                       Se aquilo é amor, eu nunca amei ninguém.

                                      "E agora o que vou fazer
                                       aos sábados, domingos e também aos feriados"

                                      Esta era a aflição da mulher abandonada...
                                     de uma delas, talvez a que o amava mais, ou talvez não...

                                       
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sábado, 16 de julho de 2011

Tudo ilusão!!

                                Poema para Iludir a Vida
Tudo na vida está em esquecer o dia que passa. 
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste, 
um cedro, areias, raízes, 
ou asa de anjo 
caída num paul. 
O navio que passou além da barra 
já não lembra a barra. 
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar 
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos 
                                                                               [portos. 
Hoje corre-te um rio dos olhos 
e dos olhos arrancas limos e morcegos. 
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje 
                                                                                 [o fim 
e que há certezas, firmes e belas, 
que nem os olhos vesgos 
podem negar. 
Hoje é o dia de amanhã. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"

Tema(s): Poema  Vida Ler outros poemas de Fernando Gonçalves Namora 
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Sempre o AMOR !


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sexta-feira, 15 de julho de 2011

A AMIZADE


                   
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
O Homem é do tamanho do seu sonho.Fernando Pessoa

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...
Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa )

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.
Fernando Pessoa

Poesia & CiaMais

AMOR

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer


Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!


Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Fernando Pessoa
Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos     



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Hoje é o dia de amanhã

Fernando NamoraFernando Gonçalves NamoraPortugal1919 // 1989Escritor/Poeta/Médico
Poema para Iludir a VidaTudo na vida está em esquecer o dia que passa. 
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste, 
um cedro, areias, raízes, 
ou asa de anjo 
caída num paul. 
O navio que passou além da barra 
já não lembra a barra. 
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar 
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos 
                                                                               [portos. 
Hoje corre-te um rio dos olhos 
e dos olhos arrancas limos e morcegos. 
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje 
                                                                                 [o fim 
e que há certezas, firmes e belas, 
que nem os olhos vesgos 
podem negar. 
Hoje é o dia de amanhã. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"



Tema(s): Poema  Vida Ler outros poemas de Fernando Gonçalves Namora